quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

40 trabalhadores dispensados pela autarquia das Lajes voltam a trabalhar

Os quarenta operários da Câmara Municipal de Lajes das Flores que foram dispensados no início deste mês de Fevereiro, voltaram a trabalhar. O grupo de trabalhadores integra agora uma empresa responsável pela folha de pagamentos. A dispensa dos operários a recibo verde foi na altura explicada pela autarquia com razões de ordem processual e legal.

Notícia: RDP Antena 1 Açores.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Nova estratégia de promoção turística

A Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que teve início hoje, marca o arranque da nova estratégia de promoção do destino turístico Açores.

Vítor Fraga revelou que esta nova estratégia “assenta muito na promoção do destino, baseado em experiências, em famílias e destinado a um segmento da população que se caracteriza entre os 35 e os 45 anos, famílias com crianças, que valorizam muito as experiências e as emoções”, acrescentando que a presença dos Açores na BTL será orientada nesse sentido.

Nesta edição da BTL a representação açoriana terá “uma participação muito activa de todas as entidades privadas que estão ligadas ao sector e ao destino, na perspectiva de cativar, com uma orientação claramente comercial, um determinado nicho de mercado para que nos visitem”.

O secretário regional do Turismo e Transportes lembrou que houve um redimensionamento do espaço destinado aos Açores neste certame, onde “todas as ilhas estarão representadas com espaço próprio e serão promovidos todos os produtos turísticos que cada ilha pode oferecer, no sentido de prestar um maior esclarecimento e apostar claramente na diversidade que o nosso destino tem junto dos mercados”.

A presença dos Açores na BTL 2013 será ainda “baseada numa componente fortemente comercial", que visa "vender efectivamente o destino e o produto turístico, para capitalizar e canalizar o maior número de fluxo de turistas para os Açores”.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Na passada quinta-feira (dia 21) o galardão Miosótis Azores foi entregue a 21 unidades de alojamento dos Açores, elevando para 33 os estabelecimentos distinguidos na Região. O Turismo dos Açores e a SAPO lançaram o MEO Kanal Açores (basta clicar na tecla verde e marcar o número 931931), um novo espaço do serviço MEO que dinamiza e promove o turismo no arquipélago.

Saudações florentinas!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

AAiF é "exemplo de cidadania activa"

Vítor Fraga classificou a Associação Amigos da ilha das Flores (AAiF) como "um exemplo excelente de cidadania activa ao serviço da sua comunidade, integrando e promovendo a ilha das Flores em São Miguel e nos Açores".

Para o secretário regional do Turismo e Transportes esta "é uma demonstração clara de que os açorianos que vivem fora da sua ilha não esquecem a terra onde nasceram e têm orgulho em representá-la, estejam onde estiverem", referiu Vítor Fraga que falava na cerimónia do 10º aniversário da associação. Exortou ainda "os Amigos da ilha das Flores a continuar a preservar a sua identidade própria, mantendo entre todos, florentinos em particular e açorianos em geral, a realidade do que somos feitos, que se resume e identifica nesta grande família de açorianos e açorianas, que Vitorino Nemésio interligou com o termo açorianidade e que associações como esta mantêm aqui e além-fronteiras".

José Manuel Bolieiro, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que também falava na sessão comemorativa, elogiou todo o trabalho que a associação tem vindo a desenvolver, sobretudo em prol dos doentes florentinos mais carenciados que têm de se deslocar a Ponta Delgada para tratamento. Defendeu ainda que as associações devem manter o seu espírito de independência perante os poderes instituídos e apresentar-se como parceiras privilegiadas nas acções que se pretende desenvolver em prol da comunidade.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Nesta quinta-feira [dia 28] a AAiF promove uma palestra sobre a doença de Machado-Joseph, às 18 horas na sede da AAiF.

Saudações florentinas!!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

62% têm problemas com o sinal da TDT

Estudo da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), efectuado em Novembro passado, revela um “cenário grave”: 13% dos lares portugueses não conseguem seguir nenhuma emissão de televisão (ou seja, um em cada 8 lares!).

O panorama é mais grave do que se previa e do que o regulador (ANaCom) sempre admitiu. Um estudo da Deco concluiu que quase dois terços dos lares que recebem televisão digital terrestre (TDT) têm problemas de recepção do sinal. O estudo foi feito em Novembro, sete meses depois da migração total do sinal analógico para o digital, envolveu 1.714 inquéritos validados.

