domingo, 30 de novembro de 2008

Dois jovens ficaram gravemente feridos num acidente de viação nas Flores

Vinham do seu habitual treino desportivo diário quando, do nada, o condutor da carrinha que os transportava foi surpreendido pela presença de um veículo pesado parado na faixa de rodagem em que circulava. Dois jovens acabaram feridos com elevada gravidade, tendo sido, na noite da passada segunda-feira [dia 24], evacuados da ilha das Flores para o Faial.

Uma carrinha que trazia quatro jovens desportistas do Fazendense, das Lajes das Flores embateu fortemente na passada segunda-feira, pelas 20 horas, na estrada regional daquele concelho contra uma viatura de grandes dimensões, propriedade da Câmara Municipal das Lajes, que se encontrava estacionada na faixa de rodagem no sentido em que circulava a carrinha com os jovens.

Ao todo viajavam na carrinha de transporte dos atletas quatro jovens e o respectivo condutor, tendo do acidente de viação resultado três feridos graves que acabaram por ser internados, um (o condutor) no Centro de Saúde local e os restantes, jovens, pela gravidade dos ferimentos, no Hospital da Horta, após evacuação, no mesmo dia, através do helicóptero da Força Aérea. Os restantes dois jovens apenas sofreram ferimentos ligeiros. O condutor acabou por já ter alta.

Intervenção rápida
Um dos jovens, o que demonstrava a situação de maior gravidade perante as autoridades que acorreram ao local – Polícia de Segurança Pública e Bombeiros Voluntários das Lajes – encontrava-se encarcerado nos destroços da viatura sinistrada que o transportava. Segundo testemunhos populares, temeu-se que pudesse se tratar de um ferimento de gravidade extrema e que obrigaria mesmo à amputação de um dos membros inferiores do jovem, situação que acabou por não se verificar devida à rápida intervenção médica no local e já no Hospital da Horta.

Os jovens atletas estavam de regresso às suas casas após a realização de mais um treino diário quando o condutor se terá deparado, já tardiamente, com a outra viatura estacionada na sua faixa de rodagem, num local que peca pela falta de iluminação pública, para além de que a viatura que terá causado este grave acidente se encontrava com algum défice de limpeza por ser habitual efectuar o transporte de alcatrão naquela zona.

“Falta de luz”
Testemunhos locais referem mesmo que “a falta de luz no local e o facto da viatura parada estar na via e sem qualquer tipo de sinalização visível poderão ter estado na origem do acidente”. Segundo informação recolhida ainda pelo «Correio dos Açores» naquela ilha, o embate terá acontecido entre o lado direito da viatura de transporte dos atletas do Fazendense e o canto traseiro esquerdo do transporte camarário que se encontrava estacionado no local.

Os jovens desportistas tinham idades entre os 14 e os 15 anos e, aquando da chegada das entidades ao local, referem alguns florentinos, ainda se encontravam, feridos, no interior da carrinha que os transportava. Depois dos dois jovens feridos com maior gravidade terem sido, naquela mesma noite, evacuados de emergência para a unidade hospitalar da Horta, na ilha do Faial, fontes contactadas pelo nosso jornal informam que o estado clínico de ambos é, actualmente, estável.

Entretanto, na noite de quarta para quinta-feira, também na ilha das Flores, concelho das Lajes, a Polícia de Segurança Pública realizou uma operação Stop inopinada, com 3 elementos policiais, tendo sido fiscalizadas 14 viaturas e detectada uma infracção.

Notícia: «Diário Insular».
Saudações florentinas!!

sábado, 29 de novembro de 2008

«Burra de Milho» chegou às Flores

No âmbito da realização da Mostra Labjovem - Jovens Criadores Açores, foi inaugurada ontem, no Museu das Flores, a componente expositiva da LabJovem, sendo que estão patentes trabalhos nas áreas das artes plásticas, fotografia, ilustração e design gráfico.

A exposição integra os projectos da autoria de Cátia Guimarães, Carolina Rodrigues (natural da ilha das Flores), Paulo Freitas, João Borges, Plug! (Filipe Rocha e Bruno Moniz), Joana Dias, Raquel Fernandes, Soraia Bettencourt, Pedro Ferreira e Luís Peixoto.

Notícia: «Correio dos Açores» e «Jornal Diário».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bandeira Azul para zonas balneares... [em 2008, como nos anos anteriores] na ilha das Flores, nem vê-las!!! (II)

Os Açores repetiram, este ano [2008], as 23 bandeiras azuis que já haviam hasteado, em 2007, em outras tantas zonas balneares e marinas de recreio do Arquipélago.

Durante o Verão de 2008, nenhuma zona balnear dos Açores foi forçada a retirar a bandeira azul devido ao critério da qualidade da água de banhos, tendo-se verificado, antes, uma melhoria geral desses resultados. De acordo com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, já os resultados disponíveis da qualidade das areias demonstram igualmente uma melhoria em relação a anos anteriores. Durante a última época balnear, aquele departamento governamental procedeu à distribuição, junto das autarquias com zonas balneares galardoadas com bandeiras azuis, de 2.350 cinzeiros de praia.

