sábado, 30 de junho de 2012

«Brumas e Escarpas» #44

A pesca à baleia na Fajã Grande

Todos os anos, ainda em plena Primavera, logo a seguir à Páscoa, chegavam à Fajã Grande, vindos da ilha do Pico, da vila de Santa Cruz e, sobretudo, das Lajes, homens cuja actividade principal era a baleação. Eram geralmente os oficiais e os arpoadores, mas também alguns marinheiros e, até, o vigia. Muitos deles traziam a família, alugavam casa e viviam na Fajã durante todo o Verão. A maior parte voltava na época seguinte e alguns fizeram-no anos a fio. A estes homens, profissionais experientes da caça à baleia, juntavam-se muitos outros baleeiros, bem menos experientes e pouco sabedores, naturais e residentes na Fajã, que eram agricultores e criadores de gado, mas com uma vontade gigantesca de também se dedicarem à baleação, reforçando assim com os ganhos obtidos, o seu parco e débil orçamento familiar. Muitos destes homens, arreavam pela primeira, sem conhecimentos e sem prática, mas, no entanto e aos poucos, iam aprendendo, ganhando experiência, adquirindo sabedoria tornando-se baleeiros competentes e, sobretudo, capazes de conciliar as suas actividades agrícolas e pecuárias com a pesca à baleia, que afinal só acontecia nos meses de Verão e nos dias em que, por indicação do vigia, se avistava baleia. Assim nos restantes dias podiam dedicar-se à sua actividade agrícola, trabalhando os seus campos e cuidando do seu gado.

Tudo começava com o vigia que, todos os dias, ainda noite escura, se deslocava para a Casa da Vigia, situado a bem lá no alto do Pico da Vigia e que, munido de uns binóculos potentíssimos, vigiava, com muita atenção e esmero, todo o oceano desde a Rocha do Risco, quase abrangendo os mares de Ponta Delgada e do Corvo até à rocha dos Bredos, na Fajãzinha.

Mal avistava uma baleia o vigia atirava uma bomba, se fosse cardume, um foguete. De imediato um magote de homens, muitos deles abandonando os trabalhos dos campos, desatavam a correr, em direcção ao Porto Velho, onde estavam varados os botes e ancorada a Santa Teresinha, numa correria louca, espavorida e atropelada. Não havia contemplação, nem tolerância! Quem estivesse a ordenhar as vacas, a tirar o esterco ao palheiro, a ceifar erva numa lagoa ou fetos no Pocestinho, a sachar milho nas Furnas ou plantar inhames no Delgado, teria que deixar a meio o que estava a fazer e se trouxesse às costas um molho de lenha ou um cesto de inhames teria que o largar sobre a parede do descansadouro mais próximo e desandar, o mais rápido possível, na direcção do mar. Algum familiar mais chegado ou amigo mais próximo havia de lhe terminar a tarefa. Os velhos da freguesia, que já não podiam arrear e as crianças, se não houvesse escola, também se encaminhavam para o Porto, é verdade que numa correria menos comprometida, com o objectivo de se postarem à Eira, em cima do Cais, no Farol ou no Matadouro, a vê-los partir, os velhos a recordar os tempos de outrora, as crianças a sonhar que um dia ainda haviam de ser baleeiros. A baleação, na Fajã Grande, como que estava no sangue de todos. As mulheres também não se haviam aquietado com o foguete. Antes, rápidas e céleres, tentavam chegar a tempo de lançar de terra para dentro dos botes já na água, os agasalhos e as sacas ou cestas cheias de pão, de bolo, de queijo, de linguiça e de torresmos, uma garrafa de vinho ou café, porque o dia poderia ser muito longo e a noite prolongar-se pela madrugada. Depois todos regressavam a casa, encaminhando-se, de seguida, para os campos para finalizarem as tarefas inacabadas ou para iniciarem outras.

Se o gasolina ainda não estava pronto, os botes partiam, à vela ou a remos se não soprasse aragem favorável, na procura do cetáceo, de acordo com a indicação do vigia. Em breve a Santa Teresinha os apanhava, rebocando-os em alta velocidade. Era imperioso não perder tempo e chegar o mais rápido possível perto da baleia. Uma bandeira hasteada lá no alto do Pico e um pano da mesma cor, colocado nas encostas do Canto do Areal, indicavam a localização das baleias e a direcção que as embarcações deviam seguir.

