Segundo o empresário Carlos Silva, a ilha das Flores tem sido, até este ano, muito penalizada em termos de transportes marítimos de passageiros e de viaturas.
A opinião é de Carlos Silva, proprietário da
Aldeia da Cuada, unidade de turismo rural. A título de exemplo, refere
o fracasso que foi o transporte marítimo [de passageiros] no ano passado [2006], em que o barco [de transporte de passageiros e viaturas] não escalou a ilha das Flores uma única vez e em que as alternativas propostas pelo
Governo Regional não tiveram exequibilidade. Carlos Silva aguarda, por isso, com expectativa, mas também com alguma esperança, que,
em termos de horário, a ilha das Flores passe a fazer parte do panorama regional. "Será uma
oportunidade não só para aqueles que nos querem visitar, mas também para os residentes nas Flores poderem passar alguns dias noutras ilhas. Só existe um senão, que é o facto de a
SATA Air Açores ter reduzido as tarifas aéreas para as «Ilhas da Coesão» (no nosso caso, [nos vôos] do Faial para as Flores) e a
Atlanticoline (que é também uma empresa pública regional) não ter procedido da mesma maneira, o que faz com que
uma passagem Faial/Flores seja
mais cara em transporte marítimo do
que em transporte aéreo, excluídas as respectivas taxas".
O empresário tem algumas dificuldades em falar num
maior desenvolvimento turístico da ilha das Flores sem falar numa
política de transportes aéreos em condições. "Quando um turista chega sem bagagem à [nossa] ilha, ou quando, ao sair das Flores, é obrigado a esperar horas a fio no aeroporto da Horta para ter ligação para a Terceira ou para São Miguel. Estas são provas de que
algo não vai bem no transporte aéreo nos Açores e sobretudo de e para a ilha das Flores".
"A nível de alojamento - adianta -, a ilha está apta a dar resposta às solicitações de quem nos procura, embora
reconheça que os empresários locais deveriam ser um pouco mais ambiciosos no que toca à modernização das suas instalações, embora isso não seja, só por si, motivo para a
construção de um novo Hotel, sobretudo sendo a
respectiva construção da responsabilidade de uma empresa regional (com dinheiros públicos), que estará a concorrer com a iniciativa privada. O conceito de concorrência desleal talvez se possa aplicar neste caso."
O empresário entende que o
turismo rural, nos Açores, deverá passar por uma maior divulgação das suas potencialidades. Carlos Silva considera, por outro lado, que
se assiste a uma cada vez maior procura deste tipo de alojamento, porque "quem nos procura sabe que
oferecemos os valores únicos de bem receber e de autenticidade".
Aldeia da Cuada: projecto inovadorA ideia de
recuperar a Aldeia da Cuada surgiu há 19 anos, com a aquisição da primeira moradia. Ao longo de cinco anos, e depois da aquisição das
dezasseis moradias que fazem parte do projecto, o trabalho desenvolveu-se ao nível da limpeza de interiores e espaços circundantes.
Depois da
Câmara Municipal das Lajes ter procedido à abertura de um acesso para viaturas até ao início da aldeia, começou-se a
recuperação das casas, com a preocupação de respeitar a estrutura exterior das casas tal como haviam sido inicialmente concebidas. Para além de uma casa destinada a recepção e outra para residência dos proprietários, a
Aldeia da Cuada tem mais catorze casas recuperadas, sendo que sete [casas] contam com um quarto de cama (com cama de casal), cozinha e casa de banho, seis [casas] com dois quartos de cama (com quarto com cama de casal e quarto com duas camas individuais), cozinha e casa de banho e uma [casa] com seis quartos de cama, quatro casas de banho e um salão com cozinha incorporada.
A Aldeia da Cuada não oferece as mesmas comodidades que são postas à disposição dos clientes nas unidades hoteleiras tradicionais. Todos os móveis [nas casas] são antigos, devidamente recuperados e todas as casas estão equipadas com salamandra, televisão, aparelhagem de HiFi, telefone com acesso directo à rede e as cozinhas estão minimamente equipadas.
No exterior todas [as casas] possuem zona de churrasco, bem como pátio com mesa e guarda-sol.
Embora todas as casas respeitem as regras de segurança das habitações modernas, não se perdeu a traça rural das casas construídas em pedra."Entrevista" integrante da edição de 20 de Julho do semanário regional «Expresso das Nove».Saudações florentinas!!