sábado, 22 de Novembro de 2014

Christiano Júnior: florentino marcou a História da fotografia na América Latina

O primeiro fotógrafo dos Açores foi Christiano Júnior, uma referência na América do Sul, onde ainda no século XIX fotografou a escravatura no Brasil e as novas cidades argentinas.

"Eu não encontro referências a fotógrafos açorianos anteriores, ou seja, em épocas anteriores aos anos 40-50 do século XIX. Portanto, para mim, é o primeiro nome que aparece e aparece fora dos Açores", afirmou Manuel Magalhães, que é arquiteto, mas se dedica à História da fotografia em Portugal, tendo feito uma investigação sobre a vida e obra de Christiano Júnior.

Manuel Magalhães pensava que Christiano Júnior era brasileiro, já que este esteve no Porto em 1865 integrado numa representação da época chamada "Império do Brasil": "Apesar disso, havia um elemento que era estranho, é que ele pedia aos organizadores para oferecer as fotografias ao rei português Dom Fernando, Comecei a investigar, e afinal ele é açoriano, nasceu na ilha das Flores no dia 21 de Julho de 1832 e emigrou para o Brasil em 1855 e a partir daí tem uma atividade grande na fotografia na América Latina".

José Christiano de Freitas Henriques Júnior, depois de ter emigrado para o Brasil, passou pelo Uruguai, viveu na Argentina, onde o investigador Manuel Magalhães ouviu falar dele enquanto português pela primeira vez, e morreu no Paraguai em 1902.

"Ele é considerado quase um símbolo nacional da Argentina porque fez uma documentação sobre o aparecimento das novas cidades que estavam a surgir na Argentina, nos anos 70-80 do século XIX, ou seja, o grande desenvolvimento da Argentina", conta.

Manuel Magalhães caracteriza-o como um homem "multifacetado e inovador" para a época e recorda a obra de Christiano Júnior no Brasil, onde deixou uma marca histórica: "Fotografou em estúdio os negros de ganho, os escravos não libertados que trabalhavam nas ruas do Rio de Janeiro, com as suas profissões e que no final do dia teriam de dar o que ganhavam ao seu patrão, ao seu dono. Ele aparece muito em teses da ordem da sociologia, por causa da escravatura e da sociedade do século XIX".

Com uma obra notável na América Latina, Christiano Júnior é desconhecido em solo açoriano, para onde Manuel Magalhães viajou há dois anos à procura do rasto daquele que acredita ser o primeiro fotógrafo açoriano: "Tentei procurar sobretudo na ilha das Flores mas também ninguém o conhecia, há um desconhecimento completo. Tentei falar com pessoas que ia encontrado, se já tinham ouvido falar dele mas ninguém sabia quem ele era".

Nos Açores conseguiu apenas saber que Christiano Júnior era filho de pais solteiros, nasceu a 21 de Julho de 1832, em Santa Cruz das Flores, e casou-se com Maria Jacinta Fraga, com quem teve dois filhos, José Vitorino e Frederico Augusto.

Entre 1901 e 1902, último ano da sua vida, Christiano Júnior escreveu ainda oito textos autobiográficos publicados num jornal, sendo que o investigador tem alguns na sua posse: "Há um texto que ele designa 'Um Carnaval en mi tierra', ou seja, um Carnaval nos Açores, noutro escreve que nasceu no meio do Atlântico a 300 léguas do pequeno reino de Portugal, um grupo de nove ilhas conhecido pelo grupo dos Açores. Fala ainda nas ilhas das Flores e Corvo referindo que elas podiam caber dentro de um estado argentino", conta.

Manuel Magalhães já apresentou esta investigação em Ouro Preto (Minas Gerais - Brasil), e vai apresentá-la na próxima quarta-feira (dia 26) numa tertúlia promovida pela Associação Amigos da ilha das Flores e pela Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e RDP Antena 1 Açores.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

Melhorias na transparência municipal

Desde as saídas de Manuel Pereira (em Santa Cruz) e João Lourenço (nas Lajes) deram-se progressos realmente significativos na transparência dos municípios florentinos, que subiram mais de duzentas posições no ranking nacional.