De acordo com as conclusões da Deco há 62% dos lares que recebem TDT em que há queixas de que a emissão sofre falhas no som e na imagem ou mesmo interrupções prolongadas. Isso corresponde, grosso modo, a cerca de 620 mil lares, tendo em conta que perto de um milhão de habitações permanece apenas com o serviço de TV gratuito.

Há mesmo 13% que “não conseguem seguir o normal desenrolar das emissões”, salienta a Deco. Um panorama que contraria “radicalmente” a versão inicial da ANaCom de que a transição provocara apenas problemas residuais aos consumidores, critica a Associação de Defesa do Consumidor.

Este cenário “desolador” foi admitido pela ANaCom “tarde e a más horas”, diz a Deco, citando o relatório final da operação em que o regulador admite que “a rede TDT não estava preparada para suportar as circunstâncias normais e expectáveis inerentes ao seu desempenho”.

A associação acrescenta que os problemas “poderiam ter sido evitados, se tanto a ANaCom como a PT tivessem tido em conta os [seus] alertas e recomendações”. “Houve um deficiente planeamento da rede pela PT e uma ausência de fiscalização e monitorização pela ANaCom”, acusa a Deco, que fala também em “falta de transparência”. Por isso, exige que a PT faça “o que for preciso” para cumprir as condições da licença que recebeu, sem sobrecustos para os consumidores.

Os inquiridos também criticaram o custo da mudança – a conta da adaptação para a TDT, por via terrestre, ascendeu na maioria dos casos a um custo até 99 euros, lembra a Deco - e quase metade (45%) considerou que a informação divulgada durante o processo de transição foi “má” ou “muito má”.

Para reunir mais informação sobre casos concretos, a Deco criou um formulário, com o qual os consumidores com problemas de recepção da TDT se podem registar. Depois, a associação reencaminhará essas situações para a PT e para a ANaCom.


Notícia: «Público», semanário «Expresso» e «Diário de Notícias».
Saudações florentinas!!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Novo Pavilhão em Ponta Delgada

No passado dia 15 de Fevereiro, a Câmara Municipal de Santa Cruz inaugurou o Pavilhão de Ponta Delgada na presença de convidados, munícipes e com a bênção do diácono Luís Alves.

Na ocasião o presidente da Câmara, José Carlos Mendes, usou da palavra salientando todas as obras que tinham sido feitas nesta localidade, destacando a importância deste empreendimento considerado de envergadura.

Com a abertura oficial do Pavilhão desportivo Municipal ao público, a autarquia de Santa Cruz veio uma vez mais reafirmar a importância que esta edilidade tem dado ao desporto e no apoio aos desportistas do nosso concelho.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

República diz não ter dinheiro para identificar edifícios com amianto

Bloco de Esquerda e Partido Ecologista Os Verdes consideram "inadmissível" a explicação de Miguel Relvas na Assembleia da República.

O Governo da República não tem dinheiro para fazer um levantamento dos edifícios públicos com amianto na sua construção, disse esta terça-feira [dia 19] o ministro Miguel Relvas. A realização deste levantamento é uma exigência de uma lei aprovada pela Assembleia da República há dois anos, mas nunca cumprida. O prazo para que o Governo o fizesse, segundo a lei, era de um ano, ou seja, até Fevereiro de 2012.

Interrogado sobre este assunto na Comissão parlamentar de Ambiente, Poder Local e Administração do Território, Miguel Relvas disse que a competência para o acompanhamento desta situação é do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. Mas confirmou que o inventário inicial ficou a cargo do Grupo de Trabalho dos Assuntos do Território, que está sob a sua tutela: “Neste momento não temos meios para o fazer”, disse o ministro na Assembleia da República, esta terça-feira [dia 19]. “Espero que o próximo quadro comunitário de apoio seja uma boa oportunidade para o fazer”, acrescentou Miguel Relvas.

À margem da discussão, Heloísa Apolónia, deputada do Partido Ecologista Os Verdes, afirmou que vai perguntar, quer ao Ministério do Ambiente, quer ao gabinete do ministro Miguel Relvas, quanto é que custa fazer este levantamento: “O ministro não nega a responsabilidade do grupo de trabalho. Ele diz que a responsabilidade da matéria é do Ministério do Ambiente, mas assume que o grupo de trabalho é que tem competência para fazer o levantamento, mas não tem dinheiro. Então é preciso saber quanto é que custa”, salientou.

