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domingo, 30 de junho de 2013

Nenhum investimento compensou fim da Base militar francesa na ilha das Flores

Vinte anos depois do desmantelamento da Base francesa das Flores ouve-se apenas uma queixa, mas unânime, naquela ilha açoriana: nenhum investimento posterior compensou a saída dos militares franceses e respectivas famílias, "a maior tragédia que aconteceu à ilha das Flores".

Foi a 30 de Junho de 1993 que foi desmantelada a Base de telemedidas que a França teve durante quase 30 anos na ilha das Flores. Cerca de 40 trabalhadores portugueses ficaram oficialmente no desemprego mas muitos outros perderam o trabalho naquele dia, sobretudo mulheres que trabalhavam nas 25 casas do "Bairro dos franceses".

"Fazem-nos muita falta os franceses, muita falta mesmo", diz Almerinda Manes, 54 anos, repetindo aquela que é a frase mais ouvida em Santa Cruz das Flores quando se pergunta pelos tempos da Base. A nostalgia é evidente em todos os relatos, sejam ou não de antigos trabalhadores. Todos lembram com saudade os salários mais de duas vezes superiores aos nacionais, o dinamismo do comércio e restaurantes locais, a chegada mensal do avião de abastecimento à Base, as 'soirées' culturais e de gala na messe (ou hotel), as actividades no imenso ginásio, que albergava um campo de futebol, campos de ténis, tela de projeção de cinema, concertos ou até uma árvore de Natal gigante.

Almerinda trabalhou na casa de uma família francesa, o marido foi funcionário da Base e o filho, agora com 34 anos, nasceu nas Flores num parto assistido por médicos franceses. Hoje, como nos últimos 20 anos, não nascem crianças na ilha. E também deixou de haver análises, radiologista, dentista ou cirurgias. Tudo acabou com os franceses. "Andámos 70% para trás em tudo", diz Manuel, 78 anos, que trabalhou 19 com os franceses. "Foi a maior tragédia que aconteceu na ilha", corrobora José Silva, 54 anos, que sublinha que hoje "a maior parte da população sai" porque "tirando a Saúde e o ensino, não há oportunidades de trabalho".

A ilha das Flores tem ainda hoje a única barragem dos Açores, construída pelos franceses. Tiveram eletricidade e estradas quando ainda não tinham chegado às "ilhas grandes" e a própria pista do aeroporto foi acelerada por causa da presença estrangeira na Base. Tudo investimentos e desenvolvimento que acabariam por chegar, como chegaram a todas as ilhas açorianas, mas que as Flores conheceram muito mais cedo.

O acordo celebrado em 1993 entre França e Portugal, que ditou o fim da Base na ilha das Flores, estipulou o pagamento de contrapartidas francesas para as Forças Armadas portuguesas e a Região no valor de 500 mil contos anuais até 1997. Os trabalhadores portugueses receberam indemnizações segundo a legislação portuguesa acrescidas de "bónus" negociados entre os dois Estados. À distância, nenhum se queixa dessas compensações e todos acabaram por se reintegrar no mercado de trabalho ou se reformaram. Um dos casos mais simbólicos é o de Rogério Medina, que de trabalhador no hotel passou a gerente, alugando o edifício ao Ministério da Defesa Nacional.

Quanto às casas onde viviam os militares e as famílias, a maioria foi vendida a particulares e algumas foram usadas por funcionários dos Ministérios da Defesa e da Justiça destacados para a ilha das Flores. Hoje estão também à venda, diz o presidente da Câmara de Santa Cruz das Flores, José Carlos Mendes: "O património deixado pelos franceses está bem conservado e preservado. Na óptica da ilha é que se perdeu muito", acrescenta, dizendo que havia com os franceses - uma comunidade que chegou a juntar 300 pessoas na ilha das Flores, onde viviam cerca de 5 mil pessoas - "investimentos significativos que desapareceram" e "uma dinâmica económica e social que nunca foi compensada".

O autarca, que em 1993 trabalhava na administração do Centro de Saúde local e assistiu ao desmantelamento dos equipamentos ali colocados pelos franceses, lamenta que as contrapartidas acordadas não tenham tido aplicação maior e directa na ilha, num investimento "específico para compensar aquela saída". A comparação com a Terceira é inevitável: José Carlos Mendes espera que aquilo que aconteceu na ilha das Flores sirva de exemplo e haja outra "sensibilidade" nas negociações para as Lajes. Em 1993, "o Governo da República não olhou para as Flores", considera.

