quinta-feira, 28 de julho de 2016

Finalmente... A rede de abastecimento de água à Ponta Ruiva vai ser remodelada

A Câmara Municipal de Santa Cruz irá investir mais de 500 mil euros na remodelação da rede de abastecimento de água ao lugar da Ponta Ruiva.

Foi aprovada a candidatura ao programa comunitário Açores 2020 relativo ao concurso público “Reforço de abastecimento de água ao lugar da Ponta Ruiva, freguesia dos Cedros, concelho de Santa Cruz das Flores” com comparticipação de 85%.

A obra foi adjudicada à empresa Tecnovia Açores e prevê-se o seu início durante o mês de Outubro próximo, devendo estar concluída no início de Novembro de 2017.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Município das Lajes cria órgão consultivo

O Município de Lajes das Flores criou recentemente o Conselho Municipal da Juventude do concelho de Lajes das Flores após aprovação de regulamento próprio em reunião da Assembleia Municipal, realizada no dia 28 de Junho de 2016.

A criação deste órgão consultivo pretende trazer a juventude lajense à participação e discussão das políticas de juventude, de modo a que o Município lajense possa mais facilmente dar resposta às suas necessidades, contribuindo para facilitar a fixação de jovens no concelho das Lajes.

Este Conselho Municipal de Juventude permitirá a reunião dos diversos representantes de jovens do concelho das Lajes com o principal objetivo de promover a discussão das matérias relativas às aspirações e necessidades da população jovem residente no concelho de Lajes das Flores.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

terça-feira, 26 de julho de 2016

PSD aprovou listas das Regionais 2016

A Comissão Política Regional do PSD aprovou as nove listas de ilha e a lista do círculo regional de compensação com apenas um voto contra em duas delas, finalizando o processo de definição das candidaturas do PSD/Açores às próximas eleições legislativas regionais de 16 de Outubro.

Bruno Belo mantém-se como cabeça de lista no círculo eleitoral da ilha das Flores, seguido da doutora Cecília Estácio em número 2. Compõem o resto da lista de candidatos do PSD: José Costa, Alice Rocha, Rita Rodrigues, Adriano Câmara, Adelina Silveira, Vera Furtado, Diogo Vieira e José Augusto Baldes.

Adriano Câmara é também o candidato florentino que ocupa o oitavo lugar na lista do círculo regional de compensação encabeçada por António Marinho, atual líder do grupo parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa Regional.

As listas do PSD apresentam 82 por cento de candidatos que nunca antes haviam concorrido às eleições legislativas regionais. A abertura do partido à sociedade açoriana foi outro dos objetivos alcançados com estas listas de candidatos que incluem 25 por cento de independentes e 43 por cento de mulheres.

O PSD/Açores apresenta também sete novos cabeças de lista, sendo as ilhas da Graciosa e das Flores as únicas que repetem os mesmos cabeças de lista da derrota eleitoral em 2012.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e RDP Antena 1 Açores.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

CMLF mantém licença para vacada na Festa do Senhor Santo Cristo da Fazenda

O presidente da Câmara Municipal de Lajes das Flores assegurou hoje que mantém a licença municipal para a realização de uma vacada, no âmbito da festa religiosa do Santo Cristo na freguesia da Fazenda, evento que está a gerar grande contestação popular.


“Em relação à programação não interferimos e, neste caso, também não abrimos exceção”, afirmou Luís Maciel, acrescentando que o Município das Lajes tem apoiado, “de forma mais ou menos regular, todas as festas concelhias e comissões de festa”.

Uma petição pública, já assinada por quase uma centena de cidadãos, pede ao presidente da Câmara Municipal de Lajes das Flores que retire a licença municipal à realização da vacada ou que o evento seja retirado do programa da festa religiosa. A festa do Senhor Santo Cristo, na freguesia da Fazenda, decorre de 28 a 31 de Julho, tendo previsto para sábado (dia 30) uma vacada.

O documento, também enviado ao bispo de Angra, considera que as touradas ou vacadas em nada contribuem para educar os cidadãos, põem “em risco, de forma absurda, a integridade física e até em algumas ocasiões a vida das pessoas”, argumentando que no concelho de Lajes das Flores “não há este tipo de tradição”.

