Preocupação com alterações climáticas
Temperaturas mais altas, menos precipitação e fenómenos climáticos mais intensos. É esta a tendência que os Açores registam, à semelhança do que ocorre a nível mundial, devido às alterações climáticas.
De acordo com Diamantino Henriques, da delegação dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a Região tem acompanhado “a tendência à escala global e, em concreto, à escala regional na bacia do Atlântico Norte” de aumento de temperatura: “Nos Açores temos verificado que, em termos anuais, e comparando séries longas de temperatura, nomeadamente entre os anos 1948 e 1980 e de 1981 até 2013, há uma tendência de subida de temperatura de 0,2 graus”, explica o meteorologista ao jornal «Diário dos Açores».
Diamantino Henriques sublinha que as estações do ano sofreram alterações desde 1948, com o Inverno a ficar mais quente. Já as estações da Primavera e Verão foram as que sofreram menos alterações, refere o especialista.
Desde 1948, a década mais quente registada nos Açores foi entre 1998 e 2008. Em relação a este ano de 2015, a estimativa é que terá sido um ano mais quente do que 2014. O meteorologista considera que esta tendência de aumento da temperatura deve ser considerada com preocupação.
“Nos Açores, a importância da temperatura deve-se fundamentalmente aos fenómenos que depois dão origem às nuvens e que, por sua vez, dão origem à precipitação orográfica e esta é um dos mecanismos responsáveis pela acumulação de água nas ilhas”, explica Diamantino Henriques, apontando a disponibilidade de água como um dos primeiros problemas que se irá levantar nos Açores, devido ao aumento da temperatura e consequente diminuição de precipitação.
“Nos Açores não temos rios. Não temos albufeiras. Temos só alguns depósitos de água, água subterrânea, que é alimentada basicamente pela chuva”, diz o meteorologista. “A chuva que cai no mar não pode ser aproveitada. Temos de nos limitar à nossa área geográfica que é limitada. Se chover menos em larga escala e se a temperatura do ar aumentar, se houver menos condensação e menos nuvens orográficas, vamos ter menos água disponível para tudo”, alerta Diamantino Henriques.
O meteorologista afirma que a escassez de água é já uma ameaça nos Açores. E deu como exemplo o ano passado.
Nos Açores está em curso a elaboração de um Plano Regional para as Alterações Climáticas, que deverá estar concluído em Fevereiro de 2017 e que tem como horizonte o período 2030-2050. Segundo o Governo Regional trata-se de “um instrumento essencial de planeamento das políticas públicas para responder à intensificação das alterações climáticas globais, que colocam uma pressão acrescida em territórios limitados e frágeis como é o caso do arquipélago dos Açores”.
Notícia: jornal «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!


