quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Propõe o PCP que pequenos agricultores açorianos sejam isentados de IVA e tenham descontos na Segurança Social

O deputado regional do PCP apresentou uma anteproposta de lei que propõe a isenção de IVA e a redução dos descontos obrigatórios para a Segurança Social dos pequenos agricultores.

“Esta proposta do PCP assinala a importância da agricultura familiar para a segurança alimentar, através da diminuição da dependência externa, para o desenvolvimento económico socialmente útil, para a sustentabilidade e diversificação das atividades agrícolas e para a diminuição do desemprego”, afirmou Aníbal Pires.

A agricultura familiar, a pequena atividade agrícola que emprega sobretudo a mão-de-obra dos vários membros de uma mesma família, tem um papel insubstituível no incremento das produções agroalimentares tradicionais, no abastecimento em alimentos frescos aos mercados locais, no aumento da diversificação agrícola, defesa da biodiversidade, redução da utilização de produtos fitofarmacêuticos e proteção do ambiente.

O deputado regional comunista afirmou que a iniciativa propõe uma redução das contribuições para a Segurança Social com algum significado, considerando que a medida terá um impacto “muito importante na melhoria dos rendimentos dos trabalhadores deste setor e para quem tem como principal atividade a agricultura familiar”, além de efeitos na própria economia regional: “As contribuições que estão determinadas são valores superiores a 30% e aquilo que estamos a propor, embora de uma forma gradativa e em função do rendimento, é uma alteração com três escalões em que essa contribuição para a Segurança Social varia entre 5% e 18,75%”, explicou Aníbal Pires, sublinhando que a agricultura familiar “é estratégica para os Açores”.

O deputado do PCP/Açores alertou que os rendimentos dos pequenos produtores agrícolas têm vindo a ser seriamente afetados devido ao “aumento do custo dos fatores de produção, como os combustíveis, energia, água, acrescidos do insustentável aumento da carga fiscal e de contribuições obrigatórias e de excessiva burocracia”. Uma situação que, segundo Aníbal Pires, “é tanto mais grave quanto os Açores são a região do país onde existe uma maior percentagem de agregados familiares que declaram obter rendimentos exclusivamente da sua própria exploração agrícola”.

Assim, o PCP pretende, como medida de apoio à agricultura familiar nos Açores, reduzir os descontos obrigatórios para a Segurança Social e isentar estes pequenos produtores agrícolas de IVA, permitindo melhorar o seu rendimento e tornando a sua produção mais rentável, como estímulo à dinamização e modernização deste tipo de atividade.

Aníbal Pires destacou o caratér abrangente da medida comunista por vir a ser importante tanto para os Açores como para o país: “Se isto é importante para os Açores, é igualmente importante para todo o país. É evidente que estamos a fazer isto atendendo às especificidades da Região”, sublinhou o deputado do PCP, para quem os efeitos da proposta “em termos da dinâmica económica compensará certamente a diminuição de receita na Segurança Social e em termos das contribuições fiscais”.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e rádio Atlântida.
Saudações florentinas!!

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

«Brumas e Escarpas» #80

O náufrago

O Semedo chegou à porta de casa e levantou a taramela num sufoco. Na cozinha, a mulher e a filha seroavam entre cardas, fusos e resmas de lã, admiradas pelo tardio da chegada. A Deolinda foi a primeira a insinuar com suave ironia: - Só agora?! A estas horas, meu pai há muito que havia de estar na cama.
E como o Semedo embatucasse por completo, a mulher sem levantar olho das cardas: - Boa coisa não andaste a urdir! – E, levantando o rosto, sem esmorecer a cardação, prosseguiu – Credo, home! Que cara é essa?! Parece que viste o Eiramá!

