Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Municípios açorianos possuem devido Plano de Controlo de Qualidade da Água

Pelo quinto ano consecutivo, todas as entidades gestoras de abastecimento de água possuem um Plano de Controlo de Qualidade da Água, aprovado.

A elaboração e aplicação de um Plano de Controlo de Qualidade da Água é obrigatório por lei, sendo a sua elaboração e submissão para a aprovação da responsabilidade das entidades gestoras, nomeadamente Câmaras Municipais, Serviços Municipalizados e Empresas Municipais com a responsabilidade de fornecerem água para abastecimento das populações.

Nos Açores é responsável pela análise e acompanhamento da execução destes planos a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores (ERSARA), que desde 2010 é a autoridade competente para a qualidade da água nos Açores.

Nos Açores são 19 as entidades gestoras responsáveis pelo abastecimento de água, tendo todas estas submetido e visto aprovado os seus Planos de Controlo de Qualidade da Água, à imagem do que vem ocorrendo desde 2007.

Os Planos agora aprovados são compostos por um conjunto de parâmetros microbiológicos e químicos a serem analisados regularmente em cada um dos concelhos, monitorizando dessa forma a qualidade da água abastecida em cada uma das casas açorianas.

Este facto, por si, deverá traduzir-se no aumento dos níveis de confiança dos consumidores na água abastecida em cada um dos concelhos, indo de encontro aos objectivos estabelecidos pelo Governo Regional dos Açores nesta matéria, designadamente, ao nível do incremento dos índices de qualidade da água abastecida em toda a Região.


Notícia: «Jornal Diário», rádio Atlântida, «Correio dos Açores» e sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional].
Saudações florentinas!!

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Até Outubro devem ser "regionalizados" todos os serviços da nossa Meteorologia

Já se encontram criados dois grupos de trabalho que tornarão real a regionalização do Instituto de Meteorologia para os Açores. Um é composto por elementos do Governo Regional, através da Secretaria Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos e que iniciará, em breve, reuniões com o outro grupo, a ser criado ainda durante este mês, da Secretaria de Estado do Mar, para que assim se processe esta mesma regionalização.

Em declarações ao jornal «Correio dos Açores», José Contente salientou que “o Governo da República anuiu na eficácia e eficiência que será esta regionalização da delegação do Instituto de Meteorologia nos Açores”.

Os grupos de trabalho irão, a partir de agora, tratar das questões relativas aos recursos humanos e patrimoniais, bem como de assuntos como a salvaguarda dos tratados internacionais em matéria de organização meteorológica, preparando assim toda a parte burocrática e administrativa do processo, para que a regionalização aconteça “o mais cedo possível”. E segundo José Contente, “o mais cedo possível” é “até ao final desta legislatura”. Ou seja, segundo o Governo Regional, em Outubro, “estará tudo a funcionar no mesmo local onde o Instituto está sedeado actualmente em Ponta Delgada.

No entanto, o secretário regional salienta que “vão ser ganhas algumas sinergias, nomeadamente com a Universidade dos Açores, no âmbito da Geofísica, através de uma ligação mais estreita com o Centro de Vigilância Sismovulcânica. Para além desta, a proximidade de um serviço como este, e que é de tamanha importância para a Região, será igualmente uma mais-valia para os açorianos, em termos de segurança global e uma demonstração da centralidade dos Açores perante projectos da área da climatologia e meteorologia”.

Esta é uma pretensão que tem vindo a ser levantada ao longo dos últimos anos. Desta vez, o Governo Regional dos Açores confia que a mesma “ficará resolvida, face a algum trabalho que este executivoproduziu nesta matéria”.


Notícia: «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

BANIF pede insolvência da Castanheira & Soares devido a dívida de 24 milhõ€$

Agravam-se os problemas para a empresa de construção civil Castanheira & Soares, a maior empregadora da ilha das Flores.

O BANIF está a pedir a sua insolvência por causa de uma dívida de 24 milhões de euros. O processo judicial respectivo já deu entrada no Tribunal de Santa Cruz das Flores.

Não são de agora os problemas financeiros da Castanheira & Soares. Ainda há poucos dias foi noticiada a falta de pagamento de ordenados a trabalhadores desta mesma empresa na ilha do Corvo.

A empresa alega por seu lado ser credora de dívidas da Câmara Municipal das Velas e da Escola Profissional de São Jorge. Dívidas que ultrapassam os 6 milhões de euros, de acordo com a administração da Castanheira & Soares.