Durante a audição, tanto Os Verdes como o Bloco de Esquerda classificaram esta situação como “muito grave” e “inadmissível”.

Heloísa Apolónia destacou que se trata de um problema de saúde pública para o qual a comunidade científica já alertou por diversas vezes. O amianto é cancerígeno e, embora a sua utilização na Europa esteja proibida há vários anos, há muitos edifícios construídos há algumas décadas que possuem este elemento nos seus materiais de construção, como coberturas de fibrocimento. Em muitas situações, quando os materiais estão em bom estado e o amianto está confinado, não há grande risco para a saúde. Noutros, em estruturas degradadas ou em aplicações em que o amianto está de certa forma solto, pode haver riscos.

“Se as pessoas inalassem amianto e caíssem para o lado, já se tinha resolvido. O problema é que os efeitos acontecem 30 ou 40 anos depois”, destacou Heloísa Apolónia.

Helena Pinto, deputada do Bloco de Esquerda, afirmou que não aceita “que o ministro diga que não se faz um levantamento dos edifícios que contêm amianto porque não tem meios. E nos casos em que nós já sabemos que está lá o amianto. Porque é que não se actua?”, questionou.


Notícia: secção «Ecosfera» do jornal «Público».
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cláudio Gomes, um jovem florentino que desvenda os mistérios do Universo

Divide o seu tempo entre o mestrado em Física Teórica e o projecto sobre energia escura e enxames de galáxias. A Fundação Calouste Gulbenkian acredita que o trabalho de Cláudio Gomes, natural da ilha das Flores, vai trazer avanços importantes no conhecimento do Universo.

Cláudio Gomes, açoriano natural da ilha das Flores, é jovem mas o seu currículo já conta com distinções de peso. Agora foi a vez da Fundação Calouste Gulbenkian o premiar com uma bolsa de 12.500 euros que lhe permitirá dar novos passos na descoberta de alguns dos mais bem guardados mistérios do Universo.

O florentino, mestrando na área da Física Teórica na Universidade do Porto, vai desenvolver, este ano, um projecto de investigação sobre "O impacto da energia escura na dinâmica de enxames de galáxias". Cláudio Gomes remeteu a proposta à Fundação Gulbenkian, que depressa lhe compreendeu o interesse e a oportunidade. De facto, o trabalho do jovem físico na área da cosmologia reveste-se de especial interesse tendo em conta que a ESA (Agência Espacial Europeia) - que tem uma parceria com o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto - deverá lançar em 2020 um satélite responsável pela caracterização do Universo. A missão Euclid, como é designada, constitui um levantamento do céu sem precedentes.

"É uma área que tem merecido muitos estudos, porque o Universo está a expandir em ritmo acelerado, ao contrário do que era expectável segundo as equações de Einstein. Espero já ter, no final de 2013, algumas conclusões sobre a interação da matéria e energias escuras e as dinâmicas de enxames de galáxias", disse Cláudio Gomes ao jornal «Diário Insular».

É, de facto, um trabalho longo, que exige o teste de hipóteses e de teorias. Depois será necessário discutir ideias com outros físicos, participar em encontros e conferências e é nisso que o cientista vai investir a bolsa que ganhou no final de 2012. Às vezes não é fácil explicar os meandros da Física e os mistérios do Universo a quem não é especialista, mas o gosto de Cláudio Gomes pela temática chega para todos. Foi uma paixão que lhe apareceu ainda na ilha das Flores, onde fez a sua formação inicial: "Sempre gostei de utilizar equações para descrever aquilo que nos rodeia e quis compreender essa realidade, desde os pequenos átomos ao Universo", afirma o jovem de 21 anos.

Cláudio Gomes quer continuar a fazer esse percurso em Portugal, país onde se sente bem, mas não descarta a possibilidade de alargar horizontes. Ainda assim, o florentino defende que, aqui, há boa formação na área: "Portugal tem todas as condições para desenvolver trabalho em Física. A formação é muito boa, reconhecida internacionalmente", sublinha.


