sábado, 25 de abril de 2015

Telemedicina reforça acesso à saúde

O Governo Regional espera ter a funcionar até ao final do próximo ano cerca de 14 projetos de telemedicina, tornando mais rápida a acessibilidade a alguns cuidados de saúde.

"Alguns desses 14 projetos de telemedicina estão já em fase mais adiantada de implementação, como é o caso da dermatologia. Mas são tudo projetos que até final da legislatura vamos trabalhar para que fiquem concretizados o mais rapidamente possível", disse Vasco Cordeiro.

Os 14 projetos de telemedicina abrangem diversas áreas e especialidades médicas, estando já implementado um deles (suporte ao tratamento de feridas) em todas as Unidades de Saúde de Ilha. Segue-se agora a dermatologia, estando previstos projetos para áreas relacionadas com a reumatologia, a obstetrícia, a cardiologia, a endocrinologia ou o aconselhamento médico em casos de emergência e eventual necessidade de evacuação médica aérea.

Vasco Cordeiro afirmou que nas evacuações médicas aéreas, o Governo Regional está convencido de que o projeto de telemedicina "pode ajudar muito" à "forma, à comodidade, à segurança e à rapidez para uma tomada de decisão".

A aposta na telemedicina pretende justamente "tornar mais cómoda, mais rápida, no fundo, mais fácil a acessibilidade [de quem reside nos Açores] aos cuidados médicos", enfatizou Vasco Cordeiro.

Vasco Cordeiro ressalvou que, "obviamente, a telemedicina não substitui todas as necessidades" e que o Governo Regional não está a fazer esta aposta para evitar a deslocação de médicos especialistas: "Apostamos na telemedicina porque isso é melhor para os açorianos. Não dispensa a deslocação de especialistas. Quando muito, permitirá maior eficácia e maior aproveitamento dessa deslocação", afirmou o presidente do Governo Regional.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Visita guiada ao Centro de Resíduos

A Humanidade tem vindo a evoluir ao longo dos séculos, em algumas sociedades mais que noutras, criando e acartando consigo uma série de consequências... É do conhecimento geral que quanto mais evoluída é uma determinada sociedade, maior é o consumo e o desperdício. É neste sentido que as grandes cidades, e por que não as pequenas, vem deparando-se com grandes e por vezes graves problemas com o lixo que é produzido em quantidades, para muitos de nós, incalculáveis.

Assim, a tecnologia, aliada a muitas boas vontades e conhecimento, tem vindo a criar algumas alternativas para dar um melhor destino ao lixo/resíduos domésticos, urbanos e industriais. Os Açores não são excepção e o lixo é produzido à escala proporcional da sua população. Existem algumas ilhas com tratamento de excelência para esse material e outras nem tanto...

Na ilha das Flores, desde 2 de Maio de 2012, existe o Centro de Processamento e Valorização Orgânica de Resíduos que tem como objectivo dar o melhor destino ao lixo/resíduos produzidos cá na ilha. Este foi o primeiro Centro de Resíduos a funcionar nos Açores e tem sido um bom exemplo de como é possível encontrar soluções, mesmo para grandes problemas, quando existe boa vontade e determinação entre várias entidades.

Segundo as imagens e os testemunhos dos intervenientes, este foi um dos maiores e melhores investimentos, sendo imprescindível na ilha das Flores, tornando-se uma mais-valia para a saúde do ambiente, dos animais e das populações.

Este é mais um trabalho da Costa Ocidental, com algumas relevâncias e particularidades... A produção chama a atenção de todos para que dediquem um pouco de atenção a certas partes deste trabalho, visto que testemunha o que outras pessoas têm que fazer para tratar do nosso lixo.

Na ilha das Flores existem todas as condições para que o dito lixo seja selecionado/separado com maior atenção, cuidado e dedicação desde o momento em que cada um de nós o produzimos, para que outras pessoas que tem como nobre profissão dar o encaminhamento devido e respeitoso aos nossos resíduos sendo que, muitas e muitas vezes, não é tarefa fácil devido à falta de cuidado e sensibilidade de muitos de nós.