Paralelamente, foram também distribuídos 400 folhetos sobre “quanto tempo dura o lixo no mar” e 45 puzzles com vista a sensibilizar a população para o tempo de degradação de resíduos no mar e para as espécies marinhas protegidas. Entre as acções realizadas no âmbito da Campanha da Bandeira Azul 2008 contam-se, ainda, a distribuição do cartaz alusivo a esta iniciativa e divulgação dos concursos “actividades de educação ambiental”, “concessionários de praias” e “fotografia do programa bandeira azul”.

Notícia: «Jornal Diário», «Correio dos Açores» e o sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores]. Aconselha-se ainda a leitura de dois outros textos mais antigos: «Bandeira Azul para zonas balneares... [em 2008, como nos anos anteriores] na ilha das Flores, nem vê-las!!! (I)» e «Bandeiras Azuis em 2009, sem desculpas!!!».
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ilha das Flores passa a ter protecção (legal) do património natural do litoral

A ilha das Flores dispõe, desde hoje, de um novo instrumento de defesa e protecção do património natural do seu litoral, o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) da ilha.

Mediante o estabelecimento de um regime legal específico, o POOC das Flores pretende incentivar a compatibilização entre a protecção e valorização da diversidade biológica da zona abrangida com o desenvolvimento sócio-económico sustentável.

O referido POOC perspectiva, igualmente, um aproveitamento regulado dos recursos naturais para o desenvolvimento do turismo. O novo diploma, a que se submetem os planos directores municipais dos dois concelhos da ilha – Lajes e Santa Cruz – cobre uma área terrestre de protecção com uma largura máxima de 500 metros, medidos a partir da margem das águas do mar, e uma faixa marítima que tem como limite máximo a batimétrica de 30 metros.

Segundo um dos anexos da nova legislação, o POOC da ilha das Flores inclui também um conjunto de bens imóveis classificados em ambos os concelhos, nomeadamente moinhos de água, lugar da Cuada, Convento de São Boaventura, Casa Pimentel de Mesquita, Fábrica da Baleia do Boqueirão e Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz.

Notícia: «Jornal Diário», «Azores Digital» e o sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores]. Aconselha-se ainda a leitura de dois nossos textos antigos sobre esta mesma temática: «Plano de Ordenamento da Orla Costeira: II Fórum de Participação Pública» e «Plano de Ordenamento da Orla Costeira das Flores está em discussão pública».
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sic Transit Gloria Flores... (V)

Um terço dos aterros de lixo doméstico [em Portugal] tem [já] 80 por cento da sua capacidade esgotada, pois mais de metade dos resíduos urbanos do país continua a ir [directamente] para os aterros, havendo ainda uma bastante escassa [prévia] separação e reciclagem desses mesmos resíduos/lixos.
E na ilha das Flores... que nem sequer aterro sanitário temos!!! Continuamos (serenamente e sem nos importarmos muito??!) à espera dos Centros de Processamento e de Valorização Orgânica...

Entretanto, em São Miguel, óleos usados “transbordaram” no porto de pescas de Ponta Delgada. E na ilha das Flores... que deixam bastante a desejar as condições em que é realizado o acondicionamento de alguns resíduos [pneus, óleos, etc.] que (posteriormente) são "exportados" da ilha??

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

N-Ã-O!!!! Nos Açores... não, não e não!!!

A eventual instalação na Base das Lajes de um campo de treino para caças norte-americanos consta da agenda da reunião de delegações dos dois países, prevista para sexta-feira [hoje], em Washington. Os representantes de Portugal e dos Estados Unidos da América vão reunir-se no âmbito da Comissão Bilateral que acompanha o Acordo de Cooperação e Defesa assinado entre os dois países e que permite a presença do destacamento militar norte-americano na base aérea portuguesa da ilha Terceira.

Notícia: «Jornal Diário» e «Correio dos Açores». Releiam-se também os textos antigos: «Açores vão tornar-se campo de treino militar aéreo norte-americano???!!» e «Açores são terra de paz, não podemos ser cúmplices de acções de tortura!!!».

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

«Turismo sustentável»

O turismo sustentável está na moda. O termo, na sua forma mais genuína, refere-se a uma forma de turismo que tem um baixo impacto no ambiente natural e na cultura, ao mesmo tempo que contribui para gerar emprego e riqueza. É um tipo de turismo muito diferente do que se apoderou do nosso Algarve, das Baleares ou até das Canárias. Numa altura em que muito de fala da crise internacional, da descida do número de dormidas na hotelaria tradicional, é bom ouvir, na rádio e na televisão, que as unidades ligadas ao turismo de natureza (rural), não sentem, a esse nível, cá nos Açores, qualquer abrandamento. Na minha opinião tal não é de admirar, na medida em se trata de um nicho de mercado específico, com baixa sensibilidade à evolução da conjuntura económica. Um segmento que pulveriza o desenvolvimento e a distribuição de riqueza de pelas diversas ilhas e localidades do nosso arquipélago. Um turismo que contribui para fixar as populações e evitar o despovoamento. Um turismo, que, por tudo isto, vale a pena continuar apoiar e a desenvolver.

