sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Comissão Nacional de Eleições notifica Governo Regional a prestar devidos esclarecimentos sobre a distribuição do "kit autonómico" à população

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) vai notificar, até ao final desta semana, o Governo [Regional] açoriano para "prestar esclarecimentos" sobre a distribuição de um "kit autonómico" à população, que motivou queixas de dois partidos. O porta-voz da CNE, Godinho de Matos, adiantou à agência Lusa que a decisão foi oficializada numa reunião realizada ontem e confere ao executivo regional socialista um prazo de 48 horas para se pronunciar, após receber a notificação.

Na última semana, a CNE recebeu duas queixas apresentadas pelo Movimento Partido da Terra (MPT) e pela CDU/Açores, alegando o uso abusivo de símbolos regionais na pré-campanha do PS/Açores, assim como a distribuição de um "kit autonómico" pelo Governo Regional socialista, a menos de dois meses das eleições para o Parlamento [Regional] dos Açores.

Este "kit autonómico" foi criado com o objectivo de promover junto da população um maior conhecimento dos símbolos da autonomia. Contém um livro com a explicação detalhada de todas as insígnias honoríficas açorianas, uma bandeira dos Açores (em pano), dois autocolantes com o pendão regional, um CD com o hino da Região e, ainda, uma carta do presidente do Governo Regional, Carlos César.

Recentemente, o Governo [Regional] açoriano rejeitou que a distribuição deste material se confunda com a candidatura de qualquer partido às eleições [legislativas] regionais e acusou os partidos que se queixaram à CNE de fazerem "críticas delirantes".

Notícia: «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!

Renováveis... até serão mais baratas!!!

Novos limites às emissões de dióxido de carbono [colocados pela União Europeia, a partir de 2013] podem levar a um aumento de três por cento nos preços dos produtos, podendo chegar-se aos seis ou oito por cento [de aumento do preço] na electricidade. [Fonte: notícia da secção de Economia da edição on-line do jornal «Público».]

Nós por cá (felizes e contentes??!) vamos então construir uma nova Central TermoEléctrica... sábias cabecinhas que tomam estas d€ci$õ€$!!!
Será mais poluente e usará uma fonte produtora [presumo que fuel-óleo] que teremos obrigatoriamente de importar sempre, ao contrário da água que corre nas nossas ribeiras e do nosso vento que quase sempre sopra... Até nem é nada difícil fazer algumas contas... Mas, o burro, sou eu??

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

«Miscelânea da Saudade» #1 (3/3)

Há uma [outra] coisa porém; oiço dizer que quem sai doutro lugar para experimentar viver na ilha das Flores, adapta-se e ama a terra de tal forma que fica a ser filho adoptivo dela. Não me admiro disso, porque há 60 anos saí de lá, e passo metade da minha vida a viver no Canadá, e a outra metade na ilha onde nasci.
Explico já: o dia a dia é vivido nestas terras da diáspora, mas o silêncio da noite está reservado para sonhar, meditar, e contemplar o meu torrão natal, terra onde nasci, a “minha” ilha das Flores.

Hoje, revivo a memória dum passado tão distante, passado esse que nada diz aos mais novos, e muito menos aos que não são filhos da terra mas que nela vivem.

Durante a última Guerra Mundial, 1939/1944-45, as Flores sofreram também, mas num ponto talvez menos do que as restantes ilhas. A terra produzia para o seu povo. A gasolina não fazia falta; não havia automóveis na ilha das Flores, com excepção dum “chega-chega” muito velho e tocado a petróleo que havia em Santa Cruz, que, quando trabalhava, as fábricas da baleia não faziam mais fumo. Afinal o que o povo das Flores, e do Corvo, carecia e ainda hoje carece, mas menos, era o contacto com as outras ilhas e o Continente português, ou até com o resto do mundo.

Tínhamos o sabão caseiro. A luz nas casas provinha de lamparinas de azeite de baleia, a ilha produzia milho, trigo, batatas, inhames, feijão, carne, leite, manteiga e fruta com abundância. O peixe era [tão] abundante que até São Pedro daria metade do dízimo para pescar no mar das Flores.

Lá de vez em quando, chegava um saco de roupa da América, depois de muito usada e remendada, durava anos. As medicinas eram poucas. Na parte de urgência para admissão hospitalar, nem pensar nisso... Imaginem uma doença grave nestas duas ilhas. Quando os velhos 'vapores' Carvalho Araújo, ou Lima, chegavam às Flores, se chegasse, já o doente estava na "terra das malvas".