Notícia: RDP Antena 1 Açores e «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

Domingo, 29 de Janeiro de 2012

«Brumas e Escarpas» #35

O Dr Freitas Pimentel

Era eu ainda criança quando me desloquei pela primeira vez às Lajes, com o objectivo de ir buscar uma encomenda vinda da América. Fi-lo acompanhado e com uma dupla e incontida alegria. Por uma lado tinha a oportunidade de, pela primeira vez, ver, apreciar e percorrer as ruas de uma vila, que eu cuidava ser algo de muito grandioso e imponente e, por outro, animava-me a esperança de ter umas roupinhas novas e, eventualmente, um ou outro brinquedo já gasto e usado ou, simplesmente, uma esferográfica sem tinta, vinda na “saca” da América.

Nessa altura, ainda não havia estrada a ligar a Fajã Grande às Lajes, pelo que o trajecto, entre as duas localidades, era feito a pé por inteiro, atravessando a ilha de lés-a-lés, percorrendo veredas e atalhos, saltando grotas e ribeiras, subindo montes e rochas, descendo ladeiras e aclives e, por vezes, atravessando relvas e pastagens, à mistura com vacas e bezerros, a fim de encurtar distâncias e aliviar percursos. Eram quatro horas de viagem cansativa e fatigante, mas alegre e folgazona. A certa altura, cheio de sede e a arfar fadiga, bebi água em sítio onde muito provavelmente esta estaria infectada. Passados alguns dias fui acometido de febres muito altas, com a boca inchadíssima e num estado lastimável, pelo que permanecia de cama, inerte, sem poder comer o que quer que fosse. Um enorme sofrimento para mim e uma atribulada angústia para os que me rodeavam. Uma tragédia! Meu pai, aflito, nem sabia o que fazer. Na Fajã Grande não havia médico e levar-me a Santa Cruz era de todo impossível, devido à distância, à falta de transporte e ao meu estado de extrema fraqueza e acentuada debilidade.

Por feliz coincidência, nesses dias, o senhor Doutor Freitas Pimentel, à altura Governador Civil do distrito da Horta, realizou uma visita oficial à Fajã Grande, viajando num gasolina, desde as Lajes. Recebido apoteoticamente em cima do Cais, sua Excelência, acompanhado da sua comitiva, na qual já se incluíam as autoridades da ilha, dirigiu-se para a Casa do Espírito Santo de Cima, apinhada de gente, onde lhe foram dadas as boas vindas e feitos os discursos. Meu pai sabia que o senhor Governador Civil também era médico. Aguardou serenamente que todo este cerimonial se realizasse e, quando se apercebeu de que o mesmo se aproximava do fim, correu a casa, embrulhou-me num cobertor e trouxe-me ao colo até à Casa do Espírito Santo. Furando por entre a multidão, ludibriando os seguranças e resistindo à oposição de alguns membros da comitiva, aproximou-se do Dr Freitas Pimentel e solicitou-lhe que, por alma dos seus, me visse, me observasse e me receitasse algum remédio, ao mesmo tempo que me desembrulhava do cobertor.

O Dr Freitas Pimentel, apercebendo-se da gravidade do meu estado de saúde, de imediato, suspendeu a sua actividade de Governador Civil e solicitou ao seu secretário que lhe trouxesse uma pasta, donde retirou diversos instrumentos de diagnóstico médico. Observou-me, mediu-me a temperatura, auscultou-me e abriu-me a boca com uma espátula. De seguida, acalmou o meu progenitor, dizendo-lhe que eu tinha um gravíssimo ataque de piorreia mas que tudo se iria resolver. Receitou-me uma valente dose de penicilina, alguns comprimidos e um desinfectante oral, sugerindo que as injecções me fossem aplicadas o mais rapidamente possível.

Meu pai voltou a embrulhar-me no cobertor e perguntou quanto era a consulta. O Dr Freitas Pimentel, esboçou um leve sorriso, deu-lhe uma leve palmada nas costas e disse-lhe apenas:

- Vá depressa, homem. Vá depressa a Santa Cruz ou às Lajes comprar as injecções, que as não há aqui na Fajã.

Cumpriram-se com rigor as prescrições médicas e, alguns dias depois, eu estava são que nem um pero e meu pai aliviado.

Passaram-se mutos anos, sem que nunca mais visse o dr Freitas Pimental. Certo dia, porém, ao embarcar no aeroporto da Horta, dei com ele, só, abandonado, triste e melancólico, num canto da sala de espera. Cuidei que era a altura de lhe agradecer o que ele, há muitos anos, fizera por mim. Com alguma hesitação, aproximei-me, cumprimentei-o e apresentei-me, recordando o episódio de há muitos anos em que ele me havia curado. Que se lembrava muito bem das suas idas à Fajã Grande, mas não se lembrava de me ter tratado. Que procurara sempre ajudar a todos, mesmo quando lhe solicitavam cuidados médicos. Que nunca se recusara a tratar um doente e que sempre o fizera, sobretudo, naquelas localidades onde, na altura, não havia médico.