O autarca dá um exemplo: uma das "reivindicações da ilha" era que o património, sobretudo as casas dos militares, fossem passadas para a tutela da Região, de forma a serem usadas por instituições ou entidades que delas necessitassem, mas o Governo central preferiu "rentabilizar" e "só não vendeu aquilo que não conseguiu", ou seja, o hotel dos franceses e o mítico ginásio, que já foi usado para celebrações religiosas, quando a igreja de Santa Cruz esteve em obras, e agora está fechado.


Notícia: portal Impala e «Açores 24 Horas».
Saudações florentinas!!

domingo, 26 de maio de 2013

As consequências da inacção

Sem políticas concretas e transversais a biodiversidade continuará a desaparecer. Podem existir dias como este [Dia da Internacional da Biodiversidade, 22 de Maio], que chamem a atenção para a conservação. São dias intensos, cheios de actividade, cidadania responsável, debates ou seminários. Mas na prática, se não existir legislação, medidas concretas para minimizar o impacto do Homem no planeta, estas intenções e boas acções de um dia esfumam-se sem consequências directas.

Nas últimas quatro décadas a Humanidade tem vindo a assistir a um crescimento demográfico e desenvolvimento económico e social como não há precedentes. O produto interno bruto (PIB) é o termo mágico que mede o crescimento económico e o desenvolvimento dos países. Como consequência, o planeta sofre uma permanente poluição, atmosférica e aquática, e uma exploração desenfreada de recursos naturais. Embora maior riqueza possa trazer melhores condições de desenvolvimento, não quer dizer que a qualidade de vida seja melhor. A exploração insustentável de recursos tem reflexos ao nível dos serviços do ecossistema e da biodiversidade e, por isso, da qualidade dos bens de que dependemos. Até onde estamos a hipotecar a sustentabilidade da Humanidade?

Mais biodiversidade, maior sustentabilidade do ecossistema, mais e melhores recursos disponíveis ao Homem. Nos Estados Unidos, um estudo elaborado pelo serviço nacional de florestas reconheceu existir uma relação entre pessoas mais saudáveis e a mancha arbórea natural em zonas urbanas ou limítrofes. Ou seja, os serviços do ecossistema, benéficos para a sociedade e base de uma vida sustentável, deviam ser contabilizados e entrar na quantificação da "medida" do PIB. Esta é uma das recomendações que a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) tem vindo a fazer. A sensibilização para estes assuntos foi promovida através do desenvolvimento do chamado índice better life que permite jogar com 11 parâmetros para definir, por país, a qualidade de vida das pessoas. Entre estes, no parâmetro ambiental, 20% dos portugueses dizem não ter acesso a áreas verdes ou espaços naturais, o que está acima da média da OCDE, de 12%.

Portugal tem uma vasta rede de áreas protegidas. Mais do que proteger é necessário gerir e conservar, não é apenas reservar, delimitar. A tradição mediterrânica pressupunha uma intervenção do Homem com a poda de ramos (para lareiras e fornos), com o fogo controlado (para rejuvenescimento e limpeza de matas) e com o pastoreio extensivo, mas não intensivo. Hoje, o abandono destas práticas, por razões óbvias inerentes ao desenvolvimento, está a ter repercussões que só mais tarde - e já tarde - a sociedade entenderá. O declínio de montados, por exemplo, não é mais do que a resposta de uma sequência de alterações impostas durante anos a um ecossistema que estava em perfeito equilíbrio harmonioso. O problema em todas estas situações é a falta de observação holística e por isso tratam-se maleitas sem se atender às suas causas.