O Índice de Transparência Municipal (ITM) avalia a informação fornecida pelos 308 concelhos do país aos seus munícipes, através da análise das respetivas páginas na Internet. Conheça o "ranking" ITM 2014, uma iniciativa da Transparência e Integridade - Associação Cívica (TIAC), descobrindo assim as autarquias que mais e melhores contas prestam.

O ITM afere o grau de transparência de cada município, medido através de uma análise da respetiva página na internet. A TIAC avalia o volume e o tipo de informação disponibilizados aos munícipes (e à opinião pública, de uma forma geral) sobre a estrutura da autarquia, o seu funcionamento e atos de gestão, entre outros tópicos. Áreas de elevado risco de corrupção, como a contratação pública e o urbanismo, suscitam uma particular atenção dos autores do ITM.

No segundo ano em que é analisada a prestação de contas do poder local, nomeadamente a forma como as autarquias divulgam informação relevante para os seus munícipes e para eventuais investidores, a TIAC regista uma muito maior colaboração das autarquias: "Sentimos uma preocupação de muitos municípios. Tanto funcionários como eleitos perguntaram, informal e formalmente, como poderiam melhorar a sua performance", explica João Paulo Batalha, diretor executivo da Transparência e Integridade. "Nos contactos mantidos, percebemos que tinham uma grande preocupação em perceber o que queríamos", acrescenta.

Há um ano, apenas 29 concelhos participaram no contraditório (fase em que cada autarquia se pronuncia sobre a avaliação que a TIAC faz a partir da análise do sítio do município na Internet); neste ano, o número ascendeu a 126 (embora apenas 19 tenham repetido a colaboração).

Na elaboração do índice de cada concelho (avaliado entre zero e 100 pontos), a TIAC considera a existência de 76 indicadores possíveis. Estes estão agrupados em sete dimensões: informação sobre a organização, composição social e funcionamento do município; planos e relatórios; impostos, taxas, tarifas, preços e regulamentos; relação com a sociedade; contratação pública; transparência económico-financeira; transparência na área do urbanismo.

Por outro lado, fazendo uma desagregação dos resultados pelas diversas dimensões, até há retrocessos. Nas informações sobre a transparência económico-financeira (divulgação de dados sobre o orçamento da autarquia, mapa de fluxos de caixa, lista de dívidas a fornecedores ou de empréstimos à banca e respetivos prazos e vencimentos), a média nacional desceu de 67 para 62.

"É preocupante que tenha havido um recuo. É uma dimensão a que teremos de estar atentos no próximo ano", diz João Paulo Batalha. Também na dimensão da contratação pública e na dimensão dos impostos, taxas, tarifas, preços e regulamentos, há agora menos transparência do que em 2013. Como se a saída da Troika tivesse aliviado a pressão para uma prestação de contas do poder local.

O Índice de Transparência Municipal é um projeto da TIAC (associação sem fins lucrativos que tem como finalidade geral promover a legalidade democrática e a boa governação), num trabalho conjunto com várias entidades. A TIAC, atualmente presidida pelo investigador Luís de Sousa, é a representante em Portugal da ONG anticorrupção Transparency International.


Notícia: semanário «Expresso».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Algumas escolas com amianto nos Açores

O secretário regional da Educação considera que têm sido proferidas afirmações "alarmistas e irresponsáveis" sobre os perigos do amianto em algumas escolas dos Açores. Avelino Meneses diz que o Governo Regional está atento e acrescenta que as análises mandadas fazer no estrangeiro são tranquilizadoras.

As coberturas de fibrocimento na Região serão substituídas progressivamente, algumas delas em obras que já fazem parte do Plano de investimentos para o próximo ano.


Notícia: «TeleJornal» da RTP Açores.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Está atrasado o Pavilhão de Santa Cruz

A Câmara Municipal de Santa Cruz informa todos os seus munícipes, desportistas e respetivos clubes que a conclusão do processo de obras de reabilitação e recuperação do Pavilhão Gimnodesportivo está prevista para o final da primeira quinzena de Dezembro.