Notícia: jornal «Diário Insular».
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

«Brumas e Escarpas» #54

São Cornélio

Todos os anos, no mês de Setembro e após as prolongadas e danosas secas de Verão que tanto prejudicavam os campos e as sementeiras, realizavam-se as “Rogações”, ou seja procissões que percorriam algumas das ruas, durante as quais, recorrendo à invocação e intersecção dos santos, se implorava a benevolência e a proteção divinas, a fim de que, pura e simplesmente, chovesse. Os produtos agrícolas, semeados e plantados nos campos, de tão raquíticos e definhados que estavam, haviam de tornar-se viçosos verdejantes e, consequentemente, mais produtivos.

Saídas da igreja, estas procissões seguiam, todos os anos, os mesmos trajectos e cumpriam, com rigor quase milimétrico, os seus percursos. Durante a caminhada cantava-se a Ladainha de todos os Santos, uma prece da Igreja Católica dirigida a Deus, mas com pedidos de intercessão à Virgem Maria, aos Anjos e aos Santos mais importantes da Cristandade. Assim e durante a recitação ou canto da Ladainha eram invocados, para além de Nossa Senhora, os Anjos, os Patriarcas, os Profetas e alguns dos Santos que constam no Martirológio da Igreja, a saber: os Apóstolos e Discípulos de Jesus, os Mártires, os Bispos, os Doutores da Igreja, etc. Após a invocação dos santos, a Ladainha terminava com uma série de súplicas a Deus, a fim de que Ele, ouvindo as orações e preces dos fiéis, lhes concedesse os seus mais legítimos desejos e lhes satisfizesse as mais urgentes necessidades. As normas litúrgicas, no entanto, permitiam que, relativamente aos Santos, se pudessem acrescentar outros nomes, o mesmo acontecendo no que às invocações dizia respeito.

Era isso que fazia o pároco, até por que, sendo o giro da procissão bastante longo, a ladainha tal com constava no “Liber Usualis” não chegava para meia missa. Ora entre os nomes que o prebendado, todos os anos, acrescentava aos constantes do cânone, era o de São Cornélio, papa e mártir que governou a Igreja Católica no século III, num dos mais difíceis papados da História, embora, também, num dos mais curtos.

Cismou pois o pároco de que havia de acrescentar à lista dos “Omnes sancti mártires” e logo a seguir aos “Sancti Gervasi et Protasi” a invocação de São Cornélio, santo que, na opinião do clérigo, possuía um currículo muito superior ao de outros que constavam oficialmente na ladainha, dado que o Santo, para além de mártir, tinha sido teólogo, pregador, bispo e Papa. Ora acontecia que o pároco iniciava o canto da ladainha logo ao transpor do Guarda-Vento, com o “Kyrie eleison” e como a procissão seguia sempre com o mesmo ritmo, as invocações eram cantadas, todos os anos, junto às mesmas casas e sempre em frente às mesmas portas. A invocação de São Cornélio não fugia à regra. Aquilo era certo e certinho! Sempre que a procissão rondava a casa do Sabino, o pároco, em frente ao portão de entrada, parecendo até que elevava mais a voz, atirava para os ares: “Sancte Cornelius”, ao que o povo respondia em uníssono “Ora pro nobis”.

O Sabino ouviu um ano, dois anos e começou a não achar muita piada àquilo, até porque já há muito desconfiava que, pelos recantos da freguesia, corriam, à boca pequena, uns estranhos e pouco abonáveis mexericos relativamente à fidelidade da sua consorte. Uma vez ou duas... não se dava por nada. Agora todos os anos, em frente à sua porta, aquela invocação tão estranha e esquisita... aquele santo maldito cujo nome fazia lembrar... Ai dava que pensar, dava. Não seria que o pároco... Não se conteve o Sabino e, em vez de se calar, perante a chacota de todos, começou a indignar-se, a revoltar-se e a ameaçar tirar razões com o pároco. Mas pior do que isso, cuidando que assim, publicamente, defendia a sua honra e a dignidade da sua consorte, indignou-se em plena Praça, barafustou no Descansadouro e foi tirar razões com o pároco precisamente à hora da missa. Mas o prebendado retorquiu-lhe que nada podia fazer no sentido de alterar as normas litúrgicas impostas pelo Senhor Bispo ou sequer mudar o giro da procissão, contrariando as tradições e os costumes da paróquia. Além disso, fazendo-lhe uma síntese da vida e obra de São Cornélio, terminou, concluindo que “era uma das maiores figuras da Igreja Católica de todos os tempos, muito para além do actual Papa, Pio XII”.