Além disso, os peticionários lembram também que a autarquia de Lajes das Flores deveria corresponder aos critérios do galardão de Reserva da Biosfera, atribuído à ilha em 2009, que implica “o respeito pela natureza, ambiente e animais”.

Luís Maciel adiantou que foi solicitado ao Município das Lajes e autorizado o pedido para a realização da vacada, que a responsabilidade pela festividade e programação é da comissão de festas e que a autarquia apoiou as mesmas com 1.500 euros.

Por se tratar de uma festa religiosa, os peticionários defendem que a Diocese de Angra se devia pronunciar, alegando que “o Papa Pio V condenou as touradas, por considerar espetáculos alheios à caridade cristã”.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e RDP Antena 1 Açores.
Saudações florentinas!!

domingo, 24 de julho de 2016

Campeonato regional de botes baleeiros

Decorreu nas Lajes das Flores entre 15 e 17 de Julho o Campeonato Regional de Botes Baleeiros. Integrado no programa da XXXI Festa do Emigrante, o evento náutico contemplou a realização de provas de remo e de vela.

O bote “Maria Armanda” do Clube Náutico das Lajes do Pico foi o primeiro classificado na prova de remo, seguindo-se no pódio o bote “São Miguel” do Clube Náutico de Santa Cruz das Ribeiras e o bote “São João” do Clube Naval da Graciosa. Participaram ainda nesta prova a Junta de Freguesia do Capelo, o Clube “O Cachalote” e o Clube Naval de Santa Maria.

Na prova de vela venceu o bote “Capelinhos” da Junta de Freguesia do Capelo, ficando em segundo lugar o bote “Senhora do Socorro” da Junta de Freguesia do Salão e em terceiro o bote “Maria Armanda” das Lajes do Pico. Participaram também nesta prova a Junta de Freguesia de São João, os Clubes Náuticos de Santa Cruz das Ribeiras e Aliança Calhetense, o Clube Naval das Lajes das Flores, o clube “O Cachalote” e os Clubes Navais de Santa Maria e da Graciosa.

Esta foi a primeira vez que a ilha das Flores recebeu provas do Campeonato regional de botes baleeiros. Esta iniciativa, cuja organização esteve a cargo do Clube Naval de Lajes das Flores, contou com o alto patrocínio da Câmara Municipal de Lajes das Flores, constituindo um meio de promoção e valorização do concelho mais ocidental da Europa.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

sábado, 23 de julho de 2016

Região com menos progresso social

Açores são a região de Portugal com menos progresso social, ocupando o 239º lugar entre 272 regiões europeias.

Porque o PIB não chega para melhorar a vida das pessoas, a Comissão Europeia acaba de lançar uma nova forma de comparar o progresso social nas 272 regiões europeias. O índice de progresso social foi publicado no semanário «Expresso», onde se fica a saber que, nesta nova abordagem ao desenvolvimento regional, a região metropolitana de Lisboa surge em 173º (a região portuguesa melhor posicionada) e os Açores na cauda com a posição 239.

Em vez dos habituais indicadores económicos como o PIB e o emprego, este índice de progresso social considera cinquenta indicadores alternativos que importam à vida das pessoas, desde ter saúde e poder aquecer convenientemente a casa, até prosseguir os estudos e ter liberdade para escolher o que fazer na vida.

O índice de progresso social não faz a conta à riqueza de cada região no final do ano, como é o caso do PIB, tendo como objectivo saber se a região consegue satisfazer as necessidades básicas da população, se garante o crescente bem-estar de todos e se cria as condições para que cada pessoa possa atingir o seu potencial.

Nos vários tópicos analisados em cada região, estão temas como nutrição e cuidados médicos básicos, água e saneamento, alojamento, segurança pessoal, acesso ao conhecimento básico, acesso à informação e comunicação, saúde e bem-estar, sustentabilidade do eco-sistema, direitos individuais, liberdades e escolhas individuais, tolerância e inclusão e acesso à educação superior.


