«Preto no Branco» #45
I - Que maravilha!
Dois dos sete prémios foram para os Açores, Região que ganhou o concurso em termos parciais e absolutos. É um marco importante para a afirmação do Arquipélago no Mundo, enquanto maior santuário natural do País e da Europa, e uma das relíquias da Biosfera. O Governo Regional empenhou-se muito neste concurso e o investimento foi uma aposta ganha. Desde 2003 que o autor destas linhas anda a defender que as 9 ilhas, ilhéus adjacentes, bem como o mar e os fundos marinhos, que lhes pertencem, deveriam ser classificadas, em conjunto, como Património Natural da Humanidade. É uma solução a la longue, a qual requer uma visão arrojada e desprendida de complexos de pequenez. A mesma pequenez que julga que grandeza é fazer nascer hotéis como cogumelos, e depois é vê-los “às moscas”, improvisando-se então pacotes turísticos de 3ª categoria, através dos quais quase se implora a hordas de turistas que venham encher essas infra-estruturas, enchendo-nos os olhos. A mesma pequenez que, descendo um degrau, não foi capaz de colocar as Flores entre as 7 Maravilhas de Portugal... caso será para dizer - “o que nos abunda em beleza falta-nos em sabedoria”.
II - Vai uma imperial?
Desconhecemos se a medida foi tomada em todas as festas de Verão que se realizaram nas Flores. Mas merece nota e registo o facto de, pelo menos na Festa de São João, ter sido estipulado pela autarquia que não poderiam ser vendidas nas tascas cerveja em garrafas de vidro, “impondo-se”, com toda a razão, a utilização dos barris de pressão. Curioso foi notar que toda a gente percebeu o alcance da medida e mostrou concordância com o sistema adoptado. É um bom exemplo, que deve ser seguido e alargado a outro tipo de bens de consumo. Todavia, em matéria de resíduos quase tudo está por fazer nesta Reserva da Biosfera. Nesta terra, continua a não haver um único ecoponto; separação de lixo, nem ouvir falar dela; há um único cartaz alusivo ao estatuto alcançado junto da UNESCO na esconsa sala de recolha de bagagens da Aerogare; exportação de papel, vidro e plásticos, isso continua a ser uma miragem; para a lavagem dos contentores, que tresandam, parece que falta água e sabão... enfim, é uma lista que nunca mais acaba... os principais responsáveis locais, caso precisem de aprender como se faz, não precisam de grandes deslocações ou conferências... basta ir ao Corvo e ver as medidas que ali estão a ser tomadas, isto, para não falarmos do incremento à utilização das energias renováveis, pois, se é certo que temos vento, também não é mentira que a ocidente também faz Sol.
III - O pão nosso de cada dia...
Não faltam entidades fiscalizadoras disto e daquilo. Para não falar da famosa ASAE, ele é Instituto para cá, Autoridade para lá, Inspecção disto, Serviço daquilo. A todos esses “corpos expedicionários” que também demandam a ilha das Flores de vez em quando, soma-se, muitas vezes, vamos dizer assim, “um agudo sentido de vigilância” da parte dos florentinos, os quais, na maioria dos casos, costumam saber de cor os números verdes ou azuis de todas esses organismos, e chega a ser impressionante o “sentido de cidadania” com que, por exemplo, o Sr. A liga para a Polícia a dizer que o canto do galo do Sr. B incomoda; que o Sr. C denuncia o Sr. D por que este apanhou uma espécie de pescado dois milímetros fora do tamanho permitido; que o Sr. E faz queixa do Sr. F por causa do bovino que comeu duas maçarocas no terreno alheio, e por aí fora... digamos que a ilha é um Big Brother notável em tudo quanto é miudeza. Ora, atentas as proporções, no que seria de esperar relativamente à escala da gravidade, é de espantar que não tenha havido ainda uma manifestação à porta da padaria! ... O pão da ilha das Flores anda literalmente intragável. Umas vezes é vendido cru, outras esturricado; uns dias não tem sal, outros é pilha; tanto apresenta no miolo bolas de farinha, como cavidades semelhantes à da Gruta dos Enxaréus. Por mim, acho que não há necessidade de reclamar para aqui ou para ali. Corria-se o risco da padaria ser fechada e era pior a emenda que o soneto. Bastará dizer, alto e bom som, que o que se passa é uma autêntica vergonha, e que basta de fazer porcaria!
Preto no Branco,
Ricardo Alves Gomes
Vem isto a propósito da
nalguns casos muito preocupantes e reveladores de que a palavra «miséria» entrou de novo no nosso quotidiano, com um grau de gravidade que há muito não conhecíamos e estávamos habituados a considerar uma «história do passado».
indeclinável papel que cada membro da comunidade, individualmente, e cada família, por junto, têm o dever de continuar a exercer, não obstante a rede de mecanismos directa ou indirectamente apoiados pelo Estado, incomparáveis com o suporte que existia dantes.
Várias são as instituições de solidariedade social e muitos são aqueles que através delas dão o exemplo de como bem aplicar os recursos disponíveis, para além das suas acções no dia a dia serem pautadas por um sentido de «dever», «serviço», «missão», e até «sacrifício», que não têm preço e não estão escritos em lado nenhum, mas antes traduzem os bons princípios que devem presidir a conduta de quem oferece o seu labor à causa social/comunitária. Esses hão-de rever-se nestas linhas. Outros não... santa paciência! Há verdades que a verdade manda dizer: Assim, não pode ser!
