terça-feira, 14 de setembro de 2010

Turistas viajarão grátis para os Açores

Campanha começa já em Outubro. Hoteleiros pagam viagem [de avião]. O objectivo é promover o turismo durante a época baixa.

A partir de Outubro, os turistas portugueses que viajem para os Açores e permaneçam no arquipélago por um período mínimo de cinco noites não pagam as passagens aéreas, que serão asseguradas pelos hoteleiros, anunciou o Turismo dos Açores. O objectivo desta campanha é aumentar a visibilidade do destino Açores, desmistificar a ideia de que os Açores são caros e promover o turismo durante a época baixa, explica Sandro Paim, presidente da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores.

A taxa média de ocupação dos hotéis dos Açores é de pouco mais de 20% no Inverno; a iniciativa, agora anunciada, poderá acrescentar 10% de turistas a esta margem, de acordo com os especialistas do mercado. Esta campanha incide em dois suportes: uma, "Os Açores Convidam", em que se irá pôr em marcha uma acção promocional a cargo da Secretaria Regional da Economia; outra, "Os Hoteleiros Oferecem", que passa pela oferta da passagem aérea. "Existe já um acordo com as companhias aéreas", assegura o responsável.

Actualmente, uma viagem de ida e volta aos Açores custa, na SATA, cerca de 200 euros... dependendo dos dias e das promoções. A iniciativa irá abranger "qualquer ilha dos Açores, através dos hotéis que aderirem à campanha", adianta. Os canais de comercialização, diz Sandro Paim, serão os habituais: agentes de viagens e o site www.visit-azores.com, que terá uma ligação aos hotéis.


Notícia: «Diário de Notícias», portal «Agência Financeira», rádio Atlântida e jornal económico «OjE».
Anteriormente, já havíamos divulgado que os "Hoteleiros açorianos propõem voos gratuitos para turistas na época baixa".

Saudações florentinas!!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Se César fosse rei... podia sê-lo a vida inteira enquanto bem lhe apetecesse?

Monárquicos açorianos contestam eventual quinta candidatura ‘ilegal’ de Carlos César

O Partido Popular Monárquico vai solicitar uma audiência ao Presidente da República para suscitar a “ilegalidade” de uma possível quinta candidatura de Carlos César a presidente do Governo Regional dos Açores.

Notícia: «Açoriano Oriental» e edição on-line do semanário «Sol».

Mirtilo dos Açores é espécie endémica com maior potencial económico

“A uva-da-serra corresponde muito provavelmente à espécie endémica dos Açores com maior potencial para contribuir para o desenvolvimento económico das ilhas”. Quem o afirma é a professora auxiliar da Universidade dos Açores, Maria João Pereira, que com vasta investigação na matéria tem sido uma das pessoas com maior dedicação a esta espécie.

É provavelmente um dos muitos achados açorianos, uma benesse e contribuição da natureza, que não sendo valorizado por todos tem sido salva pela estudo e perspicácia de poucos. O «Diário dos Açores» procurou perceber todas as qualidades e potencialidades da uva-da-serra e Maria João Pereira explicou um pouco da sua história, bem como aquilo que se tem feito na Região em torno desta espécie.

Conta Maria João Pereira que já em 1817, na revista ‘Rees’s Cyclopaedia’, Sir James Edward Smith botânico e fundador da ‘Linnean Society’, com base num exemplar de herbário sem frutos, atribui o nome científico de Vaccinium cylindraceum, à espécie nativa das montanhas dos Açores, localmente conhecida por uva-da-serra.

Do cientifico ao mais vulgar a uva-da-serra é conhecida por variadas denominações. A espécie é assim conhecida, também, por nomes como uva-do-monte, uva-do-mato, uveira ou romania no arquipélago. No continente português esta espécie é referida frequentemente como o mirtilo-dos-Açores. Segundo as explicações de Maria João Pereira “de facto, o fruto que produz é um mirtilo, este foi e ainda é, consumido fresco ou em compotas nos Açores. O género Vaccinium inclui também, para além da espécie açoriana, outras espécies exploradas comercialmente pelos seus frutos como a espécie europeia Vaccinium myrtillus L. (bilberry) e várias espécies americanas como o Vaccinium corymbosum L. (northern highbush blueberry) ou o Vaccinium angustifolium Aiton (lowbush blueberry)”, descreve.


