O único destinatário do trabalho político é o povo, sendo a ele que cabe a sua avaliação. Ao deputado cabe a tarefa de representar aqueles que o elegeram, nas suas preocupações e anseios, como fiel procurador e detentor da confiança que lhe foi conferida pelo voto.
Enquanto
deputado regional, tenho procurado ser fiel a essa missão, procurando, dentro dos meios que me são dados, estar presente na defesa dos interesses da
ilha das Flores, nas mais diversas circunstâncias, procurando assim, dentro da medida do possível, corresponder a esse meu dever, da melhor forma que sei e posso.
A
ilha das Flores continua com problemas sérios por resolver. De entre elas elegi, nesta Legislatura, as
Comunicações (em todas as suas vertentes) e a
Saúde.
Enquanto
deputado pertencente a um Grupo Parlamentar mais alargado – onde todos têm as suas tarefas específicas no trabalho de retaguarda que serve de suporte a toda a acção política do grupo -
procuro contribuir acerrimamente para que as ilhas pequenas como a nossa, marquem a agenda política, com os seus constrangimentos e dificuldades, nunca esquecendo que não há desenvolvimento harmónico (bandeira dos princípios da Autonomia) enquanto houver ilhas com motores de desenvolvimento diferenciados e, consequentemente, ilhas de primeira, segunda ou terceira categorias. A desertificação e a debilidade da economia das Flores, a falta de atractividade e as dificuldades com a fixação dos jovens, são uma constante no meu discurso político, sempre que posso e onde tenha oportunidade de o fazer. No
Grupo Parlamentar, onde
ocupo o cargo de secretário na Comissão de Assuntos Sociais, procuro com a minha presença marcar sempre essa realidade, transpondo para os múltiplos assuntos que aí se analisam a visão de alguém que pode
testemunhar os maiores constrangimentos do atraso no progresso, do isolamento, da ultra-insularidade. Nesta Legislatura já participei em mais de uma vintena de reuniões da
Comissão a que pertenço e em diversas Jornadas Parlamentares.
Neste último ano, em
requerimentos diversos, procurei respostas para problemas concretos das Flores, tais como:
certificação da iluminação do aeródromo das Flores;
questões relativas à pesca ilegal nas nossas águas costeiras;
deficiências nas instalações de Segurança Social; medidas para combate à elevada densidade do coelho bravo nas Flores;
entrega, qualidade e formação do “computador Magalhães”;
políticas de transportes terrestres;
limpeza das ribeiras;
escoamento de pescado para exportação;
construção da sala de desmancha;
má qualidade dos transportes aéreos.
Nos Plenários mensais, realço algumas das minhas
intervenções sobre a
fraca taxa de execução dos Planos anteriores relativamente às Flores, nos mais diferentes sectores e actividades; nos
grandes constrangimentos de certas políticas de saúde na nossa ilha; doutra vez, questionei peremptoriamente o Secretário da tutela sobre aquilo que eu considero um embuste político ao dizer-se que no nosso Centro de Saúde foi criado um Serviço de telemedicina que, na realidade, não existe e que, a meu ver, poderia ser de grande importância numa ilha sempre deficitária na prestação de cuidados de saúde; sobre o
combate à elevada densidade da praga dos coelhos bravos; na aspiração apresentada em
petição pelos residentes da Ponta da Fajã Grande; e na mais recente
petição sobre a contratação do Dr. António Góis.
Assinalando o cinquentenário da criação do ensino oficial nas Flores, com a
criação do Externato da Imaculada Conceição, apresentei um Voto de Saudação que mereceu a unanimidade de toda a Assembleia.
Enfim, de forma discreta e sem procurar a “ribalta” para os meus modestos feitos políticos, vou, sem procurar protagonismos, fazendo aquilo que, em consciência, acho ser
meu dever para com dignidade desempenhar o cargo que me foi incumbido.
Os jornais e a televisão tem a sua leitura muito própria sobre aquilo que devem ou não publicar e tem os seus métodos próprios que visam, muitas vezes, apenas os resultados do mercado e, outras vezes, as clientelas que preferem. Sim, porque essa coisa de comunicação social isenta é coisa que eu não acredito e essa outra coisa de “serviço público” é também algo que eu não confirmo.
No
sítio oficial da Assembleia Legislativa [Regional] na
respectiva base de dados, lá vai sendo publicada grande parte da actividade parlamentar. Há, todavia, trabalho de grupo que não é aí especificado e há muita participação esporádica de cariz político que se dilui no dia-a-dia sem ser evidenciado, como sejam as
mil pequenas coisas que um deputado é chamado a fazer por conta das suas influências e conhecimentos e que, por vezes, podem ser consideradas muito importantes. Os contactos pessoais, o trabalho de pesquisa e de estudo, são também tarefas necessárias, imprescindíveis, num trabalho que tem de ser fidedigno e responsável.
Avalio este ano, e todos os outros, como um período da minha actividade política em que
dei o melhor do meu modesto conhecimento e da minha enorme disponibilidade de bem servir.
António Maria Gonçalves