O Semedo, a crescer numa tremulação que acicatava cada vez mais o pasmo das duas mulheres, lá foi desembuchando: Fora ali, para os lados do Rolinho das Ovelhas... Ele, o Bosseca, o Zé de Mateus e o Caboz, na mira dos caranguejos, do Canto do Areal ao Rolinho. Eis senão quando avistaram uma embarcação a aproximar-se de terra, junto ao Rolinho. Eles a correr que até parecia que deitavam os bofes pela boca fora... mas qual o quê? Quando lá chegaram, a maldita tinha zarpado. Apenas uma pequena chata, abandonada, a balancear no vaivém da maré. Ao voltarem, deparam-se com gemidos angustiantes. Um vulto de homem, sabia-se lá de onde, que nem americano falava, enfiado na aba de uma pedra, a chorar e a gemer... Pelos vistos tinha sido ali abandonado. Trouxeram-no e, ao chegar ali, bonito serviço! Os outros a pisgarem-se, cada um para seu lado e ele a ficar só, com o homem... fora da porta. Haviam de lhe dar guarida, lá em casa.

A mulher e a filha nem queriam acreditar! Meter em casa um homem, sabia-se lá de onde e de que religião. Àquelas horas da noite... Nem pensar!

Mas no dia seguinte toda a freguesia louvava o Semedo. Fosse da Cochinchina, fosse do Japão, fosse de onde fosse, aquilo era um ser humano. Um gesto muito bonito, o do Semedo.

Mas os rumores não tardaram. Aquele homem devia ser um ateu, um criminoso, um facínora, semelhante ao que há muitos anos também ali desembarcara e, de tão mau que fora, após a morte, por castigo, fora atirado para o Poço do Bacalhau. Que o tivesse deixado, o Semedo, onde o encontrou. Havia de morrer à fome, que é o destino dos criminosos e dos sacripantas! E depois... com uma filha solteira lá em casa... Hum! Não havia de sair coisa boa dali.

Porém, em casa do Semedo todos se afeiçoaram depressa ao suposto náufrago. O homem era delicado, correto, submisso e de trato afável. Apenas um senão: ninguém o entendia e ele não percebia patavina do que lhe diziam e tinha a estranha mania de, todos os dias, tracejar um risco no muro da cerca do porco. Sabia-se apenas que se chamava Dimitri e que, muito provavelmente, devia ser russo e não acreditava em Deus.

Os dias passaram e o Semedo via em Dimitri o filho que nunca tivera e Deolinda apaixonara-se, como nunca. Pior. Dimitri, agora já a balbuciar as primeiras palavras em linguagem que se entendesse, também se declarava em juras de amor, enquanto pela freguesia cada vez mais se comentava, à socapa, que ali havia marosca.

O Semedo, apavorado, foi bater à porta do vigário. Havia que casá-los, quanto antes. Mas para o prebendado, o casamento não servia para encobrir poucas vergonhas e aquele homem era um ateu, vindo de um país onde a religião católica era odiada. Além disso, não tinha papéis que demonstrassem o seu baptismo. Que tirasse o cavalinho da chuva o amigo Semedo que casamento é que não havia de haver.

E não houve, o que não foi obstáculo a que Dimitri e Deolinda se envolvessem, às escondidas dos progenitores, em desvelos e fascinações.

E quando Deolinda não mais pode ocultar a gravidez, o falatório transformou-se em aleivosias insultuosas. A mãe definhou de vergonha e o pai pô-los porta fora, injuriando-os, ameaçando-os, deserdando-os. Poucos dias demorou a ira do Semedo e a debilidade da sua consorte. Foram os primeiros a acudir aos vagidos de um pequerrucho que, numa tarde de Setembro, lhes quebrava o veneno do desgosto e lhes despertava o bálsamo da ternura.

E o pequeno Gervásio crescia entre o enlevo dos pais e a ternura dos avós. O vigário não lhe pode negar o baptismo. A alegria, o encanto e a felicidade reinavam em casa do Semedo e na freguesia já ninguém se lembrava que o pai do pequeno Gervásio era, afinal, um náufrago abandonado na ilha, talvez um criminoso, com quem a Deolinda do Semedo vivia amancebada.

