quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Ilha das Flores recebe cinema ao ar livre

Nos próximos dias 8, 9 e 10 de Outubro haverá cinema ao ar livre em três freguesias florentinas.

O projeto “Cinema ao Ar Livre - Açores 2014” surgiu para divulgar de forma gratuita o filme “A Viagem Autonómica”, concretizando desta forma o seu principal desígnio: lembrar e ensinar o que é a Autonomia dos Açores a todos os açorianos (e não só).

O cinema ao ar livre era uma prática muito frequente em todas as ilhas até meados da década de 1970. Este projeto não só recupera esta prática como introduz uma nova forma de animação cultural e turística em 50 locais das 9 ilhas dos Açores.

O filme “A Viagem Autonómica”, produzido e realizado por Filipe Tavares, mostra-nos um jovem açoriano de mochila às costas que na sua vespa percorre as nove ilhas açorianas em procura das origens da Autonomia, transformando a sua viagem numa aventura e num roteiro geográfico sobre os Açores.

Na próxima quarta-feira (dia 8) será exibido o filme “A Viagem Autonómica” na praceta Roberto Mesquita, em Santa Cruz. No dia 9 a sessão de cinema ao ar livre ocorrerá no exterior do edifício antigo da Escola primária das Lajes, e no dia 10 no exterior da Casa do Povo da Fajã Grande.

Todas as projeções deste cinema ao ar livre estão marcadas para as 22 horas e são de entrada gratuita.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Paróquia das Lajes celebra 500 anos

A paróquia de Nossa Senhora do Rosário foi elevada em 1515, assim iniciando a presença da Igreja a ocidente. As celebrações vão prolongar-se durante um ano.

A paróquia de Lajes das Flores iniciou no passado domingo a celebração dos 500 anos de presença da Igreja Católica a ocidente, no início do povoamento da ilha, informa uma nota da Ouvidoria das Flores.

Durante a cerimónia de abertura do ano jubilar, o ouvidor padre Davide Barcelos sublinhou que “este é um momento propício para olhar o passado e refletir sobre a vivência e identidade cristã atual, bem como repensar o futuro, estabelecendo metas e desafios, tanto a nível paroquial como ao nível de Ouvidoria/ilha”.

O tema escolhido para o presente ano pastoral e para a celebração deste jubileu é “Reavivar a Fé recebida”, em resultado da crescente preocupação com a “desertificação espiritual”, em que o homem se foi “esvaziando do verdadeiro conteúdo interior e transcendente”, deixando-se dominar pelo consumismo, naturalismo e materialismo, sublinhou o ouvidor eclesiástico da ilha das Flores.

A sessão comemorativa ficou, ainda, marcada pela apresentação do logótipo para o ano jubilar, que reúne dois elementos base: a fachada da Matriz e a coroa de Nossa Senhora do Rosário.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi edificada pela primeira vez junto ao porto das Lajes. Destruída pelos piratas que assolavam a ilha das Flores, o povoado subiu um pouco, o que resultou na construção de uma nova Matriz, onde está hoje localizado o cemitério. Contudo, na segunda metade do século XVIII, o edifício, verdadeiramente arruinado, foi demolido, procedendo-se pela terceira vez à edificação da Matriz, entre 1763 e 1783, cuja localização se tornou definitiva.

Presente na cerimónia de abertura deste ano jubilar, o presidente da Câmara Municipal das Lajes, Luís Maciel frisou o papel importante que a Igreja desempenhou no povoamento do concelho e da ilha “que extravasou amplamente aquelas que são as suas funções primordiais, associadas à afirmação da fé cristã, desempenhando um papel crucial na educação e formação da sociedade”.

Durante a cerimónia de abertura do ano jubilar houve ainda tempo para um concerto da Filarmónica de Nossa Senhora dos Remédios.


Notícia: portal da Diocese de Angra e «Telejornal» da RTP Açores.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Museu das Flores a “marcar passo”?

PSD/Açores acusa Governo Regional de continuar “a marcar passo” com a recuperação do núcleo central do Museu das Flores, instalado no Convento de São Boaventura, uma vez que “passados mais de seis anos a ilha das Flores continua sem um Museu governamental de corpo inteiro e sem um compromisso oficial da sua reabertura”.