A Terra/Natureza/Ilha agradecem a atenção dedicada e empenhada de cada um... onde quer que esteja/encontre.


Vídeo: YouTube de José Agostinho Serpa.
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Quinteto de Metais actuará nas Lajes

No próximo domingo (dia 26) o Quinteto de Metais da Filarmónica de Nossa Senhora dos Remédios (da Fajãzinha) irá actuar no Museu municipal das Lajes, pelas 21 horas.

Este concerto está inserido nas comemorações dos 500 anos do concelho de Lajes das Flores e da paróquia de Nossa Senhora do Rosário, sendo a entrada gratuita.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Nenhum município florentino ainda sequer iniciou o processo de revisão do seu respetivo Plano Diretor Municipal

Sete dos 19 concelhos dos Açores ainda não iniciaram a revisão dos respetivos Planos Diretores Municipais e outros sete concelhos têm a revisão em curso.

Angra do Heroísmo, Santa Cruz da Graciosa, Calheta, Madalena, Horta, Santa Cruz das Flores e Lajes das Flores são os sete concelhos que, segundo o Governo Regional, ainda não iniciaram os processos de revisão dos respetivos planos.

O Plano Diretor Municipal (PDM) é um instrumento para planeamento da política de ordenamento do território e urbanismo, através do qual é disciplinado o uso do solo na totalidade do território de cada concelho.

Nos dados que constam na nova plataforma eletrónica, os concelhos da Ribeira Grande, Povoação, Praia da Vitória, Velas, São Roque do Pico, Lajes do Pico e Corvo surgem como estando com as respetivas revisões do PDM em curso.

Com os respetivos PDM devidamente revistos, surgem apenas cinco concelhos açorianos: Vila do Porto, Ponta Delgada, Lagoa, Vila Franca do Campo e Nordeste.

A elaboração da alteração ou revisão do PDM é competência das Câmaras Municipais, sendo acompanhadas por uma comissão composta por entidades públicas e associações representativas dos interesses económicos, sociais, culturais e ambientais do concelho. Após um período de discussão pública, os PDM são aprovados pelas respetivas Assembleias Municipais e a entrada em vigor depende da publicação no Jornal Oficial da Região Autónoma.

A nova plataforma eletrónica criada para gerir o acompanhamento dos Planos Diretores Municipais contempla informação geográfica relativa a matérias dos organismos da vice-presidência do Governo Regional dos Açores.

Os PDM actualmente em vigor nos municípios florentinos foram aprovados pelas respetivas Assembleias Municipais em Abril de 2006 (nas Lajes) e Junho de 2006 (em Santa Cruz) mas desde então (quase uma década passada) nunca foram revistos.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Açores: obra-prima da Natureza

Flores, a ilha rosa. Convoquem-se os poetas para a orgia dos sentidos. No ponto mais ocidental da Europa, a natureza quis despedir-se do continente em louvor de si mesma e criou um lugar onde o paraíso se desprendeu já da Terra, pairando acima de todas as coisas ordinárias.

Das falésias jorram 200 cascatas e há sete lagoas encantadas na caldeira de um vulcão extinto – uma Negra, outra Branca, uma Funda, outra Rasa, a da Lomba e a Comprida, e até uma Seca –, lugares de uma apaziguadora beleza, quase irreais. A superfície acidentada da ilha, escarpas, picos, falésias, morros e outros fenómenos geológicos, cobre-se de verde, pintalgada aqui e ali por paredes de hortênsias azuis e cor de rosa e por vacas pastando no meio de nuvens. Nas aldeias, fajãs e fajãzinhas desfilam vidas rurais e piscatórias, histórias de emigração e bailaricos de Verão, que este Portugal tem um pé na América, mas é genuíno, folclórico e velho de seis séculos.

