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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Há pesca ilegal na ilha das Flores?

Embarcações de Pesca-Lajes-Flores Island-Azores
Sobre o "post" abaixo [«Há pesca ilegal em águas costeiras da ilha das Flores? Deputados denunciam...»], convém fazer alguns esclarecimentos.

Primeiro que tudo, importa um esclarecimento. Eu não sou proprietário das embarcações “Família Augusto” e “Ilha de São Miguel”, fui, apenas, contratado pelos armadores, os gémeos Manuel e Pedro Vieira Moniz, para montar uma operação logística que lhes permitisse pescar nas Flores e escoar o pescado. Operação essa que acabou sendo um sucesso, apesar das toneladas de areia que foram colocadas na engrenagem a pedido dos supostos “pescadores” florentinos, a nossa perseverança e tenacidade, fazem parte dos nossos sucessos.

Importa ainda fazer alguns pontos de ordem:

Sempre houve pesca ilegal, por parte das pequenas embarcações açorianas nos mares dos Açores e em todas as ilhas e nunca se ouviram os Senhores Deputados sobre esse assunto;

A capacidade de fiscalização do exercício da pesca por parte de pequenas embarcações é quase impossível;

A pesca dentro das 3 milhas [da costa] é proibida quer sejam embarcações micaelenses quer sejam florentinas.

Importa ainda fazer algumas perguntas:

Saberão os Senhores Deputados que não existem “águas costeiras das Flores”?

Conhecerão os Senhores Deputados a legislação em vigor?

Esse tipo de bairrismo doentio e demagógico, tem ajudado os Açores a serem cada vez mais pobres. E no que à pobreza de espírito diz respeito a coisa ainda é mais grave quando vem dos eleitos directos.

Uma coisa valeu a pena nesta operação de “rapexins” no “quintal” dos florentinos, provou-se que se pode trabalhar muitos mais dias no ano do que aqueles que, em nome dum suposto mau tempo e da falaciosa falta de mercado, se passam de barriga encostada ao balcão da taberna.

Micaelenses e florentinos têm os mesmos direitos e os mesmos deveres; estamos perante um caso de xenofobia, e exacerbado bairrismo. Não havia necessidade.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

"Roubando" do Nuno Barata...

Tenho a certeza que o Nuno Barata não levará a mal a (re)publicação deste texto saído originalmente [no dia 5] no seu blogue «Foguetabraze»: "Olha o Nível".

"Caríssimo André Bradford.

Se queres falar de nível, falemos. Prometo, porém, que não falo mais deste ou de outro assunto de interesse eleitoral e “eleiçoeiro” até ao dia 19 de Outubro. Não porque tu aches que eu não deva mas, porque não tenho pachorra. Baixo nível é o que [Carlos] César e os seus acólitos seguidores nos quais te incluo, programaram fazer com os meios do Governo [Regional] para, embora sabendo que têm as eleições ganhas, combaterem a abstenção e tentarem a maioria mais lata possível. Baixo nível, é a distribuição do Kit-Autonómico contendo uma carta de teor propagandístico, a 50 dias de umas eleições. [Carlos] César e os seus acólitos seguidores nos quais te incluo, tiveram a tentação de fazer o que nem um Américo [Natalino] Viveiros ou um Adolfo Lima ousaram alguma vez pensar. Dar-me-ás o crédito de ter-me batido, um bocado mais do que tu, pela saída desses Senhores da cena política Regional, não tenho saudades deles, mas também não vou ter saudades deste Partido Socialista dos últimos 8 anos, já que nos primeiros quatro, também me darás o crédito de me ter batido, bastante mais do que tu, pela chegada e manutenção do PS e Carlos César ao poder. Gostaria de saber o que dirias se, por ventura, passasse pela cabeça da Drª Berta Cabral enviar um Kit-Concelhio a todos os munícipes lá por volta de Agosto/Setembro de 2009. Claro que a Senhora, agora, está perfeitamente à vontade para fazer uma coisa dessas e eu e tu cá estaremos, eu para criticar e tu para arrolhar. Baixo nível é preparar um rol de inaugurações apresadas gastando milhões de euros em festas e forró, depois de ter criticado os autarcas, esses também de baixo nível, por causa das “violas e brasileiras” como se essa função de “estarraçar” dinheiro dos contribuintes para os fazer esquecer a subida da prestação da casa fosse um exclusivo do Governo. Baixo nível é, por exemplo, o Governo [Regional] extinguir um lugar de professor no Corvo para fazer deslocar um potencial candidato [a deputado] ganhador para uma outra ilha e assim facilitar a eleição do candidato do Governo/PS. Baixo nível é o que tem um Presidente de Governo que governa uma Região como se se tratasse de um rebanho. Tão grande é a sua insegurança (leia-se post de 12 de Janeiro) e os seus complexos que, se rodeia de supostos competentes académicos para fundamentar as suas decisões e, ao contrário do que defende o seu suposto seguidor e primogénito em entrevista recente à revista «Visão», não assume um único erro da sua governação nos últimos 12 anos. Remeto-te para um excelente artigo de opinião do Luís Aguiar-Conraria publicado no caderno de economia do «Público» de hoje e que dá pelo título de “o Mistério da República dos Medíocres” mas, se quiseres uma coisa mais caseira e mais soft sobre o mesmo assunto podes sempre ler a excelente crónica do Mário Roberta na última página do «Açoriano Oriental» de hoje. Estarei atento aos números finais do próximo dia 19 de Outubro, não tenho ilusões quanto aos resultados, por mim dava já a taça e não se gastava dinheiro em campanhas [eleitorais] desnecessárias. Mas, não penses que essa tua arrogância vai passar em claro. Sabes, há uma coisa com a qual é muito difícil os políticos lidarem é com as pessoas que, como eu, têm a memória permanentemente actualizada. Se queres manter o nível, não fales de nível, cumpre o nível, ainda sabes como é, espero."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