Cada vez mais a conservação da biodiversidade é um problema cadente e pendente que deve ser entendido e tratado de forma global. As ferramentas políticas são várias e diversas. Podiam ser mais estimuladas as parcerias do tipo Business&Biodiversity onde estão inscritas, apenas, 64 empresas. Outras podiam juntar-se se existissem incentivos competitivos de sustentabilidade ambiental. Mas para além da cooperação institucional e interministerial, das ligações e incentivos empresariais podem e devem aparecer iniciativas descentralizadas ligadas à sociedade. Não é de mais enaltecer o papel das associações não governamentais que, com a sua voz e o saber dos seus membros, têm contribuído para uma cidadania em prol do ambiente. No entanto, a sociedade devia ser mais activa e menos permissiva a situações de impacto no território. Não é por acaso que a participação pública dos portugueses nas avaliações da OCDE são muito abaixo da média. Apesar do papel das sociedades científicas e das organizações não governamentais, falta promover, dentro da sociedade, o que os ingleses têm muito: amadores, naturalistas, autodidactas, ouvidos e respeitados por cientistas e políticos. Quando isso acontecer teremos mais cidadania, responsável e mais activa em prol da sustentabilidade dos ecossistemas. Então sim, poderemos celebrar o dia da conservação da biodiversidade.


Artigo de opinião da professora universitária Maria Amélia Martins-Loução, publicado no jornal «Público» de 22 de Maio.
Perfaz hoje quatro anos que a ilha das Flores passou a integrar a Rede mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

"Comemorar"(?) o Dia da Mulher

A Associação de Jovens das Flores comemora(?) o Dia Internacional da Mulher no próximo sábado (dia 9) com a realização da Secret Party, no Bar do Aeroporto, com a presença de Marco (ex-concorrente da Casa dos Segredos 2). Para as mulheres "vai haver" muitas surpresas e prémios!

No dia 8 de Março de 1857 as operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte-americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a sua fábrica e reivindicaram melhores condições de trabalho, tais como: redução da carga diária de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com brutal violência: as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que depois foi incendiada; aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num acto totalmente desumano.

Somente em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de Março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram naquela fábrica em 1857. Mas apenas em 1975 a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como Dia Internacional da Mulher.

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objectivo é discutir o papel da mulher na sociedade actual, pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do seu valor. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, as mulheres ainda sofrem em muitos locais com salários baixos, violência doméstica, jornada excessiva de trabalho, assédio sexual e desvantagens na carreira profissional. Muito foi já conquistado, mas muito ainda há para ser modificado na plena emancipação das mulheres.

Saudações florentinas!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ilhas da Graciosa e Corvo atraem mais turistas por serem Reservas da Biosfera

A Graciosa e o Corvo, as duas mais pequenas ilhas dos Açores, são desde há cinco anos consideradas Reserva da Biosfera, uma classificação atribuída pela UNESCO que visa a conservação de paisagens e espécies, num contexto de desenvolvimento ecologicamente sustentável.

As duas pequenas ilhas possuem uma enorme riqueza de flora terrestre, num património único que se estende aos invertebrados, aos moluscos terrestres e, especialmente, à avifauna, sendo locais de nidificação de espécies raras e zonas de paragem e alimentação de aves migratórias nas viagens entre os continentes americano e europeu.

As características únicas da Graciosa e do Corvo têm vindo a ser conhecidas por um número crescente de turistas, registando estas ilhas uma procura maior desde que, em Setembro de 2007, foram classificadas como Reserva da Biosfera.

“Uma das coisas que sobressaiu nestes 5 anos, foi o aumento da procura turística, tanto de cidadãos nacionais como de estrangeiros”, afirmou o director regional do Ambiente, referindo-se aos dados disponíveis de visitas nos Centros de Interpretação existentes nas duas ilhas. João Bettencourt frisou que se “nota” também um interesse crescente das pessoas que visitam estas ilhas em conhecer melhor as duas Reservas da Biosfera.

No mesmo sentido, Manuel Avelar, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, afirmou que esta classificação não trouxe apenas “notoriedade”, mas também vantagens para a economia local. “É verdade que não trouxe dinheiro, mas trouxe mais turistas à Graciosa”, frisou o autarca, acrescentando que “foram muitos” os turistas que chegaram à ilha depois da sua classificação pela UNESCO.

Menos optimista, Manuel Rita, presidente da Câmara Municipal do Corvo, disse que a classificação de Reserva da Biosfera “pouco ou nada trouxe de novo à ilha”. Talvez por ser a mais pequena e a mais longínqua ilha do arquipélago, com alguns problemas de acessibilidades, o Corvo não terá registado, na perspectiva de Manuel Rita, mais procura turística por causa da classificação da UNESCO.