Aterramos com piruetas artísticas no aeroporto de Santa Cruz das Flores e despachamo-nos a alugar um carro para aproveitar o Sol, “que o tempo vai mudar”, informa a rapariga da rent-a-car. De mapa na mão e corações ao alto, vamo-nos extasiando à medida que subimos em direção ao centro da ilha numa autêntica caça ao tesouro, que, neste caso, são as lagoas. As paisagens são de nos deixar sem pio, alongando-se até ao mar. A cada curva, a cada desvio, todo o cenário muda. De O Senhor dos Anéis para Uma Casa na Pradaria. De O Nascimento de Vénus, de Botticelli, para As Ninfas, de Claude Monet. O rumorejar da água, pequenas gargalhadas que se harmonizam com o canto dos pássaros e com o vento a bater nas copas da floresta laurissilva, serve de banda sonora.

A caminho da nossa próxima maravilha, as cascatas da Ribeira Grande, na Fajãzinha, paramos nos muitos miradouros e tentamos adivinhar a forma de um dos ex-líbris da ilha, a Rocha dos Bordões, mas uma nuvem teimosa encavalitou-se nos píncaros e nunca chegaremos a vê-la. E para quê lamentos quando, depois de uma caminhada de 20 minutos por um trilho para duendes, elfos e outras criaturas fantásticas, nos deparamos com o Éden tal como o imagináramos? Do alto de uma falésia forrada a musgo despenham-se várias quedas de água que entram na rocha e voltam a sair, diluindo-se num lago verde, quieto, onde um pássaro solitário em voo elíptico e a luz solar filtrada pelas árvores projetam sombras. Pedir ao tempo para parar. E ao dia para não acabar. Mas o sol já vai descendo e queremos vê-lo a ir-se embora da Europa no restaurante Pôr do Sol, que fica na pitoresca Fajãzinha. De preferência com o dente em deliciosos petiscos como as tortas de algas e as lapas grelhadas, a linguiça com inhame e a morcela com batata doce, o cozido de porco e o albacora no forno. Tudo regado com bom vinho branco dos Açores para uma despedida condigna ao astro-rei.


Dançar nas nuvens

Acordamos na patusca aldeia e turismo rural da Cuada, onde pernoitámos, e fazemo-nos à estrada determinados a conhecer a ilha toda, mas parece que D. Sebastião se perdeu e veio aqui parar. Não se vê um palmo à frente do nariz e a chuva rapidamente nos deixa molhados quando tentamos espreitar os miradouros, as pontas e as fajãs entre Santa Cruz e Lajes das Flores. As terriolas lá vão dando um ar da sua graça com as torres sineiras das igrejas repicando dolentemente as horas. E os campos abrem-se de repente para deixar passar um arco-íris inesperado, vacas insuspeitas em prados de flores ou alegres ribeiras em cânticos sibilinos.

Almoçamos numa tasca da Fajã Grande (beba Kima de ananás, refrigerante açoriano) depois de NÃO vermos sequer o fantasma de um ilhéu entre Lajedo e Mosteiro, e fazemos a pé o bonito percurso até à Poça do Bacalhau. Se já estávamos molhados, agora estamos encharcados. A chuva e o vento empurram a magnífica cascata na nossa direção e a poça, onde normalmente se está a banhos, ruge enlouquecida.

Fazemos check-in e mudamos de roupa no Hotel Flores, em Santa Cruz, decididos a abordar o norte da ilha entregues aos desígnios do astro. Que nos vai retribuindo a confiança. Ora rasgando as nuvens como pano fino, ora desaparecendo e deixando-as engolir das colinas vacas milagrosas, mas persistindo sempre até termos no horizonte, nitidamente, a ilha do Corvo, com a sua misteriosa aura negra.