Agradeci-lhe mais uma vez e despedi-me. Para espanto meu, o antigo Governador Civil da Horta disse-me:

- Muito obrigado por ter vindo falar comigo!


Carlos Fagundes

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Carlos Mendes: uma vida de aventura

Projectos
Ribeira dos Algares(ilha das Flores)Depois de tantas histórias, é inevitável perguntar a Carlos quais serão as suas próximas aventuras e o que tem na manga para os próximos tempos. “Basicamente, o que quero fazer é, juntamente com os meus irmãos, criar um conjunto de animação turística para que uma pessoa, quando visita a ilha das Flores, consiga ter meios para se deslocar e ter um ‘pacote’ completo de animação. Essa é a grande vantagem de trabalhar em família. Se um cliente vem e quer ficar num hotel tem o hotel dos meus pais, se quer passear, caminhar ou mergulhar pode fazê-lo comigo e se, ao mesmo tempo, pretende manter-se em forma pode ir para o ginásio do meu irmão e depois jantar no restaurante do meu outro irmão. Fica tudo em família e o tratamento é simplesmente o melhor.”

Para além disso, outro dos grandes objectivos de Carlos é incentivar cada vez mais as pessoas da ilha a praticar desporto e a usufruir da ilha. “Lembro-me de há 10 anos vestir uns calções de lycra para andar de bicicleta e as pessoas gozarem comigo. Quando chegava a ilha do Corvo, metia a mochila às costas para subir a montanha e ir fotografar, mas as pessoas diziam que eu era doido, que devia era estar em casa. Naquela altura as pessoas não desfrutavam do que tinham à sua volta. Ficavam no sofá, a ver televisão e a ‘contribuir para as farmácias’. Felizmente, houve uma evolução nesse sentido e, hoje em dia, vejo imensas pessoas de cá a praticar desporto. Num meio pequeno é complicado, tudo demora mais tempo.”

Para além de continuar a contribuir para o bem-estar das pessoas e influenciá-las a ter uma vida mais saudável, Carlos também pretende alcançar uma nova meta: subir até aos sete mil metros no Nepal. Mas, enquanto este novo desafio não é atingido, Carlos irá continuar a preservar e a partilhar os encantos naturais da sua ilha e, em breve, poderá fazê-lo com alguém muito especial ao seu lado: o seu filho, que irá nascer brevemente e a quem, certamente, irá transmitir todas as suas paixões e valores.


Parte 3 de 3 da entrevista realizada por Magali Tarouca e publicada na revista de aventura «OutDoor» na sua edição do mês de Janeiro.
Saudações florentinas!!

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Na festa de homenagem a José Amorim

É sempre triste quando se recebe uma notícia do falecimento de um ente-querido, de um amigo, de um conhecido. Neste último caso, chegou-me mais uma de tristeza, através de um artigo alinhavado por Renato Moura, também colunista deste matutino e com residência em Santa Cruz das Flores. A paradisíaca ilha das Flores que visitei pela primeira vez, ao serviço de «A União», e acompanhando o Lusitânia, para fazer cobertura da homenagem prestada ao guarda-redes do Boavista, o agora falecido José Amorim que, manda a verdade dizer, ficou radiante com a nossa presença, visto se tratar de um jornal com expressão na ilha Terceira e consequentemente nos Açores. Isto aconteceu em 1984, com o Lusitânia a realizar primeiro um jogo em São Miguel e, depois, partida para a ilha das Flores e cuja população de Santa Cruz nos recebeu com muito carinho e o José Amorim sempre presente com aquele ar de felicidade pelo facto do mais campeão dos Açores participar na sua festa, que não sei se foi de despedida. De homenagem, sim, e de todo merecida pela grande figura que foi José Amorim ao serviço do futebol florentino. E encaixa muito bem esta frase do presidente do rival Minhocas: “Amorim está para o futebol das Flores, como o Eusébio para o do Benfica”, óbvio dentro da relatividade das coisas.

