terça-feira, 7 de setembro de 2010

«Visões de futuro: Flores -> 2030» #2

CENÁRIOS PARA A ILHA
(desenvolvidos no contexto do estudo)

O cenário do Desenvolvimento Standard é o cenário do desenvolvimento através do investimento público em infraestruturas, apostando num sector primário mais intensivo que vai permitir exportar alguns produtos agrícolas (carne de bovino, leite e produtos derivados do leite), num modelo de turismo mais estandardizado (apostando nas oportunidades da ilha mas não priorizando o impacto ambiental mínimo) e na exploração da água com fins comerciais. Em certos aspectos este já é o caminho que se está [presentemente] a seguir [na Região], mesmo que o cenário crie certa “apreensão”. Sobretudo o papel da agricultura “produzir mais e mais, isto também é um pouco agressivo”. Mas a ilha das Flores precisa de investimento público e este parece um cenário que permite criar mais riqueza, “o que a gente quer é mais riquezas” e nem todos os investimentos em infraestruturas deveriam ter um forte impacto no ambiente, “as pessoas estão muito mais sensibilizadas com as questões ambientais”. Algumas pessoas afirmam que a ilha das Flores já tomou este rumo, certas infraestruturas já criadas são infra-utilizadas e afirmações como: “nós já temos um elefante branco e “as coisas das Flores são feitas fora de sítio”, levam a pensar isto.

“Se efectivamente houver um desenvolvimento no sentido de melhorar as acessibilidades e os custos destas, penso que a ilha das Flores poderá ter ambição de viver muito à custa do turismo”
Francisco T. (organização de apoio ao investimento nas áreas rurais)

“... tudo isso dá uma certa animação sócioeconómica, promove o comércio, promove a agricultura, promove o desenvolvimento. Porque o que a ilha das Flores precisa é de pessoas, só que as pessoas não se fixam lá se não houver economia.”
Joaquim G. (professor na Universidade dos Açores)


O cenário do Desenvolvimento Equilibrado é o cenário do desenvolvimento através de altos standards de qualidade ambiental e valorização dos valores próprios associados à própria natureza e vivência da ilha das Flores, apostando, por exemplo, fortemente no estatuto de Reserva da Biosfera. Neste cenário, “agradecido com o ambiente”, são fundamentais investimentos prudentes e infraestruturas que pretendam valorizar a ilha pensando no turismo mas, sobretudo, nos seus habitantes, e que priorizam o impacto ambiental mais baixo, assim como a preservação, melhoramento e valorização dos eco-serviços e redução da dependência exterior, “é bom fazer alguma coisa para não estar[mos tão] dependentes do exterior” (nomeadamente ao nível das importações). Este cenário, “talvez utópico”, vai precisar de investimentos que se calhar a ilha das Flores não tem, mas, em geral, tem sido considerado melhor [cenário] para a ilha, algumas pessoas acham que a ilha das Flores está bem encaminhada para este cenário. Mesmo que promova um cenário assim, que “tem em conta as pessoas” e “ao promover estas coisas, vai dar muita mais actividade e, por isso, isto dificilmente acontece”, o risco é criar um elefante verde no meio do Atlântico.

“Tem que ser uma agricultura, digamos, sustentável. Já com uma agricultura vocacionada para a preocupação da preservação. Não utilizar excessivamente os solos, nem os adubos, nem os fertilizantes; tem que ser dada formação aos agricultores nessa área para eles também aprenderem a preservar os recursos ambientais.”
Leonor M. (representante de concelho nas Flores)

"Um sítio destes podia ser um paradigma para o resto do Mundo, tem as condições para isso."
Daniel A. (técnico de turismo rural)

Informação retirada do blogue «Flores 2030, visões de futuro e desenvolvimento sustentável da ilha das Flores», trabalho do doutoramento de José Benedicto Royuela.
Nota: o texto que (acima) aparece a azul são contributos da população local, ocorridos nas reuniões de grupo da segunda fase do projecto.

Saudações florentinas!!

6 comentários:

Anónimo disse...

Acho que este assunto ja foi debatido aqui uma vez mas....como sempre acaba com o pessoal dos dois conselhos a falarem (bem) uns dos outros!!
Se na Ilha das Flores fosse desenvolvido aquele projecto de auto-sustentação energética é que era uma grande ideia.
Pelas condições da ilha é mais facil fazer que em qualquer parte do mundo.
E isso sim trazia turismo para as Flores, quem não queria passar férias numa ilha que além de ser das mais bonitas do mundo tambem não consumia combustiveis fosseis?
Claro que teria de haver excepções como ambulancias, aviões e navios de grande porte....

Anónimo disse...

