domingo, 9 de junho de 2013

Comemoração do Dia da Criança


Ontem foi o dia escolhido para a comemoração do Dia da Criança na vila das Lajes. Coincidindo com o Dia Mundial dos Oceanos, neste evento juntaram-se várias entidades a fim de abrangerem/envolverem o maior número de pessoas.

Aconteceram actividades náuticas e terrestres, com diversificação nas duas áreas. No mar: passeios em bote baleeiro, prática de vela individual e colectiva, etc. Em terra: colagem de cartazes e pintura de mãos no muro da marina, jogos tradicionais com a participação dos utentes do Lar (lançamento do pião, derrube de latas), actuação da criança vencedora do Festival Infantil da Canção, actividade de sensibilização para a defesa do ambiente, churrasco, lançamento de balões, etc.

São Pedro, como convidado de honra, trouxe como presente um dia de Verão, que foi bem acolhido e usufruído por todos os que acorreram em massa à zona do areal, marina e arredores. Era visível a felicidade nos olhares/rostos dos presentes, em especial as crianças. As várias entidades envolvidas estavam satisfeitas com os resultados.


Vídeo: YouTube de José Agostinho Serpa.
Saudações florentinas!!

sábado, 8 de junho de 2013

Aprovado novo ordenamento das lagoas

O Governo Regional aprovou [no passado dia 21 de Maio] o plano de ordenamento das bacias hidrográficas das lagoas da ilha das Flores, passando cinco delas a ser classificadas como de "utilização protegida" e outras três de "utilização condicionada".

”As lagoas Branca, Negra, Comprida, Funda e das Patas são classificadas como de utilização protegida, atendendo às suas utilizações actuais e previsíveis, mas também à necessidade de salvaguardar os seus valores ecológicos”, lê-se no comunicado do Conselho do Governo dos Açores.

Quanto às lagoas da Lomba e Rasa, são classificadas “como de utilização condicionada, atendendo aos condicionamentos naturais, que aconselham a imposição de restrições às actividades secundárias, nomeadamente por apresentarem uma superfície reduzida”.

Segundo o Conselho do Governo Regional, este plano “visa a concretização de um modelo de ordenamento que garanta a salvaguarda da integridade paisagística das bacias hidrográficas das lagoas, através da compatibilização dos usos e actividades com a proteção, valorização e requalificação ambiental das lagoas, nomeadamente ao nível da qualidade das águas”.

O Conselho do Governo aprovou ainda medidas que visam responder a estragos provocados pelo mau tempo na ilha das Flores em estradas e linhas de água. O executivo açoriano decidiu também fazer trabalhos de conservação e limpeza de 40 quilómetros de caminhos rurais e florestais na ilha.

O Governo Regional decidiu também avançar com projectos para a construção de uma rotunda na vila das Lajes, para um sistema de abastecimento de água a parcelas agrícolas na Caveira e para a proteção costeira da zona do Hotel ServiFlor, em Santa Cruz.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

«Janela de Guilhotina» #2

Azoricas

Quando os navegadores avistaram ao longe as ilhas atlânticas, terão sentido a vontade compreensível de as visitar, não só pela curiosidade natural do descobridor, como também para obter água e mantimentos frescos, e já agora para delas se apossar em nome de El-Rei e para glória de todos. Abrigados os pequenos barcos nas poucas angras viáveis, ei-los que desembarcam num território que até então só pertencia às aves e à vegetação – e pouco mais.

Nas zonas mais baixas, encontraram as plantas de costa, tão densas em alguns locais que até o nome deram à ilha em questão; é o caso das Flores, que terá sido deste modo chamada por se encontrar literalmente coberta de cubres amarelos (solidago sempervirens) na orla costeira, e decerto não das exóticas hortênsias azuis, como sucede hoje, mas que parecem ter achado nessa ilha, como um pouco por todo o arquipélago dos Açores, o seu verdadeiro lugar ao sol. Sol suavizado, é certo, no caso da mais ocidental das ilhas, pela humidade constante, chuvas abundantes e vento fresco, pois poderia ter sido Flores também chamada a ilha das brumas eternas, ou aquela que dá de beber ao mar, segundo um poeta... com igual propriedade.