Notícia: jornal «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

No próximo ano letivo a Escola das Flores vai implementar projecto-piloto de ensino especializado em desporto

O secretário regional da Educação destacou o carácter inovador da implementação nos Açores do ensino especializado em desporto.

Esta modalidade de ensino, que arrancará no próximo ano lectivo a título experimental em seis escolas da Região, integra-se nos objectivos do ProSucesso – Açores pela Educação, programa integrado de promoção do sucesso escolar.

Nesta fase de projeto-piloto apenas dirigido aos segundo e terceiro ciclos, o ensino especializado em desporto será ministrado no ano lectivo 2016/2017 em seis modalidades desportivas a cerca de 250 alunos das escolas Básicas e Integradas Roberto Ivens e de Ponta Garça e da Secundária das Laranjeiras (na ilha de São Miguel), da Escola Tomás de Borba (na ilha Terceira) e na Escola Básica e Secundária das Flores.

“Trata-se de uma experiência de inovação pedagógica única no contexto nacional”, frisou Avelino Meneses na apresentação do ensino especializado em desporto.

A iniciativa resulta da parceira entre as Direcções regionais da Educação e do Desporto, que “colocam em evidência a utilidade social da escola”, a qual deve “conferir aos estudantes de hoje e cidadãos de amanhã competências acrescidas nas dimensões académica, profissional, económica e social, obtidas pelo combate ao insucesso e abandono escolares”, defendeu Avelino Meneses.

A implementação nos Açores desta modalidade de ensino é também “o corolário de uma tradição persistente” nas escolas do arquipélago, quer no âmbito da disciplina de Educação Física, quer no desenvolvimento do programa Desporto Escolar.

Sendo sujeita a uma avaliação externa, esta modalidade de ensino será alargada nos próximos anos às outras unidades orgânicas do Sistema Educativo Regional. A expetativa é que “o sucesso deste projecto se traduza no seu alargamento às demais 40 unidades orgânicas do Sistema Educativo Regional”, frisou Avelino Meneses.


Notícia: «Correio dos Açores», «Diário Insular» e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Parque de campismo de Santa Cruz

O futuro parque de campismo e lazer de Santa Cruz irá situar-se a poucos metros das piscinas naturais do Altio, tendo “soberba vista sobre o mar e plenas condições para ser elemento dinamizador e pólo de desenvolvimento de toda aquela zona balnear”, afirma a Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores no seu Boletim autárquico.

Este espaço será dotado de diversas infraestruturas que em conjunto vão funcionar como espaço de lazer: parque de merendas com churrasqueiras, zona de recreio infantil, campo de voleibol e parque de campismo com edifício de apoio.

O custo estimado da obra será de 350 mil euros, com prazo de execução de nove meses.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Açores: local ideal para observar estrelas

A reduzida poluição luminosa faz dos Açores um local ideal para observar estrelas, "produto turístico" que atraiu o ano passado quase 12 mil visitantes ao Observatório Astronómico de Santana.

“Não há muita poluição luminosa, o que tem permitido ao Observatório de Santana (apesar de localizado perto da Ribeira Grande e de Rabo de Peixe) ter ainda um céu onde é possível ver a Via Láctea”, afirmou Pedro Garcia, um dos quatro técnicos de divulgação científica que trabalham no único observatório astronómico existente no arquipélago.

Pedro Garcia adiantou que, além dos visitantes açorianos, o Observatório de Santana tem recebido “muitos turistas interessados em fazer observações”, destacando que, através dos telescópios existentes, “é possível ver muita coisa no céu” e que as nuvens nos Açores “não são um problema” para a astronomia amadora que se pratica em Santana.

A celebrar 15 anos em 2016, o Observatório Astronómico de Santana passou por um período difícil, tendo estado encerrado vários anos, mas desde 2008 funciona de forma permanente como Centro de Ciência.