“Mais facilmente se construiu de raiz o próprio Convento e a Igreja de São Boaventura no século XVII, com as obras iniciadas em 1641 e a primeira missa celebrada logo em 1650”, ironiza o deputado José Andrade que, num requerimento enviado à Assembleia Legislativa, critica o Governo Regional por, “este mês, e em mais uma visita anual à ilha das Flores”, nada ter feito de conclusivo em relação às obras do Museu.

“As obras não foram inauguradas, como seria expectável, e nem sequer mereceram uma única referência entre os 24 pontos do comunicado final do Conselho do Governo Regional. Ainda menos motivaram um esclarecimento público, depois da envergonhada visita que o secretário regional da Educação e Cultura realizou ao local, como seria obrigatório”, lembra José Andrade.

O deputado social-democrata recorda que “o concurso público para a conservação da cobertura do Convento de São Boaventura foi lançado em Junho de 2008, e o contrato da empreitada foi celebrado em Abril de 2009, por cerca de meio milhão de euros e com um prazo de execução de 3 meses. Aliás, foi um processo mal instruído, que levou mesmo à recusa de visto pelo Tribunal de Contas”, explica.

Segundo José Andrade, “o Governo Regional tem muitas explicações a prestar sobre todo este atribulado e nublado processo”, pelo que pediu razões para os factos à tutela, assim como “uma previsão efetiva de quando ocorrerá a reabertura plena do equipamento público e os valores da intervenção realizada”.

“Em pleno século XXI, e pelo sexto Verão consecutivo, os turistas que tentam conhecer a história da ilha das Flores, em vez de visitarem um edifício de valor patrimonial e um acervo de interesse etnográfico, deparam-se com uma porta fechada ou com acesso limitado a uma mera exposição temporária”, lamentou o deputado laranja.

“E melhor sorte não tem o núcleo secundário do Museu das Flores, instalado na antiga Fábrica da Baleia do Boqueirão”, acrescenta José Andrade, referindo que “essa obra também se arrasta no tempo. Adjudicada em Junho de 2009, por cerca de um milhão de euros, com um prazo de execução de 7 meses, já passaram 63 meses e o espaço continua sem estar recuperado e oficialmente aberto ao público”, adiantou.

“São duas obras da (ir)responsabilidade do Governo Regional, com atrasos demasiado prolongados e que exigem o devido esclarecimento público”, reforça José Andrade, que pediu explicações idênticas também para esta intervenção, sublinhando que “o Governo Regional devia ainda justificar porque encerrou, ao mesmo tempo, os dois equipamentos do Museu das Flores, privando toda a ilha daquela oferta cultural por mais de 6 anos consecutivos. Ainda por cima para realizar obras intermináveis”.


Notícia: jornal «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!

domingo, 28 de Setembro de 2014

Estação Costeira volta a cobrir Região

Já se encontram operacionais os equipamentos que por falta de manutenção tornavam inacessível desde o passado mês de Maio o recurso à Estação Costeira e as comunicações com embarcações que se encontravam próximas das ilhas das Flores e Corvo.

A Estação Costeira da Porto de Abrigo, que funciona na sede da cooperativa em São Miguel, consegue fazer a cobertura de toda a zona marítima dos Açores através de retransmissores localizados em várias ilhas. A recuperação agora efectuada no Grupo Ocidental, para além da mais-valia na prevenção de acidentes no mar, é também vital para a náutica de recreio, nomeadamente para o iatismo internacional que entra na sub-zona dos Açores vindo do continente americano fazendo escala nos Açores e tendo como destino final a Europa.

Independentemente da urgência na manutenção do conjunto global dos retransmissores da Estação Costeira que é necessário fazer a curto prazo, a Porto de Abrigo regista como positiva a entrada em funcionamento dos equipamentos no Grupo Ocidental em melhores condições que as iniciais.

Os computadores e outros equipamentos instalados na sede da cooperativa Porto de Abrigo permitem comunicar com as embarcações e localizá-las, atualizar informações sobre alertas meteorológicos, acompanhar barcos com avarias ou estabelecer contacto entre os pescadores que estão no mar e os familiares em terra.