Numa noite, porém, o inesperado aconteceu. Dimitri saiu de casa e nunca mais regressou. De manhã, o Cardoso afirmava a pés juntos que um bergantim se havia aproximado da enseada do Rolinho das Ovelhas e nele tinha visto embarcar um homem. A partir do dia seguinte, todas as tardes depois do pôr-do-sol a Deolinda do Semedo, lavada em lágrimas, sentava-se sobre um rochedo, à beira mar, com o filho ao colo, apontando-lhe um horizonte indefinido.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Noite dos Sons e Sabores internacionais

O Lions Clube Pérola do Ocidente organiza a Noite de Sons e Sabores Internacionais no próximo sábado (dia 25), pelas 19h30, na Casa do Povo das Lajes.

Este jantar de cariz solidário tem como objetivo a angariação de fundos para a aquisição de camas para o Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia das Lajes. Apresentando uma ementa variada este evento terá a participação dos estrangeiros residentes na ilha das Flores, trazendo os sabores dos seus países.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

domingo, 19 de Outubro de 2014

Assim foi a Festa do Cais das Poças

A abertura da Festa do Cais das Poças 2014 foi dedicada à etnografia, num desfile com cenas do nosso imaginário colectivo que em muitos dos casos não se distanciavam da realidade em nada, até porque tudo foi pensado ao pormenor, desde a indumentária, o local, os artefactos utilizados, as personagens, os animais... Todo o trabalho envolveu muitas pessoas, personagens envolvidas directamente no desfile foram umas centenas e imaginem quantas mais estiveram na retaguarda para tornar tudo possível.

As noites do Cais das Poças 2014 foram dedicadas à música com os Full K’ Ords, Chave d’Ouro, animação de rua (de altíssima qualidade) ao cuidado dos Sax N’Fun e os FuNgis MagiC tRuXiS. Entre a panóplia de actividades e concertos ainda podemos encontrar o concurso de pesca desportiva, jogos tradicionais, os “Ar de Rock”, a Orquestra Ligeira da Povoação, aula de fitness com o ginásio Viva Mais Fitness, folclore, passeios de barco, alguns grupos musicais da ilha e muito mais.

Os dias desta festa de início de Agosto ficaram pautados pela grande afluência da população que, com a ajuda do tempo, marcou presença de forma ordeira para desfrutar da variedade de artistas e degustar os diferentes paladares nos restaurantes e tascas criadas para o efeito, bem como rever amigos, familiares, conhecidos ou mesmo fomentar novas amizades.

A organização está de parabéns, bem como A Jangada - Grupo de Teatro como o seu vasto leque de actores e com a estrondosa capacidade de encenação e direcção de actores a cargo de Joaquim Salvador, que fez questão de pessoalmente orientar e delinear o cortejo de abertura da Festa do Cais das Poças 2014, não ficando, na minha opinião, nada ao acaso.

Obrigado a todos os que tornaram possíveis estas imagens e à Luísa Silveira pela captação das imagens e imprescindível ajuda na produção.


Vídeo: YouTube de José Agostinho Serpa.
Saudações florentinas!!

sábado, 18 de Outubro de 2014

Vulnerabilidade às alterações climáticas

O arquipélago dos Açores é uma das regiões do país mais vulnerável aos efeitos negativos que as alterações climáticas podem provocar em Portugal.

"É um handicap negativo, o facto de sermos ilhas. Traz-nos dificuldades acrescidas, mas é também um trabalho mais aliciante", reconheceu o secretário regional da Agricultura e Ambiente no final da primeira reunião do grupo de trabalho que vai elaborar o Plano Regional para as Alterações Climáticas, que junta técnicos dos departamentos do Governo Regional e representantes do Laboratório Regional de Engenharia Civil e da Serviço de Proteção Civil dos Açores.

Segundo explicou Luis Neto Viveiros, este grupo de trabalho vai preparar um caderno de encargos que será depois lançado a concurso público internacional, para a elaboração do Plano Regional para as Alterações Climáticas, que o Governo Regional espera que esteja concluído dentro de ano e meio: "Pretendemos definir estratégias para mitigar esses efeitos negativas das alterações climáticas, no sentido de termos uma Região cada vez mais segura e protegida destes fenómenos extremos que, de quando em vez, ocorrem", sublinhou.

