quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Eleitos do PS “fazem tábua rasa da lei” na Ass. de freguesia de Santa Cruz

Estão a suceder ilegalidades na Assembleia de Freguesia de Santa Cruz das Flores, hoje denunciadas pela Comissão Política do CDS/PP da ilha das Flores.

Em comunicado a estrutura dos populares florentinos protesta veementemente contra “o atropelo à lei exercido de forma arbitrária, discricionária e obviamente ilegítima pela senhora presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Cruz das Flores” e que resultou num voto de protesto apresentado ontem (quarta-feira à noite) em reunião daquele órgão, mas votado desfavoravelmente pela maioria socialista, que “assim deu o seu consentimento expresso e cobertura política a uma gritante ilegalidade”.

Lília Silva, dirigente centrista, lembra que “está consagrada na lei e reforçada no Regimento daquela Assembleia de Freguesia, a obrigatoriedade de convocatória e reunião ordinária deste órgão em quatro momentos anuais: Março, Junho, Setembro e Dezembro”; apontando que “a não convocação da reunião ordinária de Junho, de carácter obrigatório, sem nenhum tipo de justificação aceitável, só podia motivar o nosso mais veemente e firme protesto perante o incompreensível e inaceitável esquecimento da senhora presidente da Assembleia de Freguesia que faz gala de conhecer muito bem o Regimento do órgão a que preside”.

Os democratas-cristãos da ilha das Flores alegam que “compete à senhora presidente da Assembleia de Freguesia elaborar a convocatória e fazê-la chegar atempadamente a todos os membros deste órgão”, para que se dê cumprimento cabal ao que está estatuído nos dois documentos magnos que regulam o funcionamento daquele órgão, salientando que, assim, “não se trata pois de uma prerrogativa, de um direito ou de um capricho de quem preside à Assembleia de Freguesia, trata-se, isso sim, de um dever a que está obrigada por força de lei e do Regimento”.

Perante os factos que motivaram a apresentação de um voto de protesto pelo eleito do CDS/PP naquele órgão autárquico, João Furtado, e que foi chumbado pela maioria PS, os populares afirmam que “estamos perante uma situação de incumprimento com a qual o CDS/PP não pode compactuar, acrescentando que não se trata de uma mera questiúncula político-partidária, mas de um claríssimo e inaceitável atropelo à lei, devidamente denunciado no nosso voto de protesto”.

A Comissão Política do CDS/PP da ilha das Flores, perante o chumbo ao voto de protesto apresentado pelo seu eleito, entende que “de forma clara e inequívoca a maioria socialista fez tábua rasa da lei, conferindo uma impunidade que não pode nem deve jamais existir no exercício de funções públicas”.

“O CDS/PP assumiu frontalmente a defesa da legalidade e a via da responsabilização política. O PS assumiu frontalmente que compactua com a ilegalidade e com a impunidade de quem está em incumprimento. Outros que assumam também as suas responsabilidades! Esta Comissão Política de ilha só pode lamentar que aqueles que têm mais responsabilidades em pugnar pelo cumprimento da lei façam tábua rasa desta, como se estivessem acima dela”, finalizam os centristas florentinos.


Notícia: "sítio" do CDS/PP Açores e «Açores 9».
Saudações florentinas!!

Voluntariado ambiental tem balanço positivo, mas ainda precisa de maior envolvimento dos cidadãos locais

A associação ambiental Gê-Questa fez um balanço positivo do voluntariado ambiental realizado nas ilhas Graciosa e Flores, apelando a uma maior participação dos cidadãos na iniciativa que [presentemente] está a decorrer na ilha Terceira.

Este programa de voluntariado ambiental, pioneiro na Região, conta com a ajuda de voluntários e decorre durante 15 dias em cada uma d[est]as três ilhas do arquipélago.

Para o presidente da Gê-Questa, Orlando Guerreiro, "mais do que recolher resíduos no mar, eliminar plantas infestantes ou marcar trilhos", o objectivo [deste programa de voluntariado ambiental] é sensibilizar os açorianos para a cidadania, abrir as associações locais a novos intercâmbios e atrair turistas à Região.