Entre 1 de Janeiro e 15 de Agosto deste ano, a Estação Costeira da Porto de Abrigo recebeu um total de 2.462 chamadas com pedidos de apoio ou informações, das quais 2.367 vieram de embarcações de pesca profissional e 95 de náutica de recreio/pesca desportiva.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!

sábado, 27 de Setembro de 2014

Dia Europeu Sem Carros... nas Lajes

O Dia Europeu Sem Carros celebra-se a 22 de Setembro e tem como objectivo sensibilizar população e autoridades para a necessidade de reduzir o tráfego rodoviário dentro das cidades, de forma a aumentar a qualidade de vida e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais, optando por alternativas de transporte como os transportes públicos e bicicletas.

Integrado na Semana Europeia da Mobilidade, o Dia Europeu Sem Carros é celebrado através da promoção de acções de sensibilização de variada ordem. Nas cidades aderentes, algumas ruas são fechadas ao trânsito de forma a pedir aos cidadãos que poupem nas suas deslocações e optem por meios de transporte alternativos e menos poluentes. Muitas foram as cidades que aderiram a esta efeméride, mas um número muito reduzido em Portugal.

Em boa verdade, a intenção é que conta e assim a ilha das Flores celebrou, dentro do possível, esse dia. Costa Ocidental esteve presente durante o corte do trânsito em parte da principal artéria rodoviária da vila das Lajes. As entidades competentes organizaram jogos, alguns deles de sensibilização, quer para adultos e/ou crianças. As imagens comprovam isso mesmo.

Obrigado à organização e a todos os intervenientes, bem como a todos os que tornaram possíveis estas imagens.


Vídeo: YouTube de José Agostinho Serpa.
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

Encontro Internacional de Canyoning traz 120 praticantes até à ilha das Flores

O primeiro Encontro Internacional de Canyoning nos Açores vai receber 120 praticantes da modalidade oriundos da Europa e EUA, sendo o objetivo destacar as "singularidades" do arquipélago para esta prática e potenciar um nicho de mercado turístico.

“O principal objetivo do Encontro é tornar os Açores como um destino de 'canyoning' internacional, divulgando as condições naturais excelentes que existem no arquipélago para a prática desta modalidade”, afirmou Francisco Silva, coordenador da Associação Desnível.

O primeiro Encontro Internacional de Canyoning nos Açores (Canyoning Internacional Meeting in the Azores) decorre de 28 de Setembro a 3 de Outubro na ilha das Flores, numa coorganização da Associação de desportos de aventura Desnível e da Associação de Turismo dos Açores.

Este desporto permite explorar ribeiras, cascatas e cursos de água com fortes declives através de uma descida com recurso a rapel, saltos, destrepes e tobogãs.

Segundo Francisco Silva, as “condições singulares” do arquipélago, com particularidades de ilha para ilha, têm vindo a atrair “cada vez mais praticantes” e também aumentado a oferta de empresas açorianas, sendo que “os Açores podem-se diferenciar nesta modalidade. Em termos de atratividade internacional, as ilhas das Flores e São Jorge têm um potencial muito grande para serem destinos internacionais muito bons”, sublinhou, indicando, no entanto, que São Miguel acaba por ser a ilha que mais vende porque é onde chegam mais turistas.

Francisco Silva frisou o trabalho que a Desnível e o Turismo dos Açores têm vindo a realizar ao longo dos últimos anos em termos de equipamentos, expedições, formações e levantamento de informação.

O Encontro Internacional de Canyoning que terá lugar na ilha das Flores é essencialmente destinado a praticantes de 'canyoning' que tenham autonomia para praticar a modalidade nos 'canyons' da ilha, sendo que durante uma semana os participantes vão integrar diferentes atividades e diferentes descidas, usufruindo desta interatividade com a natureza.

“São os próprios praticantes que pagam e é nesta lógica que consideramos ser vantajoso fazer encontros deste tipo”, disse Francisco Silva, acrescentando que a procura “foi muito grande” e estarão presentes alemães, espanhóis, franceses, holandeses, gregos e americanos. Além de divulgar o potencial dos Açores para a prática da modalidade, o evento assume-se também como uma importante estratégia para combater a sazonalidade do turismo num período onde “a hotelaria e serviços não têm tanta procura”.