14 Juillet.

O «Fórum ilha das Flores» completa hoje 5 anos de "postas" e participação cívica. Uma data interessante dada a importância que os franceses tiveram no desenvolvimento económico e social da mais periférica parcela do Portugal insular. Feliz coincidência ou propositada escolha, a data não deixa de ser uma boa escolha.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O betão fala mais forte.


A baía das Lajes na ilha das Flores está na mira das betoneiras e do plano regional de construção de marinas e portos de recreio. Na verdade, é dentro desta baía que se pretende construir o núcleo de recreio náutico do Porto das Lajes. Bem sei que os iatistas sempre compram uns papo-secos e uns quilos de arroz e bebem umas cervejolas. Também sei que os florentinos, há muito que anseiam por um porto de recreio. Contudo, será assim tão importante “destruir” o nosso património natural em nome de um desenvolvimento que não se sabe bem o que é e para que serve?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Património natural a preservar.

Uma das coisas que mais me impressionou na fabulosa ilha das Flores, foi a sucessão de manchas de flora endémica que se podem encontrar. Apesar de terem sido efectuadas algumas arroteias absolutamente desnecessárias, nota-se uma recuperação bastante rápida por parte das plantas de endemismo açorico, nomeadamente a Urze, o Bracel e a Uva-da-Serra. Nas zonas do Morro Alto e do Caminho Florestal dos Rochões, encontrei, em várias fases de floração, uma das maiores senão a maior concentração de Uva da Serra (Vaccinium cylindraceum) que alguma vez vi.
Pena é que a Hortênsia esteja a invadir essas zonas, principalmente às cotas dos 400 aos 500 metros, com uma velocidade assustadora. Seria, talvez, hora de intervir no controle a essa planta ornamental que naquela ilha pode já ser considerada infestante.

Uva da Serra a iniciar a floração...
Uva da Serra a começar a floração
Uva da Serra em floração média...
Uva da Serra em floração média
Uva da Serra em floração plena...
Uva da Serra
Fotografias feitas nas Flores entre os dias 22 e 25 de Maio de 2008.

"Posta" publicada há pouco no «Fôguetabraze».

Flora endémica.

A ilha das Flores encerra uma das mais importantes reservas de flora endémica dos Açores.

Flores Island-Azores- 2008.05.23

domingo, 25 de maio de 2008

Ilhas de (sem) Valor

Devo começar por dizer, no âmbito do teor deste "post", que não escrevo por encomenda. Na verdade, quer a fotografia, quer a ideia, quer o texto já estavam prontos quando surgiu um comentário de um leitor a propor o tratamento deste assunto. Ainda para mais um comentador anónimo, todos sabeis, pelo menos os que acompanham a blogosfera, que não morro de amores por comentadores anónimos, sejam a favor ou contra as minhas ideias. Não raras vezes, deixo de contestar alguns comentadores, com bastante pena minha, pelo simples facto de serem anónimos. Mas esse é assunto para outra posta.
Vamos, então, ao que interessa. A construção de um Hotel em Santa Cruz das Flores, em cima da Zona Industrial e de comércio por grosso, não cabe na cabeça do mais tinhoso dos pensadores. Bem sei que a vista e o lugar, mesmo ali em cima do mar é privilegiado. Contudo, já estava ocupado, no meu entender mal ocupado e desperdiçado por um complexo industrial e comercial que não poderá ser removido nos próximos anos, responsabilidades para a autarquia de Santa Cruz, obviamente. Cabe aqui reflectir sobre a qualidade dos autarcas que autorizam e promovem investimentos industriais em zonas de potencial desenvolvimento turístico. Cabe aqui, reflectir sobre o disparate enorme que foi projectar e construir um Hotel desta categoria em cima da referida Zona Industrial. Não tardará e estão os industriais a ser perseguidos por causa dos barulhos, odores e poeiras das suas actividades. Eu, no lugar deles “mandava chumbo” em cima de quem teve a impensável ideia de construir um Hotel com esta localização.
Ordenamento e planeamento precisam-se, gente capaz também, este Hotel foi pensado e planeado e implantado com a cabeça dos dedos dos pés, de meia dúzia de supostos iluminados que esta Região pariu depois de 1996. “Não vá o sapateiro além do chinelo”.