O director regional do Ambiente frisou, no entanto, que as mudanças nas ilhas classificadas não se verificam apenas no sector do turismo. Para João Bettencourt, há a registar também uma “maior sensibilidade” dos habitantes locais para as temáticas relacionadas com a preservação ambiental e uma maior procura em matéria de “conhecimento”.

Neste aspecto, os dois autarcas estão de acordo que ainda há muito trabalho pela frente. “É difícil mudar as mentalidades”, frisou Manuel Rita, referindo-se aos hábitos dos habitantes do Corvo em matéria de tratamentos de resíduos numa ilha onde só agora está a ser implementado um sistema de seleção de lixos. A pensar nesta questão, o Governo Regional decidiu dar prioridade à Graciosa e ao Corvo na construção dos Centros de Processamento de resíduos, que já estão a funcionar nas duas ilhas.

A classificação da UNESCO, além das alterações nas áreas do turismo e do ambiente, passou também a ser utilizada em artigos e na correspondência de cerca de três dezenas de empresas e instituições locais, na sequência de um diploma aprovado no Parlamento açoriano que autoriza a utilização do selo ‘Reserva da Biosfera’.

No arquipélago dos Açores, a ilha da Flores também foi classificada como Reserva da Biosfera, mas só em 2009.


Notícia: RTP/Antena 1 Açores e «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

domingo, 24 de junho de 2012

Parabéns ao coveiro do São João como "antiga" festa municipal de Santa Cruz

Talvez que hoje afinal já nem seja sequer o dia feriado do Munícipio de Santa Cruz das Flores... É favor verificar os elementos do actual Executivo da Câmara Municipal de Santa Cruz, com o presidente Manuel Pereira, o vice-presidente José Carlos Mendes, o vereador a tempo inteiro Fábio Medina e outras duas pessoas em cargos de vereação. Um fartote!

Quem queira, pode sempre recordar o cartaz e programa das Festas de São João... quando estas ainda se realizavam, em 2010, 2009, 2008...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

20 anos de «Nevermind» dos Nirvana

«Nevermind» saiu para as lojas de discos a 24 de Setembro de 1991. Mas... e se «Nevermind» nunca tivesse existido?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

As aparências iludem?

Parece que hoje seja (ou deveria ser) noite de São João... e amanhã feriado municipal de Santa Cruz. Ou estou enganado?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Naufrágio do Slavonia foi há 102 anos

Até meados do século XIX, as únicas embarcações autorizadas a fazer o transporte do correio inglês - o Royal Mail - eram os veleiros do Post Office, a instituição que tinha como incumbência fazer chegar a todos os pontos do Império Britânico a correspondência que o fazia movimentar.

Com advento da era do vapor tornou-se financeiramente incomportável para o Post Office a aquisição de novos navios, sendo concedidas a privados várias licenças de transporte de malas de correio. Estas licenças - ao abrigo das quais floresceram as grandes companhias de navegação dos finais do século XIX, como a Cunard, a P&O e a White Star - eram apenas atribuídas aos paquetes mais rápidos (que passavam a poder usar o prefixo R.M.S. - Royal Mail Ship). Um destes navios viria a terminar a sua carreira nas nossas costas, de uma forma trágica.


O R.M.S. Slavonia

Construído pelos estaleiros James Laing, em Sunderland, e baptizado Yamuna, este navio foi lançado à água a 15 de Novembro de 1902, tendo sido dado por concluído a 20 de Junho de 1903. Adquirido pela British Indian Steam Navigation Ltd, o Yamuna efectuou uma série de carreiras entre a Inglaterra e a Índia, transportando correio, carga e passageiros.

A sua lotação original permitia o transporte de 40 passageiros de 1ª classe e de 800 de classe ordinária. O paquete arqueava 10.606 toneladas brutas, tinha 160 metros de comprimento, duas máquinas a vapor alimentadas por 6 caldeiras com 18 fornalhas e era propulsionado por dois hélices que lhe conferiam uma velocidade média de 13 nós.

Cedo a British Indian Steam Navigation compreendeu que possuía um navio sobredimensionado para as tarefas que desempenhava. Com apenas cinco meses passados sobre a sua viagem inaugural, o Yamuna foi adquirido pela Cunard Steam Ship Co. Ltd. De regresso aos estaleiros o paquete sofreu transformações que lhe permitiram um aumento da capacidade da 1ª classe para 70 passageiros de maneira a que o navio, agora remodelado, pudesse vir a ser competitivo na carreira do Atlântico Norte.