Nas zonas mais altas, geralmente acima dos 500 metros nos grupos central e oriental - no ocidental, a menos do que isso - observaram, aflitos (como é que se vai arrotear isto?) a floresta a que hoje nos referimos quase postumamente como laurissilva, ou floresta de louro e cedro, pois dela agora pouco resta, a não ser nos locais menos acessíveis das ilhas (*), como por exemplo a daqui bem próxima serra da Tronqueira [na ilha de São Miguel]. Árvores centenárias, algumas de preciosa madeira, arbustos e vegetação rasteira, (quase) tudo acabou por ser minuciosamente derrubado, desbravado e desmontado, numa actividade a princípio lenta e penosa, tornando-se mais rápida e descuidada com o melhoramento dos utensílios e o advento da perniciosa mania de que o que vem de fora é que é bom, e que levaria à introdução de muitas espécies alienígenas e agressivas para a flora local. Desta, onde estão agora os cedros do mato - em alguns locais conhecidos por zimbreiros ou zimbros – os loureiros, vinháticos, paus-brancos (ou paus-branqueiros), sanguinhos, azevinhos, tamujos e folhados, e quem os conhece hoje? A queiró (ou urze, nalgumas ilhas) lá se foi aguentando e é das poucas relíquias da laurissilva que pertence ao nosso quotidiano; a faia da terra também, até certo ponto, e devido talvez à sua utilização como abrigo para plantas fruteiras.

Muitas destas espécies são endémicas, ou seja nossas e só nossas; a algumas foi-lhes dado até o nome que entre todas as plantas deste mundo as distinguirá: Laurus Azorica, o loureiro açoriano; Erica Azorica, a nossa urze ou queiró; Picconia Azorica, o pau-branqueiro de nobre madeira; Frangula Azorica, o sanguinho de flor vermelha, etc.

O olhar do passante recai na mesma, nos dias de hoje, sobre o verde profundo das árvores, mas praticamente só distinguirá as exóticas Cryptomeria Japonica de crescimento rápido, sob as quais pouco ou nada consegue sobreviver, alguns Eucalyptus Globulus e abundantes incensos, Pittosporum Undulatum, também ao que parece introduzidos inicialmente para abrigo de pomares. Verá também outras colonizadoras eficientes, como as canas, Arundo Donax, a ornamental e competitiva Hydrangea Macrophylla, mais conhecida decerto por hortênsia ou novelão, de que atrás já se falou, e as atraentes conteiras (em algumas ilhas, roca-da-velha ou cana-roca), Hedychium Gardneranum, que lá por serem bonitas não deixam de ser também uma boa peste de erva, e a pior das ameaças para a pobre e açoriana laurissilva.

Fui buscar boa parte destes nomes, científicos e sonoros, já se vê, a um pequeno e muito útil livrinho, pois a única coisa aqui que é da minha especialidade é a verificação diária da (quase) geral indiferença pública e privada pelo desaparecimento das “azoricas”, quer sejam vegetais quer não. Entretanto, dois aspectos me chamaram a atenção logo à partida no dito livro. Em primeiro lugar, o facto do seu autor ser um estrangeiro - o sueco Erik Sjögren; e em segundo, uma das frases com que inicia o seu precioso trabalho: este livro foi elaborado para turistas que se encontrem no arquipélago dos Açores ou planeiem visitá-lo...

Para turistas. E ainda há quem negue que quem está de fora vê melhor, e rapidamente se apercebe daquilo que a casa gasta. Depressa terá constatado Erik Sjögren que os açorianos não se ralam excessivamente com as azoricas.


Maria Antónia Fraga

(*) E, nas Flores, junto das casas, praticamente ao nível do mar. Há mesmo, nessa ilha, quem tenha o seu zimbreiro no pátio... estas linhas foram escritas na ilha de São Miguel, onde infelizmente os restos da laurissilva só se conseguem encontrar em altitudes elevadas.

