sábado, 9 de outubro de 2010

223 passageiros retidos na ilha das Flores deverão viajar este domingo

Um total de 223 passageiros que tinham voos "com origem e destino para a ilha das Flores", estão retidos devido ao cancelamento de ligações da SATA Air Açores, provocado pelo mau tempo. Entretanto, a AtlânticoLine estima retomar "a partir das 00h01" as ligações marítimas entre as ilhas dos Açores, canceladas desde quinta-feira no arquipélago.

Devido ao mau tempo, a SATA Air Açores cancelou ligações de e para a ilha das Flores, afectando um total de 223 passageiros, que só deverão ser transportados este domingo.

O porta-voz da SATA, José Gamboa, adiantou que "do total dos 223 passageiros, 109 são de ligações [aéreas] canceladas hoje, enquanto os restantes estão retidos desde quinta-feira".

Segundo a SATA, a operação aérea entre as restantes ilhas "decorre com normalidade", tendo a transportadora efectuado hoje voos para "as ilhas de São Jorge, Pico e Corvo". A transportadora pretende repor no domingo as ligações canceladas, caso as condições meteorológicas assim o permitam.


Notícia: jornal «Destak», SiC e «Diário de Notícias».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

100 anos do Farol da Ponta das Lajes

Embora em 1881, como reflecte o Plano Geral aprovado dois anos mais tarde, se previsse a edificação de um farol na Ponta dos ilhéus de Água Quente, acabaria em 1894 por se decidir instalá-lo na Ponta das Lajes.

Conforme consta da memória descritiva e justificativa:

"Tendo sido encarregado de estudar e escolher, com o capitão-de-fragata Xavier de Brito, um ponto ao S.E. da ilha das Flores para a collocação de um pharol, depois de termos percorrido todos os pontos ao sul da ilha das Flores, desde a Ponta do Capitão até à rocha Alta, achamos que o único sítio (...) era a Ponta das Lajes ou Ponta S.E. da ilha das Flores.

A Ponta das Lajes acha-se situada entre a Ponta do Capitão (para Este) e a Ponta da Lomba Grossa (para Oeste). As razões que nos levaram a escolher este ponto de preferência a qualquer outro foram a sua situação avançada para Sul Este que lhe faz abranger um sector de 208º, a sua pouca altura acima do nível do mar e a proximidade em que se acha da vila das Lajes que fica apenas a 1,5 kilómetros do sítio escolhido para a collocação do pharol e as boas condições geológicas do terreno que devem simplificar a construção.

O farol na ponta SE da ilha, ilumina não só o Sul, o que é de grande vantagem para a navegação que vinda da América procura esta luz, mas também o canal entre a ilha das Flores e a do Fayal."

A Comissão encarregada em 1902 de propor as alterações a introduzir no Plano Geral aprovado em 1883, pronunciar-se-ia pela instalação na Ponta das Lajes de um aparelho de 2ª ordem, mostrando três clarões brancos de 15 em 15 segundos, cujo preço era de 49 mil francos.

O farol da Ponta das Lajes entrou em funcionamento em 10 de Outubro de 1910, conforme atesta o Aviso aos Navegantes nº 6, de 29 de Agosto de 1910:

"Communica a Direcção Geral da Marinha o seguinte:
Que no dia 10 de Outubro de 1910 principiará a funccionar o pharol da Ponta das Lages, ponta SE da ilha das Flores. O apparelho iluminante é dióptrico de 2ª ordem de rotação, mostrando grupos de 3 clarões brancos e rápidos de 20 em 20 segundos, e compõe-se de dois grupos de três lentes de 0m,70 de distância focal. Está montado em torre de alvenaria, de secção quadrada de 10 metros de altura, do solo à aresta superior da cornija. Sobre esta ergue-se a lanterna de secção circular com murette e cúpula metallica, pintada de roxo-terra. Junto à torre e symetricamente dispostos a Este e Oeste d’ella estão os edifícios, de um só pavimento, para habitação dos faroleiros. A pequena distância a NE fica a villa e porto das Lages. O horizonte marítimo iluminado é de 208º30’. (...) O alcance luminoso em estado médio de transparência atmospherica é de 32 milhas."

O farol da Ponta das Lajes entrou em funcionamento em 10 de Outubro de 1910. A sua torre tem, na sua totalidade, 16 metros de altura e 99 metros de altitude, sendo a fonte luminosa um candeeiro de nível constante a petróleo. A rotação da óptica era produzida através da máquina de relojoaria. Em 1938 o candeeiro de nível constante foi substituído pela incandescência pelo vapor do petróleo.