Agora pergunto a mim mesmo: como é possível um florentino, 'eu', sentir saudade da ilha das Flores, quando de manhã acordava com as narinas defumadas pela lamparina do azeite de baleia? Isto, para não falar noutras carências, porque os meus bons pais eram muito pobres.

Vendo e lendo as desgraças que há por este mundo fora, já não me considero o tal rapaz pobre das Flores, mas sim: rico com o pouco que tínhamos. Só sentimos falta da riqueza quando a perdemos. Se nunca a tivemos, e não a conhecemos, também não nos faz falta.

Denis Correia Almeida
Hamilton, Ontário, Canadá

Afinal... quem lhe paga as contas??!!!

Carlos César visitou [nesta terça-feira] a ilha das Flores. Veio cá para a inauguração da (nova) Biblioteca Pública [como presidente do Governo Regional, ao final da tarde]. Veio cá para o jantar/comício de apresentação da lista de candidat@s do PS a deputad@s pela ilha das Flores [como presidente do PS/Açores, à noite]. E... por cá pernoitou.

Será que para as despesas (em viagens e dormidas) Carlos César seja sempre presidente do Governo Regional mas em algum'outras oportunidades [numa mesma viagem] faça uns "biscates" já como presidente do Partido (dito) Socialista??! Espera-se bem que não!! Só na antiga Albânia se poderia vislumbrar tamanha (anti-democrática) indistinção entre Governo e Partido... onde acaba(va) um e começa(va) o outro (ou vice-versa)??

Oxalá que [nas semanas próximas] cada vez que haja uma actividade de propaganda do PS/Açores em qualquer ilha da Região, não tenha Carlos César que "arranjar" uma qualquer inauguraçãozinha, ou um lançamentozinho de uma primeira-pedra, ou uma apresentaçãozinha de um projecto de obra ou (ainda) uma qualquer aberturinha de concurso público de uma obra... Se não, lá vai [durante o dia] César-presidente-Regional fazer um biscate de propaganda governativa, e depois [à noite] César-presidente-do-PS/Açores lá irá à actividade de propaganda do Partido... Pelo menos que não seja o povinho a "passar o cheque" desta rebaldeirice!!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Biblioteca Pública das Flores pode impulsionar novo clima cultural na ilha

O Presidente do Governo [Regional] dos Açores disse, [ontem] nas Flores, que naquela ilha se estava a dar “um passo significativo no sentido de criar e reforçar os hábitos da leitura e de favorecer o desenvolvimento da imaginação e da criatividade”.

Carlos César acabava de inaugurar a Biblioteca Pública das Flores, instalada na Casa Pimentel de Mesquita, e augurou que a referida Casa seja, também, residência do progresso científico e da inovação, afirmando que “as suas portas foram abertas à leitura sem programas nem restrições, ao convívio entre cidadãs e cidadãos de todas as faixas etárias, porque, em todas as etapas da vida, é possível e é necessário despertar curiosidades”.

Vincando que a nova biblioteca – que representa um investimento de 700 mil euros – é pública porque aos leitores pertence, o presidente do Governo [Regional] frisou que, com a cedência que foi feita ao Município de Santa Cruz das Flores, grandes desafios lhe são postos, sobretudo o da sua intensiva frequência, o da formação dos seus quadros técnicos e o do incentivo à utilização das novas tecnologias da informação.

Carlos César reafirmou a convicção de que a Biblioteca Pública será capaz de impulsionar um novo clima cultural na ilha – no que se conjugará com outros equipamentos culturais, em especial o Museu das Flores e o Centro de Interpretação Ambiental a instalar Fábrica [da Baleia] do Boqueirão – e sublinhou que a nova infra-estrutura não resulta de uma acção governamental isolada na área da Cultura.

Notícia: «Jornal Diário», «Azores Digital» e também o inestimável "serviço informativo" do GACS [Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores].
Saudações florentinas!!

«Miscelânea da Saudade» #1 (2/3)

No sentido de paisagem natural, em minha opinião, nos Açores não há outra ilha com equivalência em beleza de origem que suplante a ilha das Flores. A quem lhe compete, e de direito, deveria propagar e difundir esta linda ilha. O mundo turístico, anda sempre no encalce de novos lugares de veraneio, bonitos, limpos, seguros, saudáveis e 'económicos'. Nesta parte de económicos, decerto estou a fazer rir algum que me lê...