Com a presença do Lusitânia foi uma jornada de excelente confraternização e de muito divertimento, à noite, na residencial do Machado, que, como se sabe, é terceirense (Fonte do Bastardo) e se fixou nas Flores. Nesse ano, o João Luís (“o Zenite”) jogava no Lusitânia e o irmão fez questão de acompanhar a caravana, para mais que lá estavam alguns amigos mais íntimos, destacando, nomeadamente, o presidente e vice-presidente, respectivamente, Guilherme Carvalhal e Jorge Valadão, para além de outros amigos, tais como, o próprio Couto (treinador), Valdir e Ramiro. Contudo, numa bela noite, no hall da residencial onde funcionava o bar, o nosso bom amigo Avelino Luís Gonçalves, perante a presença do José Amorim e de outras pessoas ligadas à organização da festa, viu-se a braços com uma situação de algum modo "tragicómica”, sem pontinha de exagero. Os dirigentes do Lusitânia tentaram vestir-lhe uma camisa do clube para uma foto de posteridade. Jamais o “pequenino”, que hoje é o grande presidente do Angrense, se deixou levar naquela onda verde-e-branca, rolando-se pelo chão e daí os seus amigos não conseguirem concretizar os intentos da tal foto que no fundo teria uma pitada de sacanagem, sabendo-se que o Avelino Luís Gonçalves sempre se revelou um anti-lusitanista. Eu próprio, confesso, fiquei surpreendido com a sua presença, mas, também, acabei por compreender que ele ali estava pelo irmão e pelos seus amigos Guilherme Carvalhal e Jorge Valadão. O José Amorim, que chegou a ser guarda-redes do Angrense, revelou-me que, no tempo em que esteve na ilha Terceira, frequentava muito a Zenite e que muito conversava com o senhor Avelino.

Depois de contada esta história, cabe-me dizer que, em representação deste jornal «A União», em Agosto de 1984, tive o grato prazer de estar na festa de homenagem do José Amorim em Santa Cruz das Flores. E porque nunca me esqueço das pessoas que fazem parte do meu trajeto jornalístico (48 anos, será pouco tempo?), não podia, de forma alguma, deixar de falar do José Amorim, falecido no dia 13 de Janeiro. Pena, realmente, e segundo o que descreveu o Renato Moura, que muitos outros colegas do futebol, incluindo dirigentes, não estivessem presentes no último adeus a um homem que no futebol - e não só nesta actividade - deu muito à ilha das Flores.

Descansa em Paz, José Amorim, velha glória do futebol florentino e cidadão que todos se habituaram a respeitar.


Carlos Alberto Alves
Artigo do jornalista terceirense Carlos Alberto Alves, n' «A União».

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Carlos Mendes: uma vida de aventura

A Montanha
Na ronda dos AnnapurmasUns quantos metros acima da linha do mar, Carlos encontrou outra paixão: a montanha. “Tinha cerca de 13 ou 14 anos quando chegou um grupo de suíços para explorar a ilha, pessoas que ainda hoje nos visitam. O meu pai, que tinha uma residencial, acolhia-os, e nós transportávamo-los numa carrinha de caixa aberta e deixávamo-los na entrada do trilho – era aí que começava o meu papel. O meu pai pedia-me para os guiar, pois os trilhos não tinham sinalização, e era assim que passava as minhas férias do Verão. Guiava turistas de um lado para o outro e, nas folgas, ia para o mar. Foi assim que nasceu a paixão pela montanha, tendo já subido o Island Peak e o Kilimanjaro, entre outras. Mais tarde surgiu a oportunidade, com o João Garcia, de ir aos Himalaias e, daí em diante, a minha paixão fortaleceu-se mais ainda”.

Mas, para quem vive todos os dias ao nível do mar, nem sempre é fácil a adaptação à montanha. No Island Peak (Imja Tse), cujo topo rodeia os 6.200 metros, “enquanto vários amigos que foram na mesma expedição se aclimataram facilmente, já eu tive alguma dificuldade, tendo demorado um ou dois dias a mais do que eles. Porém, depois de estar aclimatado, talvez devido à prática de mergulho livre, recuperava o fôlego muito mais facilmente do que eles, pois a pulsação baixava mais rapidamente. A primeira vez que atingi os 5 mil metros foi doloroso e passei uma semana com dores de cabeça, mas hoje já consigo reconhecer os erros que cometi na altura. Agora faço a aclimatação sem problemas”. Foi nesta expedição, em 2005, nos Himalaias, com o João Garcia, que Carlos conseguiu um feito único para os açorianos: colocou uma bandeira dos Açores mais alta do que nunca, precisamente nos 6.200 metros.