Finalmente os botes aproximavam-se das baleias, enquanto o gasolina se afastava para que os barulhos do motor não as assustasse, pois qualquer ruído estranho podia amedrontá-las, fazendo com que se afastassem. Sob as ordens do mestre que orientava a direcção e o movimento do bote com remo “esparrel”, o trancador, um dos homens mais valentes da companha, colocava-se, com os pés bem firmes na proa do bote, de arpão em riste, à espera de que a baleia voltasse à tona para lhe atirar em cheio.

Depois era o inferno! Uma vez ferido, o cetáceo ora se lançava numa louca correria ora mergulhava nas profundezas do oceano, com o risco de arrastar bote e marinheiros que deixavam correr a corda do arpão, guardada numa selha e bem ensebada para que deslizasse menos perigosamente pela borda fora. O bote seguia o cetáceo numa correria cada vez mais alucinante, com um marinheiro de facalhão em riste para cortar a corda, caso o animal não parasse ou se enfiasse pelos fundos do oceano. A maioria das vezes a baleia, exausta e com necessidade de respirar, voltava à tona e reaparecia. Era então a vez da Santa Teresinha tomar parte na batalha e, aproximando-se com uma lança lhe atirar golpes sucessivos até, para gáudio de todos, matar por completo o cetáceo.

Finalmente o reboque até à fábrica do Boqueirão em Santa Cruz, tarefa que geralmente era realizada pelo gasolina, enquanto os botes, agora a remos e muito lentamente navegavam em direcção ao Porto Velho, onde eram aguardados e saudados, já noite escura, por uma pequena multidão, iluminando o porto com lanternas de petróleo.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Deputados criticam custos do tráfego na fibra óptica entre Continente e Açores

Os deputados açorianos do PSD na Assembleia da República insurgiram-se contra o preço do tráfego na fibra óptica Continente-Açores, argumentando que o cabo foi montado com dinheiros públicos.

Num requerimento dirigido ao Governo da República, Joaquim Ponte, Mota Amaral e Lídia Bulcão dizem não compreender que 1 giga de tráfego por mês custe 45 mil euros. Os três deputados açorianos dão ainda exemplos de ligações submarinas cujos tarifários estão a descer: Los Angeles-Tóquio, por exemplo, desceu 35 por cento no último ano (agora, 10 gigas de tráfego por mês custam menos de 40 mil dólares).

Os três deputados açorianos social-democratas querem saber como se chega ao preço praticado, tendo em conta que o cabo de fibra óptica foi montado com dinheiros públicos e que a empresa concessionária apenas faz a sua manutenção.


Notícia: RTP Açores Multimédia.
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Lajes das Flores vai continuar a ser o único concelho do país sem 3º ciclo

O concelho de Lajes das Flores, o mais ocidental da Europa, vai continuar a ser o único em Portugal sem o terceiro ciclo do ensino básico, depois da sua criação ter sido rejeitada pelos votos contra do PS e do CDS/PP na Assembleia Legislativa Regional.

O projecto de resolução apresentado pelo PCP para a criação do terceiro ciclo do ensino básico na Escola das Lajes das Flores recebeu os votos favoráveis do PCP, BE, PSD e PPM.

Aníbal Pires, deputado regional do PCP, justificou a iniciativa salientando que “o número de alunos (que deveria abranger) é reduzido, mas existe”. A necessidade de evitar a deslocação destes alunos todos os dias para a escola no vizinho concelho de Santa Cruz e a importância de contribuir para que as Lajes mantenham o seu nível de população, foram outros dos argumentos apresentados.

Argumentos que não convenceram José Gabriel Eduardo, deputado do PS, que salientou o facto de o Conselho de Ilha das Flores não se ter pronunciado a favor desta medida e de a escola ter considerado “que o reduzido número de alunos não viabiliza a abertura do terceiro ciclo”. José Gabriel Eduardo, que foi eleito pelo círculo da ilha das Flores, frisou que actualmente estão a terminar o segundo ciclo do ensino básico apenas 16 alunos nas Lajes das Flores.

