domingo, 10 de março de 2013

Plano marítimo lançado há 3 anos ainda está em fase de recolha de contributos

O Governo Regional dos Açores criou em 2010 uma comissão para elaborar o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo dos Açores (POEMA), mas passados três anos o processo continua em fase de "recolha de contributos".

O novo secretário regional dos Recursos Naturais, Luís Neto Viveiros, admitiu [no final do mês de Janeiro] que o plano de ordenamento do espaço marítimo açoriano regista "algum atraso": "Devo reconhecer que sim, mas é uma matéria muito delicada que envolve muitas áreas de actividade e muitos departamentos", lembrou o governante, recordando que o "período eleitoral" relativo às legislativas regionais de Outubro 2012 e a "reorganização" interna que o Governo Regional encetou motivaram o atraso.

Neto Viveiros disse, no entanto, ter esperança de que a elaboração do Plano ganhe entretanto "a celeridade que merece" e que o documento final esteja concluído "até ao final do ano".

Segundo o responsável, o objectivo é "encontrar os usos adequados dos espaços marítimos costeiros", no sentido de potenciar a sua utilização, do ponto de vista do turismo, da pesca e da utilização dos portos: "Temos de encontrar pontos de equilíbrio entre todos os interesses envolvidos, na preservação do ambiente, na preservação dos recursos piscícolas, de forma a que tudo aquilo que se decida e se implemente contribua para o desenvolvimento sustentado de todas as actividades que assentam na exploração do mar", explicou Neto Viveiros.

Além do Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, a comissão interdepartamental para os Assuntos do Mar analisou ainda a diretiva-quadro "Estratégia Marinha", bem como a sua futura concretização nos Açores. Esta diretiva europeia estabelece um quadro de acção comunitária no domínio da política para o meio marinho, para promover o uso sustentável dos mares e a conservação dos ecossistemas marinhos, e a sua aplicação prevê o desenvolvimento de estratégias aplicáveis às águas marinhas sob soberania ou jurisdição nacional.

O secretário regional dos Recursos Naturais lembrou que os Açores são a região da Europa "com mais área marítima à sua responsabilidade", razão pela qual tem acompanhado este processo com muita atenção: "os Açores têm um papel de liderança na gestão do seu espaço marítimo e vê no mar uma grande quantidade de oportunidades, tanto ao nível do emprego, como do desenvolvimento do turismo sustentado, da investigação científica do mar profundo e da pesca controlada", frisou Luís Neto Viveiros.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
O relatório sobre a operacionalização do POEMA deveria ter ficado concluído até ao Verão [de 2012] para depois ser discutido a nível do Governo Regional, informação avançada [em Maio do ano passado] pelo director regional dos Assuntos do Mar, Frederico Cardigos.

Saudações florentinas!!

sábado, 9 de março de 2013

Estado da obra do Museu das Lajes

O crescimento da estrutura tem sido bem evidente, decorrendo dentro dos prazos estipulados e de acordo com o plano de trabalhos aprovado, informa a edilidade lajense.

Notícia: "sítio" da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
Ainda sobre outras obras a cargo da autarquia lajense, merecem especial referência o miradouro e zona de lazer da Muralha do porto das Lajes, o miradouro da Pedrinha, o miradouro da vigia da baleia na Fazenda e a reabilitação da zona da antiga Corretora.

Saudações florentinas!!

sexta-feira, 8 de março de 2013

O atum "mais sustentável do Mundo"

O atum capturado pelo sistema 'salto e vara' nas embarcações da Conserveira Santa Catarina, em São Jorge, é "o mais sustentável do Mundo", segundo a organização ambientalista Greenpeace, que distinguiu a marca açoriana que comercializa o atum em Inglaterra.

“É um prémio importante porque, num Mundo onde a concorrência é cada vez maior, arranjamos maneira de ver valorizado e publicitado o nosso produto", afirmou Pedro Pessanha, administrador da conserveira.

