quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quem domina a área florestal açoriana (afinal) é o incenso, não a criptoméria

Apenas 10% do território regional é de floresta natural...

Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado. De acordo com os últimos dados da edição de 2010 das Estatísticas Agrícolas, do Instituto Nacional de Estatística (INE), este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%).

Mais grave ainda é a situação da floresta natural, que nos Açores é a tão afamada flora macaronésica, com elevado valor histórico e até turístico. Nos Açores, apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira é praticamente o dobro, com 20,15% do território. A média nacional é bem inferior, apenas 0,45% – mas o interesse estratégico é também muito diferente.

Os dados do INE poderão estar até um pouco inflacionados, uma vez que o Inventário Florestal da Região (IFR), realizado em 2007 pela Direcção Regional dos Recursos Florestais com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá dados ligeiramente inferiores. Onde o INE dá 74,7 mil hectares de área florestada, o IFR dá 71,5 mil, o que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.

O Corvo é a ilha com menor espaço florestado (apenas 2,89%) enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).

Em termos dos espaços florestais (o total florestado menos os espaços naturais), a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o vingamento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou conquistando o dúbio troféu de ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O número diz tudo: 49,25% da área florestada açoriana é composta por incenso, o que pode facilmente ser considerado uma espécie de drama. Para se ter uma ideia, a criptoméria, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.

As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Nas Flores, 72,67% é incenso, e no Pico 78,4%. É imenso. No Corvo, esse valor atinge os 79,5%. São Miguel parece fugir a essa regra negra, apresentando apenas 23,2% da sua área florestal com incenso – o que representa apenas 15% do total.


Notícia: «Diário dos Açores».
Saudações florentinas!!

2 comentários:

DR.PARDAL disse...

A florestação da ilha das Flores é muito deficiente.

Espécies arbóreas de pequeno porte dispersas em pequenas manchas nas encostas e planaltos.

Muitos visitantes ficam admirados como é que na Ilha das Flores há pouca floresta com espécies de grande porte, ao contrário de S.Miguel, Pico, Faial e S.Jorge.

Era bom que os Serviços Florestais e os proprietários dos terrenos pensassem em arborizar adequadamente as nossas serras, cabeços, grotas, desfiladeiros ou ribanceiras, assim como as bermas das estradas do mato e os diferentes ramais.

Anónimo disse...

Um propietário devia poder fazer o que bem lhe apetecesse aos seus terrenos ou seja mondá-los devidamente , cortar uma árvore para madeira , plantar as sebes , etc etc ou seja dar ao terreno a devida utilidade ,mas não pode pois á uma camada de badamecos que são os deputados a fazer leis na assembleia que não sabem o que estão a legislar , leis essas que podiam ser contornadas por quem as manda executar ,mas ai surge outro problema eng. sem sensibilidade para os problemas reais dos propietarios.