O secretário regional da Agricultura e Ambiente lembrou que este grupo de trabalho terá como documento base o estudo elaborado pelo professor universitário Brito de Azevedo, que coordenou, a convite do Executivo dos Açores, a Estratégia Regional para as Alterações Climáticas.

O estudo considerava "expectável um aumento da temperatura do ar entre 1 a 2 graus nos Açores" e um eventual aumento de "dias de Verão" e de "noites tropicais", bem como uma diminuição da precipitação e uma maior probabilidade de fenómenos meteorológicos extremos: "Atendendo à tendência do aumento da temperatura superficial do oceano, estão criadas as condições para que as tempestades de origem tropical subam mais no Atlântico, atingindo com mais frequência e maior virulência a latitude dos Açores", lê-se no documento.

Para financiar os projetos que serão realizados no âmbito deste grupo de trabalho sobre as alterações climáticas, o Governo Regional já inscreveu nos planos de atividade de 2015 e 2016 mais de 600 mil euros destinados a estas áreas.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

FAP resgata dois tripulantes de veleiro

Dois tripulantes de um veleiro com o motor avariado, que navegava a cerca de 110 quilómetros a oeste da ilha das Flores, foram ontem resgatados pela Força Aérea Portuguesa.

Segundo o Comando da Zona Marítima dos Açores, os dois tripulantes, ambos de nacionalidade sueca, seguiam no veleiro Chilom que navegava “sem energia a bordo e com as velas seriamente danificadas pela força do vento".

"O veleiro, registado em Gibraltar, largou das Bermudas a 19 de Setembro em direção aos Açores, tendo sido surpreendido pelo mau tempo já na fase final da viagem", sendo que o pedido de auxílio foi recebido ao final da manhã de quinta-feira (ontem).

Na operação de salvamento esteve empenhado "um helicóptero EH-101 e o avião C-295 da Força Aérea Portuguesa para resgatar os tripulantes, tendo um deles suspeita de fratura das costelas".

O Comando da Zona Marítima dos Açores adianta ainda que os tripulantes foram resgatados "a meio da tarde, em condições muito adversas, com ventos na ordem dos 80 quilómetros por hora e ondulação de 8 a 10 metros", e foram posteriormente transportados para o Hospital Santo Espírito, na ilha Terceira.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Jornal de Notícias».
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Arrancou a campanha SOS Cagarro 2014

De hoje até 15 de Novembro decorre mais uma edição da campanha SOS Cagarro, num período que coincide com a saída dos cagarros juvenis dos ninhos para o seu primeiro voo transoceânico.

O arquipélago dos Açores alberga cerca de 188 mil casais reprodutores de cagarros, ou seja, 75% da população mundial da subespécie Calonectris diomedea borealis e 60 a 65% da população mundial da espécie Calonectris diomedea, sendo, por isso, crucial a sua proteção e conservação nas ilhas açorianas.

A campanha SOS Cagarro decorre nos Açores desde 1995, tendo como principal objetivo envolver as pessoas e entidades no salvamento dos cagarros juvenis encontrados junto às estradas e na sua proximidade.

Durante os meses de Outubro e Novembro, os cagarros juvenis começam a abandonar os ninhos e, no seu primeiro voo, podem ficar desorientados por luzes fortes, correndo o risco de cair em locais expostos, o que os torna vulneráveis a diversos perigos, nomeadamente ao atropelamento por veículos.

No ano passado foram salvas quase 7 mil aves, cerca do dobro do número médio registado nos últimos sete anos. Alguns dos cagarros juvenis salvos nos Açores há mais de sete anos já regressaram ao arquipélago para acasalar e ter as suas crias.

Pretende-se que a Campanha SOS Cagarro também se assuma como uma atividade participativa de eco-turismo, promovendo a sua sustentabilidade e a promoção do arquipélago, através de ações inclusivas de conservação ambiental. Nesse sentido, os agentes turísticos são convidados a divulgar esta campanha, permitindo desta forma que os turistas possam participar ativamente na campanha, contribuindo para a proteção desta emblemática ave marinha da Região.