Em declarações à Agência Lusa, Orlando Guerreiro salientou que há menos voluntários para esta última acção devido aos custos de deslocação, recordando que "eles pagam o seu próprio bilhete, que é bastante caro, para vir trabalhar de graça para um sítio onde nunca estiveram".

O presidente da associação ambiental criticou alguma passividade dos cidadãos locais, mas frisou que os ambientalistas estão a "fazer força para que as pessoas da ilha também abracem esta ideia, possam interagir com as pessoas que vêm de fora e aprender um pouco mais sobre uma realidade que nem sempre é boa". "É importante que as pessoas que recolhem estes voluntários percebam que eles vieram do seu país para limpar as ilhas e melhorar o ambiente", acrescentou.

Este projecto de voluntariado ambiental foi desenvolvido por Laia Carbonell e Natalia Merino, duas estagiárias espanholas que residem na ilha Terceira, ao abrigo de um estágio curricular, e que conseguiram movimentar vários voluntários do seu país de origem.


Notícia: «Açoriano Oriental» e jornal «A União».
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

«Brumas e Escarpas» #9

O ciclo do milho na Fajã Grande, nos anos 50

Parte I – A importância da sua cultura

A economia (se é que se pode falar em tal) da Fajã Grande, nos anos 50, baseava-se fundamentalmente numa agricultura de subsistência, em que o principal e mais importante produto cultivado era o milho, a cuja cultura estava necessariamente ligada a pecuária. Nesta agricultura de subsistência o cultivo do milho revelava-se deveras muito importante, dado que dele dependia quase na totalidade a sobrevivência da população e, por essa razão, o seu ciclo prolongava-se em etapas diferentes e em tarefas múltiplas e diversificadas ao longo de quase todo o ano. Além disso os espaços circundantes às habitações, nomeadamente as casas de arrumos, os palheiros e os estaleiros, bem como os utensílios agrícolas existentes edificavam-se, construíam-se, adaptavam-se, adequavam-se ou até se adquiriam em função das necessidades a que a árdua tarefa de cultivar e produzir o milho obrigava a população.

Por outro lado, urge clarificar que todo o desmesurado trabalho, o cansativo esforço e até os enormes gastos que se tinha com a produção do milho eram, na realidade, extremamente compensados, com tudo aquilo que o milho dava. Em primeiro lugar o produto final, ou seja, o que de mais importante se extraía do milho – a farinha, com a qual se fazia o pão e o bolo, elementos básicos na cardápio alimentar de então. Mas não se ficavam por aqui os lucros e benefícios de tal produção. As maçarocas, quando o milho estava verde e ainda “vertiam leite”, eram cozidas juntamente com as batatas brancas ou assadas no espeto e constituíam um bom e saboroso alimento. Também com os grãos ainda verdes se faziam as papas grossas, obtidas através de uma farinha moída em moinhos de mão que a maioria das casas possuía. Quem não o tinha, ia moer a casa da vizinha. As folhas tinham um peso substancial na alimentação do gado no Inverno e as espigas, ainda verdes, também alimentavam os bovinos no Verão; a parte interior da casca das maçarocas, depois de desfiada e alisada, era utilizada para encher os colchões, travesseiros e para fazer capachos para a entrada das portas e com a restante também se alimentavam os bovinos; o milho desbastado, quer o mais pequeno mas sobretudo o maior, era utilizado para alimento do gado; parte dos milheiros utilizava-se para fazer o lume em que se cozinhava a comida do porco, enquanto outros eram picados em pequenos pedaços e utilizados para “secar” o curral do suíno das húmidas imundícies em que era profícuo, graças ao seu desassossegado e hediondo reboliço; os sabugos eram utilizados para acender o lume, para as crianças brincarem e até para limpeza e higiene do rabiosque; uma boa parte das maçarocas, sobretudo aquelas cujos grãos eram mais raquíticos bem como as excedentes da produção da farinha, eram utilizados para alimento das galinhas, do porco e das vacas “à engorda” e até com os fios da cabeleira que saíam da ponta da maçaroca, depois de secos, se fazia chá, muito recomendado nos achaques dos rins e nas infecções urinárias. Além disso e depois de peneirada, a farinha deixava no fundo da peneira um farelo que era utilizado em parte para engrossar as águas das lavagens do porco e também para alimento das galinhas, fazendo-se com ele uma espécie de bola a que se juntavam couves e cascas de batatas, geralmente cozidas e picadas. Finalmente, com a farinha do milho ainda não seco faziam-se “papas grossas”.