Este artigo foi (originalmente) publicado no blogue «Janela de Guilhotina» e também no jornal «Correio do Norte».

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Apoia o CDEF na fase final do Nacional

Neste fim-de-semana, em Esmoriz joga-se a fase final do Campeonato Nacional de juniores masculinos em voleibol. O nosso Clube Desportivo Escolar Flores (CDEF) lá estará nas oito melhores equipas de Portugal no seu escalão etário, em representação da ilha das Flores e dos Açores.

A estreia dos valorosos campeões regionais açorianos ocorrerá amanhã (sexta-feira) pelas 19 horas (do Continente), com os jovens do CDEF a defrontarem a equipa anfitriã, o Esmoriz Ginásio Clube. Neste sábado e domingo o CDEF terá mais outros dois jogos, com adversários e horário ainda por definir (dependendo dos resultados do dia anterior).

Votos de muita sorte para a participação destes jovens florentinos na Final 8 do Nacional de juniores de voleibol, sabendo que estão já a escrever uma gloriosa página histórica do desporto da ilha das Flores!

Apela-se aos florentinos a residir (ou estudar) no Continente e demais amigos e amantes da ilha das Flores que vão ao Pavilhão do Esmoriz apoiar o nosso CDEF nestes seus três jogos!

Saudações florentinas!!

Fazendense é campeão da A.F. Horta

No passado domingo (dia 2) o Grupo Desportivo Fazendense sagrou-se campeão de futsal da Associação de Futebol da Horta em séniores e assim garantiu também a participação (na próxima época) na 3ª Divisão série Açores de futsal.

Com clara supremacia a equipa do Fazendense ganhou (no passado fim-de-semana no Pavilhão da Escola das Lajes) os jogos em que defrontou os campeões das ilhas do Faial e Pico: Fayal Sport (5-1) e Desportivo São João (8-0).

Para a posteridade ficam os nomes dos novos campeões de futsal da Associação de Futebol da Horta: Artur Cunha, Marco Oliveira, Dércio Silveira, Beto Vasconcelos, Rui Pereira, Reinaldo Bento, Tércio Machado, Eliseu Câmara, Samuel Medina, José Enes, Renato Santos e André Furtado. E ainda Délia Oliveira como massagista e o treinador Márcio Furtado. Muitos parabéns!

De referir ainda o trabalho desenvolvido pelo Fazendense nos escalões de formação de futsal, pois as suas equipas venceram (a nível da ilha) nos escalões de infantis, iniciados e juniores.

Saudações florentinas!!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Hoje é Dia Mundial do Ambiente

Os Açores possuem 71 classificações ambientais atribuídas por entidades internacionais, entre as quais duas áreas Património da Humanidade, três Reservas da Biosfera, 13 áreas Ramsar, 12 áreas OSPAR e um GeoParque único no mundo, que abrange todo o arquipélago, além de quase quatro dezenas de zonas integradas na rede Natura 2000.

A excelência da qualidade ambiental dos Açores é reconhecida também por mais de uma dezena de prémios e menções nacionais e internacionais, atribuídos pelas mais conceituadas revistas e organizações da especialidade.

A Secretaria regional dos Recursos Naturais tem por função promover e implementar a conservação da paisagem, da natureza e da biodiversidade, por forma a garantir e reforçar as diversas certificações atribuídas aos Açores. Esta função compete à Direcção regional do Ambiente, que além da Conservação da Natureza, actua nas áreas dos Recursos Hídricos, Ordenamento do Território, Resíduos e Educação Ambiental.

Para a Secretaria Regional dos Recursos Naturais, a singularidade e a diversidade da paisagem, a par dos valores culturais e sociais do seu povo, são factores essenciais de satisfação para quem visita as ilhas açorianas, sendo o património natural um dos seus principais elementos identificadores e diferenciadores. Promover a preservação deste património é também contribuir para a melhoria das condições de vida das populações locais.