Bom desenvolvimento se tude se concretizar. Outro ponte que aqui fala é a exploração de àgua. Alguns meses atrás fiz referência a este ponte em que eu dizia que tinha-mos tanta àgua e que alguém puse-se esta ideia em prática já que o Governo ajuda, e até me referia que a nossa terra tem bons nascentes e bebemos água engarrafada com o nome de nascentes e temos muito melhor. No fim da minha escrita dizia eu que tinha pena hoje não ter 20 anos com as facilidades que existem com dinheiros da CEE.Um Lajense.

DR.PARDAL disse...

Para além de todos os considerandos apontados nesta antevisão, chamo a atenção que a ilha tem que alterar/inverter o mais depressa possível a sua «pirâmide demográfica».

Actualmente constatamos o progressivo envelhecimento da nossa população, e isto a prazo, poderá ser prejudicial para a sustentabilidade da própria ilha, quer a nível económico, social e até ambiental, pois é com gente nova e activa que se poderá preservar e cuidar da nossa Ilha.

Caso contrário, ficará como no interior e nas serranias do Continente. As aldeias despovoam-se, as escolas fecham, os correios idem aspas, e no final, o território fica entregue aos «bichos»...

A ilha já possui um razoável parque de infra-estruturas básicas e o que necessita essencialmente é de mais actividade económica, virada para a sustentabilidade , desde turismo rural e de habitação, turismo residencial para estrangeiros e nacionais, actividades turistico-maritimas, agricultura biológica, horticultura; serviços de proximidade; artesenato e produções destinadas aos turistas,etc.

Em resumo: Mais população (pelo menos + 1/3), mais economia, mais atenção aos nossos recursos locais e mais cuidado com o nosso delicado eco-sistema, o que requer o uso equilibrado de todas estas variáveis.

E fiquem sabendo: sem gente não há planos que resistam, e também devemos evitar que a ilha se transforme num «grande centro de dia» só para idosos.

É preciso «importar» gente jovem, dinâmica, com qualificações e com idade para trabalhar.

Finalmente espero que em 2030 já não hajam «lixeiras a céu aberto»...

Anónimo disse...

No lugar de "importar" gente jovem, temos é que fabricar gente jovem.

É fácil.
É bom.
E dá-nos futuro.

jota disse...

Este tema é muito importante e era bom que as pessoas opinassem sobre
ele.
Uma coisa é bem clara,este modelo de desenvolvimento tem sido um rotundo fracasso. Subsídios por parte do governo e umas "obritas" com pouco de estruturante por parte das Câmaras para entreter a malta.Chama-se a isto "navegar à vista".
O resultado é bem visivel,são muitos mais aqueles que abandonam a
ilha do que os que chegam para ficar e possam ser um valor a acrescentar.
Nos ultimos cinco anos já perdi a conta aos jovens que sairam ,outros estão na "calha".
Neste caso não basta dizer que se
fez muita coisa,o importante é avaliar os resultados...

Anónimo disse...

Olá!
Sou José Benedicto, o estudante que está a fazer a investigação sobre o desenvolvimento das Flores. A ideia do projecto e tentar desenvolver uma metodologia onde os habitantes da ilha podem desenvolver uma visão da sua ilha. A ideia é definir em rasgos gerais que é que se poderia fazer para ter uma ilha mais sustentável, em definitiva, não “navegar à vista”. Como todos os locais as Flores tem potencialidades (e cito só as referidas nos comentários deste blogue): energia, turismo (rural poderia resumir a tipologia), água e parece que as infraestruturas básicas já lá estão. Também tem uma série de limitantes ou perigos (demografia, nível de actividade económica, fragilidade dos ecossistemas…). A ideia do trabalho é então, desde o realismo mas com imaginação, pensar que é que se poderia fazer nas Flores e como é que poderia ser a ilha em 20 anos. Supostamente se se conseguisse desenvolver uma visão de conjunto poderiam se coordenar melhor as politicas e os projectos empresariais e sociais, tudo desde a tripla perspectiva da sustentabilidade social, económica e ambiental. Neste contexto a reflexão, a partilha de ideias e projectos e a discussão são fulcrais. Não em tanto o meu trabalho não trata (e não quer tratar) da existência de dois concelhos na ilha!
Seria muito bom que este foro, ou o blogue que criei para o meu trabalho, servi-se para a discussão! Por isso todos os contributos são bem vindos!

Por outro lado sou consciente que o Forúm Ilha das Flores, e outros suportes, tem vindo a fazer um grande trabalho no sentido de procurar o melhor caminho para a Ilha, não pretendo em nenhum momento impor uma visão ou anular o que se tem feito! Nem quero, nem acho que é bom!
Muito obrigado pelos contributos e o apoio!

José
josebero@yahoo.com