Clique aqui para ler na íntegra esta notícia...
Mas muito se investigou e sobre esta espécie. A Universidade dos Açores, através dos investigadores do Departamento de Biologia desta academia levou a cabo um trabalho sobre a uva-da-serra permitindo descrever morfologicamente a espécie nas diferentes ilhas dos Açores, bem como conhecer o padrão de desenvolvimento dos arbustos e a sua biologia reprodutora. Os estudos realizados permitiram ainda caracterizar os processos germinativos das sementes de acordo com a sua origem geográfica e criar protocolos de produção em massa por técnicas de cultura in vitro.

E é aqui que entram outros intervenientes que contribuíram para outros tantos passos importantes. Segundo Maria João Pereira o “Departamento de Ciências Tecnológicas e Desenvolvimento da Universidade dos Açores contribuiu decisivamente para atestar a qualidade dos mirtilos-açorianos ao descobrir que estes são até mais ricos em compostos antioxidantes que os frutos comercializados de vaccinium myrtillus e vaccinium corymbosum”, mas também o “estabelecimento, pela Direcção de Serviços de Agricultura e Pecuária (Direcção Regional do Desenvolvimento Agrário), de um campo de cultura experimental nas Furnas com exemplares de uva-da-serra produzidos por cultura in vitro pelo Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, permitiu concluir que a plantação desta espécie a altitudes menores pode resultar na maturação dos frutos antes da época forte (Setembro) e que existem disponíveis medidas de controlo de pragas na produção do mirtilo-açoriano”.

Várias etapas que na sua conjuntura elucidam um cenário por explorar. Para Maria João Pereira sendo a “uva-da-serra uma espécie endémica dos Açores, pode também ser plantada fora da área da superfície agrícola útil e explorada de forma não intensiva. Trata-se de uma espécie de eleição, para a agricultura biológica e para a criação de produtos regionais certificados. Nesta perspectiva interessa investir e proteger o estabelecimento de campos de produção do mirtilo-açoriano e não produzir mirtilos de outras espécies já que ocorre a produção de híbridos férteis e a perda das características distintivas da espécie açoriana”. Factos são factos e os estudos assim os ditam. Os Açores têm assim uma riqueza por explorar, mas que embora tenho tudo para ser um factor contributivo para uma economia mais forte, e dividida em diferentes sectores, não tem sido, provavelmente muito aprofundada na prática.

Quanto às componentes e evidentes benefícios, a descrição dos atribuídos e possíveis “mercados” de integração desta espécie é feita por Maria João Pereira: “os mirtilos açorianos são fonte de vitamina C, compostos anticancerígenos e compostos auxiliadores da circulação vascular periférica, podem ser consumidos e comercializados, frescos e inteiros (para consumo directo, adição a iogurtes, gelados e confecção de sobremesas) ou sob a forma de polpa congelada, compota ou sumo. Secos, os mirtilos podem ser adicionados a misturas de cereais ou barritas de cereais. Os mirtilos-açorianos podem ainda ser utilizados para a extracção de produtos para a indústria alimentar (corantes naturais e compostos antioxidantes) e farmacêutica (cápsulas de antocianósidos-venotrópicos)”.


E porque não se trata apenas de uma introdução na indústria alimentar, o mirtilo-açoriano poderia ser muito bem utilizado para o bem-estar, para a saúde não só dos açorianos, mas se calhar uma mais-valia para a saúde dos portugueses… “As folhas e os frutos de várias espécies Vaccinium são referidos nos manuais de plantas medicinais como coadjuvantes no tratamento de problemas vasculares, diarreias, flatulência, parasitoses intestinais, infecções urinárias, inflamações da boca e da laringe. As farmácias e ervanárias possuem vários produtos com extractos de mirtilo. Nos Açores os frutos, macerados ou não em aguardente, eram usados para tratar ‘dores de barriga’”, explica Maria João Pereira.

Os Açores, não fossem os estudos e trabalhos de campo terem já comprovado a utilização benéfica desta espécie, já reconheceram, à sua maneira, a uva-da-serra até porque se trata, “ainda”, de uma valorização ambiental. Como refere Maria João Pereira “esta espécie encerra ainda um valor ambiental importante, foi já usada na recuperação de zonas protegidas (projecto Life-Priolo), mas deve o seu uso ser intensificado na revegetação de áreas erodidas e recuperação de antigas pedreiras, na protecção das linhas de água e lagoas na ornamentação de taludes de estrada, miradouros e parques de lazer. Actualmente esta espécie é produzida por cultura in vitro e semente no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores e por semente no âmbito do projecto Laurissilva sustentável (LIFE 07 NAT/P/000630)”.