Além do funcionamento diário, o Observatório de Santana realiza desde 2010 nas primeiras sextas-feiras de cada mês observações noturnas das estrelas. Também há três anos que se iniciaram as observações noturnas destinadas às famílias, tendo os observadores amadores à espera um telescópio fixo e vários telescópios móveis espalhados pelo terraço do edifício.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 19 de julho de 2016

Saber valorizar e oferecer o que temos

As ilhas açorianas têm património e belezas notáveis e todas são diferentes. Para alguns a ilha das Flores terá a maior beleza natural, mas para todos é, pelo menos, uma das mais lindas, com muito para desfrutar concentrado em poucos quilómetros quadrados.

A ilha das Flores está a ser muito procurada pelo turismo, como as demais e o Continente português também. Um fenómeno que também tem a ver com a conjuntura mundial, mas é necessário não só aproveitar o rendimento presente, como sobretudo consolidar o futuro. Se quisermos afirmar e desenvolver o turismo, temos de ser muito rigorosos na forma como recebemos e sabermos valorizar e oferecer o que temos.

Numa ilha como as Flores os turistas não podem socorrer-se da procura, na periferia, do que aqui lhes faltar. Já bastam os inconvenientes e imprevistos atmosféricos, mesmo no Verão, que deveriam motivar, por parte dos serviços oficiais de promoção do turismo e dos próprios operadores, a oferta de alternativas criativas, nomeadamente de natureza cultural, desportiva ou lúdica, que impeçam os que nos visitam de exasperarem.

Deveria ser feito um trabalho envolvendo todos os agentes económicos do sector, que serão concorrentes mas não podem ser inimigos, bem como os serviços do Governo Regional e as diversas autarquias locais, que para além das suas próprias intervenções devem, se necessário, assumir o papel de motivadores do diálogo, moderação e articulação.

Os turistas não querem apenas ver natureza exuberante, mas também desfrutar de um bom serviço nos restaurantes, nos bares, nos táxis e demais transportes. Querem descobrir as tradições e festas. Não acham aceitável que o comércio de géneros alimentares não se abasteça em qualidade e em quantidade. Querem encontrar nos restaurantes os aperitivos, os pratos e as sobremesas tradicionais e comer peixe fresco e marisco de águas despoluídas. Para felicidade deles e vantagem económica nossa, o mais possível confeccionados com produtos produzidos localmente.

Encontrei já, no Continente, pratos cozinhados quase sem sal, diziam-me que por exigência da ASAE. Um restaurante não é um hospital e não se pode dar cabo da enorme riqueza nacional que é a cozinha portuguesa. O exagero de sal não é saudável, mas há pratos tradicionais que não o dispensam. Faça-se ementa com alternativas e informe-se bem o cliente.

Um turista satisfeito pode voltar; e seguramente publicita o destino.

Como para muitos católicos a prática religiosa não tem férias, importaria ter à porta das igrejas os horários das missas.


Opinião de Renato Moura, publicada no portal Igreja Açores.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Riscos de cheias sem ouvir as Câmaras

Plano de Gestão de Riscos de Inundações foi aprovado por unanimidade na Assembleia Regional.

O Plano de Riscos de Cheias é criticado pela Associação de Municípios dos Açores, de maioria socialista, porque as Câmaras Municipais açorianas não foram ouvidas antes da sua elaboração. Esta posição das autarquias poderá levar a que o Representante da República peça a inconstitucionalidade do diploma e que o Tribunal Constitucional o devolva à Assembleia Regional para que as Câmaras Municipais açorianas sejam devidamente ouvidas.

A Associação de Municípios deixou claro que a proposta de Plano de Gestão de Riscos de Inundações “viola o direito comunitário e o direito nacional ao coarctar os princípios da autonomia local e as competências legalmente instituídas dos municípios e que estes são as principais entidades visadas no que respeita às questões de gestão de riscos e protecção civil”.

A Associação de Municípios dos Açores enfatizou “a necessidade e a importância de se ouvirem os Municípios de forma efectiva e consequente, aplicando-se um princípio geral de coordenação das intervenções na elaboração daquele tipo de Planos, interessando que os Municípios fossem chamados diretamente a participar em todas as fases do processo que demandassem modelos de concertação territorial e de planeamento, especialmente os mais visados pela definição das cinco bacias hidrográficas definidas na proposta de diploma”.