Canyoning Salto Alto Ribeira da SilvaPara além do mergulho e da montanha, Carlos confessa que é um desportista universal. “Pratico tudo o que me provoca adrenalina e que me permita desfrutar da natureza, sem a estragar. O canyoning é um exemplo disso mesmo. Adoro descer as ribeiras e, pelo que eu vejo e muitas pessoas me dizem, a ilha das Flores deve ser um dos melhores sítios da Europa para a prática deste desporto. Tem um potencial enorme e é pouco explorado. A costa da ilha é fantástica. Vemos debaixo de água relevos idênticos ao que a ilha tem por cima, ou seja, são bastante acidentados. À superfície, a ilha muda de quilómetro para quilómetro, mas debaixo de água, as mudanças ocorrem de 10 em 10 metros. Com um ginásio natural destes, eu consigo preparar-me para qualquer coisa”.

A determinada altura perguntamo-nos: será que não existe nenhum desporto em que Carlos seja menos bem sucedido? A sua resposta é quase automática e vem acompanhada de uma gargalhada: “Parapente! Esse desporto joga com uma força natural que é o vento, e eu não o consigo dominar. Talvez pela ilha em si, pelos ventos cruzados, pelos vales da ilha, pela quantidade de vegetação e pela deslocação de massas de ar térmicas. Uma vez, decidi voar com um amigo meu mais experiente. Ele preparou a sua asa, levantou voo e eu achei que era uma coisa fácil. Quando me preparei para levantar, não reparei que o vento tinha aumentado e que estava no seio de uma ascendente muito rápida. Sem me aperceber do perigo, preparei a asa e, assim que faço um pequeno gesto para esta levantar, o vento insuflou a asa e subi uns 200 metros sem ter que fazer coisa alguma — parecia-me que estava tudo bem. Mas, entretanto, o meu amigo aterrou e começou a tentar dar-me algumas indicações para eu aterrar. Eu tentava seguir as indicações, mas, assim que estava quase a aterrar e a tocar com os pés no chão, voltava a levantar voo de novo. Ele estava mais preocupado do que eu e não parava de me dar instruções, mas com a força do vento eu não ouvia absolutamente nada. Passada meia hora com várias tentativas falhadas para aterrar, resolvi tentar puxar as últimas duas linhas da ponta da asa (manobra de emergência). Ao fazer isso, corria o risco de ter uma queda abrupta, mas como estava tanto vento eu pensei que não ia correr esse risco. Assim, puxei essas cordas com tanta força que até me cortaram os dedos... mas nunca as larguei até sentir os pés tocarem no chão. Ingenuamente, passei a achar que era fácil aterrar, pelo que levantei voo outra vez. Porém, quando puxo outra vez as duas cordas para aterrar, e já muito perto do chão, um vento traseiro fez com que eu fosse a bater com o rabo numa série de plantas, até que fiquei instalado num enorme campo de silvas. Levei mais de 3 horas para sair dali, já era de noite e o parapente acabou por ficar lá. E foi assim a minha primeira aventura de parapente”.

Mas as histórias vividas por este intrépido jovem não se ficam por aqui e davam direito a escrever um livro de aventuras de fazer inveja a qualquer Indiana Jones. Aqui fica mais uma digna de nota. “Aos 15 anos, com um grupo de escuteiros, resolvemos subir a montanha do Pico. Assistimos a um pôr do Sol fantástico e tudo correu bem. A madrugada é que foi agitada. Um amigo meu, a meio da noite, diz: Carlos estou com uma grande dor de barriga. Não havia ali nada que pudéssemos fazer. Eram 5 da manhã, estava um vento fortíssimo lá fora, e estava quase a chover. Estávamos na cratera do Pico, recolhidos numas grutas vulcânicas com uns 10 metros de profundidade, mas pouco mais de um metro de altura, e tínhamos de rastejar por cima de muitos companheiros para conseguir chegar à rua. Mas a dor dele era tão forte que tivemos mesmo de sair para o exterior. Então, viemos por ali a baixo, a descer a montanha do Pico ‘às cambalhotas e trambolhões’, no meio da chuva, do vento e do nevoeiro serrado, apenas com uma pequena lanterna na mão. Para complicar a situação um pouco mais, na altura não havia marcos de sinalização, apenas umas pedras aqui e ali para indicar o caminho. Apesar de tudo, conseguimos descer e, finalmente, encontrámos a carrinha da Polícia, (hoje em dia existe uma casa de guarda) que estava ali para o caso de acontecer alguma coisa com as pessoas que sobem ao Pico. Levaram-nos ao hospital e descobrimos que o meu amigo tinha uma apendicite “, relembra Carlos.