De acordo com a organização do evento, os Açores são um território de excelência para a prática de 'canyoning', com percursos equipados em São Miguel, Santa Maria, Faial, Terceira e, especialmente, nas ilhas das Flores e São Jorge.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Concerto de trio flauta, violino e piano

É já no próximo sábado (dia 27) que o auditório do Museu municipal das Lajes será palco de um emblemático concerto de flauta, violino e piano, com interpretação de Maria Elena Biasini, Daniela Biasini e Ninel Samokhvalova.

O programa do concerto é inteiramente dedicado à música do século XX, destacando-se os contrastantes elementos folclóricos e neoclássicos, proporcionando assim uma inesquecível viagem musical que atravessará vários estilos e épocas, transformando-se num encontro de sons e emoções.

Este é um evento  integrado no âmbito da Temporada Artística 2014, promovido pela Direção Regional da Cultura em colaboração direta com a Câmara Municipal das Lajes.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Reserva da Biosfera põe Açores no mapa

O secretário regional da Agricultura e Ambiente sublinhou que as zonas classificadas como Reserva da Biosfera poderão potenciar o turismo no arquipélago, mas admitiu que ainda há "muito trabalho" a fazer.

"É uma forma de publicitar os Açores, de chamar gente e uma garantia de que aqui são preservados valores ambientais e valores culturais, que hoje em dia fazem parte dos destinos turísticos mais importantes do Mundo", sublinhou Neto Viveiros, que falava na ilha do Faial, na sessão de abertura do 12º Encontro Internacional RedBios (rede das Reservas da Biosfera do Atlântico).

O governante regional admitiu que, no entanto, há ainda "muito trabalho" a fazer para aproveitar as potencialidades geradas com a classificação das ilhas da Graciosa, Flores e Corvo como Reservas da Biosfera da UNESCO. Algumas destas ilhas ainda possuem problemas ambientais, como a existência de lixeiras a céu aberto, que o Governo Regional tem vindo, aos poucos, a resolver, com a criação de Centros de Processamento de Resíduos.

"Se a questão da conservação está no bom caminho, vamos tentar agora criar mecanismos de atrair investimento para as Reservas", defendeu, por seu turno, António Abreu, presidente da RedBios, lembrando que as Reservas da Biosfera "não são apenas para os passarinhos e para as plantinhas, são também para as pessoas". No seu entender, é necessário agora trazer "valor acrescentado" a estas regiões, nomeadamente com o desenvolvimento do turismo e com a criação de "emprego qualificado".

A décima segunda reunião internacional da RedBios decorre nas ilhas de Faial, Pico e São Jorge, mas não vai passar por nenhuma das ilhas açorianas já classificadas como Reserva da Biosfera, o que gerou críticas por parte de entidades e autoridades locais e dos partidos da oposição na Assembleia Regional.

O representante no encontro da Divisão de Ciências Ecológicas da UNESCO, Miguel Clüsener-Godt disse aos jornalistas, em reação a essas críticas, que não veio aos Açores para fazer turismo: "Eu não penso que sempre que houver nos Açores uma reunião de especialistas, tenhamos de ir a todas a ilhas. Isto não é turismo, isto é trabalho", insistiu.

Miguel Clüsener-Godt revelou ainda que a UNESCO tem um sistema de monitorização das zonas já classificadas comos Reserva da Biosfera, que acompanha o desenvolvimento de cada região sem ser necessário deslocar-se presencialmente ao local.

Existem 631 Reservas da Biosfera em todo o mundo, repartidas por 119 países. Em Portugal, há sete: Berlengas (Peniche), Gerês-Xurés (transfronteiriça), Paul Boquilobo (Golegã), Santana (Madeira), Corvo, Flores e Graciosa (nos Açores).


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Jornal Diário».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Assim foi o Festival de Verão do Mosteiro

Foi na freguesia do Mosteiro, a mais pequena da ilha das Flores e provavelmente dos Açores (actualmente com 35 habitantes), que se realizou (de 22 a 24 de Agosto) o Festival de Verão do Mosteiro.