Relativo a turismo, para chegar a estas duas "Ilhas de Bruma" são raras ou nenhumas as excursões para lá. Os turistas que partem da América e Canadá com destino aos Açores, ao regressarem dizem ter visto os Açores "menos" as ilhas das Flores e do Corvo. Ir aos Açores sem visitar as Flores e o Corvo, ajudando-me da terminologia e adágio popular, é como "ir a Roma e não ver o Papa".

Pergunto agora: porque razão vão [esses turistas que partem da América e Canadá] ver os Açores, e não vão às Flores e ao Corvo? Será que o 'mundo açoriano' acaba no Faial, ou ainda pensam como os antigos descobridores pensavam que quando avistavam o pego do mar diziam haver chegado ao fim do mundo!?...

Como sabemos, das quatro ilhas mais pequenas do arquipélago, as Flores é a ilha maior, como também a mais distante olhando Leste/Oeste.

Esta maravilhosa ilha encontra-se adornada de tudo o que é mais lindo dado pela Mãe Natureza: campos, picos, vales, ribeiras, lagoas, rochedos de basalto, flores e muito mais. No que se refere a flores, esta ilha designada por "cor de rosa", responde bem à chamada do nome que lhe deram: o concelho das Lajes das Flores, em hortênsias é o mais florido do arquipélago, e de todo o território português. Isto, sem exagero.

Com tudo isto, os florentinos não podem viver de flores. Se o Governo da Região Autónoma dos Açores, dividisse dízimos à consciência, hoje, o jardim da frente da Europa possuía aquilo a que tem direito. Mas enfim, quando o "jardim em frente da casa se encontra de portão fechado" e sem convite de entrada, os convidados entram e saem pela "porta do lado" sem o "dono" lhes mostrar a casa; fazendo-os pensar que o resto é tudo uma maravilha...

Denis Correia Almeida
Hamilton, Ontário, Canadá

É tão, tão, tão ... ... que nem viaja??!!!!

Agenda do Presidente do Governo Regional dos Açores para [ontem, dia] 2 de Setembro

11 horas: O presidente do Governo recebe em audiência o presidente da Casa dos Açores de Nova Inglaterra, João Pacheco. Local: Palácio de Santana, em Ponta Delgada [São Miguel].

17 horas: O presidente do Governo preside à cerimónia de inauguração da Biblioteca Pública das Flores. Local: Rua da Conceição, em Santa Cruz, na ilha das Flores.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

«Miscelânea da Saudade» #1 (1/3)

No começo desta minha primeira crónica para o «Fórum ilha das Flores», pretendo saudar todos os florentinos naturais da ilha, como também aqueles que vieram doutros lugares e escolheram a ilha das Flores para nela viver.

Decorridos sessenta anos desde que saí das Flores, tenho bem fixado na memória a crise de produtos de importação que as ilhas do Grupo Ocidental atravessaram. Não eram recursos essenciais que nos faltavam, porque todos tinham o suficiente para viver, mas como lá viviam alguns oriundos doutras ilhas, como os meus antecessores, também esses não passavam fome porque os vizinhos ou nativos da ilha ajudavam. Haviam outras coisas que a ilha das Flores carecia, como: petróleo, tecidos, açúcar, café, e até medicina.

Naquele tempo, o isolamento da ilha das Flores, e do Corvo, últimas duas parcelas e "propriedade do país das cinco quinas" para o lado Oeste, tornaram-nas ilhas de esquecimento desde a data em que foram descobertas. Isolamento de comunicação com as restantes ilhas, e então com Portugal Continental nem convém falar...

A propósito do descobrimento e povoamento da ilha das Flores, e do Corvo, faz-me lembrar um episódio da primeira semana em que cheguei a Toronto, Canadá.

Abri conta num banco quando comecei a trabalhar na construção de pontes. Esse trabalho distanciava uma hora e meia de carro de Toronto, minha residência. Em ordem a poder trocar cheques de trabalho, tive de abrir essa conta bancária com 2 dólares, quase no sítio do trabalho. Dias depois saí desse emprego para outro mais perto de casa, e nunca mais pensei no banco, nem no dinheiro.