CORNOS DEL PAINE CHILE (auto foto)Como bom aventureiro que Carlos é, seja qual for a parte do Mundo em que se encontre, a adrenalina acompanha-o sempre, como nos conta através de mais uma das suas histórias emocionantes. “Há uns anos fiz uma viagem à Patagónia. Quando cheguei a Buenos Aires, no meio de uma revolução, a primeira coisa que vejo é um cartaz enorme com letras vermelhas a dizer: ‘NO TAXI - peligro de secuestro’ (Não apanhar Táxi - perigo de sequestro). Perante isto, pensei: se calhar o melhor é apanhar um avião e regressar a casa. Mas, achei que não tinha nada a perder, pois não levava nada de valor comigo. Felizmente, não aconteceu nada e consegui desfrutar, embora houvesse manifestações por todo o lado. Após ter visitado a cidade de Buenos Aires, prossegui em direção a Sul, para a Patagónia. Comecei pelo litoral para ver as baleias, depois entrei nas zonas mais montanhosas e, quando cheguei à Terra do Fogo, quis logo agarrar num caiaque e fazer uma travessia. Foi uma viagem que jamais esquecerei, vivi-a intensamente e é um dos sítios mais bonitos do mundo, tal como a Nova Zelândia. Na Patagónia tive a oportunidade de fazer um voo de avioneta, durante 90 minutos, sobre os Andes. Fui filmando e fotografando lagos de várias cores, as montanhas - Cornos del Paine, Fitzroy, Cerro Torre e os fantásticos glaciares (Perito Moreno, Grey e Viedma). Também gostei muito do voo que liga Katmandu a Lukla, mas nada como esta experiência na Patagónia”.


Parte 2 de 3 da entrevista realizada por Magali Tarouca e publicada na revista de aventura «OutDoor» na sua edição do mês de Janeiro.
Saudações florentinas!!

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Carlos Mendes: uma vida de aventura

A melhor maneira de descrever Carlos Mendes, seria dizendo que é um apaixonado pela natureza, pelo mar, pela aventura, pela paz de espírito, pela adrenalina – em suma, um apaixonado pela vida! Com apenas 37 anos, a sua história de vida é tão vasta e preenchida que mais parece estarmos a falar com alguém que já viveu duas vezes. Instrutor de mergulho e skipper de profissão, desportista de coração, Carlos nasceu e vive num dos maiores paraísos do planeta, plantado no meio do Oceano Atlântico: a ilha das Flores, um local que afirma conhecer como a palma da sua mão, tanto acima como abaixo da linha do mar. A revista «Outdoor» esteve nas Flores com Carlos, passeou no seu barco pela ilha, fotografou o mais belo nascer e por do Sol e percebeu, ao vivo e a cores, porque é que ele assegura que jamais abandonará a terra, nem o mar, onde nasceu.

Apesar de ter crescido numa ilha, não se pode dizer que a paixão pelo mar tenha vindo de geração em geração. Embora a sua mãe tenha nascido na ilha de São Miguel e o pai na ilha Terceira, nenhum dos dois tem uma grande ligação ao mar. Este foi um interesse que nasceu com Carlos. “Quando era pequeno adorava ver os programas do Jacques Cousteau. Muitas vezes estava à espera que o programa começasse e, de repente, o tempo na ilha piorava e a televisão começava a dar a preto e branco, perdia o som ou, pura e simplesmente, ficava toda aos riscos e não se conseguia ver nada. Era uma frustração para quem ficava uma semana inteira à espera daquele momento”, relembra Carlos.

Mas Carlos não se limitava a ser um mero espectador dos programas que povoavam a sua imaginação de criança. “Nessa altura, eu e os miúdos aqui da ilha, íamos para o porto de pesca e tentávamos imitar o mergulho de garrafas. Metíamos umas mangueiras nas bóias para tentar chegar a, pelo menos, um metro de profundidade. Hoje percebo que isso é impossível por causa da pressão mas, na altura, parecia que tudo funcionava”.

Tentativas frustradas à parte, Carlos aventurou-se a sério pelo mar quando teve o seu primeiro barco. “Vinha um veleiro das Caraíbas, que fundeava na baía de Santa Cruz e, certa vez, com falta de alimentos, negociou com o meu pai trocar comida por um barquinho pequeno de fibra. O barco, com um motor de 2 cavalos, pouco andava, mas permitiu-me ter uma maior autonomia para explorar a ilha.”