Esta prorrogação do prazo de conclusão, de aproximadamente 15 dias, deve-se ao surgimento de um problema logístico relativo à empresa responsável pelo fornecimento do piso desportivo sintético, estando prevista a sua chegada à ilha das Flores no dia 4 de Dezembro, por via de transporte marítimo.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.
Saudações florentinas!!

domingo, 16 de Novembro de 2014

Grande regresso: duas vitórias do CDEF

Neste fim-de-semana começou a competição da Primeira Fase - Zona Açores da Segunda Divisão Nacional de séniores masculinos em voleibol.

O florentino Clube Desportivo Escolar Flores (CDEF) realizou jornada dupla em São Miguel, defrontando o Clube Desportivo IVA. No sábado e no domingo o resultado foi sempre o mesmo: retumbantes vitórias por 3-0 para o CDEF.

Brilhante regresso do clube florentino às competições de nível nacional no escalão de séniores masculinos... muitos parabéns!

Saudações florentinas!!

sábado, 15 de Novembro de 2014

Serviços da caridade da Igreja não podem ser meras sucursais do Estado

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana afirmou este sábado que os serviços da caridade da Igreja Católica não podem ser meras sucursais do Estado, admitindo que este pode ser um risco decorrente das compensações financeiras.

“Este serviço da caridade não nos pode conduzir a ser meras sucursais do Estado, num sistema centralizador e, às vezes, até algo estatizante. É um risco que corremos, por termos algumas compensações”, afirmou o arcebispo Jorge Ortiga, no conselho geral da Cáritas Portuguesa.

Admitindo que “muitos querem burocratizar o serviço social”, Jorge Ortiga adiantou que há quem procure “formatar demasiado as respostas sociais e outros até ‘tecnicizar’ estes serviços, através de uma ação realizada por técnicos competentes mas que, por vezes, é anónima, repetitiva e fechada em esquemas académicos, e longe das situações concretas em que as pessoas vivem”.

Neste contexto, desafiou os presentes, representantes das Cáritas Diocesanas do país, mas numa alusão a toda a ação social da Igreja, a estarem próximos de quem precisa, sem perder a “originalidade e identidade”: “Neste serviço, hoje, mais do que nunca para nós, é obrigatório sair”, declarou o responsável, recusando que as instituições da Igreja se fechem nos gabinetes à espera para atender as solicitações e apontando a necessidade de a saída ser marcada pela resposta criativa face às “novas pobrezas”.

Para o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana, “diante das novas pobrezas há que procurar encontrar novas soluções”, sendo que as “novas soluções e a criatividade nascem muito da proximidade que a Igreja tem”.

“Nenhuma instituição no mundo e em Portugal tem esta capacidade para conhecer essas novas pobrezas”, observou, acrescentando que “a ação social da Igreja não pode deixar-se, pura e simplesmente, pelas estatísticas ou números, mas pela atenção a cada pessoa, crente ou não crente”.

Jorge Ortiga salientou ainda que “a natureza da Igreja é a caridade” e que este serviço “não é nem pode ser opcional”: “Sem este serviço a Igreja não existe”, sustentou o arcebispo que, citando o papa Francisco, referiu que a Igreja “não é uma ONG [organização não governamental] e, muito menos, uma empresa”.

Para o responsável, sendo a “caridade natureza essencial” do ser e agir da Igreja, os cristãos não podem considerar-se “agentes de um simples serviço social”: “Somos muito mais do que um serviço social, partimos de um serviço social que queremos competente e adequado às exigências dos tempos que correm, mas este nosso serviço tem que ser orientado para poder anunciar o Evangelho”, afirmou.


Notícia: «Açoriano Oriental» e jornal «Público».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

CMSCF reduz taxa de IRS para 2015

A Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores vai reduzir em 2015 a taxa de IRS para 4%, revertendo a diferença a favor de quem paga IRS neste concelho florentino e mantendo a taxa do IMI nos valores mínimos, para desta forma aliviar a carga fiscal dos contribuintes e ajudar as pessoas e famílias do concelho.

Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Assim foi o Espírito Santo da Praça

Por altura do Verão, a ilha das Flores é visitada por muitas pessoas vindas das mais variadas paragens e com os mais variados motivos. É também por esta altura do ano que abundam as festas, quer de carácter religioso ou profano. As mais concorridas são, sem sombra de dúvida, as Sopas de Espírito Santo.