Notícia: «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

domingo, 12 de setembro de 2010

Lagarta das pastagens não é praga

“Não é uma praga, não é uma questão nova, é um corriqueiro e vulgar inimigo das culturas como todos os outros das culturas que têm vida”. É assim que Joaquim Pires, director regional do Desenvolvimento Agrário, se refere à lagarta das pastagens que nos últimos tempos tem importunado dezenas de agricultores, pelo menos, nas ilhas das Flores, Faial e Terceira.

A larva da lagarta das pastagens, mythimna unipuncta, vulgarmente conhecida por “rosca”, danificou várias pastagens este Verão, registando quebras em explorações que se preparavam para fazer silagem de erva ou, noutros casos, de milho. Ora, para Joaquim Pires a lagarta das pastagens é “um vulgaríssimo organismo que é dominado perfeitamente pelos agricultores”. Mas, se­gundo o director regional do Desenvolvimento Agrário “quando baixa a humidade a determinados níveis e aumenta a temperatura, nomeadamente nos meses mais secos do ano (Julho ou Agosto), é quando este organismo se faz expressar, quando aparece mais. Isso é do conhecimento vulgar do agricultor e que o resolve perfeitamente através de determinados produtos”, explica Joaquim Pires.

Quando o «Diário dos Açores» reportou pela primeira vez esta situação alguns técnicos do Serviço de Desenvolvimento Agrário das Flores revelaram um parecer que já há muito não era visto. Agora, Joaquim Pires salienta que os registos quinzenais revelam que não há registos anormais e que este “organismo expressa-se em circunstâncias perfeitamente normais e naturais a qual o agricultor tem o domínio sobre ele”, acrescentando que a agricultura estará sempre dependente da conjugação do solo com o clima, sinal de uma agricultura “saudável e natural”.

A Direcção Regional de Desenvolvimento Agrário sublinha assim que os elementos que dispõe são de “situações perfeitamente naturais para a época do ano, que inclusivamente em meados de Julho até melhoraram com algumas chuvas”. Joaquim Pires informa que “os Serviços de Desenvolvimento Agrário têm permanentemente a porta aberta e sempre que surge algum caso mais anormal devem contar-nos e pedir conselhos aos técnicos. Não faltam técnicos para fazer esse aconselhamento, também nas Cooperativas Agrícolas e Associações Agrícolas. Os agricultores encontrarão apoio para actuar de diferentes maneiras adequadas”, disse.

Quanto aos casos, que o Director Regional quantifica como “pouquíssimos”, Joaquim Pires concluiu que “há anos que de facto são, nesse aspecto, diferentes e menos bons que outros e isso verifica-se, mas dizer que é um ano anormal, não é. O que se verifica é que este ano poderá haver mais expressividade do organismo do que o ano anterior, mas não é um ano anormal”, esclarece.


Notícia: «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

sábado, 11 de setembro de 2010

A subida ao pico mais alto da Europa

Os três açorianos viram-se obrigados a adiar a subida ao monte Elbrus, na Geórgia, devido a atrasos na concessão de vistos.

A subida ao ponto mais alto da Europa, a 5.642 metros de altitude, integrada no projecto «Açores no Topo do Mundo», estava prevista para Junho, mas só deverá ocorrer em Setembro. Luís Bettencourt admitiu que, nessa altura, as condições atmosféricas “não serão tão boas como em Junho”, mas assegurou que não inviabilizarão a subida ao Elbrus. “Vai estar mais frio e teremos uma camada de neve maior, mas em qualquer altura do ano iríamos sempre encontrar neve”, afirmou.

O projecto «Açores no Topo do Mundo» arrancou a 9 de Setembro do ano passado com a subida ao Pico e prosseguiu a 28 de Novembro, quando a bandeira açoriana foi hasteada no cimo do Kilimanjaro, na Tanzânia, o ponto mais alto de África, a 5.895 metros de altitude. Já este ano, em Abril aconteceu a subida ao cimo do Monte Kosciuszko, o pico mais alto da Austrália, a 2.208 metros de altitude.

O jorgense, um florentino e um picoense, querem escalar os oito pontos mais altos do planeta e desfraldar na neve dos seus picos a bandeira dos Açores. A viagem continua agora em Setembro, com a subida do monte Elbrus, o ponto mais alto da Europa, marcando assim a viragem no projecto «Açores no topo do mundo».


Notícia: «Açoriano Oriental» e «Jornal Diário».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tarifas aéreas promocionais seguem para avaliação da Comissão Europeia

O processo de negociação da proposta do Governo Regional de criação de tarifas promocionais abaixo de 100 euros nas ligações aéreas entre os Açores e o Continente, foi ontem concluído.