A pesca do atum utilizado nestas conservas é feita por três embarcações, com cerca de seis dezenas de pescadores, através do sistema de 'salto e vara' (pesca à linha), o que garante que “não há depredação das espécies”, em particular do 'bonito', que é o mais capturado.

A Conserveira Santa Catarina, com uma faturação de 4 milhões de euros em 2010, está instalada no concelho da Calheta, na ilha de São Jorge, e [em Maio de 2011] parece ter “encontrado o caminho” da recuperação, depois dos problemas financeiros que sofreu em 2008 e que levaram à intervenção do Governo Regional para evitar a falência: “Neste momento, os sinais de recuperação são prometedores”, garantiu Pedro Pessanha, revelando que "mais de metade" dos novos produtos 'gourmet' produzidos nesta fábrica de conservas são absorvidos pelos mercados de Itália, Inglaterra, EUA, Canadá, Irlanda e Alemanha, sendo o restante consumido em Portugal.

As variedades 'gourmet', com nova imagem, são os filetes de atum em azeite e orégãos, em azeite e batata doce, em azeite e tomilho ou em molho cru, além do atum ventresca em azeite.

António José de Almeida, responsável pela produção, frisou que “a linha filete é toda tratada manualmente, incluindo a embalagem, o que garante um elevado grau de produção qualitativa artesanal”. As latas de conserva são embaladas num papel semelhante às páginas de um jornal que, ao ser desembrulhado, contém a história da empresa e uma receita de culinária.

A faturação da conserveira passou de 1,4 milhões de euros em 2009 para 4 milhões de euros em 2010, o que permitiu iniciar a recuperação da empresa. Pedro Pessanha admitiu que, “se houvesse mais produção, mais se vendia”, mas alertou para a necessidade de ter em atenção que o atum é uma espécie migratória e, em alguns anos, a captura pode ser menor.

A Conserveira Santa Catarina é o maior empregador do concelho, com 130 funcionários, dos quais 110 são mulheres, produzindo diariamente entre oito e dez toneladas de atum cozido, o que representa 10 a 12 mil latas de conserva. Para laborar sem problemas e responder ao volume actual da carteira de clientes, a empresa necessita de garantir a captura anual de cerca de duas mil toneladas.

O futuro, segundo Pedro Pessanha, passa por dar “passos certos e seguros através da promoção, porque se vive uma situação de crise [económica] que não é favorável a grandes investimentos”.


Notícia: «Açoriano Oriental», SIC Notícias e jornal «A União».
A Fábrica de Santa Catarina teve prejuízo superior a 2 milhões de euros em 2011 mas conseguiu reduzir o passivo em 4,5 milhões.

Saudações florentinas!!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Florentino eternizou História do Brasil

O espólio fotográfico de José Christiano Júnior é muito respeitado na América Latina. Trata-se, dizem os especialistas, de documentação antropológica. Esse espólio regista a escravatura negra no século XIX, as fotografias eram vendidas aos turistas como "souvenirs".

José Christiano Júnior, fotógrafo açoriano, é um dos grandes responsáveis pelo acervo fotográfico que dá conta da escravatura no Rio de Janeiro, no século XIX. Natural da ilha das Flores, José Christiano de Freitas Henriques Júnior deixou um importante espólio de imagens, hoje guardado no Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil.

O fotógrafo, nascido na ilha das Flores em 1832, emigrou para o Brasil em 1855 e iniciou a sua actividade em 1860. Três anos mais tarde, já no Rio de Janeiro, dedica-se a captar imagens da população cativa da cidade. De facto, quando essas fotografias são produzidas, a população de negros escravos que trabalha nas ruas da cidade é de 55 mil pessoas, um terço da população total. De acordo com os especialistas, muitos desses registos são acompanhados de anotações que identificam a nação dos escravos, o que indicia as suas preocupações antropológicas.