Nesse sentido, a implementação das Convenções e Directivas Comunitárias na Região, a recuperação de habitats, a valorização das espécies endémicas como produto transacionável, o combate às espécies exóticas invasoras, a manutenção e a reabilitação da rede de trilhos pedestres são as principais acções e medidas a tomar nesta legislatura na área da Conservação da Natureza.


Notícia: jornal «O Baluarte» de Santa Maria e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
De salientar que o Parque Natural das Flores, em parceria com a JeroInvest, promove hoje uma actividade (dirigida a alunos) de sensibilização para o uso sustentável do mar e a RTP Açores exibe esta noite o documentário “A Natureza dos Açores”.

Saudações florentinas!!

terça-feira, 4 de junho de 2013

«Brumas e Escarpas» #60

Armas de sabugueiro e cadeirinhas de junco

Talvez porque ainda pairasse sobre nós o espectro da segunda Guerra Mundial, talvez porque ouvíamos muitas estórias e relatos sobre piratas que antigamente atacavam a ilha, não apenas a população mas também muitos navios que por ali passavam, carregados de mercadorias que vindos das Américas demandavam as Flores na procura de rumo que os guindasse nas sendas das rotas europeias e norte-africanas, talvez por se encafuar no nosso subconsciente que a história da humanidade era um relato permanente de batalhas e guerras, talvez por isto e por aquilo e talvez por coisa nenhuma, mas simplesmente porque havíamos de construir os nossos próprios brinquedos com o material de que dispúnhamos, uma das brincadeiras muito frequentes das crianças, nos anos 1950 na ilha das Flores, era a da construção de armas de sabugueiro, com balas de raiz de cana roca, de bagas de sanguinho e de zimbro, com as quais nos entretínhamos a dar tiros contra tudo e contra coisa nenhuma e, sobretudo, a ouvir o estrepitante estalido das ditas cujas quando disparavam.

Fazer uma arma de sabugueiro era fácil. Bastava possuir uma boa navalha para cortar um tronco não muito grosso de uma árvore de sabugueiro. O pedaço de tronco a cortar deveria ser rectilíneo e com um tamanho aproximado de dois palmos de criança. Depois de cortado e devidamente alisado nas pontas, com uma verga ou com um vime empurrava-se o miolo do respectivo pedaço de tronco de sabugueiro, de modo a que este saísse totalmente e o sabugueiro ficasse furado duma ponta a outra, como se fosse um túnel, formando uma espécie de tubo. De seguida cortava-se um garrancho de incenso, de preferência com uma das metades mais grossa do que a outra. Uma parte do incenso, um pouco mais pequena do que o sabugueiro, deveria ser cortada, “falquejada” e raspada com um pedaço de vidro, de maneira a formar um cilindro que penetrando no tubo do sabugueiro se ajustasse ao mesmo sem grandes folgas, de tal modo que a parte mais grossa empeçasse e não entrasse no tubo, formando uma espécie de êmbolo. Com a navalha cortavam-se dúzias e dúzias de pedaços de raízes de cana roca, à semelhança de pequenas rolhas ou juntavam-se as bagas de zimbro ou sanguinho, destinadas a tapar ambas as extremidades do tubo de sabugueiro. Uma vez bem metidas no mesmo deveriam ser bem apertadas, aparando-se toda a parte da rolha que não entrasse, de modo a ficar rasa nas extremidades do tubo. De seguida com o pau de incenso ia-se empurrando uma das rolhas que, aos poucos, ia entrando no tubo, comprimindo o ar, até empurrar a rolha da outra extremidade, atirando-a para bem longe e provocando um enorme estalido. A rolha empurrada ficava a ocupar a da parte da frente que havia sido atirada e colocava-se nova rolha na parte traseira, repetindo-se a operação cada vez que se pretendesse dar um novo tiro.

Uma arma de sabugueiro, quando bem-feita, atirava a bala para uma distância bastante considerável, provocava um ruidoso estalido e, se acertasse na corpo de alguém, doía a valer. Ai se doía!