As imagens recolhidas, bem como os testemunhos são uma prova inequívoca de que este evento veio para ficar. Muitas foram as pessoas que passaram pelo recinto do festival com curiosidade, com apetite, com vontade de dar um passo de dança, rever amigos... ou como mera distração.

Muito obrigado à organização (Isabel Tenente e Nélia Tavares) por tudo, em especial o cuidado de antecipadamente terem avisado do evento, bem como mostrado todo o interesse para que Costa Ocidental testemunhasse e divulgasse o mesmo.

Obrigado a todos os músicos, a todos os intervenientes, à Gabriela Silva pela incansável contribuição para a Costa Ocidental. Muito obrigado a todos que, de uma forma ou de outra, colaboraram para que este trabalho fosse uma realidade. Obrigado especial à Luísa Silveira, pela ajuda na produção e fotografia.


Vídeo: YouTube de José Agostinho Serpa.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Governo Regional quer aumento da produção de leite para salvar Cooperativa

O secretário regional da Agricultura e Ambiente defende o aumento da produção de leite na ilha das Flores em mais de um milhão de litros como forma de viabilizar a Cooperativa Ocidental.

“Nós estamos neste momento com 600 mil litros anuais e a perspetiva que temos é de aumentar [a produção de leite na ilha das Flores] pelo menos um milhão de litros de leite”, declarou Luís Neto Viveiros.

O titular da pasta da Agricultura, que se reuniu na passada semana com a Associação Agrícola das Flores, pretende atingir esta meta dentro de cerca de um ano, tendo declarado que a Cooperativa Ocidental é um “agente dinamizador da produção e do fabrico de queijo de muito boa qualidade”.

“A Cooperativa Ocidental atravessa, de facto, um período difícil [enfrentando dificuldades financeiras], que o Governo Regional tem acompanhado desde há algum tempo, disponibilizando um técnico que acompanha diariamente a sua gestão, tentando encontrar novos caminhos e modificar alguns procedimentos que permitam um novo arranque”, declarou o secretário regional da Agricultura.

Luís Neto Viveiros identifica como principal problema da Cooperativa Ocidental o “decréscimo muito relevante da produção de leite que se verificou nos últimos cinco anos”, daí a “necessidade imperiosa” de aumentar a produção de leite na ilha das Flores: “Isso passa pelo empenhamento direto e decidido dos produtores de leite florentinos. Neste momento, estamos com níveis muito baixos que não viabilizam a fábrica atual”, frisou.

Luís Neto Viveiros reiterou que o Governo Regional não vai injetar diretamente capital na Cooperativa Ocidental: “o Governo Regional não vem à ilha das Flores passar um cheque para pagar as dívidas que a Cooperativa Ocidental tem e provocou ao longo dos últimos anos, mas sim numa perspetiva diferente de encontrar caminhos sustentáveis que permitam que o futuro seja mais risonho”, referiu o governante.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

domingo, 21 de Setembro de 2014

Moinho de água da Alagoa recuperado

A Câmara Municipal das Lajes está a executar obras de restauro num dos principais marcos turísticos e culturais do concelho: o Moinho de água da Alagoa, situado na ribeira da Alagoa junto à Estrada Regional na freguesia da Fajãzinha.

Existente há quase século e meio, datado de 1869, o Moinho de água da Alagoa é um dos poucos moinhos existentes na ilha das Flores que ainda se encontra em funcionamento e aberto para visitas. Detentor de um duplo engenho, o moinho da Alagoa labora através do aproveitamento da força da água da ribeira da Alagoa, moendo grão para as diversas localidades florentinas. A Câmara Municipal das Lajes está a executar um trabalho de recuperação do moinho, cuja cobertura se encontrava em avançado estado de degradação. Os trabalhos consistem essencialmente em obras de reparação dessa cobertura, nomeadamente a colocação de uma cobertura nova, que incluiu uma tela de impermeabilização, reabilitação dos mecanismos e do engenho de moer, bem como obras de reparação no seu interior.