São os retratos de corpo inteiro que mostram os diferentes ofícios a que os escravos se dedicavam. Há vendedores de frutas, barbeiros, amoladores de facas; imagens vendidas no comércio local como souvenirs. De acordo com os especialistas, José Christiano Júnior conhecia bem a obra dos pintores do início do século, já que as suas fotografias são semelhantes aos trabalhos destes artistas. Em 1866, o fotógrafo florentino ganhou a medalha de bronze na Exposição Nacional.

Em 1866, José Christiano Júnior instala-se em Buenos Aires, na Argentina, onde inicia uma maciça produção de retratos. Investigadores argentinos que examinaram o seu trabalho - depositado no Archivo General de La Nación - estimam que o fotógrado produziu mais de 4 mil retratos entre 1873 e 1875, o que perfaz uma média de cinco clientes por dia.

O sucesso fê-lo inaugurar um novo ateliê, desta vez dedicado ao público infantil. O estúdio foi destruído pelo incêndio em 1875. Nesse ano, aliás, José Christiano Júnior tornou-se o fotógrafo oficial da Sociedade Rural Argentina. Aos poucos, o florentino vai amadurecendo a ideia de desenvolver um álbum com imagens do país. Em 1876 é editado o primeiro volume desse trabalho, intitulado «Album de vistas e costumes de la Argentina»: composta por 16 imagens da cidade de Buenos Aires, a obra é ainda acompanhada de textos explicativos em quatro idiomas. Trata-se do primeiro trabalho deste género produzido na Argentina.

José Christiano Júnior decide vender o estúdio em 1878, no auge da sua carreira. A decisão ficou a dever-se à vontade de continuar os álbuns dedicados à Argentina, que entretanto já contavam com um segundo volume dedicado às personalidades urbanas e às construções modernas e históricas do país. Entre 1879 e 1883, o florentino conhece as mais variadas regiões do país. O seu trajeto, feito em cima de uma mula, é contado nos jornais da época. Já em 1883, o fotógrafo deixa o seu último ateliê, na cidade de Corrientes, abandonando temporariamente a fotografia e dedicando-se à produção e ao comércio de licores.

José Christiano de Freitas Henriques Júnior faleceu aos 70 anos de idade. Os últimos anos foram passados a pintar fotografias. Um artigo de Marcelo Eduardo Leite dá conta da importância do açoriano: "As imagens deixadas no Brasil e na Argentina por Christiano Júnior são um testemunho da sua peculiar forma de ver e, sem dúvida, apresentam-se como uma referência incontornável para a reflexão a respeito da História social da América Latina".


Notícia: jornal «Diário Insular».
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Lutar pelas 200 milhas da nossa ZEE

O presidente do Governo Regional afirmou que os Açores não vão abdicar de lutar pela recuperação das 200 milhas de zona económica exclusiva (ZEE) que detinham e que foi reduzida a 100 milhas por decisão do Conselho Europeu.

Vasco Cordeiro, após uma audiência [na passada segunda-feira] concedida à Comissária europeia dos Assuntos Marítimos e das Pescas, declarou que o Governo Regional “nunca” abdicou da luta pela salvaguarda das 200 milhas da ZEE dos Açores.

Destacando que existe um conjunto de aspectos que constam na estratégia da União Europeia para a região atlântica nos quais os Açores se enquadram, Vasco Cordeiro lembrou que a Região “há muito tempo” que defendia algumas das preocupações actuais de Bruxelas nesta matéria.

O presidente do Governo Regional exemplificou com as zonas biologicamente sensíveis e a sustentabilidade dos recursos existentes, que referiu como uma “grande batalha” dos Açores face à União Europeia: “A insistência dos Açores não radica apenas numa questão política, mas no património de políticas que ao longo de 30 anos de autonomia a Região implementou do ponto de vista da sustentabilidade da exploração de recursos. É por isso que nós ousamos pensar que temos uma legitimidade acrescida para continuar a insistir em aspectos que para nós são fundamentais como a questão das 200 milhas”.


Notícia: jornal «i» e «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 5 de março de 2013

Compras passaram a fazer-se na Net

A inexistência de livrarias, lojas de informática ou lojas de mobiliário levou os consumidores da ilha do Corvo a serem dos açorianos que mais recorrem à internet para efectuar compras em lojas virtuais.