Costa Ocidental pode estar presente em duas dessas efemérides, sendo que uma foi a tradicional Festa de Espírito Santo da vila de Santa Cruz e a outra na freguesia da Lomba, esta última tratando-se do "pagamento" de uma promessa.

Neste vídeo mostra-se a Festa de Espírito Santo do Império da Praça, que é a maior da ilha das Flores e, segundo consta, a maior dos Açores. Como as imagens comprovam, é um momento cheio de simbolismo, devoção e muita dedicação, por uma causa que, para muitos, ultrapassa o real/palpável e, é nessa área, que cada um, bem como cada qual, é que sabe qual o significado que tem para si.

Costa Ocidental recolheu as imagens possíveis, visto que as duas festas ocorreram em simultâneo.

A todos os que tornaram possíveis estas imagens, muito obrigado. Obrigado especial à Luísa Silveira pela imprescindível ajuda.


Vídeo: YouTube de José Agostinho Serpa.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Património natural açoriano sob invasão

Espécies vegetais e animais açorianas competem regularmente nos seus espaços naturais com espécies invasoras. Património natural caraterístico dos Açores com dificuldades de conservação. Existe uma mudança de mentalidades, mas ainda não é suficiente.

A situação da laurissilva dos Açores dá-nos notícias más e notícias razoáveis, segundo Eduardo Dias, professor auxiliar na Universidade dos Açores e especialista nas áreas da biologia e ecologia. Por um lado, existem algumas ilhas no arquipélago que perderam quase todo o seu património vegetal. Por outro, as manchas de vegetação que ainda subsistem em outras ilhas são, muitas vezes, mal preservadas.

A situação é transversal a ambos os arquipélagos portugueses onde, regra geral, quanto maior a mancha de vegetação, pior se encontra o seu estado de preservação. Existem ainda casos de potenciais manchas não aproveitadas, que acabam por regredir face à pressão de outras plantas dominantes e infestantes.

Um dos problemas que persistem nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, segundo o especialista, é justamente a competição dos seus espaços naturais com espécies invasoras que acabam por predominar, não só de plantas mas também de vários tipos de animais, como os insetos e os coelhos.

Eduardo Dias dá como exemplo a costa Norte da ilha de São Jorge que, segundo o especialista, tem vindo a ser progressivamente abandonada e onde se começam a observar verdadeiros "matagais de espécies invasoras".

Como consequência deste clima de pressão, o cenário comum é desaparecerem do território açoriano várias espécies endémicas do arquipélago, um número que o especialista afirma rondar os 50% do total das espécies classificadas. "Oficialmente, só há uma espécie endémica dos Açores extinta", diz o Eduardo Dias, "mas temos mais cerca de uma dúzia delas em perigo".

Eduardo Dias está confiante na crescente onda de apoio às causas de preservação e conservação da natureza. "Os Açores estão numa mudança de paradigma", diz o especialista, com a criação de parques naturais, zonas protegidas, trilhos e percursos de lazer e procurando um "equilíbrio entre políticas agrícolas e de preservação da natureza".

Um desenvolvimento que, mesmo assim, já vem tarde, já que "os Açores são provavelmente a última região da Europa com zonas protegidas". Antes destas classificações, "eram os outros que arrumavam a nossa casa" através de regras e diretrizes externas.

Se, como diz Eduardo Dias, "o território é a expressão da cultura de um povo", então não abona muito a favor da cultura açoriana quando são poucas as ribeiras que ainda correm água permanentemente e raros os lagos que não estejam em mau estado nas várias ilhas.

Diz o especialista que muito do controlo ambiental que a natureza oferece de graça nós tendemos a desprezar, e que por isso é que se dão as catástrofes naturais: "A natureza é um importante auxiliar para garantir a estabilidade do sítio onde vivemos", acrescenta.


Notícia: jornal «Diário Insular».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Há quanto tempo está o orgão de tubos da Matriz de Santa Cruz ao abandono?

O mestre organeiro Dinarte Machado, cujo restauro dos órgãos do Palácio de Mafra foi reconhecido internacionalmente, vê com apreensão o futuro de uma arte e de um património, por falta de formação reconhecida pelo Estado.