Daí que toda esta “riqueza” resultante do cultivo do milho justificasse por demais um trabalho excessivo e cuidadoso e envolvesse toda a população no seu cultivo, a que dedicava grandes cuidados e gigantescos esforços. O milho era, na realidade, a causa e a razão de tudo. Daí que ter terras de milho, bem verdinho, muito alto, bem espigado e com boas maçarocas era um orgulho para os seus proprietários e motivo para serem louvados e, talvez mesmo, invejados.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Navio "Hellenic Wind" já foi embora

Aquele navio [fretado pela AtlânticoLine] terminou a operação de transporte de passageiros e viaturas nos Açores, tendo a sua última viagem sido feita no passado domingo [dia 26], entre Santa Maria e São Miguel.

O navio Hellenic Wind, da AtlânticoLine, terminou anteontem a operação de transporte marítimo de passageiros nos Açores. O navio efectuou a última viagem, desta feita entre Santa Maria e Ponta Delgada, estando previsto como próximo destino os Estaleiros Navais de Viana de Castelo onde serão efectuados diversos trabalhos de manutenção.

O transporte marítimo de passageiros fica [apenas] a cargo do navio Express Santorini até ao próximo dia 10 de Outubro, data prevista para o final da comissão de serviço daquela embarcação no arquipélago.


Notícia: «Jornal Diário».
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Biodiversidade é mais valia turística

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Turismo, este ano subordinado ao tema "Turismo e diversidade biológica”.

Para Gilberto Vieira, presidente da Associação Casas Açorianas, a protecção da biodiversidade é fulcral para o sector do turismo na Região “pois é essa diversidade que cativa os turistas e cria a nossa qualidade de vida”.

O responsável refere que é essa precisamente a mensagem que a sua associação tem vindo a defender à mais de duas décadas, vendo com agrado que a cada ano que passa a Organização Mundial do Turismo, responsável pela escolha do tema do Dia Mundial, “tem vindo, progressivamente, de encontro às nossas ideias”.

Gilberto Viera entende que a sustentabilidade do meio ambiente tem que ser uma prioridade da política turística dos Açores, pois só assim é possível “defendermos os nossos endemismos, aquilo que nos torna únicos”.

A Associação Casas Açorianas iniciou há três anos um processo de classificação de qualidade das unidades [turísticas] rurais da Região, excluindo aquelas que não cumprem as normas internacionais, procurando desta forma que o aumento de oferta sentido nos últimos anos seja acompanhada “de uma subida na qualidade, para que o turismo rural açoriano atinja uma imagem credível e forte”.

Em relação a 2010, Gilberto Viera fala num Verão “surpreendentemente positivo, atendendo às más taxas de ocupação [turística] na época baixa”.


Notícia: jornal «A União».
De salientar também que a biodiversidade açoriana como oportunidade para o desenvolvimento foi uma das conclusões do recente seminário "Gestão da Biodiversidade dos Açores", organizado pelo Conselho Regional dos Açores da Ordem dos Biólogos.

Saudações florentinas!!

domingo, 26 de setembro de 2010

A ilha das Flores no "Vimeo" (I)

Através do blogue «Mergulho, logo existo!», encontrámos no «Vimeo» [sítio de partilha de vídeos na internet] um pequeno "filme" subaquático, intitulado: «Diving in the Azores - Flores & Corvo», da autoria de Ricardo Cordeiro e com imagens obtidas em mergulhos submarinos realizados durante o passado mês de Agosto nas ilhas das Flores e do Corvo.
Saudações florentinas!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Plano de ordenamento hidrográfico (já) inclui (agora) todas as lagoas açorianas

O investimento governamental para a execução deste plano de ordenamento é de 180 mil euros.