“É impressionante, porque é a população toda, mesmo os menos alfabetizados. Todos utilizam estas lojas virtuais”, afirmou Paulo Estêvão, deputado do PPM e residente na ilha do Corvo, onde vivem pouco mais de 400 pessoas e que “desta forma minimizam o isolamento”. Garantindo que “não se trata de moda, mas sim de necessidade”, Paulo Estêvão disse que as compras online “são prática comum”, mesmo para quem não domina as novas tecnologias porque “pede a quem percebe para fazer as encomendas”. “A necessidade fez dos consumidores corvinos os mais bem preparados e informados nesta matéria na Região”, referiu o deputado, alegando que “as compras podem ir das coisas informáticas mais baratas até grandes encomendas e mesmo géneros alimentares, para festas como o Natal ou a Páscoa”. As encomendas feitas online chegam à ilha do Corvo pelo correio em algumas semanas, dependendo do sítio do mundo onde são adquiridas e normalmente pagas à cobrança, como forma de segurança. “Há uma quantidade enorme de coisas de que as pessoas não se apercebem quando vivem numa ilha como São Miguel ou no Continente, mas que aqui no Corvo só podem ser compradas à distância”, sustentou Paulo Estêvão.

Também o antigo presidente da Câmara Municipal do Corvo, Fernando Pimentel confessou ser um consumidor online frequente, sobretudo para adquirir livros, CD e material informático, bens em que gasta várias centenas de euros. “Eu acho que as pessoas de cá são as que mais usam a internet, para todos os fins: redes sociais, leitura de jornais e revistas e consultar sites de utilidade”, afirmou Fernando Pimentel, que governou a única autarquia do Corvo entre 2005 e 2009. Durante este período, Vila Nova do Corvo, único aglomerado populacional na ilha, ficou toda coberta por uma rede sem fios (wireless) que permite a qualquer pessoa aceder gratuitamente à internet. A criação desta rede, que resultou de um investimento partilhado pela Câmara Municipal e pelo Governo Regional, estimulou de tal forma a aquisição de computadores na pequena ilha que actualmente são raras as casas que não possuem um destes equipamentos. “Foi uma excelente medida, muito bem vinda e muito bem aceite”, sustentou Fernando Pimentel.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
A ilha do Corvo esteve sem abastecimento por mar durante 14 dias, ficando em causa o 'stock' de bens de primeira necessidade com prateleiras vazias... por culpa da empresa MareOcidental, apontou Manuel Rita, presidente da Câmara Municipal de Vila do Corvo. A ilha do Corvo foi reabastecida de bens alimentares e essenciais na tarde de ontem por via aérea e hoje por via marítima.

Saudações florentinas!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

"Comemorar"(?) o Dia da Mulher

A Associação de Jovens das Flores comemora(?) o Dia Internacional da Mulher no próximo sábado (dia 9) com a realização da Secret Party, no Bar do Aeroporto, com a presença de Marco (ex-concorrente da Casa dos Segredos 2). Para as mulheres "vai haver" muitas surpresas e prémios!

No dia 8 de Março de 1857 as operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte-americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a sua fábrica e reivindicaram melhores condições de trabalho, tais como: redução da carga diária de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com brutal violência: as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que depois foi incendiada; aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num acto totalmente desumano.

Somente em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de Março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram naquela fábrica em 1857. Mas apenas em 1975 a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como Dia Internacional da Mulher.

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objectivo é discutir o papel da mulher na sociedade actual, pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do seu valor. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, as mulheres ainda sofrem em muitos locais com salários baixos, violência doméstica, jornada excessiva de trabalho, assédio sexual e desvantagens na carreira profissional. Muito foi já conquistado, mas muito ainda há para ser modificado na plena emancipação das mulheres.