O Governo da República, através do secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, aprovou as propostas açorianas. Esta decisão do Governo da República constitui a última fase do processo negocial desenvolvido entre o Governo Regional e o Governo da República quanto às alterações aos termos das obrigações de serviço público que regulam o transporte aéreo entre a Região e o Continente.

De acordo com as regras comunitárias que regulam esta matéria, para a entrada em vigor destas alterações, o Governo da República enviará na próxima semana à Comissão Europeia estas propostas de alteração para apreciação e posterior publicação no Jornal Oficial das Comunidades.


Notícia: «Jornal Diário», rádio Atlântida e «Diário de Notícias».
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quem domina a área florestal açoriana (afinal) é o incenso, não a criptoméria

Apenas 10% do território regional é de floresta natural...

Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado. De acordo com os últimos dados da edição de 2010 das Estatísticas Agrícolas, do Instituto Nacional de Estatística (INE), este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%).

Mais grave ainda é a situação da floresta natural, que nos Açores é a tão afamada flora macaronésica, com elevado valor histórico e até turístico. Nos Açores, apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira é praticamente o dobro, com 20,15% do território. A média nacional é bem inferior, apenas 0,45% – mas o interesse estratégico é também muito diferente.

Os dados do INE poderão estar até um pouco inflacionados, uma vez que o Inventário Florestal da Região (IFR), realizado em 2007 pela Direcção Regional dos Recursos Florestais com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá dados ligeiramente inferiores. Onde o INE dá 74,7 mil hectares de área florestada, o IFR dá 71,5 mil, o que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.

O Corvo é a ilha com menor espaço florestado (apenas 2,89%) enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).

Em termos dos espaços florestais (o total florestado menos os espaços naturais), a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o vingamento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou conquistando o dúbio troféu de ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O número diz tudo: 49,25% da área florestada açoriana é composta por incenso, o que pode facilmente ser considerado uma espécie de drama. Para se ter uma ideia, a criptoméria, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.

As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Nas Flores, 72,67% é incenso, e no Pico 78,4%. É imenso. No Corvo, esse valor atinge os 79,5%. São Miguel parece fugir a essa regra negra, apresentando apenas 23,2% da sua área florestal com incenso – o que representa apenas 15% do total.


Notícia: «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Livro sobre espécies de aves dos Açores

O primeiro livro em português sobre as espécies de aves que nidificam nos Açores, da autoria do ornitólogo Carlos Pereira, será lançado nesta sexta-feira [na Livraria Gil, em Ponta Delgada], numa edição da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

Os Açores possuem uma avifauna única no mundo, incluindo o paínho de monteiro e o priolo, duas espécies que apenas podem ser observadas neste arquipélago.

As ilhas açorianas, em época de nidificação, albergam algumas das mais importantes populações europeias de várias espécies de aves marinhas, além de serem o único local no país onde nidificam algumas espécies de aves terrestres.

O livro «Aves dos Açores», além dos textos de Carlos Pereira, inclui ilustrações de todas as espécies que ocorrem regularmente ao arquipélago, da autoria de João Tiago Tavares e Pedro Fernandes.

Nesta obra é revelada a aparência, distribuição e biologia das espécies que nidificam nos Açores, mas também são apresentadas as principais ameaças que se colocam à sua conservação. Os melhores locais para observar aves nas ilhas açorianas são também indicados neste livro.


Notícia: «Diário de Notícias», «Açoriano Oriental», «Correio dos Açores» e «Jornal Diário».
Saudações florentinas!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

«Visões de futuro: Flores -> 2030» #2

CENÁRIOS PARA A ILHA
(desenvolvidos no contexto do estudo)

O cenário do Desenvolvimento Standard é o cenário do desenvolvimento através do investimento público em infraestruturas, apostando num sector primário mais intensivo que vai permitir exportar alguns produtos agrícolas (carne de bovino, leite e produtos derivados do leite), num modelo de turismo mais estandardizado (apostando nas oportunidades da ilha mas não priorizando o impacto ambiental mínimo) e na exploração da água com fins comerciais. Em certos aspectos este já é o caminho que se está [presentemente] a seguir [na Região], mesmo que o cenário crie certa “apreensão”. Sobretudo o papel da agricultura “produzir mais e mais, isto também é um pouco agressivo”. Mas a ilha das Flores precisa de investimento público e este parece um cenário que permite criar mais riqueza, “o que a gente quer é mais riquezas” e nem todos os investimentos em infraestruturas deveriam ter um forte impacto no ambiente, “as pessoas estão muito mais sensibilizadas com as questões ambientais”. Algumas pessoas afirmam que a ilha das Flores já tomou este rumo, certas infraestruturas já criadas são infra-utilizadas e afirmações como: “nós já temos um elefante branco e “as coisas das Flores são feitas fora de sítio”, levam a pensar isto.