Foi electrificado através de grupos eletrogéneos em 1956 e a fonte luminosa passou a ser uma lâmpada de 3.000 watts, permitindo um alcance de 29 milhas. A potência da fonte luminosa foi reduzida em 1984 com a instalação de uma lâmpada de 1.000 watts/120 volts, passando o alcance para 26 milhas. O farol foi electrificado em 1990 com energia da rede pública.

Entre 3 de Outubro de 2000 e 18 de Outubro de 2001 decorreram obras de remodelação no farol. Por este motivo, durante este período, funcionou um farolim provisório em substituição do aparelho iluminante do farol. As obras de remodelação do farol ascenderam a 130 mil contos, ficando equipado com a mais moderna tecnologia, suportada em meios informáticos, a partir de 2001, permitindo aos técnicos da Direcção de Faróis entrar no sistema do farol a partir da Central de Faróis, em Paço de Arcos.
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quase dois terços da nossa população activa tem apenas formação do 6º ano

Mais precisamente 58,51% da população activa açoriana tem apenas o 6º ano de escolaridade. Se a situação portuguesa é má, das piores da União Europeia e da OCDE, os indicadores dos Açores são ainda piores, mais concretamente os da pior região portuguesa. Percentagens que revelam que mais de metade da população tem uma escolarização mínima; segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os Açores têm 33,89% da população activa com o 4º ano de escolaridade.

Refere Fernando Diogo (sociólogo e professor da Universidade dos Açores) que um estudo nacional mostra que a probabilidade de se ser pobre aumenta dramaticamente se a escolaridade dos representantes adultos do agregado familiar for inferior à 4ª classe. E sublinha Fabíola Cardoso que os Açores a nível do ensino básico tem apenas 0,8% de incidência de abandono escolar. “Números baixos e assim terá de ser, mas já tivemos números muito elevados e foi um percurso difícil que felizmente está a surtir os seus frutos”, refere a Directora Regional da Educação. “Temos que manter este desígnio porque enquanto houver um aluno a abandonar o sistema de ensino é óbvio que em relação aquele aluno o sistema falhou e nós não queremos falhar com nenhuma criança açoriana”, afirma Fabíola Cardoso.

Um estudo da OCDE revela que em 2008 há uma diferença substancial de rendimentos em função da escolaridade. Quanto maior for a escolaridade, maior probabilidade de os rendimentos serem superiores. Portugal é ainda dos países que mais se valoriza em relação ao efeito qualificação-vencimento. Mas já para os Açores alguns contornos podem dificultar esta apreciação. Para não falar do facto dos Açores ter já de si as taxas de escolarização mais baixas do país, acrescente-se um mercado de trabalho constituído pela força da construção civil, agricultura, turismo e os serviços do Estado. “Fora os serviços do Estado, todos os outros sectores tendem a exigir funcionários com mão-de-obra menos qualificada”, reflecte Fernando Diogo. Ainda assim, “havendo algumas dificuldades ao nível de empregar toda a gente com qualificações elevadas nos Açores, por causa da forma como o mercado de trabalho está organizado e por causa de sectores de actividade fortes, apesar de tudo é uma má ideia não estudar”, considera o sociólogo.

O que se faz para redimir perante tais números? “Iniciativas como as Novas Oportunidades, cursos de educação para adultos e regresso em força dos cursos profissionais à escola”, revela com agrado Fernando Diogo, ou no caso especifico dos Açores “não só através do ensino recorrente [com garantias de que se prolongará pelo menos mais um ano lectivo na Região], como com o programa ‘ReActivar’ que tem uma incidência muito grande precisamente nestes públicos adultos com baixas qualificações e mesmo para os analfabetos”, assegura Fabíola Cardoso.

Nos Açores destaca-se o ensino profissional que tem garantido o sucesso e aproveitamento de muitos, superiorizando percentualmente, e pela positiva, às taxas do restante país. Será talvez “a grande consolação” dos açorianos, que embora não estejam tão mal nos índices económicos que a restante média nacional, fazem parte da mesma conjuntura económica e quando a economia tomba… é para todos. Somadas as ciências mais vale estudar, até porque para Fernando Diogo, que concluiu num tom apreensivo: “as pessoas mais desqualificadas, aqueles indivíduos que estão em situação de pobreza, que são analfabetos, que têm uma 2ª ou 3ª classe, que trabalham em actividades esporádicas e depois não arranjam emprego, que se encontram na base da escala social, não estão a aceder a estas novas oportunidades que estão a ser criadas pelo Governo da República e pelo Governo Regional”.