A partir daí, Carlos tornou-se um autodidata e começou a explorar uma série de vertentes de desporto aquático, uma delas o mergulho. “Ninguém praticava ou ensinava mergulho, e como os meus pais não tinham qualquer ligação ao mar, não me apoiaram muito nesta aventura. Lembro-me de vestir umas t-shirts e uns fatos de treino, o mais justos possível, para evitar a queimadura de uma alforreca. Estava dez minutos dentro de água e meia hora em cima de uma rocha a tremer de frio e a ver se o Sol me aquecia.


A fotografia subaquática
Peixe Mero na  ilha das Flores Ao descobrir um mundo novo debaixo de água, Carlos quis começar a registar toda a magia que via e sentia quando mergulhava. Desta forma, desenvolveu um novo interesse - a fotografia subaquática. “Na altura tinha de ser em slide e era difícil obter boas imagens. Aqui na ilha havia uma loja que revelava as fotos, mas era tudo caríssimo e vinham sempre com umas cores muito esquisitas. Depois comprei uma câmara melhor, com um flash grande e aí comecei a obter resultados mais satisfatórios. Com a entrada no digital, tudo melhorou. A fotografia subaquática sempre foi muito complicada, mas como não havia muita gente a fazer, era uma área onde nos podíamos destacar. Contudo, a realidade açoriana é muito limitativa em termos de aprendizagem, um obstáculo que só consegui ultrapassar há cerca de dez anos, altura em que os Açores começaram a sofrer uma mudança no turismo, atraindo muitos fotógrafos profissionais por razões publicitárias. Foi através deles que aprendi mais sobre fotografia, começando por perceber como é que a câmara funcionava, posteriormente, como procurar os melhores enquadramentos. Desde então, tenho vindo a aprofundar a minha técnica.”

Parte 1 de 3 da entrevista realizada por Magali Tarouca e publicada na revista de aventura «OutDoor» na sua edição do mês de Janeiro.
Saudações florentinas!!

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

«Tenham a bondade de o auxiliar...»

"Devo receber 1.300 por mês, não sei se ouviu bem 1.300 euros”, disse Cavaco Silva aludindo à sua pensão da Caixa Geral de Aposentações. Além disso, terá também direito à pensão do Banco de Portugal. "Tudo somado não dá para pagar as despesas", frisou Aníbal Cavaco Silva, presidente da República portuguesa.

Notícia: jornal «Público».

Na última declaração de rendimentos que Aníbal Cavaco Silva depositou no Tribunal Constitucional constavam os seguintes dados:

1. Trabalho dependente

Em 2010, Cavaco Silva reportou rendimentos de trabalho dependente que ascenderam a 138.942,02 euros.

2. Pensões

Entre o fundo de pensões do Banco de Portugal e a reforma da Caixa Geral de Aposentações, em 2010 o Presidente da República recebeu 141.519,56 euros.

3. Depósitos à ordem

De acordo com a declaração entregue no Tribunal Constitucional, Cavaco Silva era, em 2010, titular de quatro contas à ordem, cujo valor total era de 41.417,16 euros, distribuídos da seguinte forma: BCP (16.881,65 euros), BPI (5.543,24 euros), CGD (10.688,15 euros) e Montepio Geral (6.304,12 euros).

4. Depósitos a prazo

Cavaco Silva surgia, em 2010, como titular de cinco depósitos a prazo: BCP (185 mil euros), BCP (175 mil euros), BPI (91 mil euros), BPI (141 mil euros) e CGD (20 mil euros); num valor total de 612 mil euros.

5. Plano Poupança Reforma (PPR)

O Presidente da República é detentor de um plano de poupança reforma que, no final de 2010, tinha 53.016,21 euros.

6. Obrigações

Cavaco Silva reportou também uma aplicação em obrigações, constituída na CGD, que era no valor de 15 mil euros.

7. Acções

O Presidente da República declarou ter 101.960 acções de 10 empresas portuguesas, incluindo da Jerónimo Martins e do BCP.

8. Subvenção vitalícia

Cavaco Silva foi primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995 e teria direito a receber, todos os meses, uma subvenção vitalícia mas renunciou a este direito.

9. Vencimento de Presidente da República

Em 2011, os aposentados que prestam serviço remunerado em serviços públicos ou que ocupam cargos públicos, passaram a ter de optar entre receber o vencimento ou a pensão. Cavaco Silva optou pelas reformas, prescindindo assim do vencimento de 6.523 euros que a lei atribui ao Chefe de Estado.

10. Despesas de representação

Apesar de não receber o vencimento de Presidente da República, Cavaco Silva tem direito a receber mensalmente o valor referente às despesas de representação que rondam 2.900 euros.


Notícia: portal «Dinheiro Vivo».

