A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem herdado anualmente entre 2,5 e 2,8 milhões de euros, sobretudo em imóveis. Nos últimos três anos, 21 pessoas deixaram os seus bens para serem aplicados em obras de solidariedade da instituição. "Elas têm a certeza de que o seu legado não será desbaratado", explica ao [jornal] «Correio da Manhã», Rui Cunha, provedor da Santa Casa.
Jóias, quadros, acções, prédios ou apartamentos são anualmente doados, alguns ainda em vida, à
Santa Casa. A
tradição das doações tem séculos: há algumas heranças significativas, como a de
Manuel Arriaga no século XX ou a do embaixador João Pequito em 2004, mas também de anónimos.
É recordada, por exemplo, a história de um músico de rua que depois de tocar na Baixa foi entregar um saco de plástico cheio de moedas à tesouraria da instituição. Pequenas ou grandes
fortunas são
deixadas por pura generosidade ou em troca de apoios. Mas é a
solidão, refere Rui Cunha, que leva muitos beneméritos a procurarem a Santa Casa.
A maior parte dos
beneméritos dirige-se ainda em vida à instituição,
doando os seus bens em troca de lugar num lar ou de visitas domiciliárias que garantem a limpeza ou a alimentação até morrerem. 'Mas também somos surpreendidos com o contacto de advogados que nos comunicam integrarmos o testamento de alguém', afirma Rui Cunha.
A
Santa Casa usa o património imobiliário doado (mais de 200 prédios em Lisboa) para instalar os seus serviços e equipamentos, desde lares a hospitais, de apoio aos mais desprotegidos, sejam idosos ou crianças e jovens. Muitas habitações estão alugadas, em muitos casos por rendas 'bastante baixas', concretiza o provedor. Mesmo assim,
anualmente a Santa Casa arrecada com o património arrendado cerca de 2,5 milhões de euros.
Notícia: «Correio da Manhã».Saudações florentinas!!