As brigadas e ações de sensibilização ensinam como recolher os cagarros juvenis e onde os entregar para posterior libertação, sendo facultadas caixas aos automobilistas. Para saber como participar na campanha SOS Cagarro 2014, os voluntários podem contactar o Parque Natural da sua ilha ou consultar a página da internet soscagarro.azores.gov.pt.


Notícia: rádio Atlântida e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Nova peça do Grupo de Teatro A Jangada

Na próxima sexta-feira (dia 17), A Jangada vai estrear a sua nova peça «O Urso», uma farsa em um acto do dramaturgo russo Anton Tchekhov, no auditório do Museu municipal das Lajes. No dia 19 (domingo) acontecerá a apresentação d' «O Urso» na Casa do Povo de Ponta Delgada.

A tournée florentina desta nova peça do Grupo de Teatro A Jangada será retomada a 31 de Outubro na Casa do Povo da Fajã Grande, sendo que as apresentações finais de «O Urso» serão a 1 e 2 de Novembro na sala de espectáculos dos Minhocas.
Todas as atuações desta peça da Jangada começam às 21h30.

Saudações florentinas!!

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Encontrado cadáver no Porto das Lajes

Um homem foi encontrado morto dentro de um carro submerso no mar, junto ao porto da vila das Lajes das Flores, disse fonte da Capitania local.

Por volta das 16h30 de hoje, as autoridades marítimas da ilha das Flores (Polícia Marítima e Capitania) receberam um alerta por terem sido observados "objetos pessoais" a flutuar junto ao cais do Porto das Lajes, explicou o adjunto do capitão da Capitania de Santa Cruz das Flores, tenente Abrantes.

Para o local foram mobilizados mergulhadores do corpo de Bombeiros de Santa Cruz, que localizaram uma viatura submersa e, lá dentro, o corpo de um homem, residente na ilha, que tinha entre 35 e 40 anos. Segundo o tenente Abrantes, homem e viatura estavam desaparecidos desde a noite de ontem (segunda-feira) e o caso está entregue agora às autoridades judiciais, desconhecendo-se as razões da queda do carro à água.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Jornal de Notícias».
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Exposição de fotógrafos amadores locais

O Parque Natural da ilha das Flores e a Câmara Municipal das Lajes, em parceria com o GeoParque Açores, organizam a exposição «Fotografia aos Olhos da Ilha das Flores», criada com maravilhosas fotografias de autores locais e onde se aprecia a beleza da ilha das Flores através dos olhos dos seus habitantes.

Esta exposição será inaugurada amanhã (dia 14) e estará patente no Museu municipal das Lajes até 31 de Outubro.

Saudações florentinas!!

domingo, 12 de Outubro de 2014

Rever gestão das Reservas da Biosfera

Região vai passar a dispor de um Comité MaB Açores (Man and the Biosphere), que irá contribuir para rever o modelo de gestão das nossas Reservas da Biosfera.

“O facto de dispormos, atualmente, de três Reservas da Biosfera e de estarmos confiantes de que as fajãs de São Jorge se lhes juntarão em breve, aconselha que repensemos o modelo e a sua estrutura de gestão, bem como a respetiva promoção, numa perspetiva integradora, que em simultâneo promova a partilha de experiência e potencie as vantagens específicas de cada Reserva da Biosfera. Para tanto, criaremos um Comité MAB Açores”, declarou Luís Neto Viveiros.

O titular da pasta do Ambiente falava na abertura do seminário “Reservas da Biosfera – um contributo para o desenvolvimento local”, que decorreu em São Jorge, integrado no XII Encontro Internacional da REDBIOS, onde ocorreu uma mostra de produtos originários das Reservas da Biosfera nos Açores.

O governante açoriano revelou, por outro lado, que o Governo Regional está a preparar “sem embargo, o quadro normativo do sistema de incentivos à manutenção de paisagens tradicionais integradas em áreas classificadas em toda a Região”. Luís Neto Viveiros acentuou que este projeto vai contemplar as paisagens de vinha e pomares em currais, em fajãs e em socalcos, aproveitando o que considera “a experiência e o extraordinário sucesso dos últimos anos dos apoios à reabilitação da paisagem da cultura da vinha do Pico”.