Esta intervenção no Moinho de água da Alagoa permitirá que os visitantes possam conhecer de perto o processo de moagem tradicional, bem como a conservação do nosso património natural e do património construído e serve de testemunho paisagístico, social e económico de um passado recente das nossas terras que é imprescindível salvaguardar, apostando no desenvolvimento de um turismo de natureza de qualidade, não agressor do meio-ambiente e complementar da proteção da paisagem e da arquitetura tradicional da nossa ilha.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

sábado, 20 de Setembro de 2014

«Brumas e Escarpas» #79

A Festa da Cruz

No início da década de 1950 e provavelmente nas anteriores, uma das mais emblemáticas e interessantes festas realizadas na Fajã Grande era a Festa da Cruz. Tinha lugar precisamente na noite do dia 14 de Setembro, dia em que a Igreja Católica liturgicamente celebra e comemora a Exaltação da Santa Cruz ou seja o madeiro em que Cristo foi crucificado.

A freguesia da Fajã Grande na parte mais a sul fica encastoada entre duas colinas ou pequenos montes, designados vulgarmente por outeiros. Do lado do mar tem lugar o Pico, onde se integram o Pico do Areal e o Pico da Vigia, e do lado este o Outeiro propriamente dito, este prolongando-se na direcção sul-norte desde a Cabaceira até à Praça, como que a despejar-se sobre o povoado, separando a Assomada da Fontinha. É precisamente nesta divisória das duas ruas, na parte mais alta do Outeiro que se ergue uma enorme cruz branca, altíssima e robusta, junto à qual, nas terças e sextas-feiras quaresmais, um grupo de homens, quer chovesse quer ventasse, ajoelhava entoando cânticos e orações diversas e prolongadas. As suas vozes, ecoando nas encostas dos montes, ressoavam e repercutiam-se sobre os velhos telhados dos casebres. Simultaneamente em todos os lares, famílias inteiras ajoelhavam também e, em convicta e comunitária oração, uniam-se às preces dos cantores, suplicando perdão para os delituosos e pecadores e beneficência para os infelizes e sofredores. Por sua vez do Outeiro, sobranceiro à freguesia, a que se tinha acesso por uma íngreme e sinuosa vereda, desfrutava-se duma vista fantástica. Ao perto, os telhados e frontispícios do casario, mais ao longe os campos verdes e amarelados de couves e milho e, além, separado pela mancha negra do baixio, o oceano azulado e infinito, contrastando com a tímida pequenez da ilha.

A Cruz do Outeiro era uma espécie de ex-líbris da Fajã Grande e, para além das cantorias da Quaresma, em Setembro era homenageada com uma enorme festa, celebrada à noite. Saída da igreja paroquial organizava-se uma espécie de procissão de velas. As pessoas em grande número transportavam uma vela acesa, protegida com uma folha de papel colorido, em forma de funil. Aos que saíam da igreja, ao longo do percurso juntavam-se muitos outros fiéis, sobretudo os mais atrasados e os que moravam entre a igreja e o início da vereda.

Ao iniciar-se a subida, o espectáculo excedia-se em beleza, em cores, em luzes e em sons. Empunhando as velas, os fiéis entoavam cânticos, ao mesmo tempo que as luzes se iam alongando na subida, formando um cordão luminoso e colorido, uma espécie de colar que se ia prolongando pela encosta até se enroscar ao redor da Cruz. Visto de longe, o espectáculo era magnífico. O pároco, envergando uma estola vermelha, que a igreja da Fajã não tinha capa de asperges dessa cor, transportava o Santo Lenho. Ao chegar junto da Cruz, enquanto os fiéis mantendo as velas acesas rodeavam a Cruz, o pároco rezava algumas orações, cantava salmos e hinos de louvor à Cruz em cantochão e dava a benção com o Santo Lenho aos presentes e a toda a freguesia.

Descendo o Outeiro e regressando à igreja, entre cânticos e luzes, era celebrada a missa da Exaltação da Santa Cruz.

A Festa da Cruz, um momento religioso, pleno de fé e simbolismo, estranhamente ou talvez não, perdeu-se no tempo e até na memória.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».