Notícia: «Diário dos Açores».
Por outro lado, leia-se uma outra notícia: "parque automóvel dos Açores é dos mais recentes e renovados do país".

Saudações florentinas!!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aviso: agravamento do estado do tempo

O Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores recomenda que sejam tomadas as devidas precauções.

Uma depressão em fase de cavamento com um sistema frontal associado irá provocar um agravamento do estado do tempo a partir da tarde de hoje no Grupo Ocidental, com chuva por vezes forte, progredindo com um aumento do vento com rajadas que poderão atingir os 100 km/hora e ondas que poderão atingir os nove metros.

No Grupo Ocidental (ilhas das Flores e do Corvo), entre as 12 horas e as 21 horas de hoje esperava-se chuva que poderia ser forte, enquanto a partir das 3 horas de quinta-feira o vento vai aumentar de intensidade, com rajadas entre 64 e 75 km/hora, situação que se manterá até às 3 horas de sexta-feira. Ainda neste grupo de ilhas, o alerta meteorológico hoje divulgado indica que, entre as 6 horas de quinta-feira e as 12 horas de sábado ocorrerá agitação marítima com ondas de noroeste entre cinco a sete metros.

Este agravamento do estado do tempo é originado, segundo o Instituto de Meteorologia, por uma “depressão em fase de cavamento com um sistema frontal associado”.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Jornal Diário».
Saudações florentinas!!

«Brumas e Escarpas» #10

O ciclo do milho na Fajã Grande, nos anos 50

Parte II – A preparação dos campos nas terras junto ao mar

A preparação dos terrenos situados entre a beira-mar e as casas, ou seja as terras do Areal, das Furnas e do Porto, para se semear o milho, era efectuada de forma desigual e em tempos diferentes das restantes, ou seja das chamadas “terras do Oitono” e que se situavam entre as casas e as relvas ou até já misturadas com estas e, por conseguinte, mais distantes do mar. Por essa razão aqueles terrenos eram mais quentes e estes últimos mais frios, o que, no que respeita às tarefas do cultivo do milho, obrigava necessariamente a um tratamento e a uma calendarização diferentes.

As terras da zona mais próxima do mar, dada a sua fecundidade, regra geral, produziam vários produtos agrícolas durante todo ano, destacando-se três: couves, milho e batata-doce. A estes porém juntava-se muitos outros produtos: abóboras, bogangos, feijão, cebolas, etc. As couves, que cresciam acompanhadas das abóboras e dos bogangos, antecediam o cultivo do milho enquanto a cultura da batata-doce e as restantes eram simultâneas da daquele cereal.

As couves eram obtidas da plantação da couvinha que desabrochava em canteiros, num ou noutro canto da terra onde as sementes de couve haviam sido semeadas e muito bem adubadas. Os pés de couvinha eram espalhados sobre a terra e plantadas à enxada logo após a apanha do milho e da batata-doce e destinavam-se quase totalmente à alimentação do gado bovino e do suíno, devendo, neste último caso, serem cozidas. Além disso enrijeciam e fortaleciam a terra, pois ao serem cortadas pelo caule afim de serem transportadas em molhos para os palheiros, deixavam no terreno uma raiz muito forte, que, mais tarde, teria que ser arrancada, sacudida e geralmente atirada para cima dos marouços ou então deixada a apodrecer, transformando-se assim numa espécie de estrume vegetal, ajudando a fortalecer o terreno que aguardava o semear do milho. A estes e outros resíduos, porém juntavam-se carros e carros de bois bem cheiinhos de estrume ou de sargaço, que se iam despejando em montículos mais ou menos equidistantes uns dos outros. De seguida, todo este “adubo orgânico” era espalhado equitativamente por toda a terra, com garfos, de forma a cobrir muito bem coberta toda a superfície arável do campo.

