domingo, 30 de janeiro de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

Produtores de leite estão descontentes

Os produtores de leite da ilha das Flores estão descontentes com o Governo regional. A falta de uma entidade de análise e classificação do leite continua a penalizar a produção florentina de queijo.

Os cooperantes da fábrica de Lacticínios Ocidental manifestam-se incomodados, dizem que não precisam de mais problemas para a produção de queijo: a abundância deste produto e a distância aos mercados já são suficientes.

Afirmam que os consumidores do queijo florentino compram gato por lebre. A produção cumpre com as normas comunitárias mas a qualidade do leite não é suficiente para garantir quotas de mercado para o seu queijo, disse à [rádio] Antena 1 Açores, Vitorino Azevedo, o presidente da Cooperativa de Lacticínios Ocidental.

O presidente desta cooperativa reclama tratamento igual ao de outras ilhas, onde existem entidades do Governo [Regional] que analisam e classificam o leite entregue nas fábricas. A Cooperativa de Lacticínios Ocidental é a única fábrica a transformar o leite produzido na ilha da Flores. O queijo produzido é vendido apenas na ilha, salvo raras excepções.


Notícia: RDP/Antena 1 Açores.
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Edifícios públicos... com amianto!

No arquipélago dos Açores existem cerca de 90 edifícios de propriedade pública com telhados que incorporam produtos contendo amianto, uma substância considerada nociva para a saúde, revela um inventário realizado pelo executivo regional.

O documento foi disponibilizado pelo Governo [Regional] açoriano em resposta a um requerimento parlamentar sobre a execução de um decreto regional relativo à remoção de produtos contendo amianto de equipamentos escolares, de saúde, de desporto e de apoio aos idosos no arquipélago.

Os dados deste inventário indicam que as ilhas das Flores e São Miguel são as ilhas que revelam maior incidência de coberturas de edifícios públicos com este tipo de material, mas também há equipamentos cobertos com produtos contendo amianto nas ilhas Terceira, São Jorge e Pico.

Os edifícios em causa incluem, entre outros, escolas, pavilhões gimnodesportivos, armazéns, espaços de serviços e sedes de juntas de freguesia.

Segundo o executivo açoriano, cabe aos operadores legalmente habilitados recolher e encaminhar os produtos com amianto para o seu destino final adequado, uma vez que não existem na Região aterros licenciados para este tipo de resíduos. Actualmente, estão licenciados ou em fase de licenciamento para a realização de intervenções neste domínio cinco operadores no arquipélago.

A União Europeia publicou nos últimos anos regulamentação para a redução da poluição ambiental provocada pelo amianto, para a limitação da colocação no mercado de substâncias contendo este produto e para a protecção sanitária dos trabalhadores contra os risco de exposição a este material.


Notícia: «Açoriano Oriental» e rádio Atlântida.
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Em defesa da cantaria do Convento!

A Petição pública «Em defesa da cantaria do Convento de São Boaventura» pode ser assinada online, mas também em papel (bastando para tal baixar um documento e imprimi-lo).
Saudações florentinas!!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pagamos um valor $imbólico pela água

Na ilha das Flores os munícipes pagam um valor fixo pelo consumo de água [potável], que não ultrapassa 3,50 euros por trimestre, e não há contadores de consumo nas casas porque a ilha é rica em recursos hídricos.

“Os munícipes [de Santa Cruz] não têm contador em casa, daí que a cobrança é trimestral, sendo 3,50 euros para os particulares e seis euros para o comércio e indústria”, afirmou José Carlos Mendes, vice-presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, em declarações à Agência Lusa.

O autarca [santacruzense] salientou que esta situação resulta da "abundância de água na ilha, onde existem grandes aquíferos" que garantem o abastecimento à população. "Normalmente, a ilha [das Flores] não tem falta de água nem regista roturas no abastecimento nos períodos de seca", frisou, acrescentando que os cerca de 2.500 munícipes [de Santa Cruz] "consomem a água que precisam".

José Carlos Mendes revelou que a intenção da autarquia [santacruzense] é "manter a situação", assumindo o objectivo de "aliviar os munícipes de taxas e impostos e incentivar a fixação de casais jovens e empresas".

O vice-presidente da autarquia [santacruzense] salientou que o abastecimento de água no concelho "é feito por gravidade", pelo que o município "apenas tem o encargo com o investimento inicial, que consegue suportar". "Há um período de 15 anos em que não é necessário nenhum investimento de grande vulto. A autarquia só suporta 15 por cento do investimento inicial, já que recebe financiamentos comunitários na ordem dos 85 por cento", acrescentou.

No vizinho concelho das Lajes das Flores, a situação é idêntica, pagando os munícipes uma "avença" de 3,12 euros por cada quatro meses, mas o panorama vai alterar-se em breve com a instalação de contadores. “Há muitos anos que os munícipes [lajenses] pagam uma avença, mas estamos a ultimar a colocação de contadores”, revelou o vereador Armando Meireles, em declarações à Agência Lusa, acrescentando que já estão instalados "mais de dois terços" de um total de 1.300 contadores previstos.