De nada serviram as explicações do pároco, por que mesmo assim, não se calou o Sabino. Pelo contrário, mais barafustou, mais reclamou, mais se zangou, mais se indignou e mais atirou ao ar a displicência do pároco, aqui, acolá e além, que por fim já não era apenas o reverendo a cantar-lhe o nome do santo mártir, uma vez por ano, em frente ao seu portão. Era um chorrilho diário, um coro contínuo, uma revoada permanente de vozes de quantos lhe passavam em frente à casa ou que simplesmente com ele se cruzavam no caminho a cantar-lhe, em alto e bom som: “São Cornélio, ora pro nobis”.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Governo Regional negoceia prospeção mineral do fundo do nosso mar açoriano

O Governo Regional está a negociar com a multinacional canadiana Nautilus os termos de um futuro contrato de prospeção mineral do fundo do mar no arquipélago.

Falando no Parlamento açoriano no final de um debate sobre 'Economia do Mar', o secretário regional dos Recursos Naturais, Luís Neto Viveiros disse que aguarda ainda por uma garantia da empresa, de que a actividade de prospeção marinha não irá provocar “qualquer malefício ambiental” no arquipélago.

“Começaram as negociações entre o Governo Regional e esta empresa, que neste momento ainda decorrem”, lembrou o governante, acrescentando que a Região está a aguardar a resposta da empresa no sentido de assegurar “a não execução de qualquer malefício ambiental” durante a actividade de prospeção marinha.

Luís Neto Viveiros disse também que a Região pretende definir, no âmbito deste contrato entre ambas as partes, quais os “benefícios” de que os Açores poderão “usufruir”, caso a Nautilus decida avançar para uma futura fase de exploração mineral nos mares açorianos.

As explicações do governante surgiram em resposta às preocupações levantadas pelo deputado regional do PCP, Aníbal Pires, que teme que esta actividade tenha impacto negativo em zonas “ecologicamente sensíveis”. O parlamentar comunista recordou que, em Julho do ano passado, o seu partido apresentou um requerimento exigindo esclarecimentos ao Governo Regional sobre esta matéria, acusando o Executivo de não ter dado resposta para poder “manter o silêncio” sobre este negócio.

Aníbal Pires recordou ainda que os ecossistemas das fontes hidrotermais são “extremamente frágeis” e ainda “mal conhecidos”, razão pela qual considera que “não é possível prever todos os impactos ambientais” desta actividade. O deputado regional do PCP advertiu que a tecnologia que a empresa Nautilus pretende empregar na sua mina submarina, na Papua Nova-Guiné, implica o “corte e escavação das fontes hidrotermais” e a consequente destruição de habitats, bem como a "deposição de lamas" resultantes da escavação no fundo marinho.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
A gestão dos mares dos Açores e das riquezas subaquáticas deve ser exclusivamente açoriana, defenderam hoje todos os partidos com assento na Assembleia Legislativa da Regional; Governo Regional e o Parlamento açoriano não abdicam da gestão partilhada das águas açorianas e contestam a alegada intenção do Governo da República de impor a gestão exclusiva dos mares em torno do arquipélago.

Saudações florentinas!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

«Nem acredito em tudo o que já fiz»

Ex-professor, diácono, ex-autarca, ex-dirigente desportivo e cultural, cantador e tocador, Luís Alves, 61 anos, vive intensamente o quotidiano da ilha das Flores e em especial da freguesia de Ponta Delgada onde nasceu em tempos de extremo isolamento e pobreza: «Comecei a estudar com o dinheiro que ganhava na apanha do sargaço».

Luís Alves, professor na reforma, diácono, ex-presidente da Junta de freguesia e ex-presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, tocador e cantador, vive em Ponta Delgada, uma autêntica varanda aplainada e verde sobre a ilha do Corvo.

Apesar de ter nascido numa das mais isoladas e pobres freguesias da ilha das Flores, nunca se resignou ao destino de grande pobreza. «Ui, eramos muito pobres», recorda Luís, que conheceu a electricidade com 19 anos graças à instalação na zona dos radares franceses. «Havia uma família em Ponta Delgada que inclusivamente vivia numa furna».

Em casa de Luís Alves viviam do que o pai, agricultor que trabalhava em terras de outros, ganhava. «Tínhamos um porco, plantávamos batata-doce, batata branca, milho, feijão, couves... A nossa ceia era sopas de leite com pão de milho e papas grossas de leite».

