CENÁRIOS PARA A ILHA
(desenvolvidos no contexto do estudo)
O cenário do Desenvolvimento Standard é o cenário do desenvolvimento através do investimento público em infraestruturas, apostando num sector primário mais intensivo que vai permitir exportar alguns produtos agrícolas (carne de bovino, leite e produtos derivados do leite), num modelo de turismo mais estandardizado (apostando nas oportunidades da ilha mas não priorizando o impacto ambiental mínimo) e na exploração da água com fins comerciais. Em certos aspectos este já é o caminho que se está [presentemente] a seguir [na Região], mesmo que o cenário crie certa “apreensão”. Sobretudo o papel da agricultura “produzir mais e mais, isto também é um pouco agressivo”. Mas a ilha das Flores precisa de investimento público e este parece um cenário que permite criar mais riqueza, “o que a gente quer é mais riquezas” e nem todos os investimentos em infraestruturas deveriam ter um forte impacto no ambiente, “as pessoas estão muito mais sensibilizadas com as questões ambientais”. Algumas pessoas afirmam que a ilha das Flores já tomou este rumo, certas infraestruturas já criadas são infra-utilizadas e afirmações como: “nós já temos um elefante branco” e “as coisas das Flores são feitas fora de sítio”, levam a pensar isto.
“Se efectivamente houver um desenvolvimento no sentido de melhorar as acessibilidades e os custos destas, penso que a ilha das Flores poderá ter ambição de viver muito à custa do turismo”
Francisco T. (organização de apoio ao investimento nas áreas rurais)
“... tudo isso dá uma certa animação sócioeconómica, promove o comércio, promove a agricultura, promove o desenvolvimento. Porque o que a ilha das Flores precisa é de pessoas, só que as pessoas não se fixam lá se não houver economia.”
Joaquim G. (professor na Universidade dos Açores)
O cenário do Desenvolvimento Equilibrado é o cenário do desenvolvimento através de altos standards de qualidade ambiental e valorização dos valores próprios associados à própria natureza e vivência da ilha das Flores, apostando, por exemplo, fortemente no estatuto de Reserva da Biosfera. Neste cenário, “agradecido com o ambiente”, são fundamentais investimentos prudentes e infraestruturas que pretendam valorizar a ilha pensando no turismo mas, sobretudo, nos seus habitantes, e que priorizam o impacto ambiental mais baixo, assim como a preservação, melhoramento e valorização dos eco-serviços e redução da dependência exterior, “é bom fazer alguma coisa para não estar[mos tão] dependentes do exterior” (nomeadamente ao nível das importações). Este cenário, “talvez utópico”, vai precisar de investimentos que se calhar a ilha das Flores não tem, mas, em geral, tem sido considerado melhor [cenário] para a ilha, algumas pessoas acham que a ilha das Flores está bem encaminhada para este cenário. Mesmo que promova um cenário assim, que “tem em conta as pessoas” e “ao promover estas coisas, vai dar muita mais actividade e, por isso, isto dificilmente acontece”, o risco é criar um elefante verde no meio do Atlântico.“Tem que ser uma agricultura, digamos, sustentável. Já com uma agricultura vocacionada para a preocupação da preservação. Não utilizar excessivamente os solos, nem os adubos, nem os fertilizantes; tem que ser dada formação aos agricultores nessa área para eles também aprenderem a preservar os recursos ambientais.”
Leonor M. (representante de concelho nas Flores)
"Um sítio destes podia ser um paradigma para o resto do Mundo, tem as condições para isso."
Daniel A. (técnico de turismo rural)
Informação retirada do blogue «Flores 2030, visões de futuro e desenvolvimento sustentável da ilha das Flores», trabalho do doutoramento de José Benedicto Royuela.
Nota: o texto que (acima) aparece a azul são contributos da população local, ocorridos nas reuniões de grupo da segunda fase do projecto.Saudações florentinas!!