Só então se procedia ao lavrar ou “abrir” do terreno, tarefa efectuada com o arado de ferro puxado por uma valente junto de bois ou, para quem não os tinha, uma junta de vacas. Na Fajã havia dois ou três lavradores que tinham junta de bois com as quais “davam dias para fora”, ou seja lavravam os campos de quem necessitava mediante pagamento, tornando-se assim numa espécie de profissionais da lavoura. O arado de ferro, como o nome indica, era em grande parte construído em fero e tinha uma ponta muito bem afiada e uma enorme aiveca lateral, presa ao timão por um gancho que revirava ora para um lado ora para o outro, permitindo assim ao lavrador que a voltasse sempre para o lado do terreno que já estava lavrado. O lavrar dos campos iniciava-se geralmente com três voltas na periferia do terreno, num movimento contrário aos ponteiros de um relógio. De seguida efectuava-se de lés a lés, ao comprido ou ao atravessar do campo, sendo que, no caso de este ser inclinado se efectuar sempre de forma a que o revolver da terra a atirasse para a parte mais alta, permitindo assim ao terreno manter a sua forma e estrutura iniciais.

A etapa seguinte era a de gradar. O objectivo era desfazer as leivas e os torrões, tarefa efectuada com uma grade de madeira, com os picos de ferro voltados para baixo, e em cima da qual geralmente se colocavam algumas pedras bem pesadas. Por vezes, para fazer mais peso, era permitido às crianças, para seu gáudio, sentarem-se em cima da grade. Outras vezes era o próprio homem que a segurava com uma corda, que a guiava e que conduzia os animais que se colocava de pé em cima dela, substituindo ou aumentando o peso das pedras. De seguida efectuava-se um novo gradeamento, com a grade ao contrário, ou seja com os ferros voltados para cima, sendo que desta feita apenas só pedras lá se colocavam. O objectivo, desta feita, era alisar a terra, a qual, algum tempo depois, era “atalhada” com o arado de pau e novamente gradada, com a grade de costas.
Só então o terreno estava pronto para se semear o milho.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um centro educativo ambiental... online

O SIARAM (Sentir e Interpretar o Ambiente dos Açores) está disponível desde o passado dia 30.

Este centro educativo ambiental online contém um "repositório de informação que foi construído e pensado essencialmente para o sistema educativo". Estão disponíveis um conjunto de materiais que permitem a qualquer professor "descarregar a partir dali as imagens, sons ou textos e construir as suas próprias lições", adiantou o secretário regional do Ambiente e do Mar. Segundo Álamo Meneses, o lançamento deste projecto em 2010 tem um significado muito especial, pois é uma forma de assinalar o Ano Internacional da Biodiversidade, que ocorre precisamente durante o corrente ano.

O novo sítio aborda áreas como a Situação Geográfica, Fauna, Flora, Vegetação, Zonas Costeiras, Paisagem, Vulcanismo e Cavidades Vulcânicas. Sob o tema genérico "O Homem e a Natureza", o projecto trata ainda de temas como o Património Cultural, Reservas da Biosfera, Energia e Recursos Hídricos, Naturalistas nos Açores e Centros de Interpretação.


Notícia: «Jornal Diário», rádio Atlântida e o sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Jornadas Parlamentares do PS/Açores nas ilhas ocidentais... foram canceladas

O previsível agravamento do estado do tempo nos próximos dias nas ilhas das Flores e do Corvo originou o cancelamento das Jornadas Parlamentares do PS/Açores, que deveriam começar na terça-feira.

Os socialistas açorianos, tendo em conta as previsões meteorológicas para o resto da semana, recearam que o estado do tempo pudesse inviabilizar a presença dos deputados regionais na reunião da Comissão Permanente da Assembleia Legislativa dos Açores que está marcada para sexta-feira.

Nesta reunião, que terá lugar na Horta, estará em discussão a revisão constitucional no que se refere à extinção do cargo de Representante da República. O PS e o PSD estão de acordo quanto à extinção deste cargo, mas não se entenderam ainda quanto à distribuição dos seus poderes, defendendo os socialistas que devem ser maioritariamente atribuídos ao presidente do parlamento regional, enquanto os social-democratas entendem que devem passar para um novo cargo, cujo titular deve ser eleito em sufrágio universal.

As jornadas parlamentares do PS/Açores deveriam começar na terça-feira no Corvo, a mais pequena ilha do arquipélago, onde os deputados iriam visitar algumas obras em curso, como a Torre de Controlo do Aeródromo, o Pavilhão Multiusos ou a nova Lota. Ao final da tarde, os deputados regionais socialistas seguiriam para a vizinha ilha das Flores, onde permaneceriam até quinta-feira em visitas e contactos com entidades locais.


Notícia: «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

domingo, 3 de outubro de 2010

Última actividade sísmica sentida pela população da ilha das Flores data de finais do séc. XIX ou início do séc. XX

As ilhas das Flores e do Corvo encontram-se localizadas num ambiente designado por intraplaca.