Para o mestre, um dos três organeiros existentes em Portugal, o património pode vir a estar "em causa" por falta de especialistas no restauro de órgãos históricos portugueses, cuja escola de organaria cedo se começou a diferenciar da espanhola e de outras europeias, não só pelas técnicas de construção, mas também pela música tocada por esses instrumentos.

"Tenho jovens que se querem formar comigo e aprender a arte da organaria portuguesa, mas qualquer diploma que eu possa passar não tem qualquer validade, porque não tenho essa acreditação do Estado", explica o mestre.

A impossibilidade decorre da legislação, cuja última alteração data de 2009. Apesar de tudo, pela oficina do mestre têm passado muitos aprendizes, mas poucos ficam.

Depois de estudar música, o interesse pela construção dos instrumentos levou Henrique Rodrigues, 24 anos, a deixar a família e o curso superior de música no Porto, para vir aprender, como noutros tempos, com o mestre e já lá vão dois meses: "Deixei tudo para vir investir na formação. Quero ter aqui um percurso, para aumentar o meu currículo gostaria que me passassem um diploma e não ter essa hipótese é um problema", refere desanimado o jovem, que fala com paixão pela arte: "Acho que não gosto, eu amo. Não gosto de fazer sempre a mesma coisa e quando pego num tubo para restaurar... Os tubos têm sempre problemas de gravidade diferente", acrescenta.

"O meu país não tem vergonha que o livro 'O Tratado Prático da Organaria Portuguesa', que vai ser um manual para os estudantes de organaria ou de musicologia, tenha sido feito por um autodidata que não seja reconhecido pelo país?", questiona Dinarte Machado, co-autor desta obra, que reúne os únicos livros publicados sobre o património organeiro português.

Com 27 anos da arte, Dinarte Machado vê-se obrigado a não concorrer a concursos públicos, por não ter uma licenciatura, condição imposta pela legislação a partir de 2015: "É um absurdo", classifica o organeiro, adiantando que os concursos vão ficar desertos, justificando que, por um lado, não existem universidades com licenciatura em organaria em Portugal e na Europa e, por outro lado, Portugal não dá equivalência das competências aos organeiros estrangeiros.

Dinarte Machado já restaurou quase 80 órgãos dos cerca de cem que compõem o acervo histórico português, entre os quais os seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra que, ao tocarem em conjunto, são únicos no mundo. Devido ao restauro destes, empreendido ao longo de uma década, foi condecorado pelo Presidente da República e ganhou o prémio internacional Europa Nostra, em 2010.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e RTP.Notícias.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Transformar recursos naturais públicos em avultado lucro de empresas privadas

A exploração dos recursos genéticos e biológicos do mar profundo para a sua aplicação em setores como saúde, farmacêutica, cosmética e alimentação é um dos objetivos. Empresas vão ter financiamento público e um quadro fiscal muito favorável.

Ir ao fundo do mar, literalmente, e captar organismos com potencial biotecnológico para serem aplicados em indústrias das áreas da cosmética, farmacêutica, alimentação ou ambiente. É o plano que os Açores pretendem oferecer com um novo projeto de exploração dos recursos biológicos do mar. E as riquezas marítimas são muitas, algumas ainda desconhecidas.

O Governo Regional pretende transformar o arquipélago num centro de desenvolvimento empresarial na área da biotecnologia marinha, capacitado para atrair empresas nacionais e internacionais ligadas a esse setor.

O projeto, previsto para arrancar em 2015, visa explorar os recursos genéticos e biológicos do chamado mar profundo dos Açores para a sua transformação - aproveitando o conhecimento científico a eles associado - em produtos transacionáveis que ajudem a dinamizar a economia e a criar postos de trabalho. O anúncio foi feito pelo secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia na conferência BioMarine Business Convention, que é um dos mais importantes eventos empresariais sobre biotecnologia marinha a nível mundial.


Notícia: jornal «Diário de Notícias».
Saudações florentinas!!

domingo, 9 de Novembro de 2014

Reabilitação da derrocada na Fajãzinha

Está quase a fazer quatro anos que houve um grande deslizamento de terras na Fajãzinha, que arrasou parcialmente o centro da freguesia. Não houve vítimas a lamentar, mas sim a destruição de casas, estradas e caminhos. Para além dos danos materiais, ficam sempre os psicológicos. Pior ainda é, no dia-a-dia e ao longo de vários anos, "esbarrarmos" com a destruição feita pela mão do homem, que naquela altura foi necessária.