“Se efectivamente houver um desenvolvimento no sentido de melhorar as acessibilidades e os custos destas, penso que a ilha das Flores poderá ter ambição de viver muito à custa do turismo”
Francisco T. (organização de apoio ao investimento nas áreas rurais)

“... tudo isso dá uma certa animação sócioeconómica, promove o comércio, promove a agricultura, promove o desenvolvimento. Porque o que a ilha das Flores precisa é de pessoas, só que as pessoas não se fixam lá se não houver economia.”
Joaquim G. (professor na Universidade dos Açores)


O cenário do Desenvolvimento Equilibrado é o cenário do desenvolvimento através de altos standards de qualidade ambiental e valorização dos valores próprios associados à própria natureza e vivência da ilha das Flores, apostando, por exemplo, fortemente no estatuto de Reserva da Biosfera. Neste cenário, “agradecido com o ambiente”, são fundamentais investimentos prudentes e infraestruturas que pretendam valorizar a ilha pensando no turismo mas, sobretudo, nos seus habitantes, e que priorizam o impacto ambiental mais baixo, assim como a preservação, melhoramento e valorização dos eco-serviços e redução da dependência exterior, “é bom fazer alguma coisa para não estar[mos tão] dependentes do exterior” (nomeadamente ao nível das importações). Este cenário, “talvez utópico”, vai precisar de investimentos que se calhar a ilha das Flores não tem, mas, em geral, tem sido considerado melhor [cenário] para a ilha, algumas pessoas acham que a ilha das Flores está bem encaminhada para este cenário. Mesmo que promova um cenário assim, que “tem em conta as pessoas” e “ao promover estas coisas, vai dar muita mais actividade e, por isso, isto dificilmente acontece”, o risco é criar um elefante verde no meio do Atlântico.

“Tem que ser uma agricultura, digamos, sustentável. Já com uma agricultura vocacionada para a preocupação da preservação. Não utilizar excessivamente os solos, nem os adubos, nem os fertilizantes; tem que ser dada formação aos agricultores nessa área para eles também aprenderem a preservar os recursos ambientais.”
Leonor M. (representante de concelho nas Flores)

"Um sítio destes podia ser um paradigma para o resto do Mundo, tem as condições para isso."
Daniel A. (técnico de turismo rural)

Informação retirada do blogue «Flores 2030, visões de futuro e desenvolvimento sustentável da ilha das Flores», trabalho do doutoramento de José Benedicto Royuela.
Nota: o texto que (acima) aparece a azul são contributos da população local, ocorridos nas reuniões de grupo da segunda fase do projecto.

Saudações florentinas!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

«Visões de futuro: Flores -> 2030» #1

O PROJECTO

Porquê a ilha das Flores?

A ilha das Flores, recentemente nomeada Reserva da Biosfera pela UNESCO, apresenta uma série de desafios quanto ao seu desenvolvimento. Por esta razão foi realizado um estudo, dividido em três fases, sobre as visões de futuro para a ilha das Flores no ano 2030.

Fases do estudo

A primeira fase de estudo consistiu numa série de entrevistas realizadas na ilha das Flores em Abril de 2009. Foram entrevistados 23 agentes sociais no total (na ilha e na Região), com o objectivo de identificar as suas visões para as Flores em 2030. A partir destas visões começaram a desenvolver-se dois cenários para a ilha das Flores em 2030.

Numa segunda fase, estes cenários, que iremos chamar de Desenvolvimento Standard e de Desenvolvimento Equilibrado, foram discutidos e analisados em reuniões de grupo realizadas entre Setembro e Outubro de 2009. Foram realizadas sete reuniões, com um total de 30 participantes. Estas reuniões permitiram incorporar as perspectivas da população local às visões identificadas nos agentes sociais.

Finalmente, numa terceira fase, que decorreu em Novembro e Dezembro de 2009, os agentes sociais foram novamente entrevistados. Foi solicitado (a cada um deles) uma avaliação dos dois cenários definidos para a ilha das Flores e de mais cinco cenários previamente desenvolvidos pela SRAM para o conjunto da Região (cenários do PReDSA), em função de uma série de critérios definidos previamente nas reuniões de grupo junto da população local.


Informação retirada do blogue «Flores 2030, visões de futuro e desenvolvimento sustentável da ilha das Flores», trabalho do doutoramento de José Benedicto Royuela.
Saudações florentinas!!