É com um Sol tímido que visitamos o parque de merendas do ilhéu da Alagoa. Atravessando a ponte de pedra, percorremos a canada paralela à ribeira do Cascalho até encontrarmos, lá em baixo, a romântica praia de seixos em frente aos ilhéus. No topo, por cima da praia, um relvado florido e a Casa da Vigia, entre muros de pedra negra, compõem o parque onde também se pode acampar em condições rudimentares. De alma cheia, prosseguimos até Ponta Delgada, no extremo norte da ilha, visitando pelo caminho os miradouros dos Cedros, de Ponta Ruiva e da Pedrinha e deslumbrando-nos com as colinas e escarpas forradas de flores, com paredes de musgo matizadas de verdes que nunca pensámos existirem. E que mais dizer quando suspeitamos estar perante o que resta da criação do mundo? Apenas isto: acredite em nós!


Trilhos pedestres e grutas

Guarde tempo para fazer a pé os vários trilhos. É a única maneira de desfrutar plenamente deste revigorante banho de natureza. Tal como o Corvo, a ilha é um importante local para observação de pássaros, de vida marinha e de vegetação endémica. As furnas do Galo e dos Enxaréus também merecem visita. Há passeios de barco.

Reportagem da «UP Magazine» - a revista de bordo da TAP.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

GNR preocupada com crimes ambientais

Em 2014, a GNR instaurou nos Açores um total de 1.015 autos de contra-ordenação e 11 participações crime na área ambiental e está preocupada com o aumento de ilícitos desta natureza, tendo em conta a riqueza ambiental açoriana.

“A área do ambiente é sem dúvida aquela onde se tem verificado um amento da deteção de ilícitos e a que o Comando Territorial dos Açores está a dar importância muito grande, até pela biodiversidade que existe nas ilhas”, disse João Maia.

Segundo o chefe do Comando Territorial dos Açores da Guarda Nacional Republicana, "as equipas do ambiente da GNR fazem a fiscalização de uma panóplia de matérias", nomeadamente o registo animal, veículos em fim de vida, no domínio hídrico, em pedreiras, licenciamento de obras, transporte e proteção dos animais, detenção de animais perigosos, entre outras.

Para além de bastantes infrações à lei sobre as normas para animais perigosos e potencialmente perigosos, o comandante da GNR nos Açores apontou ainda como outras infrações detetadas na área do ambiente "a deposição de resíduos e lixos a céu aberto" e a questão dos "incêndios" florestais, embora esta última situação "em menor número".

No âmbito do controlo costeiro, em 2014 aportaram às nove ilhas açorianas 3.137 embarcações de recreio, provenientes da América do Sul e Europa. A ilha que teve mais aportagens foi o Faial, a que se seguiu Terceira e São Miguel, indicou João Maia.

Com 300 elementos na Região, a GNR tem um posto em cada uma das nove ilhas e três destacamentos, em Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial).

As competências exclusivas da GNR nos Açores são a vigilância da costa, a fiscalização das infrações tributárias e aduaneiras, bem como a proteção da natureza e ambiente. A GNR também colabora em ações de proteção e socorro das populações e tem competência para fiscalizar qualquer viatura para detetar infrações ao código de estrada.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e RTP Açores.
Saudações florentinas!!

domingo, 19 de abril de 2015

Peça de teatro infantil pel' A Jangada

A Jangada - Grupo de Teatro estreou hoje «Planeta dos Girassóis», a sua nova peça de teatro infantil.

«Planeta dos Girassóis» é uma história da autoria de Fernando Oliveira, com encenação de Joaquim Salvador, música de Fernando Manuel dos Santos e cenografia do Departamento de educação artística e tecnológica da Escola Básica e Secundária das Flores. O elenco desta peça de teatro infantil conta com as actuações de Alexandre Sousa, Cândida Almeida, Diana Reis, Selénio Freitas e Teresa Moreiras.
Saudações florentinas!!