Dois anos mais tarde, recebi uma carta a dizer que havia dois dólares em meu nome 'no banco de tal'. O banco era distante, e os dois míseros dólares lá depositados não dariam sequer para a gasolina. Portanto, a minha conta se calhar ainda lá está, aberta ou fechada; não sei...

Portugal fez o mesmo com as ilhas das Flores e do Corvo: abriu conta com as duas ilhas, bateu asas e voou. Olhem!... Muito parecido com os austronatas americanos que, quando foram à Lua, meteram lá uma bandeira americana no solo, e desapareceram. Hoje reclamam que a Lua é sua. Claro, para lá ir de novo gasta-se muito dinheiro e talvez nem valha a pena...

Hoje, as ilhas das Flores e do Corvo, segundo o que leio, encontram-se mais bem servidas. O almighty da Autonomia dos Açores, de vez em quando, da sua reprodução de bondade ou aparente generosidade 'tapa-bocas', faz como um meu vizinho cá do burgo com um cão que tem no fundo do seu quintal: atira-lhe um naco de pão para ele ficar calado...

Denis Correia Almeida
Hamilton, Ontário, Canadá

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

And the Cesarist nomenees are...

Parece que amanhã o "imperador César" deverá visitar a ilha das Flores... Brinda-nos então com (mais) esta sua vinda às ilhas ocidentais para ditar quais @s florentin@s "socialistas" vencedor@s desta fase da Grande Corrida 2008...

Entre as "clássicas" possibilidades de alcançarem o suposto "troféu rosinha" da Corrida Mais Louca do Mundo têm especial relevância a Máquina Malvada, pilotada pela dupla Dick Detestável e o cão Muttley; o PedraMóbil; o Coupé Assombrado; o Carro Tanque; o Bomba Bala; ou até mesmo a Carroça Alentejana (entre algumas outras hipóteses não desprezíveis)...

Sem eu ter a bandeirinha do kit autonómico e como não só agora (ou algo repentinamente) "descobri" quão bom pode ser ser-se açoriano, julgo que dispensarei bem a ida a tal magnificiente evento... A bajulice não consta no (imenso) rol dos meus defeitos, a adulação servil deixo-a para @s césar-dependentes (mas também só lhes fica bem não morderem a mão do "dono")...

EDA vai construir uma nova Central Termoeléctrica na ilha das Flores

A empresa de Electricidade dos Açores, S.A. e a Siemens, S.A. assinaram [na passada semana] o contrato relativo à empreitada de construção da nova Central Termoeléctrica das Flores, no valor de 12,4 milhões de euros, formalizando-se em simultâneo a consignação dos trabalhos.

De acordo com fonte da empresa açoriana, a razão fundamental deste projecto foi, por um lado, a necessidade do aumento da potência térmica instalada, para fazer face ao crescimento constante da procura de electricidade na ilha das Flores, de forma a garantir a quantidade e qualidade do seu fornecimento, e, por outro, a impossibilidade deste aumento de potência já não poder ocorrer na actual central mista térmica–hídrica de Além Fazenda, por falta de espaço disponível e de condições de segurança em caso de acidente.

Nesta primeira fase, a nova Central Termoeléctrica da ilha das Flores será constituída por 5 grupos termoeléctricos Diesel, sendo 2 novos grupos da marca MAN, com uma potência unitária de 956 kW, e mais 3 grupos a transferir da actual Central de Além Fazenda, com potências unitárias de 1x810 kW e 2x500 kW. A transferência dos grupos será efectuada após a instalação e arranque dos grupos novos, de modo a não comprometer o normal funcionamento do sistema electroprodutor da ilha das Flores.

Com a conclusão do projecto, prevista para Abril de 2010, a potência instalada na nova Central Termoeléctrica das Flores será de 3.992 kW, representando cerca de 48% da capacidade de produção instalada na ilha (15% da potência corresponde ao Parque Eólico, com 600 kW instalados, e 37% relativa à potência hidroeléctrica [da Central de Além Fazenda], com 1.480 kW).

A mesma fonte refere que para além desta infra-estrutura produtiva que agora se inicia, estão previstos mais dois grandes investimentos na ilha das Flores, neste caso no âmbito das energias renováveis, designadamente o novo Aproveitamento Hidroeléctrico da Ribeira Grande, com uma potência instalada de 1.134 kW, e a reabilitação e automatização da Central Hidroeléctrica de Além Fazenda, com cerca de 1.500 kW.

Notícia: «Diário dos Açores» e «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!