Esquecendo-se do velho adágio marítimo que afirma que renomear navios é sinónimo de má sorte, a Cunard rebaptizou a sua nova aquisição com o nome de uma região de maior afluxo de emigrantes: Slavonia. Juntamente com um seu congénere, o Pannonia, o transatlântico passou a efectuar cruzeiros mediterrânicos de Inverno, transportando de Verão emigrantes da Europa para os Estados Unidos e passageiros de 1ª e 2ª classe de Nova Iorque para Liverpool.

Foi no términus de um cruzeiro deste género que o Slavonia rumou em direcção à Europa, numa quinta-feira, 3 de Junho de 1909. O navio de 225 tripulantes embarcou, na sua última viagem, 272 passageiros de 3ª classe e 100 de primeira classe com destino a Trieste, tendo partido de Nova Iorque com 597 pessoas a bordo.

A sua rota - que deveria passar a cerca de 160 quilómetros a norte da ilha do Corvo - foi então expressamente alterada pelo comandante, o tenente naval na reserva Arthur George Dunning. Esta alteração deveu-se ao pedido escrito que os passageiros da 1ª classe lhe fizeram chegar - em que lhe pediam o favor de alterar a rota de maneira a que pudessem observar as ilhas dos Açores.

De maneira a satisfazer os seus passageiros, o comandante Dunning planeou rodear a ilha das Flores, pelo sul, a cerca de 6 milhas náuticas da costa e só então prosseguir na sua rota original. Estas boas intenções foram defraudadas pelo forte nevoeiro que se abateu sobre o navio, na noite de 9 de Junho, e pela forte corrente que, provinda do Norte, o desviou inadvertidamente, entre o meio dia e as duas horas da manhã do dia 10.

Às 2h30 da madrugada, os passageiros da 1ª classe viram, finalmente, satisfeito o seu desejo: movido a toda a força das máquinas, o Slavonia entrou proa adentro pela costa do Lagedo, junto do ilhéu da Baixa Rasa, a cerca de 1 quilómetro da Ponta dos Fenais. De início, com a popa ainda emersa, o fogo a arder nas fornalhas das caldeiras e a luz eléctrica ainda operativa, o posto de radiotelegrafia - uma novidade para a época - emitiu um S.O.S.. O pedido de socorro foi captado pelo paquete germânico Prinzess Irene e pelo navio Batavia, da empresa rival Hamburg-Amerika Linie, que imediatamente se dirigiram para o local do naufrágio.

Entretanto, no Slavonia, a agitação do mar causou o colapso do compartimento estanque da ré levando a popa a mergulhar progressivamente no mar. A água chegou finalmente às caldeiras. Às 8 horas da manhã, o fogo das fornalhas apagou-se irremediavelmente.

O Batavia tinha já ancorado nas Lages e preparava-se para embarcar a maioria dos passageiros para mais tarde os desembarcar em Nápoles. As operações de desembarque processaram-se ordenadamente quer através dos escaleres dos transatlânticos envolvidos quer através de um cabo vaivém passado entre a costa e o Slavonia.

A 10 de Junho saiu do porto da Horta, pelas 16 horas, o navio Funchal. No mesmo dia, pelas 8 horas da manhã, partiu também, do porto de Ponta Delgada, o rebocador Condor, ambos em direcção às Flores, de modo a tentarem safar o navio do seu local de encalhe. Entretanto, o comandante Dunning, abalado pela perda do navio - que comandava interinamente, visto ter pedido a reforma em Nova Iorque, alegando um estado de saúde precário - tentou várias vezes suicidar-se, no que foi impedido pelo telegrafista do navio.

Com os passageiros e a maior parte da tripulação embarcada e a bom recato, permaneceram apenas na ilha o comandante Dunning, o imediato J. Anderson, o 1º engenheiro Davies, o 1º comissário W. Pitts e um carpinteiro. Até aquela altura apenas uma parte da bagagem se tinha conseguido salvar pela proa e todos os esforços do rebocador Condor para safar o navio foram debalde. A 16 de Junho a seguradora Lloyd’s declarou a perda total do navio.