Não tinham pão de trigo. «De vez em quando alguém mais rico dava-nos um bocado. Para ter farinha, levávamos a “moenda” (o milho secado) até a um moinho de água que aqui havia».

Ainda em casa, faziam manteiga e nata para vender. «Não existia numerário naquele tempo. A nata e a manteiga era entregue ao senhor da loja (mercearia) que a vendia à fábrica de leite e trocávamo-las por géneros».

Para conseguir ganhar algum dinheiro, iam apanhar sargaço. «Apanhávamos no Sítio do Vento, aqui na freguesia, 202 degraus para baixo e 202 para cima. O meu pai vendia ao quilo. O melhor sargaço era o que vinha enxurrado, batido. Escolhíamos o melhor e sempre dava para suportar a casa».

Foi com o dinheiro que ganhou no sargaço que Luís Alves teimou em estudar. «Comecei por estudar sozinho porque não tinha estrada para ir até Santa Cruz. Depois ia até Santa Cruz e fazia três anos de cada vez. Fui ter com um senhor dos Correios e com um senhor meteorologista que me ensinaram Física e Matemática. A professora primária (ensino básico) que vinha aí é que me ensinou o inglês e o francês. Fui fazendo assim, candidatando-me como aluno externo, primeiro nas Flores e depois no Faial».

A chegada dos franceses e da sua base de radares para escrutinar os mísseis que atravessavam o Atlântico mexeu com a pequena freguesia rural de Ponta Delgada. «Tivemos electricidade em 1969, mais cedo do que noutras zonas da ilha. Muita gente trabalhou nas obras de instalação de valas e electricidade e a população beneficiou do apoio médico dado pelos franceses».

Na época em que os franceses se instalaram em Santa Cruz das Flores já Luís Alves cantava e tocava. «Eu, a minha esposa e o meu pai tocávamos e cantávamos música regional para os franceses, no Hotel que eles tinham em Santa Cruz. Normalmente, íamos lá quando chegava o avião de abastecimento deles, o Transal. Eu tocava viola ritmo, o meu pai tocava viola e a minha esposa cantava em dueto comigo». Os militares franceses iam buscá-los e levá-los. «Não tínhamos carro. Tive o meu primeiro carro em 1985».

Além de professor, autarca e diácono, Luís Alves foi jogador de futebol, dirigente desportivo, director da Casa do Povo local e ainda do Grupo de Folclore da Casa do Povo da Ponta Delgada das Flores. Ainda hoje, o reportório deste último, tem por base as recolhas feitas por Luís Alves.

«Andei pela freguesia a fazer recolha de temas juntos dos mais velhos», conta. «Alguns foram trazidos de fora da ilha, como o “Vira”. No fim do século XIX, esteve a construir aqui o Farol da Ponta de Albarnaz um tal de João Figueiredo, conhecido como o João “Algarvio”. A minha avó dizia que tinha deixado algumas músicas e o “vira” era uma delas».

Foi com essas músicas recolhidas em Ponta Delgada que Luís Alves partiu para os arranjos coreográficos do grupo de folclore. «Notam-se diferenças em relação a outros reportórios porque vivíamos muito isolados mas eu acho que é a diferença de ilha para ilha e de freguesia para freguesia que faz a riqueza do folclore».

Luís Alves envolveu-se em praticamente tudo o que era a vida quotidiana e especialmente cultural de Ponta Delgada. «Fomos os primeiros a apresentar marchas de São João com letras e música minhas, celebrávamos as Rondas dos Reis, a Passagem do Ano e o no Carnaval organizávamos danças de arco e espada, com um mestre e um contra-mestre vestidos à militar».

Entre 1980 e 2000, organizou uma tuna com violões, viola da terra, bandolins e violino e mantem um grupo, o «Vozes do Norte», com mais cinco elementos.

Catequista durante 35 anos e membro do coro da Igreja de Ponta Delgada, Luís Alves cursou teologia durante cinco anos e é actualmente um dos três diáconos dos Açores. «Só não posso consagrar a hóstia nem perdoar os pecados uma vez que sou casado. Meu Deus, eu às vezes não acredito na quantidade de coisas que faço ou já fiz».


Crónica do jornalista Nuno Ferreira no portal «Café Portugal».
Saudações florentinas!!