‘A frequência dos tremores de terra que está em relação com as grandes linhas de fractura da crosta terrestre’, ou seja, a sismicidade, é um fenómeno a que os açorianos, regra geral, estão habituados. Mas nem todos... mais para ocidente, concretamente nas ilhas das Flores e do Corvo o senso comum e o registo histórico não considera da mesma forma tal acontecimento e rege-se pela salvaguarda de que tal não acontece, pelo menos, com a mesma frequência. E aqui parece existir algum consentimento por parte dos especialistas. A placa tectónica americana, da qual fazem parte as ilhas do Grupo Ocidental e o vulcanismo activo são duas formas susceptíveis de actividade sísmica, mas os registos históricos e as informações das estações locais, e não locais, de rastreio desta acção não dão azo a registos mediáticos ou científicos tão intensos como a das restantes ilhas dos Açores.

De acordo com Teresa Ferreira, coordenadora do CIVISA (Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores), o enquadramento geodinâmico quer da ilha das Flores quer do Corvo é completamente distinto do enquadramento das restantes ilhas do Grupo Central e do Grupo Oriental. Flores e Corvo encontram-se localizadas num ambiente designado por intraplaca, estão no interior de uma placa tectónica (a americana). As outras ilhas estão numa zona de fronteira de contacto com duas placas tectónicas (a placa euro-asiática e a placa africana). Mas há mais a acrescentar ao puzzle que forma a geologia das ilhas açorianas. Entre a ilha das Flores e a ilha do Faial passa a crista média atlântica que é outra zona de fronteira de placas tectónicas, que de norte a sul tem uma fronteira em contacto entre placas distintas (numa zona mais a norte o contacto dá-se entre a placa americana e euro-asiática e mais a sul entre a americana e a africana). “Esta zona de fronteira é uma zona submarina onde vai tendo regularmente actividade e também actividade vulcânica, uma vez que é uma das muitas regiões do globo onde se está quase que continuamente a gerar a crosta oceânica”, explica Teresa Ferreira.

E é aqui que entra o registo do Instituto de Meteorologia que informou no passado dia 13 de Agosto que pelas “7h58 foi registado nas estações da rede sísmica do arquipélago dos Açores um sismo de magnitude 4.2 na escala de Richter e cujo epicentro se localizou a cerca de 330 kilómetros a sudoeste da freguesia do Lajedo”. Mas como esclarece Teresa Ferreira, não ocorreu na ilha das Flores, mas muito longe (mais de 300 kilómetros), simplesmente as Flores é a ilha que se encontrava mais perto do epicentro. Ou seja, “por vezes são registados sismos “na ilha das Flores” com origem na crista média atlântica (nos seus diferentes sectores - mais a norte ou mais a sul - dependendo da magnitude do evento e se as ondas sísmicas geradas têm energia ou não para chegar até próximo das ilhas) o que não significa que possam ser sentidos. Só seriam sentidos se fossem bastante fortes”, aclara Teresa Ferreira.

O sismo referido e registado (dia 13 de Agosto), tal como os “provenientes” da crista média atlântica “teriam que ser sismos muito fortes para serem sentidos”, evidencia Teresa Ferreira. E para reforçar tal facto, “o número de sismos sentidos na ilha das Flores é extremamente reduzido em termos históricos. Praticamente não temos quase informação sobre este assunto, pois é muito reduzida (isto no que diz respeito aos sismos de origem tectónica e associados à Região das várias fronteiras de placas onde se encontra situado o arquipélago dos Açores)”, revela Teresa Ferreira.

Os últimos sismos sentidos no ponto mais Ocidental da Europa datam de finais do século XIX ou início do século XX. Isto, tratando-se de informação respeitante a sismos locais, bem como de sismos mais distantes porque “uma zona é afectada em função dos sismos locais (pequena magnitude, mas que cuja magnitude e face à proximidade do epicentro é suficiente para que seja sentido), como também com sismos mais distantes (com magnitude muito maior possam ser sentidos)”, relata Teresa Ferreira que sublinha “para a ilha das Flores a informação é reduzida”, sinónimo de pouca actividade.