O Plano de Gestão de Riscos de Inundações considera que o tipo de cheias mais frequente nos Açores “é de difícil previsão, impondo-se uma estratégia integrada e de longo prazo, com incidência no ordenamento do território e especialmente focada em áreas urbanas localizadas em leitos de cheia”.

O principal objectivo do Plano estratégico era a redução das “potenciais consequências prejudiciais das inundações no âmbito da preservação da saúde, do ambiente, das infraestruturas, criando respostas adequadas às especificidades de cada zona”.

Foram identificadas cinco zonas mais perigosas através de avaliação histórica que remontou a algumas dezenas de anos atrás, forma estudada pela equipa que elaborou o Plano através da análise de um conjunto de eventos nas bacias hidrográficas da Região. A conclusão que se retirou foi a indicação de cinco zonas mais perigosas nas bacias hidrográficas da ribeira Grande na ilha das Flores; da Agualva e do Porto Judeu, na ilha Terceira; da Ribeira Grande e da Povoação, em São Miguel.


Notícia: «Correio dos Açores», «Açoriano Oriental» e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

domingo, 17 de julho de 2016

«Brumas e Escarpas» #109

Os lavadouros de madeira

Embora situada numa zona não apenas de muitas grotas e ribeiras mas também de muitas nascentes, apenas na década de 1950 a freguesia da Fajã Grande foi abastecida com rede pública de água. Mesmo assim e nessa altura muitas famílias não meteram água em casa, uma vez que o custo de tal adesão era muito elevado para as famílias mais pobres, tanto no que à instalação de canos e torneiras dizia respeito como ao custo da mão-de-obra e até da taxa a pagar mensalmente. Por isso até aos anos cinquenta e sessenta muitas mulheres eram obrigadas a deslocarem-se às ribeiras mais próximas para lavar a roupa. Mas para a maioria das casas as ribeiras ficavam bastante longe e perdia-se muito tempo em idas e vindas, pelo que eram possíveis apenas uma ou duas idas semanais aos locais onde se lavava, destinadas às roupas mais sujas, às peças maiores e mais difíceis de lavar. As roupas mais leves, as peças mais pequenas e menos sujas eram lavadas em casa, em selhas, indo-se se buscar água a uma fonte ou nascente mais próxima. Ora estas selhas tinham como anexo os célebres lavadouros feitos de madeira, muitos deles de fabrico caseiro outros encomendados nos carpinteiros.

Os lavadouros caseiros eram constituídos por uma grossa e pequena tábua de madeira, geralmente de cedro e de formato retangular. A parte inferior, que entrava na selha com água era cortada em forma de V, formando duas espécies de pés que se fixavam no fundo da selha. Num dos lados e um pouco acima dos pés a tábua era escavada, de maneira a formar uma espécie de regos muito próximos uns dos outros ou escarpas simétricas e sucessivas nas quais a roupa, depois de encharcada e ensaboada era esfregada. A extremidade superior da tábua era lisa a fim de que caso a mulher encostasse o peito não se magoasse ou ferisse.

Para o seu uso, bastava colocar a tábua transformada em lavadouro dentro da selha, fixá-la muito bem e esfregar a roupa como se um lavadouro de pedra ou de cimento se tratasse.

Mas o mais interessante para a ganapada miúda é que estes lavadouros quando não usados e colocados nas selhas com água se assemelhavam a um verdadeiro varadouro de barcos. Assim a selha cheia de água era o oceano imenso e infinito onde os pequenitos barcos feitos com pedacinhos de madeira transitavam e que depois eram arrastados pelo lavadouro acima a servir de varadouro e colocados em terra. O diabo era arranjar água para encher a selha... Perante essa dificuldade pedia-se à mulher que lavava a roupa que depois de terminar a sua tarefa não despejasse a água que mesmo assim suja era o nosso oceano, com a vantagem de, no fim, depois de tanto patinharmos nela, ficássemos com as mãos lavadinhas e a cheirar a sabão azul.

Os lavadouros de madeira foram utensílio de grande utilidade para as mulheres e delirante brinquedo para as crianças, dos quais atualmente existem pequenas réplicas vendidas como peças de artesanato.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».