sábado, 24 de maio de 2008

Internet, um desespero.

É, de facto, desesperante o acesso à internet na ilha das Flores. Aqui nas Lajes, onde me encontro, o melhor que consegui até agora foi uma ligação via telemóvel em GPRS que não vai além dos 46k. Isto é, internet do pré-jurássico.
Para carregar uma fotografia para o Flickr, são necessárias dezenas de tentativas e horas de paciência a fazer «Try again». Consegui carregar uma apenas e desisti.
De facto, numa região que se orgulha de ter uma estação de rastreio de satélites, que vai ter auto-estradas terrestres em breve, não se compreende este atraso tecnológico nas auto-estradas da comunicação. A ilha das Flores é a mais bela ilha dos Açores, a mais preservada do ponto de vista ambiental e a mais equilibrada do ponto de vista social, isso quer dizer, pura e simplesmente, que os florentinos andam a fazer o trabalho deles, façam os políticos o seu.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Primavera Florentina

Chegar às Flores e ser presenteado com um dia de Primavera como o de hoje é a única coisa que nos pode amenizar a ausência de casa e da família. Por mais vezes que viaje e saia por uns dias de perto da minha gente, é sempre com o sentido neles e para eles que faço todo este esforço. As ausências cada vez mais frequentes e prolongadas também vão sendo cada vez mais dolorosas.

terça-feira, 20 de maio de 2008

O Bom filho à casa torna.

Neste caso, pelos mesmos meios com que saiu das Flores, numa operação de alto risco, o N/M “Família Augusto” agora matriculado em Ponta Delgada, está de regresso ao Porto das Lajes. O “Família”, como é conhecido nos meios marítimos florentino e micaelense, zarpou incontáveis vezes daquele porto em direcção à vizinha ilha do Corvo e sempre com viagem de regresso marcada. Levou turistas, cimento, gaz e demais cargas. Quase sempre trazia peixe, pescado no canal.
Transformado, definitivamente em embarcação de pescas, foi para São Miguel, para a mais piscatória das freguesias açorianas, Rabo de Peixe.
Hoje o “Família” volta às Flores pela mão do seu armador, Manuel Vieira Moniz (Plácido) para desenvolver aqui a actividade da pesca e exportação de pescado. Esta operação tem o apoio logístico e administrativo da Agência Nuno Almeida e Sousa UP LDA.
Ironia das ironias, coincidência das coincidências, o Sr. José Humberto, antigo proprietário e filho do saudoso Mestre José Augusto, assistiu e “botou sentença” na amarração e preparação do embarque.
Saudações deste Cidadão do Mundo

terça-feira, 13 de maio de 2008

Nas Flores, intermitente, a cada 15 dias.

Nas Flores encontrei velhos amigos e fiz novos amigos. Comi bem e barato no quiosque do Bota Fumo e fui muito bem recebido pelo meu amigo José Rogério do Hotel dos Franceses (ServiFlor).
Nas Flores, não tive Internet. Mas, usei pela primeira vez um posto público ali na Associação de Jovens das Flores. Meia hora no máximo, muito respeito pelo material e muita consideração pelos outros utilizadores. Uma perfeição, pena o horário não ser compatível com um “cota” como eu.
Nas Flores, estive entre uma multidão de ninguém. Nas Flores encontrei a maior concentração de gente boa por metro quadrado que se pode encontrar nos Açores. Nas Flores até junto à Escola há silêncio. Eu estranhei. Imaginem o Pedro e o Manuel, meus companheiros de viagem, nados e criados nos bairros piscatórios de Rabo de Peixe.
Nas Flores, daqui até ao final do Verão e a cada 15 dias, vou "postar" por aqui, o que vir, sentir e achar por bem compartilhar.
Obrigado aos administradores do Fórum pelo convite que muito me honrou.