As meninas, por sua vez, porque pouco afeitas a estas actividades bélicas, entretinham-se a fazer as cadeirinhas de junco. O junco era uma planta herbácea que crescia abundantemente nas Flores, quer nos terrenos alagadiços, vulgarmente designados por lagoas, quer nas margens das ribeiras e com mais abundância ainda nas zonas mais altas e rochosas da ilha, sobretudo nos matos, onde inclusivamente havia um lugar que fazia jus a este nome – o Rochão do Junco.

De tão abundante que era o junco, nem era aproveitado na totalidade, sobretudo porque o seu uso se destinava exclusivamente para secar os currais dos porcos, substituindo a cana roca e os milheiros ou para cama do gado nos palheiros, substituindo os fetos e o restolho do trevo e da erva da casta. Por isso mesmo, o junco crescia e multiplicava-se de forma extraordinária, acabando por apodrecer no mesmo sítio onde nascia e crescia, para voltar a nascer e crescer de novo. Estava pois sempre à mão, o junco. Além disso o seu caule cilíndrico possuía uma mobilidade e uma flexibilidade que convidavam à criatividade. As meninas, nas suas brincadeiras, corriam a apanhar os caules do junco, verdinhos, aveludados e maleáveis e a fazer com ele as interessantíssimas “cadeirinhas de junco”, para brincar, por vezes colocando-as nas casitas de papelão das bonecas de trapos com cabeça de loiça ou de casca de milho que elas próprias ou as mães construíam. Escolhiam os caules melhores e os mais rechonchudos e selecionavam o maior, com o qual se armava as costas da cadeira, colocando-o em semicírculo sobre os dedos indicador e anelar, do lado das costas da mão, dando-lhe, de seguida, alguma folga. Depois e do lado interior da mão colocavam horizontalmente um outro caule, dobrando-se sobre este as duas pontas do primeiro que ficavam presas entre os dedos. De seguida colocavam um outro caule, também horizontalmente e paralelo ao anterior, dobrando da mesma forma as suas extremidades e procediam assim até obter seis ou mais caules horizontais sucessivamente dobrados nas pontas e que formavam o assento da cadeira. Retirada toda esta estrutura da mão, prendiam e amarravam em quatro as extremidades dobradas dos caules, que depois de cortadas do mesmo tamanho formavam os quatro pés da cadeira. Obtinham assim um produto final de belo efeito, ou seja, um brinquedo de rara singularidade, de notável beleza e de considerável fascínio.


Carlos Fagundes

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ano de autárquicas: «Os Câmara boys»

As Câmaras Municipais são as maiores agências de emprego do país.

A integração de "boys" partidários nos quadros de pessoal das Câmaras e empresas municipais é regra e, com a aproximação da data das eleições autárquicas, adivinha-se um despautério de admissões e nomeações em catadupa.

Esta situação é particularmente expressiva no que diz respeito aos dirigentes que, nas juventudes partidárias, organizam as campanhas eleitorais e arregimentam votos. Uma vez instalados nos seus "tachos", continuam por norma a trabalhar ao serviço dos partidos mas remunerados à custa dos municípios. Ao longo dos últimos anos, este fenómeno agravou-se de tal forma que algumas empresas municipais mais parecem sedes partidárias dissimuladas.

Contudo, é nos municípios mais pequenos, alguns com apenas quatro ou cinco mil eleitores, que este problema se torna ainda mais grave e dramático no plano social. Nesses municípios, a obtenção de um qualquer emprego, ou a promoção numa função, depende quase exclusivamente do presidente de Câmara local. Isto porque o maior empregador no concelho é a Câmara; o segundo maior é, por regra, a Misericórdia local ou alguma instituição de solidariedade, que actua em conúbio com o poder autárquico. Segue-se-lhes a administração central descentralizada, de forte dependência política, ou eventualmente uma empresa de média dimensão... amiga da Câmara Municipal. Com esta estrutura de emprego, só o presidente de Câmara e os caciques que dele dependem conseguem atribuir empregos que, em regra, beneficiam afilhados e familiares do presidente, os militantes do partido e os apaniguados das redes clientelares. Claro que a sua seleção raramente resulta do seu currículo ou das suas competências.