sábado, 18 de abril de 2015

«Brumas e Escarpas» #87

A eira da Cuada

A Eira da Cuada era um dos mais interessantes e míticos lugares da Fajã Grande. Situava-se num planalto, junto ao mar, a sul da freguesia e, consequentemente, muito próximo da Fajãzinha. O acesso a este lugar, para quem morava na Fajã, fazia-se pelo antigo Caminho da Missa que tinha o seu início no cimo da Assomada, à direita de quem a subia. Os habitantes da Cuada, no entanto, podiam deslocar-se para os campos e propriedades que ali possuíam através duma estreita e sinuosa canada que ligava os dois lugares, conhecida pela Canada da Eira da Cuada. Quem vinha dos lados da Fajãzinha chegava à Eira da Cuada atravessando a Ribeira Grande e subindo a ladeira do Biscoito, que fazia fronteira a sul com aquele interessante lugar. Os restantes confrontos eram a Cuada a leste, o Caminho da Missa a norte e o Oceano Atlântico a oeste. O nome advinha-lhe, provavelmente, de em tempos idos ter existido ali uma eira onde os habitantes da Cuada debulhavam o seu trigo. Trata-se, no entanto, de uma mera hipótese, uma vez que na década de cinquenta do século passado já não existiam vestígios ou memórias de qualquer eira ali existente noutros tempos. Assim, o epíteto poder-lhe-á ter sido atribuído, simplesmente, pelo facto daquele lugar se situar sobre um amplo planalto, de tal maneira liso e circular, formando um grande eirado e que fazia lembrar uma espécie de eira gigante.

Mas o que mais caracterizava aquele lugar era o facto de apenas a parte leste do mesmo ser ocupada por terras de lavradio pertencentes, na maioria, aos habitantes da Cuada, enquanto a oeste e sobre uma enorme ravina lançada sobre o mar, existir uma espécie de largo, um espaço público ou de ninguém, relvado e povoado de variadíssimos calhaus. Entre estes existia um muito especial, designado por Pedra da Missa ou Calhau de Nossa Senhora. Acerca deste calhau, contava-se antigamente, quando a Fajã Grande ainda não era paróquia e, consequentemente, não tinha igreja nem pároco, que os seus habitantes deslocavam-se à Fajãzinha todos os domingos para assistirem à missa na igreja paroquial. Acontecia porém que a Ribeira Grande, que separa as duas localidades, como é bastante larga e com um caudal muito volumoso, não possuía ponte mas sim umas pequenas passadeiras ou alpondras que em dias de muita chuva ficavam submersas na água, o que, juntamente com a força do caudal, umas vezes dificultava e outras impedia por completo a sua travessia. Quando tal acontecia os fiéis, impossibilitados de atravessar a ribeira, ficavam do lado de cá, no alto da Eira da Cuada, olhando para a igreja da Fajãzinha, que dali de se avistava, rezando e cantando durante a celebração da missa e apenas se dispersando e voltando às suas casas quando viam as pessoas saírem da igreja, sinal de que a missa terminara. Além disso faziam-se sempre acompanhar duma pequenina imagem de Nossa Senhora que colocavam em cima daquela pedra, durante a missa, ao redor da qual ajoelhavam e rezavam. Em paga da sua grande devoção, a imagem de Nossa Senhora, que fora ali colocada tantas e tantas vezes pelos crentes, deixou, para sempre, bem gravadas naquele calhau as marcas dos seus pés. Na verdade na pedra existiam duas pequenas cavidades na parte superior, semelhantes às marcas de dois minúsculos pés. Também se contava que no regresso os fiéis vinham carregados com pedras destinadas à construção de uma ermida, o que de facto aconteceu antes da construção da atual igreja, na década de cinquenta do século XIX. Por esta razão o caminho que liga o povoado à Eira da Cuada se chama Caminho da Missa.

Acrescente-se que sendo o Caminho da Missa, outrora, via obrigatória para quem se quisesse deslocar da Fajã Grande à Fajãzinha ou a qualquer outra localidade da ilha, exceto a Ponta Delgada e aos Cedros, este lugar era muito movimentado, sobretudo em dias de vapor, ou seja nos dias em que o velhinho Carvalho Araújo demandava a ilha das Flores. Por ali passavam, nesses dias, dezenas de pessoas, não apenas os que haviam de embarcar ou desembarcar, mas também os familiares que os acompanhavam, a pé, até aos Terreiros ou até a Santa Cruz ou às Lajes, assim como os comerciantes e os carros de bois que acarretavam as mercadorias que a Fajã produzia, nomeadamente manteiga, também os animais que embarcavam, mas sobretudo os que traziam ou acarretavam os produtos importados e que o navio transportava, nomeadamente, farinha, açúcar, café, sabão, petróleo e algumas bebidas.