Por seu lado, Paulo Rosa, deputado do CDS/PP, também eleito pelo círculo da ilha das Flores, apesar de reconhecer que as Lajes “são o único concelho do país que não tem terceiro ciclo do ensino básico”, defendeu que a proposta do PCP “não tem validade pedagógica”.

A secretária regional da Educação considerou que “não há viabilidade, nem interesse” na criação do terceiro ciclo do ensino básico nas Lajes das Flores. “A curto e médio prazo, não se justifica”, frisou Cláudia Cardoso.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tivemos novo sismo de magnitude 4.7

Um sismo de magnitude 4.7 na escala de Richter ocorreu esta quarta-feira às 7h40 ao largo da ilha das Flores, revelou o Instituto Geológico dos EUA.

O sismo, cujo hipocentro foi localizado a 247 quilómetros a nordeste de Santa Cruz das Flores, a uma profundidade de nove quilómetros, não provocou danos ou vítimas.

Uma fonte dos Bombeiros Voluntários de Santa Cruz das Flores contactada pela Agência Lusa revelou que a corporação não recebeu nenhuma chamada relacionada com este sismo.

Naquela região do oceano Atlântico já tinha sido registado um sismo com a mesma magnitude no domingo ao final da tarde [e outro sismo na noite também deste domingo].


Notícia: RTP Açores, jornal «Correio da Manhã» e TVI 24.
Saudações florentinas!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Nem é Lagoa das Patas, nem Alagoinha. O Poço chama-se, simplesmente, Poço!

Se é bem verdade que a toponímia das ruas e praças das localidades é competência dos órgãos autárquicos, também não é menos verdade que o nome/toponímia dos diferentes pontos e sítios geográficos vêm de tempos ancestrais e é no mínimo uma atitude de respeito para com os que nos antecederam e de defesa do nosso património respeitar e preservar os nomes que esses ancestrais deram aos ditos locais. Vem isto a propósito do recente panfleto distribuído pela Secretaria Regional do Ambiente constante da campanha “Um florentino Uma planta endémica”, divulgando uma acção de voluntariado no “Poço das Patas” na Fajanzinha. Ora não pretendo contestar a existência de um número crescente e variado de patos-bravos, que sempre os ouve, tal como as galinhas de água/galinhas da Guiné que ali também se encontram; já os nomes com que a desinformação (que quando não se busca corrigir assume outra designação), ao que parece tão amiga dos responsáveis por tais actos, tem dado diferentes nomes a este local, desde Poço das Patas ou Lagoa das Patas a Poço da Alagoinha, nomes que me causam no mínimo alguma repulsa, no fundamental pelas razões já expostas, mas também porque sendo a minha família paterna natural e residente na Fajanzinha (há séculos) ainda antes da construção da sua Igreja Matriz, e tendo a felicidade de ainda ter conhecido bisavó e outros coevos tive e tenho o previlégio de conhecer, quase “como as palmas das mãos”, esta, também minha, freguesia, os seus diferentes locais e suas designações. Assim sendo, esclareçamos.

A Alagoinha é um sítio localizado na base da rocha situado, grosso modo, entre a Ribeira Grande e a Rocha Branca (ou seja, precisamente do lado contrário). É lá que existe o Poço da Alagoinha, que há longas décadas sofre de um processo de eutrofização que o tem praticamente transformado num pântano coberto de vegetação mas que ainda pode ser observado do miradouro Craveiro Lopes (é só e apenas olhar na vertical, para baixo!)

Quanto ao Poço em apreço, que tão mal tratado e apelidado tem vindo a ser, o seu nome sempre foi: “O POÇO” – isso mesmo, simplesmente o POÇO, sabem isso os Fajanenses e todos os donos dos terrenos onde o mesmo se encontra (é que todos os terrenos à volta do mesmo têm dono, que naturalmente terão dado autorização para que a Secretaria Regional entre por eles adentro e desate a plantar e a cortar tudo o que lhe apetece e apraz por bem, pelo menos assim espero!)

Posto isto, não posso terminar sem fazer um reparo. É que mesmo que os florentinos da diáspora sejam chamados às Flores para plantar a sua planta endémica, não me parece o suficiente para combater a planta invasora que é a “cana-roca” que abundantemente se vê na foto apresentada no prospecto. Fica-me pois esta dúvida: não será preferível pedir autorização ao proprietário daquela plantação de “cana-rocas” para os voluntários lhe limparem o terreno dessa praga em vez de andar a plantar “meia-dúzia” de plantas endémicas nas propriedades ao lado? – até porque o novo Quadro Comunitário de Apoio que se prevê venha a apoiar este tipo de replantação não passa ainda de um projecto a aguardar aprovação.