O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, assinou o contrato destinado à elaboração do Plano de Ordenamento das bacias hidrográficas das lagoas do Fogo, do Congro, de São Brás e da Serra Devassa, [todas] na ilha de São Miguel. Desta forma está completo o quadro dos instrumentos de gestão territorial para todas as lagoas da Região, sendo que o investimento da tutela para a execução deste novo plano é da ordem dos 180 mil euros, beneficiando da comparticipação dos fundos comunitários no âmbito do ProConvergência.

O projecto será coordenado pela Direcção Regional do Ordenamento do Território e dos Recursos Hídricos e vai ser executado pelo consórcio entre o Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, Lda. e a Universidade dos Açores, estando a sua conclusão prevista para meados de 2012. Refira-se que a finalidade subjacente à elaboração deste plano traduz a consciência da importância do planeamento territorial e do planeamento dos recursos hídricos integrados, visando a obtenção de instrumentos que promovam a salvaguarda e valorização ambiental dos recursos naturais, incluindo a preservação do estado da qualidade da água das lagoas.


Notícia: «Jornal Diário», «Correio do Norte» e o sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Há mês e meio atrás, já havíamos informado do Plano de ordenamento das bacias hidrográficas das lagoas florentinas.

Saudações florentinas!!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Programa «Saudades dos Açores» inclui este ano os nossos emigrantes no Brasil

Já estão abertas as inscrições para a oitava edição do programa «Saudades dos Açores», que proporciona viagens para os nossos emigrantes com problemas económicos e que pela primeira vez abrange a comunidade açoriana no Brasil.

Este ano tem lugar a oitava edição do «Saudades dos Açores» entre 6 e 13 de Novembro e as inscrições deverão ser efectuadas até ao próximo dia 30 de Setembro.

Promovido pela Direcção Regional das Comunidades, este programa dirige-se a cidadãos nascidos nos Açores e emigrados nos Estados Unidos da América, Canadá, Bermudas e Brasil, que tenham 60 ou mais anos de idade e que não visitem o arquipélago há mais de duas décadas, por motivos de ordem económica.


Notícia: «Açoriano Oriental» e o sempre inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Carlos César irá mudar as presidências das empresas AtlânticoLine e Lotaçor

O administrador da companhia de seguros Açoreana, Carlos Reis, será o novo presidente da AtlânticoLine, empresa responsável pelo transporte marítimo de passageiros entre as ilhas dos Açores.

Uma nota do Governo Regional dos Açores indica que Carlos Reis, licenciado em Organização e Gestão de Empresas, vai substituir, a partir de meados de Outubro, António Raposo na presidência da AtlânticoLine.

No âmbito do sector público empresarial regional será também substituído o presidente da Lotaçor, empresa responsável pelas lotas do arquipélago. Numa assembleia geral marcada para 14 de Outubro, o Governo Regional vai propor que o conselho de administração passe a ser presidido por José Luís Amaral, substituindo Luís Fernandes, que se manterá naquele órgão.

Nesta nota do Executivo açoriano é também anunciada a nomeação de novos titulares para as Direcções regionais dos Assuntos do Mar, Ambiente, Transportes Aéreos e Marítimos e das Comunidades.


