Escola Profissional [de São Jorge] fechou [o seu Pólo na ilha das Flores] por falta de colaboração da Câmara [Municipal de Santa Cruz]
No passado dia 20 de Julho, o Dr. Victor Bernardes, director da Escola Profissional de São Jorge, entregou [em mão] a chave das instalações provisórias [do Pólo daquela Escola na nossa ilha] ao vice-presidente José Carlos Mendes, em representação do presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.
O Dr. Victor Bernardes disse-nos [ao jornal «As Flores»] que quis fazer a entrega da chave “propositadamente [de forma] pessoal” e por isso “não a mandou por outra via”.
Declarou-nos que o Pólo [da Escola Profissional de São Jorge] que aqui funcionava fechou devido “à inexistência de infraestruturas [na ilha das Flores]” para o seu funcionamento.
Explicou-nos que “a tutela [do Governo Regional] propunha que todas as ilhas tivessem uma Escola Profissional e nas Flores (ilha mais pequena) um Pólo”, que “as negociações” começaram em Janeiro de 2004 e “o presidente da Câmara Municipal das Lajes das Flores [João Lourenço] mostrou algum interesse e o presidente da Câmara de Santa Cruz [Manuel Pereira] também”, mas que “ao vir a Santa Cruz [os membros da Direcção da Escola Profissional de São Jorge] acharam que [este concelho] reunia mais condições [do que as Lajes]” e que “em conversa com o senhor presidente da Câmara [Municipal de Santa Cruz] disseram que o edifício [onde instalar o Pólo] era o [critério] principal; e [este] foi [então] cedido”.
O edifício em causa era a antiga Escola infantil da Estação Francesa de Medidas, junto ao actual Hotel Servi-Flor.
Segundo nos revelou o director [Victor Bernardes] “o objectivo [do Pólo] da Escola [na ilha das Flores] era ter duas turmas no primeiro ano [de funcionamento], mais duas turmas no segundo [ano], mais duas [turmas] no terceiro [ano], até seis [turmas no total] e depois duas [turmas] a sair e duas [turmas] a entrar por ano”, o que “com as instalações cedidas [até agora pela Câmara Municipal de Santa Cruz] não era possível”, sendo [aprazado apenas] para um ano o funcionamento ali, como acabou acontecendo no ano lectivo 2004/2005.
“Em Janeiro de 2005, na fase de preparação para o [ano lectivo] 2005/2006, prometeram [novas] instalações para Setembro; como não havia [novas] instalações em Setembro, continuou [o Pólo na ilha das Flores da Escola Profissional de São Jorge] com os [alunos] que tinha [no ano anterior] e não abriram [vagas] a novos [alunos]”, declarou-nos Victor Bernardes, que também disse que “houve outra má vontade: o anterior Conselho Executivo da Escola facilitou a alimentação, em Agosto (ao mesmo valor dos seus alunos), mas em Setembro, na abertura [do novo ano lectivo], passaram a exigir um preço superior, igual ao da Função Pública” pelo que os alunos do Pólo [da Escola Profissional] “passaram a trazer a comida de casa e sentiam-se discriminados, quando até tinham sido alunos da Escola [Básica e Secundária das Flores]. Foi muito ingrato, mas não é o ponto principal, mas sim a falta de resposta por parte do Município [de Santa Cruz]. A ajuda para os transportes, no primeiro ano lectivo, funcionou bem. Nunca mais a Associação de Municípios [da ilha das Flores] sequer deu resposta aos nossos faxes, cobrando mesmo valores exorbitantes. Não concordámos, mas pagámos por respeito”.
Sempre segundo o director [da Escola Profissional de São Jorge], “soubemos que não éramos bem-vindos, quando vínhamos [abrir um Pólo na ilha das Flores] numa de entreajuda e não para ganhar dinheiro [com isso]. [A ilha de] Santa Maria tem um Pólo da [Escola Profissional] de São Miguel, mas ninguém se mostrou interessado no [nosso Pólo] das Flores. A Câmara Municipal [de Santa Cruz] foi contactada oficialmente sobre várias matérias, designadamente de apoio, mas nunca houve resposta; pura e simplesmente ignoraram-nos”. E mais “a Câmara [Municipal de Santa Cruz] tem cópia dos nossos Estatutos para demonstrar como poderiam fazer (uma Escola Profissional [própria]); se quisessem fazer – como não queríamos [cá] ficar – poderiam ter a lealdade de nos dizer. É com mágoa que vamos embora sem [os nossos] objectivos concretizados; e o que estamos é a levar alguns jovens [florentinos] para [estudar em] São Jorge”.
O Dr. Victor Bernardes colocado perante a pergunta se “É correcto dizer-se que o Pólo [da ilha das Flores] fecha por falta de colaboração da Câmara Municipal [de Santa Cruz]?”, a resposta foi “completamente” e acrescentando “[houve] falta de lealdade do senhor presidente [Manuel Pereira] e já não da Câmara Municipal [de Santa Cruz] que tem outros vereadores. As declarações à televisão faziam supor que as instalações do Pólo [na ilha das Flores] iriam avançar”.
Esclareceu-nos ainda [Victor Bernardes] que, por parte da Escola Profissional [de São Jorge], “havia planos para continuar [na ilha das Flores], nomeadamente trazendo carrinhas, mas sem apoio das entidades locais [isso] é impensável. Se fosse para dar lucro tinham vindo outros”, dizendo ainda “vamos [embora] e depois se quiserem continuam [por vós mesmos]; a SiturFlor seria um bom local [para as instalações da Escola Profissional]”.
Perguntámos depois sobre a sede da Escola Profissional de São Jorge e esclareceu-nos [o seu director Victor Bernardes] que “tem 12 cursos, cerca de 220 alunos, 30 a 35% dos quais de fora da ilha, cerca de 50% dos alunos pernoitam nas Velas e ali almoçam e jantam. A Escola Profissional de São Jorge é para a vila das Velas o que a Universidade dos Açores é para Ponta Delgada. A Escola tem 30 professores internos (a tempo inteiro), mais 10/12 professores externos (a tempo parcial) e cerca de 20 funcionários” contribuindo assim para uma “grande dinâmica económica” e “para o não abandono e aumento de escolaridade da população”.
Para completar a ideia do que a ilha das Flores pode ter perdido com o encerramento do Pólo da Escola Profissional, disse-nos Victor Bernardes que “ao sistema de incentivos da Secretaria Regional da Economia, nomeadamente ao «Empreender Jovem», só pode concorrer quem tenha cursos profissionais nível 3 ou 4, ou licenciados” e que, ao contrário, “aqueles que tenham o 12º ano da Escola oficial não podem”. Repisou que “quem não seguir a vida académica [da Escola oficial] tem [com o ensino profissional a hipótese de obter] uma carteira profissional e pode concorrer aos sistemas de incentivos” e que alguns podem até “concorrer ao «Estagiar T»”.
No decorrer das suas declarações, ao nosso Jornal, o Dr. Victor Bernardes, na sua qualidade de director da Escola Profissional de São Jorge, “felicitou os formandos, os professores e os funcionários [do Pólo na ilha das Flores], porque aguentaram com coragem até ao fim, naquelas instalações [provisórias]”, o que era sacrifício só para um ano, mas que durou três.
Esta notícia é parte integrante do jornal «As Flores», edição de 23 de Agosto de 2007.
Saudações florentinas!!
Durante sete dias o teatro vai ser a arte de palco rainha do Coliseu Micaelense, com a realização do