Segundo o vereador [lajense], tudo indica que "no segundo semestre deste ano se dê início ao novo tarifário" nas sete freguesias do concelho. Armando Meireles salientou, no entanto, que os preços a praticar não serão elevados, já que "há água todo o ano e a intenção não é penalizar os 800 consumidores do concelho", que são privilegiados por viver numa ilha com "tanta abundância de recursos hídricos de boa qualidade".


Disparidades de preços

A associação ambientalista Quercus defende que a água deveria ser mais cara, para que os consumidores lhe dêem valor, enquanto que a DeCo [Associação para a Defesa do Consumidor] critica as grandes disparidades de preços nas facturas que os diversos municípios apresentam pelos mesmos serviços.

Francisco Ferreira, da associação ambientalista, realça que “o sector da água não tem conseguido um conjunto de encontros entre as receitas que gera e as despesas que tem” e considera que “a água tem, obviamente, de ser paga de forma a traduzir o seu custo”. Para a Quercus, as tarifas estão desequilibradas e é preciso subir os preços da água, “que está, em muitos casos, barata, o que não estimula o seu uso eficiente”.


Notícia: jornal «A União», revista «Visão», Notícias.RTP.pt, «Açoriano Oriental», semanário «Expresso» e rádio Atlântida.
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Foram reabertos dois trilhos pedestres

Na sequência de diversas intervenções realizadas pela Secretaria Regional da Economia foram ontem reabertos dois trilhos pedestres na ilha das Flores, que se encontravam encerrados devido ao mau tempo que se tem feito sentir durante as últimas semanas.

Tratam-se do trilho Lajedo-Fajã Grande e do trilho da Poça do Bacalhau, que tinham sido encerrados devido à instabilidade de alguns taludes, motivo pelo qual não ofereciam condições de segurança para a sua utilização.

Segundo Miguel Cymbron, director regional do Turismo, “as operações levadas a cabo no local, permitem todas as garantias para que quem queira utilizar estes dois trilhos o possa fazer em segurança”. Dos quatro trilhos pedestres existentes na ilha das Flores, “dois permanecem encerrados, estando neste momento a ser intervencionados de forma que sejam criadas as condições para que possam voltar a ser utilizados”, referiu o governante.


Notícia: «Jornal Diário», rádio Atlântida e o sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Convento de São Boaventura... 2011!

Entretanto, no FaceBook foi já criado por alguns florentin@s o grupo «Atentado ao Património da ilha das Flores - Atrocidade!!!!».
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Baleias passam nos Açores para comer

A "explosão de produção" nos mares dos Açores de organismos de que as baleias se alimentam poderá explicar a passagem de um elevado número de cetáceos pelas ilhas açorianas na Primavera e no Verão.

A Universidade dos Açores tem em desenvolvimento um programa de telemetria por satélite de grandes baleias, para obter informação sobre o papel que o arquipélago desempenha na ecologia de três espécies que frequentam as suas águas: a baleia-azul, a baleia-comum e a baleia-sardinheira.

Num artigo publicado no portal «NaturLink», Rui Prieto, investigador responsável pelo programa, sublinha que as baleias são muitas vezes vistas a alimentar-se durante a sua passagem pelas ilhas, que ocorre principalmente na Primavera e no Verão. Um dos organismos que na Primavera regista uma "explosão de produção" nos mares do arquipélago é o krill do Atlântico Norte, "um crustáceo altamente calórico que poderá ser uma importante fonte de energia para as baleias durante a sua migração".

Segundo Rui Prieto, "outra possibilidade intrigante" pode estar relacionada com a hipótese de os montes submarinos do arquipélago "servirem [para a navegação das baleias] como marcos no meio do oceano". "A maneira como as baleias conseguem navegar de e para áreas de alimentação não foi desvendada, mas a presença de estruturas que possam servir de marcos poderá ser importante nessa navegação", alega o investigador da Universidade dos Açores.


Notícia: «Diário de Notícias», rádio Atlântida e «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Pauleta realizará em Março um jogo solidário com a população da Fajãzinha

O melhor marcador de sempre da Selecção portuguesa de futebol, Pauleta, vai alinhar na equipa da fundação com seu nome que se desloca em Março à ilha das Flores para um jogo de solidariedade com a população da Fajãzinha.

Segundo adiantou [ontem] à Agência Lusa uma fonte da Fundação Pauleta, o encontro está marcado para 26 de Março na vila das Lajes, opondo a equipa do antigo goleador da Selecção lusa (integrada por treinadores e pais de alunos da escola da instituição) a uma selecção de jogadores da ilha das Flores.

A freguesia da Fajãzinha, para cujos habitantes reverterá a receita do jogo, foi atingida em Dezembro do ano passado pelo desabamento de terras e por inundações que obrigaram à sua evacuação durante uma semana. As enxurradas provocaram danos em algumas moradias, destruindo equipamentos e mobiliários domésticos.