Era também à Eira da Cuada que muitas pessoas se deslocavam, nesses dias em que o Carvalho Araújo chegava, para irem esperar os parentes e familiares que chegavam à ilha, de modo muito especial os americanos. Eram sobretudo as crianças e os velhos, porquanto os jovens e os adultos, mais afeitos e expeditos, seguiam até aos Terreiros onde os carros de praça vindos de Santa Cruz terminavam o seu percurso.

Do alto da Eira da Cuada desfrutava-se de uma maravilhosa vista sobre o mar, a Fajãzinha, a fajã que a ladeava, a rocha cheia de verde e de cascatas, as rochas da Figueira e dos Bredos, onde, em meados da década de 1950, começava a desenhar-se a nova estrada que ligaria os Terreiros à Fajã Grande. Deslumbrante, este lugar!


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Alunos florentinos na "corrida" ao espaço

A primeira competição regional do projeto CanSat vai decorrer neste fim-de-semana em Santa Maria e contará com 16 concorrentes de 12 escolas de seis ilhas dos Açores, envolvendo cerca de 50 jovens que vão entrar numa 'corrida' espacial muito especial.

O CanSat Açores 2015, integrado no programa educativo da Agência Espacial Europeia, é orientado para alunos do ensino secundário e profissional numa primeira abordagem à tecnologia aeroespacial, tendo como objetivo a construção de um modelo funcional de um micro-satélite do tamanho de uma lata de refrigerante.

Técnicas aeroespaciais, tecnologia de paraquedas, mecânica de materiais, lançamento de foguetões, telemetria e antenas e soldadura em eletrónica são algumas das matérias de aprendizagem para a participação neste concurso.

Os alunos Jacinta Mendonça, Henrique Freitas, Carolina Soares e Vítor Coelho compõem a equipa CanSat Flores Searching Infinity, fazendo com que pela primeira vez a Escola Secundária das Flores participe no concurso CanSat Açores.


Notícia: «Açoriano Oriental» e jornal «Terra Nostra».
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Apoia o CDEF em busca do bicampeonato

Neste fim-de-semana jogam-se, na ilha das Flores, os jogos da final do Torneio Regional para apuramento do campeão açoriano de voleibol no escalão de iniciados masculinos. Em confronto vão estar as equipas do CDEF (Clube Desportivo Escolar Flores) e do Clube Desportivo Os Marienses. Os jogos realizam-se no pavilhão da Escola Básica e Secundária das Flores, em Santa Cruz, na sexta-feira e no sábado, sempre às 19h30.

De lembrar que no ano passado a equipa do CDEF se sagrou campeã regional neste escalão etário. Agora vamos apoiar os jovens do CDEF a conquistarem o título de bicampeões regionais!

Saudações florentinas!!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ouvidoria celebra novo sacerdote

A chegada de um terceiro sacerdote à ilha das Flores - o recém ordenado padre Eurico Caetano - é vista localmente como “uma graça” que se junta às celebrações dos 500 anos da paróquia florentina das Lajes que estão a decorrer.

“Vivemos um ano de graça total e numa ilha tão particular como as Flores, com cada vez menos gente, temos de saber aproveitar todos os momentos para sedimentar a nossa ação pastoral”, disse o ouvidor eclesiástico, padre Davide Barcelos.

E o primeiro momento de celebração é já no próximo domingo (dia 19) na eucaristia de Ação de Graças pela ordenação do novo presbítero, que está na ilha das Flores desde Setembro de 2014 depois de ter sido ordenado diácono, e aí leciona na Escola Básica e Integrada de Santa Cruz a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica.