Na urgência do acesso à freguesia foi aberto um troço de estrada no antigo caminho de calçada, com o nome de Caminho da Cruzinha. Foi entrar por terra adentro, com todo o tipo de máquinas a arrasar tudo o que se encontrava à frente. Nos cerrados que noutros tempos eram de cultivo para sustento de muitas famílias arrasaram paredes que os nossos antepassados construíram com muito sacrifício para defesa dos seus bens e também para ornamentação mais harmoniosa e embelezamento da sua freguesia.

O declive desta estrada ficou tão acentuado que quando descemos atingimos a "velocidade do som". No sentido inverso, só se for com todos os santos e mais um. Que a Senhora dos Remédios nos ajude!

Ao entrarmos na Rua da Falca, está triste e abandonada. É o desalento total! Buracos e pedras na estrada, paredes e entulho empurrados para os cerrados sem qualquer "pudor". Como já referi, há quatro anos foi urgente e necessário, mas, passados estes anos, nada justifica tal abandono!

Por conhecimento em causa própria, não houve qualquer restrição por parte dos proprietários, nem exigiram qualquer recompensa monetária, mas sim o levantamento das respetivas paredes e a limpeza dos terrenos em que houve intervenções.

A freguesia é um presépio vivo vista do Miradouro do Portal, com as suas cascatas, ribeiras com águas tão cristalinas, fazendo parte da Reserva da Biosfera da ilha das Flores, mas ao entrarmos no ramal da Fajãzinha vemos que está em condições degradantes, não é atrativo e em nada condiz com o bom piso das estradas das Flores, desde Santa Cruz, Lajes até à Fajã Grande, para não falar na marginal toda "empernicada" e resplandecente que termina num canto do calhau com pedra bem batida...

Quando houve a derrocada, o ramal da Fajãzinha ficou parcialmente coberto com lamas. Na zona do Espigão há mais de dois anos foi feita a limpeza da estrada, mas o ramal continua interditado (muito embora passe quem quiser, por sua conta e com alguns riscos), não por causa da derrocada, mas pela falta de entendimento ou falta de bom senso por parte das entidades. Atiram de um lado para o outro, mas quem padece são os moradores desta freguesia. Sentem-se todos à mesma mesa, deixem as politiquices de lado, vão para o terreno, ponham mãos à obra, porque a Natureza já fez o seu traçado geológico.

Recentemente, quando choveu 124 litros por metro quadrado, na manhã seguinte passei no ramal para ver se algo de anormal tinha acontecido. Para meu espanto, não aconteceu nada de novo. Se não fosse a monda com mais de meio metro de altura, não se notava que tinha caído tanta chuva.

Querem um conselho? Não façam aquela bacia de retenção na passagem que estava planeada, porque podem ir buscar as lamas e mais água à Boca do Engenho. Façam sim regos de escoamento das águas, desde bem debaixo da rocha para o lado do tanque da água. Aí tem que ter um escoamento que passe por debaixo da estrada, nos aquedutos que lá estão, mas cheios de entulho.

Quando era pequeno, eu e alguns colegas da minha idade passávamos de um lado para o outro só para ter a adrenalina de sentir passar os poucos camiões por cima de nós, mas as águas desaguavam livremente numa pequena grota, que antigamente era o rego de passagem, mas que andava sempre limpo.

Com poucos gastos e muita boa vontade, ponham esse ramal a funcionar. Se é preciso tirar mais uma curva ou entrar mais nuns cerrados, com certeza não vai ser o fim do mundo. Do outro lado, na Rua da Falca e acesso à freguesia, é só levantar as paredes, regularizar o piso, minimizar alguns perigos bem evidentes pela má conceção e, já agora, embelezar um pouco mais os arruamentos. Ficaríamos com mais um acesso livre, que serviria de escapatória a um eventual imprevisto.


Artigo de opinião de João Ventura, originalmente publicado na edição de 6 de Novembro do jornal «Diário Insular».
Saudações florentinas!!