Pauleta vai estar na ilha das Flores de 25 a 27 de Março, promovendo também um jantar de recolha de fundos em que serão leiloados equipamentos que utilizou na sua carreira quer como jogador da Selecção quer como titular das equipas de Espanha e França onde jogou. A receita do jogo e das outras iniciativas previstas vão juntar-se a um donativo já constituído pela Fundação Pauleta, disse fonte da instituição.


Notícia: rádio Atlântida, «Diário dos Açores» e jornal «Record».
Saudações florentinas!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

«Brumas e Escarpas» #16

O ciclo do milho na Fajã Grande, nos anos 50

Parte VIII – Apanhar e “encambulhar”

O dia de “apanhar o milho”, na Fajã Grande, era um dia de muito trabalho. Mas como geralmente aos trabalhos duros e pesados era dado um certo sentido de alegria, este dia também era, em certo sentido, um dia de festa.

Na véspera era preciso preparar tudo: consertar o estaleiro se necessário, untar os “cocões” e montar a sebe no carro de bois, arranjar os cestos necessários, cortar e desfiar as espadanas e cozinhar a comida necessária de acordo com as pessoas de fora que eventualmente viessem ajudar.

Finalmente o dia da apanha. As pessoas destinadas àquela tarefa dirigiam-se para o campo bastante cedo, umas vezes ainda alta madrugada outras noite escura, sendo que por vezes ao nascer do Sol o milho já estava quase todo apanhado. Os cestos eram colocados estrategicamente em pontos diversos ao longo do terreno enquanto se iam arrancando as maçarocas dos milheiros com perícia e destreza, atirando-as, de seguida, para dentro dos cestos, até os encher bem “acaculados”. Muitas terras ficavam longe do caminho e a elas se tinha acesso apenas por canadas muito estreitas onde os carros de bois não cabiam. Era aos mais jovens, mais robustos e mais fortes que competia a tarefa de acarretar os enormes cestos cheios a abarrotar de maçarocas, às costas, até ao caminho onde o carro de bois os esperava, dentro do qual o milho ia sendo muito bem empilhado e arrumado. Quando a sebe estava rasa fazia-se à sua volta uma borda com as maçarocas mais gradas, criando assim um novo espaço que se ia enchendo e depois uma outra borda e várias outras até a sebe ficar a abarrotar. Uma vez cheio, um ou mais homens, tangendo os bois, conduziam o carro até a casa despejando literalmente o milho na cozinha, caso o proprietário não tivesse uma casa de arrumos adequada.

Ao meio do dia geralmente terminava a apanha e a recolha do milho. A cozinha enchia-se, então, de maçarocas do chão até ao tecto. Enquanto não começava a tarefa de “encambulhar” as crianças aproveitavam para brincar ao escorrega, já que os não havia noutro sítio. Assim entretinham-se vezes sem conta a subir o monte das maçarocas para depois deslizar por ele abaixo simulando e profetizando os modernos escorregas dos parques infantis.

De tarde iniciava-se o “encambulhar”. Sentados em banquinhos ou se os não havia em cestos com o fundo voltado para cima, à volta do monte do milho, homens mulheres e jovens pegavam nas maçarocas uma a uma e procediam a uma avaliação rigorosa da mesma. Se era raquítica, debilitada, atrofiada ou se a casca não cobria bem os grãos era separada das restantes. Caso contrário, isto é se a maçaroca aparentava boa qualidade era lhe puxada uma folha da sua própria casca, o mesmo se fazendo com mais algumas, juntando-se todas numa espécie de molho. Depois retorcia-se a parte das pontas formando uma espécie de trança, dobrava-se e amarravam-se todas muito bem amarradas com um fio de espadana. Eram os “cambulhões” que se iam separando do resto do milho, competindo às crianças acarretá-los aos ombros ou nas mãos para junto do estaleiro onde seriam devidamente pendurados e guardados.

As restantes maçarocas ou seja aquelas que não tinham as qualidades necessárias para serem “encambulhadas” com a casca separavam-se e, no final, eram descascadas mas não na totalidade. Deixava-se em cada uma delas, uma folha mais resistente o mesmo se fazendo com mais algumas, juntando-as todas também num molho e formando “cambulhões” de forma muito semelhante aos das que tinham casca, embora, regra geral, estes “cambulhões” tivessem menor número de maçarocas. Eram os “cambulhões” sem casca.

Finalmente havia algumas maçarocas às quais era impossível deixar qualquer casca. Estas eram guardadas no balaio, uma espécie de cesto muito grande em forma de alguidar, e, depois de postas a secar ao Sol dias e dias, seriam debulhadas e o seu milho seria o primeiro a ser utilizado, quer para encher as moendas e levar ao moinho quer para alimento de galinhas, vacas e porcos.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».