Não há vila ou concelho que não tenha: uma Santa Casa da Misericórdia; uma Casa do Povo; uma Associação ou Movimento de benemerência disto ou daquilo; um Agrupamento de Escuteiros; um Centro da Cáritas; uma Obra da Paróquia; um Lar de Idosos; um Serviço de Acção Social Municipal; uma repartição dos Serviços de Segurança Social do Estado... e o "diabo a sete". Capelas e mais capelinhas e mais capelas!
Sabem por que é que essas entidades, muitas vezes, na verdade, são criadas e para que servem? Para sorver dinheiro ao Estado - a "fonte" acaba por ser sempre o orçamento público - para justificar uma sede, órgãos sociais, um departamento administrativo, (que alberga filhos e enteados), recursos e meios, ao serviço dos interesses dos capatazes, por sua vez "feitos" com a necessidade de albergar as sua "clientelas", que lhes justificam o sustento... Isto tem que ser dito, de nada vale assobiarmos para o lado ou sermos hipócritas.
A classe média, maioritária, está “entalada” pelos Bancos até à raiz dos cabelos. Nos Açores, vão valendo os subsídios à lavoura, os “favores” públicos e os rendimentos mínimos, para assegurar liquidez às famílias.
Caiu largas vezes, definitivamente, nas mãos de caciques da pior espécie, que pensam assim: "vamos criar/ocupar uma instituição porque depois isso dá direito a protocolos com a Autarquia e o Estado e é uma maneira de sacar dinheiro e benesses”.
De todos, aqueles que mais marcam são, em princípio, os da instrução primária. Marcam os alunos e os pais, as escolas e as comunidades, as gerações e os tempos, as histórias e os percursos... marcam os destinos de uma criança.
A D. Manuela, com elevado mérito, honrosa distinção e louvável brio, soube preservar, recriar, vincar e configurar o emblema da
Contam-se hoje 29 anos sobre a morte de 
caindo-se, amiúde, na tentação fácil de adjectivar o que se passa «em Lisboa», como se a Capital fosse uma cova de ladrões e a mais recôndita das ilhas [fosse] um atol alheio aos esquemas da perversão do Sistema. Como se a clamada urgência popular na limpeza que se impõe «por lá», fosse uma necessidade estranha à realidade «de cá». Não é. O que acontece é que é muito mais fácil abrir a boca sobre os escândalos que ninguém toma por seus, ou dos seus vizinhos, no lugar de levantar o dedo sobre o que vê, todos os dias, mesmo debaixo do nariz.
Em coerência, no essencial,
A Oposição foi «pêra doce»; o Governo [Regional] investiu bastante; houve dinheiro com fartura; a gestão e legalidade da Administração Municipal estão documentadas com rigor, clareza e transparência; a «máquina de propaganda» trabalhou sem descanso; os «homens do Presidente», sempre unidos, executaram as «ordens superiores»; os avençados/mercenários zelaram pelo «bem da nação», sempre em frente...
Pode ser «perigoso» participar em «ajuntamentos suspeitos». O «melhor» é estar de «bico calado». Aos do «reviralho», resta sussurrar com cautela ou, não tarda, são «chamados», podendo ver inviabilizadas as benesses, normalmente concedidas àqueles que servilmente se ajoelham à «situação».
Pois... Avelino Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e outros dizem o mesmo.
Cabe-lhe, então, encontrar a solução mais adequada para um problema que ele próprio criou! Ou será que já tem uma solução à vista... mas não a pode dizer, antes das eleições? A isto chama-se alimentar a subsídio-dependência, ou «segurar as pessoas pelos queixos».
Ora, se a Oposição nunca lhe fez oposição, se o Governo [Regional], como o próprio reconhece, está a atender às reivindicações apresentadas, se o Povo está calado... só pode ter sido alvo dos seus próprios actos, ou dos de «algum Judas» que com ele se senta/sentou à mesa...
Isso nota-se. Sobretudo nas «notas de campanha» que as pessoas vão comentando diariamente, à boca pequena.
O candidato da Oposição (que ganhou os dois debates, embora muito longe de ter esmagado) preferiu não entrar por aí, remetendo a palavra para os eleitores, no próximo domingo.
o
Uma comunidade que assiste e permite, com total apatia, a inauguração de uma capela mortuária, cujo programa, dias antes, foi distribuído porta a porta, (com o timbre da Junta de Freguesia assinado pelo punho do seu mais directo representante), em que consta «descerramento de lápide», «bênção» e «discurso» seguido de «cocktail» no salão de festas da Sociedade Dr. Armas da Silveira... só pode ter batido no fundo!
- Em São Bento, temos um Governo de gestão que, fechadas as portas de Belém, e com tantas cortinas de fumo, não sabe com que linhas se vai coser. Tudo passará a ser incógnita. A especulação, boato, desconfiança, negociação e impotência farão dos bastidores o palco principal. Não é crível que possa cumprir o Programa de Governo, sobretudo quando vai estar em minoria na Assembleia da República. Aos ziguezagues foi Guterres...
Tudo isto concorre para dar cabo do Estado de Direito Democrático.