A celebração decorrerá na Igreja das Lajes, paróquia que este ano assinala 500 anos de evangelização, o que “constitui um momento propício para olhar o passado e refletir sobre a vivência e identidade cristã atual, bem como repensar o futuro, estabelecendo metas e desafios, tanto a nível paroquial como ao nível de Ouvidoria/ilha”, sublinha Davide Barcelos.

A Ouvidoria da ilha das Flores tem em curso várias obras entre as quais se destacam a obra na casa paroquial de Santa Cruz (que ficará com três residências independentes para os futuros sacerdotes que apenas partilharão os espaços sociais da casa) e as obras da ermida da Fajãzinha que começarão no mês de Maio.


Notícia: portal «Igreja Açores».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Concelho das Lajes comemora 500 anos

O concelho de Lajes das Flores, na ponta mais ocidental da Europa, celebra 500 anos e vai pela primeira vez atribuir insígnias honoríficas, num momento em que enfrenta decréscimo populacional e falta de emprego.

“Infelizmente, o concelho tem perdido habitantes. Não é um fenómeno recente, pois começou provavelmente a partir de meados do século XIX. Houve momentos em que a sangria foi mais acelerada que noutros, mas o que é facto é que de uma forma consistente temos assistido à redução da população”, disse o presidente da Câmara Municipal de Lajes das Flores.

Luís Maciel afirmou que a área do emprego e a dificuldade em fixar população, nomeadamente as camadas mais jovens, são as principais dificuldades deste concelho da ilha das Flores: “Sabemos que não é exclusivo do município de Lajes das Flores, mas este fenómeno de situação de crise financeira que temos estado a atravessar também tem impactos negativos na nossa economia e tendo em conta que já somos um concelho com pouca população, é difícil fixar cá população”, frisando que a autarquia tenta, dentro das suas possibilidades, e em parceria com o Governo Regional, “fazer tudo para combater os efeitos da crise”, nomeadamente ao nível do emprego, recorrendo “ao máximo” a programas de fomento à empregabilidade.

O autarca adiantou que o município pretende arrancar “brevemente” com dois projetos, um deles um Centro de Acolhimento para “pessoas com problemas na área social, de inserção ou carências” e a construção de “uma incubadora de empresas para criar condições para a fixação de jovens” e potenciais investidores para dinamizarem a economia local.

“Também já estamos a regular nesta área para termos programas de apoio financeiro para quem queira investir no concelho”, acrescentou o presidente da edilidade, que pretende também recorrer ao novo quadro comunitário de apoio para “financiamento de alguns projetos”.

Luís Maciel revelou ainda que a situação financeira da Câmara Municipal das Lajes tem evoluído “favoravelmente”, indicando que o passivo “situa-se entre meio milhão e um milhão de euros, nomeadamente, dívidas a fornecedores e à banca, a curto e médio longo prazo”. Segundo referiu ainda, “desde o início do mandato”, em 2013, tem-se registado “uma progressiva redução do endividamento, dos pagamentos em atraso”, embora a autarquia “ainda não tenha atingido o equilíbrio financeiro”.

Para comemorar os 500 anos do concelho, o Município de Lajes das Flores preparou “um programa vasto e abrangente ao longo do ano” com várias atividades de âmbito cultural, como concertos e exposições de pintura, apresentações de livros e eventos que pretendem também valorizar as produções locais e “prestigiar os principais setores” lajenses.

A Câmara Municipal das Lajes pretende igualmente promover várias áreas económicas, através de exposições e colóquios sobre as principais atividades do concelho nas últimas décadas, que passaram pela caça à baleia, a apanha de sargaço e a agricultura.

Na área política, Luís Maciel disse que será feita homenagem às personalidades que mais contribuíram para o desenvolvimento do concelho, pelo que serão atribuídas, pela primeira vez, insígnias honoríficas municipais no feriado municipal.


Notícia: jornal «Açores 9» e «Diário de Notícias» da Madeira.
Saudações florentinas!!