Já vai a caminho das 30 mil assinaturas a petição com Pedido de "Demissão" do Presidente da República.

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Novas direcções técnicas iniciam funções nas Unidades de Saúde de ilha

Nove ilhas, nove Unidades de Saúde de ilha. É este o novo modelo que hoje entrou em funcionamento nos serviços de saúde na Região Autónoma dos Açores.

Um único conselho de administração em cada ilha passa a gerir os Centros de Saúde, com ou sem internamento. Até agora só Graciosa, Pico e São Jorge tinham Unidades de Saúde de ilha. Com esta nova estrutura há também mudanças nos Centros de Saúde: deixam de ter conselhos de administração, passando a ter um director clínico e outro de enfermagem.

Em Santa Cruz das Flores, os lugares são assegurados por Emiliana Dias e pela enfermeira Eunice Lima, respectivamente na direcção clínica e direcção de enfermagem do Centro de Saúde. A médica Emiliana Dias acumula a direcção clínica com a presidência do conselho de administração da Unidade de Saúde de ilha.

A partir de agora, "um único conselho de administração em cada ilha passa a gerir os Centros de Saúde [dessa ilha], quer tenham ou não internamento, existindo em cada Centro de Saúde um director clínico e outro de enfermagem", afirmou a directora regional da Saúde. Sofia Duarte recordou ainda que, no anterior modelo que estava em vigor, cada Centro de Saúde tinha o seu conselho de administração, passando agora a existir apenas uma administração para gerir todos os Centros de Saúde que existirem em cada ilha açoriana.

A directora regional da Saúde destacou "as mais valias" e a "eficiência económica" que esta mudança provocará na estrutura organizativa, alegando que "permite uma melhor gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros".


Notícia: RDP Antena 1 Açores.
Saudações florentinas!!

Domingo, 22 de Janeiro de 2012

“Parque Aberto” com novas iniciativas

À semelhança do que é feito em outros parques da Região, também o Parque Natural da ilha das Flores tem uma agenda de actividades abertas à população, denominado ‘Parque Aberto’.

Este conjunto de actividades prolonga-se até Abril. Durante este período serão promovidas várias acções gratuitas com o intuito de envolver a população na descoberta do seu próprio património e dar a conhecer os detalhes mais emblemáticos e cativantes dos Parques Naturais.

É desta forma que os Parques apresentam um conjunto de iniciativas diversas, que nos levam a conhecer mais profundamente a beleza natural e as especificidades destas áreas. Percursos pedestres, maratonas fotográficas, aventuras infantis nos diversos Centros de Interpretação Ambiental, oficinas e workshops, exposições e desportos de natureza, são alguns dos exemplos de actividades em que poderá participar.

Com a implementação deste projecto de sensibilização, que decorrerá ao longo de meses, pretende-se aumentar a consciência ambiental e dar a conhecer a importância fundamental da qualidade natural e ecológica das ilhas dos Açores. Assim contribui-se igualmente para a sustentabilidade e qualidade de vida de todos os residentes.

Saudações florentinas!!

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Descoberto o gene que influencia início precoce da doença de Machado-Joseph

Um estudo desenvolvido por um grupo de investigação liderado por Manuela Lima, da Universidade dos Açores, permitiu descobrir um gene que influencia a idade de início da doença de Machado-Joseph.

O gene da Apolipoproteína E (APOE), uma proteína que participa no transporte e no metabolismo do colesterol, tem um papel modificador na doença de Machado-Joseph, estando a presença de uma variante específica deste gene associada a um início mais precoce dos sintomas da doença.

A partir desta descoberta é possível saber que uma pessoa, que tenha a alteração genética que causa a doença de Machado-Joseph e também uma alteração genética no gene da APOE, vai ter uma idade mais precoce de início da enfermidade.

Esta nova contribuição científica vai permitir melhorar a previsão do início da doença de Machado-Joseph e, em estudos futuros, poderão ser desenvolvidas terapias dirigidas a este gene de modo a que se possa atrasar, de alguma forma, o seu início.

“Trata-se de mais conhecimentos sobre os aspectos genéticos desta doença e que podem permitir o desenvolvimento de terapias que possam pelo menos atrasar o seu início”, revelou a investigadora Conceição Bettencourt.

Para já estes novos dados [publicados em artigo científico na revista «Archives of Neurology»] vão dar aos geneticistas novos meios para os ajudar a prever o início da doença de Machado-Joseph, constituindo assim mais um elemento para o aconselhamento genético.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Telejornal» da RTP Açores.
Saudações florentinas!!