O secretário regional da Agricultura e Ambiente reiterou que ainda este ano, vai ser promovida a revisão do Plano Regional de Educação e Sensibilização Ambiental dos Açores, que dará lugar ao Plano Regional de Educação para o Desenvolvimento Sustentável dos Açores. Luís Neto Viveiros concluiu que serão acrescentados aos projetos de educação e sensibilização ambiental um programa de dinamização que visa “levar a todos – cidadãos e empresas – informação sobre o valor social e económico do nosso património natural e cultural e as vantagens de uma cultura de sustentabilidade, associada ao conceito de economia verde”.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental», rádio Atlântida e o inestimável "serviço informativo" do GaCS [Gabinete de apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

sábado, 11 de Outubro de 2014

Descobertas novas aranhas endémicas

A floresta nativa dos Açores continua a esconder espécies endémicas. Só agora foram identificadas duas aranhas autóctones de Santa Maria e das Flores.

Foram descobertas duas novas aranhas endémicas nos Açores: a Canariphantes relictus pertence ao Pico Alto, em Santa Maria; a Canariphantes junipericola é da ilha das Flores e foi encontrada na Reserva Natural da Caldeira Funda e Rasa, bem como junto à Lagoa Seca. Ambas as espécies não excedem os cinco milímetros e estão muito ligadas aos últimos habitats de floresta nativa da Região.

De acordo com Paulo Borges, coordenador do Grupo da Biodiversidade dos Açores, responsável pelas descobertas, tratam-se de espécies raras que só agora, depois de largos anos de trabalho de campo, foram encontradas. Por serem populações muito pequenas, as espécies em causa estão em perigo.

A aranha de Santa Maria é aquela que corre mais riscos, e o seu nome em latim remete, exatamente, para a necessidade de preservação e conservação do espaço onde se encontram. "Trata-se da primeira aranha endémica de Santa Maria, o que é estranho, porque existem outras noutras ilhas. Achámos que esta estava extinta. Mas é uma aranha exclusiva da ilha, que faz parte de uma zona muito importante", frisou o investigador. O Pico Alto, recorde-se, é considerado um ponto quente da biodiversidade dos Açores, onde se encontram 57 espécies endémicas (21% de todo o arquipélago) concentradas em apenas 0,25% de toda a área de floresta nativa da Região. Trata-se, por outro lado, do fragmento florestal mais reduzido e ameaçado em todo o arquipélago, estando sujeito a uma grande perturbação por parte de espécies invasoras e por parte do próprio Homem.

Também a espécie encontrada na ilha das Flores - ligada aos bosques de cedro do mato - está em risco, sobretudo devido às plantas invasoras que estão a ocupar a zona da Caldeira Rasa.

É por isso que os cientistas estão a preparar documentação para enviar à União Internacional para a Conservação da Natureza, no sentido de classificar as espécies em causa como estando "em perigo", de forma a aumentar, também, os esforços de conservação das áreas florestais em causa. É que as aranhas, adiantam, são um grupo mais sensível a perturbações ambientais dado à sua posição na cadeia trófica, como predadores. O estatuto, lembre-se, já tinha sido pedido para a Serra do Topo (em São Jorge), onde foi encontrada a Savigniorrhipis topographicus, uma aranha restrita àquela zona e que tem apenas 1,45 milímetros.

A descoberta, recorde-se, resulta dos estudos de campo do projeto de investigação "Previsão de extinções em ilhas: uma avaliação em várias escalas", gerido pelo Grupo de Biodiversidade dos Açores. Segundo os investigadores, e durante trabalhos realizados antes de 2010, estas espécies foram confundidas com a Canariphantes acoreensis, já conhecida do Grupo Central. Foram necessárias, por isso, amostras mais completas dos dois aracnídeos para que se descobrisse a sua verdadeira identidade.


Notícia: jornal «Diário Insular».
Saudações florentinas!!