Faltando referir, mas não menos importante, que o vulcanismo é também responsável por actividade sísmica. O arquipélago dos Açores tem 26 vulcões e sistemas vulcânicos activos, mas nenhum indicia entrada em actividade e na ilha das Flores há um sistema vulcânico activo (as lagoas) e no Corvo um vulcão considerado activo. A sismicidade, associada aos fenómenos vulcânicos, é uma sismicidade muito mais localizada. Para Teresa Ferreira “a ilha das Flores é uma ilha que apesar de não ter tanta actividade sísmica como as restantes teve num passado recente, em termos geológicos, actividade vulcânica. Por isso do ponto de vista de actividade vulcânica, pensamos que tem potencial para, face à actividade vulcânica ocorrida e que não foi registada há muito tempo (2 a 3 mil anos o que é pouco em termos geológicos), ter actividade vulcânica no futuro. Como tal, é uma ilha que é interessante deste ponto de vista e temos tido um reforço da monitorização dessa ilha”, conta. Por exemplo, a ilha Graciosa com dois sistemas vulcânicos activos, tem a última erupção sensivelmente ao mesmo tempo que a ilha das Flores.

Quanto ao vulcanismo ‘a Ocidente’, “consideramos ter um sistema vulcânico activo, uma vez que as erupções mais recentes são aquelas que deram origem ao centro da ilha: Lagoa Funda, etc, as várias lagoas que são uma das imagens de marca da ilha das Flores”. Ainda assim, e mesmo que tenha havido esporadicamente vigilância sísmica esta “não tem sido feita com a mesma intensidade com que na outras ilhas do arquipélago porque em termos de um conjunto [as restantes ilhas] têm uma actividade muito superior”, frisa Teresa Ferreira. Mais: “quando instaladas e quando algumas estações estão operacionais a sismicidade registada tem sido praticamente local, nula”, afirma Teresa Ferreira, acrescentando que regista-se desde que haja equipamento instalado, mas quanto a sismicidade assinalada à própria ilha das Flores é muito fraca”. E sublinhe-se a actividade é muito fraca em termos de quantidade de registos e na força de energia que estes possuem. Ainda assim, [actividade sísmica nas ilhas das Flores e do Corvo] “merece toda a nossa atenção e temos tentado fazer o reforço de monitorização regularmente”, concluiu Teresa Ferreira.


Notícia: «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

sábado, 2 de outubro de 2010

Desinteresse nos voos para os Açores?

A TAP e a SATA desmentiram à «TV.Net» que a redução das indemnizações compensatórias do Estado possa afastar o interesse dessas companhias aéreas em fazer as ligações aéreas entre os Açores e o Continente.

“A notícia não tem nada de real, não tem qualquer fundamento ou qualquer facto que conduza a estas conclusões”, revelou fonte oficial da TAP à «TV.Net».

Acrescenta mesmo que “o que aparece explanado e explicado não é matéria factual é matéria da própria jornalista” do «Jornal de Negócios» que avançava [ontem] que a TAP e a SATA recebem indemnizações [compensatórias] para efectuarem as rotas dos Açores e caso o valor seja reduzido, [ess]as companhias aéreas podem [assim] deixar de estar interessadas em fazer as viagens por [então já] não ser rentável.

Em declarações à «TV.Net», a mesma fonte explicou que “o serviço para os Açores é um serviço ao abrigo de um estatuto muito próprio... É considerado serviço público. Como tal tem condições e obrigações muito próprias”. E reafirmou que “não há nada neste momento... Tudo está a decorrer normalmente e não existe nada que faça prever uma alteração”.

Também a SATA desmentiu esta notícia. Fonte oficial da companhia açoriana garantiu à «TV.Net» que “em momento algum colocámos a hipótese de acabar com as ligações entre o Continente e as ilhas”. A mesma fonte referiu que não faz sentido essa afirmação “porque a SATA é a companhia aérea dos Açores”. “Neste momento é ainda prematuro qualquer acção sobre o assunto”, acrescentou.


Notícia: TV.Net.
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pensionistas com cortes nas reformas, famílias que vão ficar sem abono e funcionários públicos com menores salários: agradeçam-lhe os submarinos!

Paulo Portas (líder nacional do CDS/PP) irá estar este sábado (amanhã) na ilha das Flores.
Os pensionistas que vão sofrer cortes no valor da sua reforma para a qual descontaram durante décadas de trabalho, as famílias que irão perder o direito ao abono pelos seus filhos menores e também os funcionários públicos que vão ver diminuir os seus salários (devido às medidas de austeridade aplicadas pelo Governo do PS de José Sócrates), bem podem ainda dar graças a Paulo Portas pelo nosso "rico" país estar a gastar 2 mil milhões de euros na compra de (tão necessários que nos são!) dois submarinos!
A decisão foi dele! O negócio é dele! Agradeçam, pois então, a Paulo Portas! Sejam agradecidos ao presidente do CDS/PP!