Estas práticas reiteradas, nomeadamente nos pequenos concelhos do interior, consolidam, na maioria do território nacional, a ideia de que o estudo, a formação e o esforço de nada adiantam. Fazem vingar a tese de que a qualidade do desempenho é irrelevante para ocupar um qualquer cargo. A qualidade não constitui critério de escolha de colaboradores, ou de progressão nas carreiras. A estrutura de recursos humanos está invertida. O profissionalismo foi dizimado pelo clientelismo.


Artigo de opinião da professor universitário Paulo Morais, publicado (originalmente) no jornal «Correio da Manhã», de 16 de Abril de 2013.
Saudações florentinas!!

domingo, 2 de junho de 2013

60 anos de emigração para o Canadá

Entre 13 de Maio e 1 de Outubro irá decorrer, em todas as escolas secundárias dos Açores, a iniciativa ‘Vivências da nossa Gente’, que visa assinalar os 60 anos de emigração açoriana para o Canadá.

A primeira sessão decorreu [a 13 de Maio] na Escola Secundária Manuel da Arriga, na Horta, assinalando o dia exacto da chegada do navio ‘Saturnia’ à doca ‘Pier 21′, em Halifax, transportando os primeiros emigrantes açorianos.

Todas as apresentações a realizar nas escolas secundárias dos Açores terão a presença de açorianos que regressaram à Região depois de terem emigrado para o Canadá nos anos 1950 e 1960, que relatarão as suas histórias de vida e o seu percurso migratório. Estes relatos de emigrantes regressados serão acompanhados com a apresentação de fotografias e documentos diversos relativos ao quotidiano e às vivências destes açorianos ao longo das décadas, na sua terra de origem e nas cidades de acolhimento.

Com este projecto, que percorrerá nos próximos meses todas as ilhas da Região, pretende-se promover o conhecimento de histórias e percursos de vida dos emigrantes pioneiros, inscrevendo-os na memória colectiva dos açorianos e valorizando-os, muito em especial, junto dos mais jovens. Esta iniciativa pretende ainda fomentar o incremento das relações intergeracionais e promover um conhecimento aprofundado de diversas dimensões da açorianidade, através da transmissão aos jovens de memórias culturais, valores e saberes e da sua evolução desde a década de 1950 até ao presente.

Para o dia 4 de Junho [próxima terça-feira] está agendada a sessão na Escola Básica e Secundária das Flores.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental», rádio Atlântida e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Nova legislação canadiana para imigrantes preocupa comunidade portuguesa, pois vem dificultar a entrada de trabalhadores temporários.

Saudações florentinas!!

sábado, 1 de junho de 2013

Estudos sobre o fim das quotas leiteiras

O Comité das Regiões propõe ao Conselho e ao Parlamento Europeu que os Açores sejam contemplados nos estudos sobre os impactos do fim das quotas leiteiras, no âmbito de uma proposta apresentada pelo presidente do Governo Regional na sessão plenária que decorreu em Bruxelas.

Esta foi uma das propostas de alteração apresentadas pelo Governo Regional ao parecer do Comité das Regiões sobre o relatório da Comissão Europeia relativo à abolição do regime de quotas de produção de leite, que será agora entregue ao Parlamento Europeu e ao Conselho Europeu.

Por iniciativa do Governo Regional, o parecer “solicita a realização urgente de estudos complementares para avaliar o impacto territorial da supressão de quotas [leiteiras]” por grupos de países e regiões ultraperiféricas, como é o caso dos Açores, que produz cerca de 30 por cento do leite nacional.

Nas razões apresentadas, o Governo Regional alegou que as regiões ultraperiféricas, devido aos seus condicionalismos permanentes, como é o caso da insularidade, do grande afastamento e da pequena superfície, têm poucas alternativas às suas produções tradicionais.

O Governo Regional argumentou ainda que o “carácter único da produção de leite nos Açores constitui um dos motores principais da economia, da estabilidade social, da qualidade do meio ambiente e da ocupação do território” no arquipélago.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!