No dia 20 de Junho chegou ao local do sinistro o rebocador Ranger, enviado pela companhia seguradora. Este navio, pertencente à empresa de salvados marítimos Liverpool & Glasgow Salvage Association, vinha dotado de mergulhadores que procederam à recuperação de mesas, cadeiras, velames, cordas, lingotes de cobre no valor, à época, de 1800 contos e de óleo no valor de 24 contos.

A carga de café, o cobre restante e três automóveis ainda hoje lá estão, estimando-se, na altura, os prejuízos em cerca de 15 000 contos. A praia encontrava-se vigiada pela Guarda Fiscal visto que, nos primeiros dias do naufrágio parte da carga - onde se incluía uma mala do correio com valores declarados - tinha sido desviada pelos naturais da ilha (aliás, ainda hoje se encontram artigos do Slavonia espalhados pelas habitações das Flores).

Concluida a operação de salvamento, o comandante e o imediato partiram para a ilha Terceira onde foram recebidos, a 30 de Julho de 1909, por Vieira Mendes, agente da Cunard Line para os Açores. Já em Londres, o capitão Dunning foi levado a tribunal marítimo para apuramento das causas do naufrágio.

Consta da sentença que o encalhe e a consequente perda do Slavonia foi provocado por erro de julgamento do seu capitão, por este ter estimado uma rota tão incerta a uma velocidade tão elevada em tais condições climatéricas e tão próximo de terra, e por este ter feito confiança em demasia em duas leituras de bússola, manifestamente erradas, que admitiu não ter sido ele próprio a determinar. O Tribunal, em consideração pelo seu trabalho anterior, que foi excelente, e pelos denodados esforços que promoveu para salvar vidas, logo após o desastre, coíbe-se de lhe retirar a sua licença, mas repreende-o severamente e avisa-o para ser mais cauteloso, de futuro.

Do lado português, a tragédia também não passou despercebida. A imprensa da época recriminou a entidade governativa de então por não ter procedido à finalização do farol que dominava o local do naufrágio e que apenas carecia das máquinas e da lanterna. Por ironia do destino, uma semana apenas após o naufrágio, chegou aos Açores, no rebocador Bérrio, o capitão de mar-e-guerra Schultz Xavier que trazia por missão a conclusão dos faróis das Lages, dos Rosais, do Topo e da Praia da Graciosa.

Após uma curta inspecção ao farol da Serreta, na ilha Terceira, prosseguiu para as Flores, o homem que, por se atrasar uma semana, causou a perda do maior navio que alguma vez naufragou nos mares dos Açores.


Texto da autoria de Paulo Monteiro, disponível no sítio do Centro de conservação da Arqueologia Marítima, da Universidade do Texas.
De relembrar também outros naufrágios nas costas florentinas: o galeão espanhol Nuestra Señora de las Angustias y San José, naufragado ao largo da baía da vila das Lajes em 1727; a barca Brillant naufragada no sítio da Quebrada Nova (costa oeste da ilha das Flores) em 1899; e a barca francesa Bidart que naufragou no lugar da Cachoeira (na freguesia da Fajã Grande) em 1915.

Saudações florentinas!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Ó Luís... vê lá como é que fico a olhar para os... assim fica melhor? ou assim?"

Teixeira dos Santos: É necessário recorrer à ajuda externa da Europa, no «Jornal de Negócios» e no jornal «Público».

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Há 25 anos: maior temporal do séc. XX

O maior temporal de que há memória nos Açores ocorreu a 15 de Fevereiro de 1986, fez ontem 25 anos, com rajadas de vento na ordem dos 250 quilómetros por hora e ondas entre os 15 e os 20 metros.

A data foi agora assinalada, simbolicamente, por José Henrique Azevedo, proprietário do famoso café Peter, na cidade da Horta, que decidiu expor no exterior do seu estabelecimento, fotografias, recortes de imprensa e registos meteorológicos daquele que terá sido “o maior temporal do século XX”. “Foi o maior temporal de que há memória nos Açores”, recorda, convicto, o empresário faialense, lembrando que “o dia até não começou mal”, mas que as condições climatéricas foram agravando-se ao longo do dia, e “entre o meio-dia e as quatro da tarde, o vento atingiu os 250 km’s por hora”.