Saudações florentinas!!

domingo, 3 de março de 2013

Sic Transit Gloria Flores... (VIII)



Os dois animais, que se mostram nas fotos acima, são propriedade dos Serviços de Desenvolvimento Agrário das Flores e Corvo. O progresso e a modernização do sector agrícola açoriano passam também pela valorização do bem-estar animal, mas notoriamente aqueles dois bois estão algo mal tratados (sub-alimentados?). Esta grave situação deve ser considerada ainda mais preocupante por ser cometida por uma entidade pública.

Recentemente a Associação Agrícola da ilha das Flores chamou a atenção para a escassez de alimento para o gado, com dificuldades acrescidas para os lavradores devido ao Inverno rigoroso.
Saudações florentinas!!

sábado, 2 de março de 2013

2 de Março: o Povo é quem + ordena!

Em Setembro, Outubro e Novembro enchemos as ruas mostrando claramente que o povo está contra as medidas austeritárias e destruidoras impostas pelo governo e seus aliados do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu – a troika.

Derrotadas as alterações à TSU, logo apareceram novas medidas ainda mais gravosas. O OE para 2013 e as novas propostas do FMI, congeminadas com o governo, disparam certeiramente contra os direitos do trabalho, contra os serviços públicos, contra a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, contra a Cultura, contra tudo o que é nosso por direito, e acertam no coração de cada um e cada uma de nós. Por todo o lado, crescem o desemprego e a precariedade, a emigração, as privatizações selvagens, a venda a saldo de empresas públicas, enquanto se reduz o custo do trabalho.

Não aguentamos mais o roubo e a agressão.

Indignamo-nos com o desfalque nas reformas, com a ameaça de despedimento, com cada posto de trabalho destruído. Indignamo-nos com o encerramento das mercearias, dos restaurantes, das lojas e dos cafés dos nossos bairros. Indignamo-nos com a Junta de Freguesia que desaparece, com o centro de saúde que fecha, com a maternidade que encerra, com as escolas cada vez mais pobres e degradadas. Indignamo-nos com o aparecimento de novos impostos, disfarçados em taxas, portagens, propinas... Indignamo-nos quando os que geriram mal o que é nosso decidem privatizar bens que são de todos – águas, mares, praias, território – ou equipamentos para cuja construção contribuímos ao longo de anos – rede eléctrica, aeroportos, hospitais, correios. Indignamo-nos com a degradação diária da nossa qualidade de vida. Indignamo-nos com os aumentos do pão e do leite, da água, da electricidade e do gás, dos transportes públicos. Revolta-nos saber de mais um amigo que se vê obrigado a partir, de mais uma família que perdeu a sua casa, de mais uma criança com fome. Revolta-nos o aumento da discriminação e do racismo. Revolta-nos saber que mais um cidadão desistiu da vida.

Tudo isto é a troika: um governo não eleito que decide sobre o nosso presente condicionando o nosso futuro. A troika condena os sonhos à morte, o futuro ao medo, a vida à sobrevivência. Os seus objectivos são bem claros: aumentar a nossa dívida, empobrecer a maioria e enriquecer uma minoria, aniquilar a economia, reduzir os salários e os direitos, destruir o estado social e a soberania. O sucesso dos seus objectivos depende da nossa miséria. Se com a destruição do estado social a troika garante o financiamento da dívida e, por conseguinte, os seus lucros, com a destruição da economia garante um país continuamente dependente e endividado.

A 25 de Fevereiro os dirigentes da troika, em conluio com o governo, iniciarão um novo período de avaliação do nosso país. Para isto precisam da nossa colaboração e isso é o que não lhes daremos. Porque não acreditamos no falso argumento de que se nos “portarmos bem” os mercados serão generosos. Recusamos colaborar com a troika, com o FMI, com um governo que só serve os interesses dos que passaram a pagar menos pelo trabalho, dos bancos e dos banqueiros, da ditadura financeira dos mercados internacionais. E resistimos. Resistimos porque esta é a única forma de preservarmos a dignidade e a vida. Resistimos porque sabemos que há alternativas e porque sabemos que aquilo que nos apresentam como inevitável é na verdade inviável e por isso inaceitável. Resistimos porque acreditamos na construção de uma sociedade mais justa.