Notícia: «Açoriano Oriental», rádio Atlântida e o inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

«Preto no Branco» #45

I - Que maravilha!
Dois dos sete prémios foram para os Açores, Região que ganhou o concurso em termos parciais e absolutos. É um marco importante para a afirmação do Arquipélago no Mundo, enquanto maior santuário natural do País e da Europa, e uma das relíquias da Biosfera. O Governo Regional empenhou-se muito neste concurso e o investimento foi uma aposta ganha. Desde 2003 que o autor destas linhas anda a defender que as 9 ilhas, ilhéus adjacentes, bem como o mar e os fundos marinhos, que lhes pertencem, deveriam ser classificadas, em conjunto, como Património Natural da Humanidade. É uma solução a la longue, a qual requer uma visão arrojada e desprendida de complexos de pequenez. A mesma pequenez que julga que grandeza é fazer nascer hotéis como cogumelos, e depois é vê-los “às moscas”, improvisando-se então pacotes turísticos de 3ª categoria, através dos quais quase se implora a hordas de turistas que venham encher essas infra-estruturas, enchendo-nos os olhos. A mesma pequenez que, descendo um degrau, não foi capaz de colocar as Flores entre as 7 Maravilhas de Portugal... caso será para dizer - “o que nos abunda em beleza falta-nos em sabedoria”.

II - Vai uma imperial?
Desconhecemos se a medida foi tomada em todas as festas de Verão que se realizaram nas Flores. Mas merece nota e registo o facto de, pelo menos na Festa de São João, ter sido estipulado pela autarquia que não poderiam ser vendidas nas tascas cerveja em garrafas de vidro, “impondo-se”, com toda a razão, a utilização dos barris de pressão. Curioso foi notar que toda a gente percebeu o alcance da medida e mostrou concordância com o sistema adoptado. É um bom exemplo, que deve ser seguido e alargado a outro tipo de bens de consumo. Todavia, em matéria de resíduos quase tudo está por fazer nesta Reserva da Biosfera. Nesta terra, continua a não haver um único ecoponto; separação de lixo, nem ouvir falar dela; há um único cartaz alusivo ao estatuto alcançado junto da UNESCO na esconsa sala de recolha de bagagens da Aerogare; exportação de papel, vidro e plásticos, isso continua a ser uma miragem; para a lavagem dos contentores, que tresandam, parece que falta água e sabão... enfim, é uma lista que nunca mais acaba... os principais responsáveis locais, caso precisem de aprender como se faz, não precisam de grandes deslocações ou conferências... basta ir ao Corvo e ver as medidas que ali estão a ser tomadas, isto, para não falarmos do incremento à utilização das energias renováveis, pois, se é certo que temos vento, também não é mentira que a ocidente também faz Sol.

III - O pão nosso de cada dia...
Não faltam entidades fiscalizadoras disto e daquilo. Para não falar da famosa ASAE, ele é Instituto para cá, Autoridade para lá, Inspecção disto, Serviço daquilo. A todos esses “corpos expedicionários” que também demandam a ilha das Flores de vez em quando, soma-se, muitas vezes, vamos dizer assim, “um agudo sentido de vigilância” da parte dos florentinos, os quais, na maioria dos casos, costumam saber de cor os números verdes ou azuis de todas esses organismos, e chega a ser impressionante o “sentido de cidadania” com que, por exemplo, o Sr. A liga para a Polícia a dizer que o canto do galo do Sr. B incomoda; que o Sr. C denuncia o Sr. D por que este apanhou uma espécie de pescado dois milímetros fora do tamanho permitido; que o Sr. E faz queixa do Sr. F por causa do bovino que comeu duas maçarocas no terreno alheio, e por aí fora... digamos que a ilha é um Big Brother notável em tudo quanto é miudeza. Ora, atentas as proporções, no que seria de esperar relativamente à escala da gravidade, é de espantar que não tenha havido ainda uma manifestação à porta da padaria! ... O pão da ilha das Flores anda literalmente intragável. Umas vezes é vendido cru, outras esturricado; uns dias não tem sal, outros é pilha; tanto apresenta no miolo bolas de farinha, como cavidades semelhantes à da Gruta dos Enxaréus. Por mim, acho que não há necessidade de reclamar para aqui ou para ali. Corria-se o risco da padaria ser fechada e era pior a emenda que o soneto. Bastará dizer, alto e bom som, que o que se passa é uma autêntica vergonha, e que basta de fazer porcaria!

Preto no Branco,
Ricardo Alves Gomes