Segundo explicou, o registo da rajada máxima não foi fácil de confirmar, porque, na altura, os aparelhos do Observatório Meteorológico Príncipe Alberto de Mónaco, no Faial, não conseguiam registar ventos superiores a 150 quilómetros por hora. José Henrique recorda que o temporal “surgiu sem aviso” meteorológico, o que não permitiu à população precaver-se devidamente, o que justifica que a tempestade tenha provocado um rasto de destruição em moradias e portos, embora não tenha causado vítimas mortais.

Apesar das más condições climatéricas, o empresário, na altura com 26 anos, saiu à rua com dois amigos para tentar registar, para a posteridade, algumas imagens do temporal. A “aventura” acabou por valer a pena, uma vez que José Henrique fotografou aquela que considera ter sido a fotografia da sua vida: a imagem de Neptuno, o deus do mar, refletida na espuma de uma onda que embateu no Monte da Guia, no lado sul da cidade da Horta. “Realmente é uma figura perfeita, com a cara de um homem, como nariz, boca, olhos, sobrancelhas, cabelo, que eu chamei de Neptuno da Horta”, lembra, com orgulho, José Henrique, acrescentando que aquela é “provavelmente, a fotografia portuguesa mais conhecida em todo o mundo”.


Notícia: «Correio dos Açores» e «O Baluarte (de Santa Maria)».
Saudações florentinas!!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Pauleta realizará em Março um jogo solidário com a população da Fajãzinha

O melhor marcador de sempre da Selecção portuguesa de futebol, Pauleta, vai alinhar na equipa da fundação com seu nome que se desloca em Março à ilha das Flores para um jogo de solidariedade com a população da Fajãzinha.

Segundo adiantou [ontem] à Agência Lusa uma fonte da Fundação Pauleta, o encontro está marcado para 26 de Março na vila das Lajes, opondo a equipa do antigo goleador da Selecção lusa (integrada por treinadores e pais de alunos da escola da instituição) a uma selecção de jogadores da ilha das Flores.

A freguesia da Fajãzinha, para cujos habitantes reverterá a receita do jogo, foi atingida em Dezembro do ano passado pelo desabamento de terras e por inundações que obrigaram à sua evacuação durante uma semana. As enxurradas provocaram danos em algumas moradias, destruindo equipamentos e mobiliários domésticos.

Pauleta vai estar na ilha das Flores de 25 a 27 de Março, promovendo também um jantar de recolha de fundos em que serão leiloados equipamentos que utilizou na sua carreira quer como jogador da Selecção quer como titular das equipas de Espanha e França onde jogou. A receita do jogo e das outras iniciativas previstas vão juntar-se a um donativo já constituído pela Fundação Pauleta, disse fonte da instituição.


Notícia: rádio Atlântida, «Diário dos Açores» e jornal «Record».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Boas entradas no Ano Novo!

Saudações florentinas!!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Para algumas certas pessoas já irem agendando as suas "idas ao médico"...

As festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que são as maiores festividades religiosas dos Açores, no próximo ano vão decorrer de 26 de Maio a 2 de Junho.

Notícia: «Açoriano Oriental».

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

100 anos do Farol da Ponta das Lajes

Embora em 1881, como reflecte o Plano Geral aprovado dois anos mais tarde, se previsse a edificação de um farol na Ponta dos ilhéus de Água Quente, acabaria em 1894 por se decidir instalá-lo na Ponta das Lajes.

Conforme consta da memória descritiva e justificativa:

"Tendo sido encarregado de estudar e escolher, com o capitão-de-fragata Xavier de Brito, um ponto ao S.E. da ilha das Flores para a collocação de um pharol, depois de termos percorrido todos os pontos ao sul da ilha das Flores, desde a Ponta do Capitão até à rocha Alta, achamos que o único sítio (...) era a Ponta das Lajes ou Ponta S.E. da ilha das Flores.

A Ponta das Lajes acha-se situada entre a Ponta do Capitão (para Este) e a Ponta da Lomba Grossa (para Oeste). As razões que nos levaram a escolher este ponto de preferência a qualquer outro foram a sua situação avançada para Sul Este que lhe faz abranger um sector de 208º, a sua pouca altura acima do nível do mar e a proximidade em que se acha da vila das Lajes que fica apenas a 1,5 kilómetros do sítio escolhido para a collocação do pharol e as boas condições geológicas do terreno que devem simplificar a construção.