A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas. Exigimos a demissão do governo e que o povo seja chamado a decidir a sua vida.

Unidos como nunca, diremos basta.

A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!

QUE SE LIXE A TROIKA. O POVO É QUEM MAIS ORDENA!


Jorge Palma: - (...) haja dignidade, coragem, inteligência e solidariedade de facto. Isto está só a começar, o rumo da locomotiva está nas nossas mãos.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Investigadas alterações moleculares associadas à "doença do Machado"

Investigadores da Universidade dos Açores estão a desenvolver várias linhas de trabalho no âmbito da doença de Machado-Joseph, com alta taxa de incidência na Região, apostando actualmente na caracterização ao nível molecular das alterações que ocorrem naquela patologia.

"Estamos a caracterizar ao nível da célula as alterações que ocorrem nesta doença. A ideia é que se possa, antes do individuo ter sintomas, na altura que for descoberto um fármaco, começar a dar este medicamento ao doente, logo que as alterações moleculares se começarem a manifestar", explicou Manuela Lima, investigadora da Universidade dos Açores.

A especialista em Genética Humana proferiu ontem uma palestra na sede da Associação Amigos da ilha das Flores, em Ponta Delgada, no âmbito do Dia Mundial das Doenças Raras, e onde deu a conhecer também uma tese de mestrado de Conceição Araújo, que integra o grupo da Universidade dos Açores que investiga a doença de Machado-Joseph, que foi pela primeira vez identificada em descendentes de açorianos na América do Norte.

A especialista explicou que actualmente uma pessoa filha de um doente Machado-Joseph pode mesmo antes de ter sintomas da doença dirigir-se ao hospital e pedir para fazer um teste genético. Dados de 2011 referem que existem nos Açores 99 doentes com Machado-Joseph distribuídos maioritariamente por São Miguel (53) e pelas Flores (26), com uma média de idades que ronda os 40 anos, mas existem também doentes na Terceira, Faial, Graciosa ou Pico.

Manuela Lima disse estar confiante, a longo prazo, num fármaco que possa ser ministrado como modo de retardar o aparecimento da doença e destacou a tese de mestrado de Conceição Araújo, "um trabalho muito importante que chama a atenção de uma situação real e de necessidades reais".

No caso da ilha das Flores, onde existe a mais alta taxa de incidência no mundo, considerou há a necessidade de "uma intervenção muito particular" junto dos doentes e seus familiares, alegando que estes têm que se deslocar a outra ilha, nomeadamente São Miguel, para "um acompanhamento mais regular" por parte da componente de neurologia e de psicologia.

A Machado-Joseph condiciona a coordenação dos movimentos, desde a fala e gestos das mãos ao equilíbrio e marcha, embora dependa de caso para caso. A especialista destacou que os Açores criaram legislação própria que permite ajudar estas famílias, a par do trabalho da Associação Atlântica de Apoio ao Doente de Machado-Joseph. "O facto de haver uma equipa que há muitos anos está ligada a esta doença acaba por disponibilizar um conjunto de recursos que pode ser usado para quem quer decidir questões sobre saúde", frisou, destacando o trabalho multidisciplinar envolvendo biólogos, neurologistas, especialistas em psicologia e geneticistas.

A Universidade dos Açores colabora no programa de aconselhamento genético que existe na região e que permite disponibilizar um teste genético aos doentes e famílias. Manuela Lima destacou que desde 2011 existem vários trabalhos do ponto de vista experimental em modelos animais e "acumulou-se algum conhecimento sobre o mecanismo da doença" e "bom potencial", incluindo de vários grupos a nível nacional. A investigadora admitiu que não tenha havido propriamente um aumento da doença nos Açores, mas considerou existir “alguma tendência para se ter mais casos” porque existe um melhor conhecimento sobre a patologia.


Notícia: jornal «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!