José Cabral Vieira é florentino (natural da freguesia de Ponta Delgada), sendo professor universitário do departamento de Economia e Gestão na Universidade dos Açores, mantendo (semanalmente à terça-feira) uma coluna de opinião no «JornalDiário.com» de onde retiramos o seu presente texto [publicado originalmente na semana passada, no dia 11].
Saudações florentinas!!

domingo, 16 de novembro de 2008

«Miscelânea da Saudade» #4 (2/2)

Em minha opinião, a que penso ser sensorial, em termos de cor de pele, vejo o seguinte: Obama, não é preto; nem é branco. Se os racistas, por insolência disserem que: "o presidente eleito para a Casa Branca é um preto", é um erro. Como se pode dizer tal coisa? Porque não se diz ao contrário: "o presidente eleito para a Casa Branca é um branco!..." Não será lógico das duas maneiras? Qual é a diferença, se ele afinal não é branco nem preto?

Ora, sendo Obama filho de mãe branca e de pai preto, qual é a classificação de cor que o devemos distinguir? Castanho, mulato? Quiçá, mas nunca branco; e decerto, nunca preto. Valha-nos Deus! Esses rápidos nomeadores e distinguidores de cores, se decidissem ser pintores de belas-artes, faziam como o Mestre Facnim fez: misturar tintas que não dá cor que se possa pôr nome.

Esse Mestre Facnim, assim conhecido, ainda do meu tempo em São Miguel, numa ocasião fomos colegas de trabalho. Isto, por volta de 1952. Ele com uns 60 anos, conhecido por toda a mestrança operária da cidade de Ponta Delgada, São Miguel. Homem de pequena estatura, tipo enfezado, quase raquítico, que podia ter sido a parelha dum Mestre Ricardo, que media o vidro com as mãos. Fumava cigarros de folha de papel e sempre ia arranjando serviço de pintor, com apenas primários, que fosse para pintar portões, cancelas, ou até grades de ferro nas campas do cemitério.

Como carpinteiro novo, na firma do engenheiro Luís Gomes, fui enviado para fazer reparações de janelas no Colégio das "meninas" assim conhecido, na Rua de José M. R. Amaral, vulgo Rua do Frias. Ao entrar ao portão, deparei com o Mestre Facnim, com barba de mais de uma semana, um cigarro mal enrolado metido na boca até metade, a pintar janelas. O falar dele era difícil de perceber. Nunca fazia pausa nas palavras. Com linguagem própria sua, e de guincho, matracava de corrida, quase inexplícito. Pintava tudo; até as calças. Mas era bom homem. Estórias dele contadas pelo povo, algumas de rir até às lágrimas; conheço umas poucas.

Naquele tempo, certo dia no prédio de Jácome Correia, onde hoje se encontra o Governo Regional dos Açores, penso - alguém do prédio pediu ao Mestre Facnim para pintar um leão numa tábua, porque os rapazes da escola e outros, galgavam o portão para roubar fruta do prédio. "Mestre Facnim; pinta aqui um leão nesta tábua, para essa cambada de rapazes pensar que tenho cães maus cá dentro do prédio", ordenou o dono, dando-lhe cinco escudos.
"Sim sinhô!... é já même, sinhô!". Esquecendo-se de qualquer coisa, brada o Mestre Facnim numa gritaria doida: "ei sinhô!... o sinhô qué quei ponha uma corrent no leã?". Diz o dono: "não é preciso, Facnim; pinta o leão sem corrente". No dia seguinte choveu muito, ficando a tábua limpinha sem o leão; a àgua lavou tudo.

O patrão, danado por ver a tábua limpa já sem o leão, foi ao encontro do Mestre Facnim. "Oh Mestre Facnim!... que foi que fizeste naquela tinta?; o leão já não está lá"; diz Mestre Facnim: "eh sinhô!... ei preguntei ao sinhô se cria corrent no leã, o sinhô disse que não é precise..., Pront!.. sem corrent o leã fuji".

Lembremos que, as tintas do Mestre Facnim eram lavadiças, por serem misturas de preto e branco, colectadas de restos de latas. Olhem!... Não tinha cor que se pudesse dar nome. O nosso favorito e muito desejado Barack Obama, relativo a cores, sem sentido de mínima ofensa, também não tem cor designada que se possa dar nome, encontrando-se nas mesmas circunstâncias sem cor certa. No entanto, eles dizem que ele é preto.


Denis Correia Almeida
Hamilton, Canadá