Termino deixando uma sugestão: se por acaso os responsáveis governativos não souberem o que é a “cana-roca”, talvez entendam se lhe explicarem que são “conteiras”, que é a designação micaelense das mesmas.


João Paulo Valadão Corvelo

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Recolha selectiva de resíduos nas Lajes acima das mais optimistas expectativas

A Câmara Municipal das Lajes vem expressar o seu agrado perante os seus munícipes quanto ao correcto comportamento que estes têm vindo a desempenhar na separação dos resíduos. Para aferir as consequências positivas sobre o meio ambiente, adiantamos que desde 3 de Maio estes resíduos já não se encontram depositados junto com o lixo indiferenciado. Desta data em diante, a correcta separação dos resíduos permite que até ao início de laboração do Centro de Tratamento não se verifique acumulação de odores dos resíduos aí armazenados, pelo que o município de Lajes das Flores agradece todo o empenho.

Notícia: "sítio" da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

domingo, 24 de junho de 2012

Sismo de magnitude 4.7 nas Flores

Um sismo de magnitude 4,7 na escala de Richter foi registado hoje ao largo da ilha das Flores, segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos da América.

O sismo ocorreu às 18h43 locais, com hipocentro a nove quilómetros de profundidade e a 270 quilómetros de Santa Cruz das Flores.

De acordo com o Instituto Português do Mar e Atmosfera (antigo Instituto de Meteorologia), hoje registaram-se ainda outros cinco tremores de terra de fraca intensidade, entre os 2,2 e os 4,3 de magnitude, no arquipélago dos Açores.


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Jornal de Notícias».
De relembrar que a 5 de Junho deste ano e a 8 de Dezembro do ano passado já haviam também ocorrido sismos com epicentro a menor distância da ilha as Flores e que não foram sentidos pela população.

Saudações florentinas!!

Parabéns ao coveiro do São João como "antiga" festa municipal de Santa Cruz

Talvez que hoje afinal já nem seja sequer o dia feriado do Munícipio de Santa Cruz das Flores... É favor verificar os elementos do actual Executivo da Câmara Municipal de Santa Cruz, com o presidente Manuel Pereira, o vice-presidente José Carlos Mendes, o vereador a tempo inteiro Fábio Medina e outras duas pessoas em cargos de vereação. Um fartote!

Quem queira, pode sempre recordar o cartaz e programa das Festas de São João... quando estas ainda se realizavam, em 2010, 2009, 2008...

sábado, 23 de junho de 2012

Homens pelo fim da violência doméstica

A campanha do Laço Branco arrancou esta semana nos Açores, com a divulgação de um vídeo promocional no qual seis homens conhecidos do grande público apelam ao fim da violência doméstica.

Para a directora regional da Solidariedade e Segurança Social, Natércia Gaspar, este vídeo promocional vai “seguramente mudar comportamentos e mentalidades", pelo facto de os homens açorianos admirarem as personalidades que dão a cara por esta campanha.

O futebolista Pedro Pauleta, o automobilista Ricardo Moura, o jornalista Rui Goulart e os humoristas José Maria Pacheco, Hélder Medeiros e Roberto Borges são os rostos da campanha, que teve como inspiração uma acção de sensibilização realizada no Brasil.

Nos Açores uma em cada cinco mulheres já foi vítima de algum tipo de violência doméstica, de acordo com um estudo realizado pelo professor Manuel Lisboa.


Notícia: «Açoriano Oriental», «TeleJornal» da RTP Açores [com vídeo], «Jornal Diário», semanário «Sol» e «Tribuna das Ilhas».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nova produção teatral d' A Jangada

Na próxima semana, de 26 a 30 de Junho, "A Jangada - Grupo de Teatro" leva à cena uma nova revista à portuguesa, entitulada «Aguenta ó teso, que este buraco é de peso». Com encenação e direcção artística de Joaquim Salvador, esta peça será mostrada às 21h30 no Auditório d' Os Minhocas.
Saudações florentinas!!