O farol na ponta SE da ilha, ilumina não só o Sul, o que é de grande vantagem para a navegação que vinda da América procura esta luz, mas também o canal entre a ilha das Flores e a do Fayal."

A Comissão encarregada em 1902 de propor as alterações a introduzir no Plano Geral aprovado em 1883, pronunciar-se-ia pela instalação na Ponta das Lajes de um aparelho de 2ª ordem, mostrando três clarões brancos de 15 em 15 segundos, cujo preço era de 49 mil francos.

O farol da Ponta das Lajes entrou em funcionamento em 10 de Outubro de 1910, conforme atesta o Aviso aos Navegantes nº 6, de 29 de Agosto de 1910:

"Communica a Direcção Geral da Marinha o seguinte:
Que no dia 10 de Outubro de 1910 principiará a funccionar o pharol da Ponta das Lages, ponta SE da ilha das Flores. O apparelho iluminante é dióptrico de 2ª ordem de rotação, mostrando grupos de 3 clarões brancos e rápidos de 20 em 20 segundos, e compõe-se de dois grupos de três lentes de 0m,70 de distância focal. Está montado em torre de alvenaria, de secção quadrada de 10 metros de altura, do solo à aresta superior da cornija. Sobre esta ergue-se a lanterna de secção circular com murette e cúpula metallica, pintada de roxo-terra. Junto à torre e symetricamente dispostos a Este e Oeste d’ella estão os edifícios, de um só pavimento, para habitação dos faroleiros. A pequena distância a NE fica a villa e porto das Lages. O horizonte marítimo iluminado é de 208º30’. (...) O alcance luminoso em estado médio de transparência atmospherica é de 32 milhas."

O farol da Ponta das Lajes entrou em funcionamento em 10 de Outubro de 1910. A sua torre tem, na sua totalidade, 16 metros de altura e 99 metros de altitude, sendo a fonte luminosa um candeeiro de nível constante a petróleo. A rotação da óptica era produzida através da máquina de relojoaria. Em 1938 o candeeiro de nível constante foi substituído pela incandescência pelo vapor do petróleo.

Foi electrificado através de grupos eletrogéneos em 1956 e a fonte luminosa passou a ser uma lâmpada de 3.000 watts, permitindo um alcance de 29 milhas. A potência da fonte luminosa foi reduzida em 1984 com a instalação de uma lâmpada de 1.000 watts/120 volts, passando o alcance para 26 milhas. O farol foi electrificado em 1990 com energia da rede pública.

Entre 3 de Outubro de 2000 e 18 de Outubro de 2001 decorreram obras de remodelação no farol. Por este motivo, durante este período, funcionou um farolim provisório em substituição do aparelho iluminante do farol. As obras de remodelação do farol ascenderam a 130 mil contos, ficando equipado com a mais moderna tecnologia, suportada em meios informáticos, a partir de 2001, permitindo aos técnicos da Direcção de Faróis entrar no sistema do farol a partir da Central de Faróis, em Paço de Arcos.
Saudações florentinas!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

RTP/Açores assinala hoje 35 anos

Criado na sequência da Revolução de Abril de 1974, o canal [televisivo regional açoriano] abriu a 10 de Agosto de 1975 com uma intervenção do presidente da Junta Governativa dos Açores, o general Altino Pinto de Magalhães.

Nesse dia de abertura, a emissão durou seis horas, terminando com um Telejornal. Seguiram-se, durante vários meses, emissões experimentais com a duração de três horas diárias.

A criação da RTP/Açores - já existia um canal na Madeira - não pode dissociar-se do clima político e da realidade tecnológica da época. Na altura, ainda não eram correntes as transmissões televisivas por satélite, o que impossibilitava a colocação nas Regiões Autónomas das emissões nacionais dos canais públicos.

Os telejornais chegavam de avião e com atraso. Durante anos, o canal regional - a par da televisão americana da base das Lajes, a que apenas os vizinhos tinham acesso - foi a única janela dos Açores para o Mundo.


Notícia: RTP/Açores.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Zeca festejaria hoje 81 anos... viva!!!


Esta música faz parte do último concerto de Zeca Afonso, em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios (Lisboa).

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O «Fórum ilha das Flores» faz 7 anos!!!

Muito obrigado!!... e saudações florentinas!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Ontem [3 de Maio] foi o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2010.
Saudações florentinas!!